Mas não quer dizer que tenha ficado mais fácil só por isso.

Tenho vivido uma espécie de torpor. Não sei direito se estou acordada ou dormindo e não sei direito o que estou fazendo. No meu primeiro puerpério, fiquei mais deprê, sentindo muita saudade da Carolina não-mãe, chorando pelo filho que não dormia, pela dieta que eu tinha que fazer, pela solidão que sentia. Agora, eu tô é meio louca mesmo.

Nada do que eu falo faz muito sentido e eu não entendo bem pra onde estou indo, o objetivo das coisas que eu faço. Constantemente me pego pensando se já troquei a fralda, se já amamentei, se já dei bom dia pro meu marido – às sete da noite. Não sei se morro de saudades do Lucas e do tempo que éramos só nós ou se fico com raiva dele gritar e fazer birra justo quando pus a bebê pra dormir. Ou tudo isso juntomisturado.

Ontem fui na minha obstetra, fazer revisão da cesárea e ela me perguntou como eu estou. Eu sinceramente não sei o que respondi, mas tenho certeza que as frases não tinham a mínima conexão ou linha de raciocínio. Lembro da cara de interrogação que ela fazia, logo seguida por um sorriso de canto de boca acompanhado do comentário “é, você tem dois filhos agora”.

Só sei que Luiza não dorme, mas dorme o dia inteiro. Parece não mamar direito, mas mama o tempo todo. Não chora e é bem calma, mas não permanece mais de uma hora seguida sem contato físico – preferencialmente o meu. Cresce a olhos vistos, mas segue tão pequena. E Lucas parece que cresce o tempo todo, está sempre maior, mãos mais pesadas, voz mais grossa.

Sinto estar numa gincana sem fim e sem ganhadores, cujo único propósito é não fazer direito – ou fazer correndo – toda e qualquer coisa. Comer, tomar banho, dormir: tudo pode (e será) interrompido ou abreviado a qualquer momento. Melhor ter pressa, melhor não fazer, melhor adiar ou melhor fazer logo e deixar feito. Mas aí eu me pergunto: já fiz isso hoje?

Então é assim, no meio desse caos cheirando a leite que tem sido meus dias.

E vocês, tudo bem?

15 respostas em “Eu já sabia

  1. uma vez li um texto falando de como o primeiro filho se transforma para gente depois que o segundo nasce… foi uma visão totalmente diferente do que eu já tinha imaginado na minha vida de mãe de primeira viagem.. q com uma visão totalmente pollyana acha que não vai conseguir amar um segundo filho como ama o primeiro… mas daí o segudno filho nasce para provar que é possível sim amar um segundo com a mesma intensidade mas de forma diferente, e aqueele ser tão amado (o primeiro) em alguns momentos se torna tão estranho e invasivo … como vc citou dele estar crescendo rapido, a voz ficando grossa e a mão pesada. beijo querida, beijo nesse carrossel de emoções que se chama maternidade

  2. Carol, eu super me identifico. Algumas vezes cheguei a pensar pq caralha a quatro eu fui ter outro filho. Eu nao sinto mais saudade da ausencia deles, alias eu gosto do tempo longe deles. E não, eu não me sinto menasmaim por isso. E não vai melhorar. Acho que até o amor virou um sentimento meio mecânico pois faço sem saber porque. Acho que preciso terapia. Vamos terapirar? Bjs

  3. neste tempo de dois pequenos que foi o meu caso… foi o caos completo.. lf chorava toda noite, sentia minha falta, luana full time peito e colo.. e eu louca tentando dar conta da situaçao… hj a lulu com dois anos e os dois na escola, as tardes ja estao livres, eles brincam juntos e viltei a ter prazer de cuidar full time deles!!! calma vai passar sim!!!!

  4. olha… eu já disse pro marido que se ele nao me ajudar de acordo desta vez, eu, que já estarei louco no pos-parto, vou me dar o direito de enlouquecer legal! agora com 30 semanas estou aproveitando tudo com muita intesidade. em novembro, veremos como nossas vidas se transformaram. bjs!

  5. Caos completo define a vida de mãe de dois. Oi! Reparou que sumi daqui? Pois é, MÃE DE DOIS! hehe
    Tudo é corrido, tudo é mal feito, tudo é superficial, tudo é na pressa. Pára mundo!
    Vinícius completou 1 ano no começo de agosto. Continua assim viu? Igual aí! Com a diferença de que agora ele engatinha pela casa toda e eu tenho que correr atrás.

  6. Carol, nao tenho ideia do que é dar conta de dois… mas venho apenas te dar um abraço e pedir para você pensar positivo. Mesmo nas horas de cume, que o bicho está pegando… respire e pense positivo porque tudo vai acabar se ajeitando… Quero que você fique bem, de todo o coração! beijos nossos!

  7. Carol, quando a minha segunda nasceu, a primeira parecia tão grande! E ela ainda não tinha 3 anos. Eu me sentia cansada demais, sentia que não conseguia dar toda a atenção para a mais velha e que ela estava precisando desta atenção, sei lá. Culpa define. É difícil mesmo administrar dois filhos e ninguém fala isso, o q a gente escuta é que quem já teve um tira o segundo de letra. Tomei um susto! Não tirei de letra, não… Mas como tudo na maternagem, passa. E rápido. Bjo!

  8. Oh Carol, é punk mesmo.
    Por aqui ainda não melhorou não. Quianço 1 tem 2 anos e meio e quianço 2 tem 1 ano e 5 meses. As coisas ainda são bem caóticas.
    Pior é acordar as 3 da manhã com um dos dois querendo brincar, comer, fazer xixi (ME MATAR COM TORTURAS SEM FIM????), entrar no instagram e ver aqueles posts das mães perfeitas, penteadas e felizes com seus 8 filhos sorridentes fazendo brincadeiras educativas com material reciclado ad infinitum.
    Fico me sentindo tão sozinha e inábil sentando meus pequenos pra ver aquela familia porca rosa maldita. Enquanto eu, sei lá, respiro?
    Outro dia dei um abraço, super inadequado diga- se de passagem, em um pai da creche que comentou comigo que ele e a esposa andavam tão estafados que não abriam a bolsa e nem liam a agenda há uns 3 dias.
    Pq parece que todos são tão perfeitos, com saquinhos nomeados em bordados feitos por freiras cegas do himalaia para toalhas, roupinhas e sei lá mais o que. Além de lanches sem açúcar, sem gordura, sem corantes blabla.
    Desculpa mas apesar de ser solidária com o seu momento não posso evitar um sorriso ao me sentir representada no seu post.
    Vou dar a dica de ouro: Piriri… meu marido que não me leia mas invento um piriri por semana e garanto alguns minutos de paz no banheiro algumas vezes ao dia haha
    E vamos vivendo, um dia de cada vez e deixando que o amor prevaleça, e o discovery kids não saia do ar amém, para mantermos a sanidade e o equilíbrio.

  9. Passa, Carolina, passa. This two shall pass.
    Força na peruca que o começo é punk, mas depois ou melhora ou a gente se acostuma (não sei qual das alternativas, mas acho que a primeira). Respeite seu tempo que as coisas se ajustam.
    E daqui a pouco vai ver os dois brincando juntos, e daqui a pouco vai estar pensando como o tempo passa rápido demais.
    Um abraço bem demorado daqui de longe.

  10. Não sei o que vc passa com duas crianças, mas lembro de já ter tido pesadelos assim: andando em salas ou ruas, entrando em lugares e saindo, sem noção do que está fazendo ou buscando hahahahahahahahaha geralmente é quando estou esgotado que rolam esses sonhos.

    Quem dera isso não fosse frequente hahahahahahahahaha mas faz parte, né? As dores e delícias de ter filho(s) 🙂

    Bjs!

  11. Carol, acho que mãe é tudo um bicho meio louco. Eu to aqui escutando td isso, pensando em como deve ser dificil pra caramba…e olha to desejando passar por tudo isso tbém…tem lógica???
    Mas, ultimamente a única coisa que penso é preciso resolver essas pendencias para poder ter outro filho logo!!! Meu filho ta enorme quase sete já…não quero ter um adolescente e um baby em casa…aii quanto loucura!!!

  12. Teu blog é o único que eu leio o post E os comentários!
    Carannn obrigada por me mostrar um lado obscuro da maternidade porque eu só vejo nos instagrans e blogs da vida a parte lindja, bebes sorrindo, mães magras, arrumadas, saindo sempre com o maridón (que sempre ajuda muito na criação, CLARO).
    Minha mãe tem 5 filhos e NÃO SEI COMO ELA SOBREVIVEU. Ela nos ama incondicionalmente SIM mas quando cito que quero ter no mínimo três ela fala "NÃO COMETA ESSE ERRO" não entendo essas controvérsias de vocês, mães.

    Então, eu ainda não entendo, mas talvez minha main te entenda. Quem sabe cês não batem um papo qualquer dia desses.

  13. Comecei a ler seu blog semana passada. Fui de quando Lucas tinha 9 meses (que é a idade da minha filha hoje), até agora com Luíza. Linda por sinal. Fiquei triste quando vc disse que ia abandonar o blog, e espero sinceramente que isso não aconteça. Pq por mais que tenha vários blogs que falam sobre maternidade não é todos que nós leitoras nos simpatizamos e nos sentimos interessadas para acompanhar. Adorei o seu blog e quero acompanhar a sua experiência com dois, pq também tenho vontade de dá um irmãozinho (a) pra minha filha. Um beijo e continue.

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