Já contei pra vocês a história do Lucas usando óculos, certo? (se não viu, clica aqui pra entender)

Pois além dos óculos, Lucas também faz tratamento de oclusão – WHAT? Em português claro: tampão em um dos olhos. Isso porque um lado funciona muito pior do que o outro e, como ele está ainda em fase de crescimento, corrige-se tampando o olho “bom”, que estaria compensando a visão dos dois (e trabalhando dobrado), para que o olho “ruim” perceba que ficou sozinho na jogada e se mexa (e se desenvolva mais rapidamente, para atingir o patamar do olho bom).

O caso do Lucas era relativamente mais brando que outros que conheço, visto que, quando começamos, ele não precisava usar o tempo todo: seis horas diárias eram suficientes. A orientação era exercitar bastante nessas seis horas, principalmente com ele “forçando” – desenhando, vendo TV ou até mesmo jogando joguinhos específicos no Ipad.

O tratamento já dura mais de um ano e foi reduzindo com as melhoras que ele foi tendo: passamos de 6 para quatro horas, depois para três e agora estamos em apenas duas. A paciência dele também já está acabando, mas a gente inventa coisas novas e consegue que ele faça uso do tampão.

Como ele melhorou rápido e aceitou relativamente bem a “limitação”, muita gente nos pergunta: COMO FAZ???

E esse é o intuito do post de hoje: dar um abraço em cada mãe ou pai que esteja passando por isso – não é mesmo fácil. E, principalmente, contar um pouco do que fizemos que ajudou aqui e pode ajudar aí na sua casa também.

Sijoga:

1) O tampão vira desenho
Essa é a dica principal e a que mais funcionou aqui: todos os dias fazemos desenhos diferentes no adesivo que ele usa. Compramos do modelo mais básico, liso mesmo, e vamos desenhando elementos que ele esteja curtindo no momento. Já teve de um tudo. E nem é que a gente seja muito desenhista não: a gente joga no google e vai tentando copiar. Lucas curte o processo, dá ideias e até a Luiza fica com um certo ciúme querendo usar também.

2) O tampão vira exposição de arte
Quando acaba o uso diário do tampão, Lucas cola a “peça” no banheiro. Raramente jogamos algum fora. Cada azulejo vira uma peça de arte e, principalmente, de orgulho para ele. Os amigos que vem aqui em casa adoram, tiram fotos, fazem perguntas e o que era pra ser motivo de chateação acaba virando objeto de desejo.


3) Tampão de adulto!
Começamos usando os tampões infantis, que são menores, mais coloridos e têm muitos desenhos. Ele até gostou dos desenhos, mas o formato menor incomodava demais ele. Testamos os modelos adultos que são mais simples e maiores e ele ficou visivelmente mais confortável. Então vai de adulto mesmo.


4) Tampão nos óculos, em vez de colado no rosto
Esse ainda nem testamos, pra falar a verdade. São modelos feitos para acoplar diretamente nos óculos, mas que só servem para quem já está avançado no tratamento – o risco da criança olhar “por fora” é grande e aí o uso não serviria de nada. Mas mostramos pro Lucas e ele amou a ideia. Esses da foto foram mandadas pela oftalmo, pra ilustrar apenas.


5) Quadro de recompensa do tampão
Parecido com a nossa iniciativa do banheiro, essa eu nem tenho foto, mas já ouvi falar: você faz um quadro com o seu filho e vai colando os tampões (ou adesivos, se preferir) para cada dia usado. A oftalmo do Lucas comentou que os fabricantes mais famosos de tampões até desenvolveram um quadro que, quando completado com os tampões, forma um desenho grande, achei maneira a ideia. Mas não cheguei a ver ao vivo.
6) Paciência
Tá, eu sei, essa é óbvia. Mas é importante lembrar que, embora o tratamento seja importantíssimo, a criança não consegue visualizar esse benefício no futuro distante, então muitas vezes se frustra. O Lucas não precisa ir pra escola de tampão, por exemplo, e acho que isso ajuda. Quando alguém vem aqui em casa e pergunta “o que aconteceu no seu olhinho?”, ele fica meio sem paciência de responder e eu entendo. Ele não é um coitadinho e não aconteceu nada, é só um tratamento. Mas é importante termos paciência não só com as crianças como com os adultos que perguntam na inocência (mas fica a dica: na dúvida, não pergunte na frente da criança, nem aja como se ela fosse uma coitadinha!).

 

Enfim, era isso, espero ter ajudado! Se tiver mais dicas, conta pra mim que eu aumento essa listinha!

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