Quem me acompanha há mais tempo sabe que o meu sofrimento DO ANO é quando a escola do Lucas inventa festinha com apresentação AND junto com ela vem: A FANTASIA.

Essa neura veio comigo da Argentina, porque quando ainda morávamos lá, a creche que o Lucas frequentava era mestra em inventar doideiras e ia eu resolver a pendenga. No último ano, a fantasia era super fácil, difícil foi fazer o Lucas querer dançar. Ele odiou, eu fiquei braba, deu tudo errado. E a fantasia que era fácil nem usada foi (era de gatinho, a quem interessar possa).

Aí mudamos de cidade, mudamos de país, mudamos de escola. E a escola nova fez o que era esperado dela, afinal: marcou uma apresentação das crianças. Mas a semelhança com a creche argentina (e quase todas do mundo?) parou aí. Em vez de me mandarem fazer fantasia, pediram dinheiro para produzir eles mesmos. Em vez de pedirem para buscar a criança e depois levar na hora da festinha, eles resolveram ficar com elas, preparando-as pro que ia acontecer. Em vez de fazer uma coisa em cima da hora, os ensaios duraram meses.

Era visível o quanto Lucas estava envolvido, animado, com aquela ansiedade boa, sabe?

Na hora de se apresentar, não deu outra, o menino sijogou:

E eu não sei o que senti. Juro que fiquei um tempão refletindo sobre isso. Porque, na real, sendo bem sincera, eu sempre participei dessas apresentações de escola, mas também entendo que elas servem muito mais para os pais do que para as crianças. Imaginem: elas são colocadas em situações de alta exposição, muitas delas choram, se assustam, se recusam a participar – como aconteceu com o Lucas no ano anterior, aliás. E isso a troco de quê? O que elas ganham com isso? Nada, eu acho. Só servem de macaquinhos de circo para os adultos tirarem mil fotos, se acotovelarem e se jogarem uns por cima dos outros numa ansiedade muito esquisita. Ansiedade da qual eu fiz parte.

Mas eu aprendi. Na época da festa junina, Lucas disse que não queria dançar e nem se fantasiar. Nós ouvimos e nem levamos ele. Mas na de hoje, ele queria, ele estava genuinamente animada. Não sei se foi porque está mais velho e entendendo melhor as coisas, ou se pelo colégio que conduziu muito bem todo o evento ou se simplesmente os astros se alinharam. Não sei. Sei que foi muito legal, muito fofo, ele ficou satisfeito, nós ficamos orgulhosos, todo mundo curtiu.

8 respostas em “A festa da escola – versão carioca

  1. Também fiquei pensando pra que servem essas apresentações. Fiquei achando que começam a treinar a meninada pra se apresentar em público (e daí aquela reunião da diretoria não vai ficar tão pesada depois). Talvez organização no espaço, ou aprendizagem de trabalho de grupo? Devo confessar que nunca tive nenhum problema de expor idéias em público – mas imagino que, pra quem é tímido, isso seja um suplício. Não sei. Só sei que vou em todas as apresentações, mesmo tendo que sair no meio do serviço pra ver a mesma apresentação de teatrinho de novo – minha contribuição capenga pra valorizar o esforço da meninada. Repara só depois como a pimpolhada curte de-mais ver a gravação da apresentação (em casa, sem pressão nem público 😉

  2. Super lindo e por certo foi o mix da organização que fez tudo funcionar super bem.
    Não ter de se preocupar com nada foi ótimo, fala lá para o povo da Argentina esse modelo rsrsrsrs.
    Esses cachimbos loiros estão muito lindos!
    Eu creio que eles se sentem muito importantes participando, mas se ele não quis vc foi muito atenciosa em não forçar!
    Parabéns aos dois!

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