Compartilhei um texto na minha TL sobre a polêmica com ajornalista Fernanda Gentil e seus problemas com a amamentação. Daí uma leitora
me questionou dizendo que ela só precisava desabafar e ser acolhida, como eu
fui quando fiz a cesárea da Segundinha.

Achei interessante, pois eu também tinha lembrado da minha cesa quando essa história toda rolou na internet no final de semana. Acho interessante, pois eu sempre lembro da cesa quando surgem as (cansativas, eu sei) polêmicas facebuquianas.

De fato, salvo uma ou outra exceção, fui amplamente acolhida imediatamente após o nascimento da Luiza, recebi muitos abraços e relatos de outras mães que também tiveram o mesmo destino. Até hoje sou abraçada quando comento da minha tristeza pelo parto que não foi.

Em tempo, obrigada, viu? Mesmo. Foi importante.

Pois bem.

A tristeza existe e continua em mim, mas sinto que chegou a hora de olhar de frente pra ela e fazer a pergunta que todas se fazem: foi mesmo necessária aquela cirurgia? Vejam: eu não vou sofrer mais se descobrir que não foi. E tampouco ficaria super satisfeita de saber que foi. É só um assunto que sinto que precisa fechar, precisa completar seu ciclo. Eu preciso saber, preciso entender. E agora eu tenho o distanciamento suficiente para olhar pra essa questão e pensa-la com frieza.

A vocês que já percorreram esse caminho: como fizeram? Para quem perguntaram? O que motivou as perguntas? Foi bom ter as respostas?

Eu estou pronta.

11 respostas em “Tempo de questionar

  1. Olha, Carol. Minha cesárea foi intra-suposto-parto. A bolsa estourou (alta, não fez chuá), fiquei 42h de bolsa rota e quase 1 dia de indução. Já chorei, já me culpei (muito), já me conformei. Hoje aceito. É claro que de vez em quando volto ao assunto e sofro um pouquinho.
    Mas é impossível fugir do clichê: meu filho está hoje saudável e lindo e crescendo, 2a9m, 1 metro de altura, mamou até 2a7… Não é possível des-fazer a cesárea.
    Cheguei à conclusão de que essa foi a nossa história, talvez necessária para meu aprendizado como mãe e semi-ativista. Então eu respiro fundo, agradeço que "deu tudo certo" e tento me preparar melhor para a próxima gestação.

  2. Olá Carol,
    Muito legal vc se questionar tanto tempo depois. Acho que sempre que buscamos informações acabamos nos deparando com algo que nos faz questionar nossas escolhas.
    Tenho um menino lindo, saudável e esperto, que nasceu de parto normal hospitalar, mamou até 1 ano, foi para escola com 1 ano e 3 meses e completou recentemente 3 anos.
    No meu caso, ao completar 2 anos instalou-se um bomba em nossas vidas. Meu menino não estava se desenvolvendo como as outras crianças. Procuramos ajuda, e a hipótese diagnostica é autismo.
    Hoje, 1 ano depois, não foi fechado um diagnóstico ainda pois neste período de tratamento, ele evoluiu muito, chegando a perder muitas características do espectro, o que nos deixa muito felizes.
    Hoje, sei que neste 1 ano passei por fases: negação, desespero, revolta, e em todas essas fases, culpa, muita culpa.
    A fase mais difícil foi sem duvidas da aceitação, pois ela traz muitos questionamentos, e estes por sua vez trazem mais culpas.
    “Isso aconteceu pq voltei a trabalhar quando ele tinha 6 meses”
    ou “pq foi para escola antes dos 3 anos”,
    “não insisti em amamenta-lo mais”
    Primeiro me libertei de coração da culpa, isso acontece com muitas pessoas, aconteceu comigo. Planejei o meu filho, me cuidei toda a gestação, cuidei da alimentação, dei carinho, amor, claro que errei tb, faz parte do aprendizado né? E como eu poderia ser culpada por algo, que nem a ciência pode explicar ?
    Vejo o quão importante, apesar de difícil foram todas essas fases. Eu precisava passar por todas elas para chegar aqui.
    Na minha estrada, aceitação é só o começo. Temos como família muito para passar, mas hoje me sinto realmente forte para isso. Orgulho-me da mãe que sou. Orgulho-me mais ainda, do exemplo de família que damos ao nosso filho.
    Sorte para você, esse processo será fundamental para te trazer leveza para vida!
    Obs.: quando menciono aceitação, a minha veio quase 10 depois. Mais todos os sentimentos eram meus. Neste tempo, entrei de cabeça para buscar toda informação possível, para ajudar o meu menino a abrir os olhos para nosso mundo. Neste período, meu menino foi cuidado, amado, respeitado.
    Menciono isso que sempre tem alguém que vai comentar que o importante é a Luiza está bem, linda, saudável. Sem duvidas, isso é fundamental.
    Mais você também merece essa resposta, essa aceitação.
    BJ
    ,

  3. Ai. Você podia ir contando pra gente, enquanto vai processando. Por aqui fiz uma cesárea "necessária", sete meses atrás, e tenho só evitado pensar nisso, mesmo. Mas acho que vai chegar a hora do questionamento, acho que é um momento que surge, mesmo. Que sua jornada seja engrandecedora! Beijos.

  4. Ai. Você podia ir contando pra gente, enquanto vai processando. Por aqui fiz uma cesárea "necessária", sete meses atrás, e tenho só evitado pensar nisso, mesmo. Mas acho que vai chegar a hora do questionamento, acho que é um momento que surge, mesmo. Que sua jornada seja engrandecedora! Beijos.

  5. Carol, que busca importante! Uma grande busca.
    As parteiras costumam fazer esse trabalho, normalmente com suas pacientes grávidas, de voltar a histórias prévias de nascimento, na tentativa de compreendê-las e colocá-las no seu lugar (eu mesma fiz esse trabalho com a minha, de rever minha própria história de nascimento – uma cesárea desnecessária. Levei partograma, prontuário, todos os documentos, e discutimos tudo isso longamente). Elas, além de serem especialistas em "ler as entrelinhas" dos prontuários, são muito acolhedoras e sensíveis. Não vejo porque você não possa marcar um horário com alguma parteira de sua confiança e mergulhar nessa história, mesmo não estando grávida.
    Penso que a verdade sempre vale a pena ser sabido. Mesmo que dura, ela costuma ser libertadora.
    Boas buscas e descobertas pra você!

  6. Você nunca vai ter certeza… já perguntei para outros ginecologistas e todos falaram que sim era necessária (a minha cesárea) as ativistas da net dizem que não… Só sei que fiz o que pude, 30 horas em trabalho de parto com bolsa rota 34 semanas… As vezes me pego pensando nisso mas… sei la.. pra que né? Consegui aceitar já, o importante é que meu bebe é perfeito, sem nenhuma sequelas, quase 3 anos e lindo lindo de morrer <3

  7. Meu Deus, quanto tempo que saudades de ler o seus post's.
    Hoje fazenda uma limpeza nos meus sites e blogs preferidos, lembrei de vc e fui ver se alguma coisa tinha mudado e sim mudou, vc. voltou fiquei tão feliz….
    Hoje o meu foco é outro, hoje a vida mudou os meus 4 filhos estão gigantes kkkk 1 de 15, outra de 11, mais uma de 5 e o ultimo de 3 anos, mais é maravilhoso ver a sua mudança, o seu amadurecimento e o mais importante ver vc e sua família bem.
    Que Deus te abençoe e te dê muita força, e que vc nunca perca esse seu jeito humorado e critico de escrever.
    Carol forever……

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