Dia desses eu escrevi no faceboook que, na minha vida, tudo é na base da emoção. Tenho a sensação de que nada me acontece tranquilamente: tudo tem uma curva, uma mudança, um post, uma piada, uma lágrima. Mas depois, pensando com calma, acho que não, sabe. Acho que tenho uma vida bem da normalzinha. A diferença é que eu publico o que me acontece e tudo acaba ficando com um certo recorte da realidade. Aí o povo acha que tá vendo novela. Mas tá não. Eu também passo meses sem que nada aconteça, tem muitas coisas que quero que consigo sem grandes problemas e eu nem me lembro de comentar sobre elas.

Mas bem.

Cês lembram que eu comentei que tinha feito um ultrassom com 32 semanas e tinha pouco líquido amniótico e o bebê estava sentado? Então. Daí fui orientada a ficar de repouso, beber muito líquido e fazer alguns exercícios para ajudar o bebê a ficar direitinho de cabeça pra baixo. Parei de trabalhar e foquei no assunto. Assisti a jogos e mais jogos da Copa, relaxei a mente, comecei a fazer tudo que poderia pro baby virar e o líquido aumentar. Duas semanas depois, outro ultrassom e líquido normal. Bebê ótimo. Bebê sentado.

Arfe.


Conversei com a equipe sobre parto pélvico, pensamos em muitas variáveis, estudamos, analisamos riscos. Fiquei tensa porque vi meu sonho de parto se perdendo por algo tão bobo como um bebê que não assumiu a posição. Fiquei triste, tive raiva. Já que o líquido tinha melhorado, foquei forte nos exercícios, esfolei minhas mãos e joelhos de tanto engatinhar pela casa (é uma das coisas que dizem que ajuda a virar), tive dores de cabeça de tanto que fiz posições invertidas, queimei a barriga de tanta compressa quente/frio. Chorei, chorei.

Daí uma noite, exausta disso tudo, fui dormir. Tinha contrações. E elas se intensificaram e pegaram ritmo e doíam. Foi assim, de 5 em 5 minutos, por mais de 4 horas seguidas. Não sei o que se passou pela minha cabeça, não sei porque demorei tanto pra pedir ajuda e ligar pra parteira. Achei que ia passar, achei que era resultado da raiva que eu tava sentindo do bebê sentado (desculpem gente, eu sou gente de verdade e sinto raiva sim), achei que tava inventando sintoma pra ir pro hospital logo, não sei, sei que aturei 5 horas de contrações ritmadas que podiam estar me levando pra um parto prematuro (estava com 34 semanas nesse dia). Resolvi finalmente entrar em contato com a minha equipe e minha querida parteira veio em casa correndo me examinar. Verificou a força das contrações, batimentos do bebê e fez um toque no colo do útero: eu já estava com 2 cm de dilatação, colo curto e macio. Não era trabalho de parto de verdade, mas com 34 semanas, ninguém estava afim de pagar pra ver o que era.

Ela me fez massagem, carinho e me explicou com calma que iam me internar. Delicadamente pediu pressa (como alguém consegue ser tão leve num momento tenso assim eu não sei), me ajudou a arrumar as coisas, segurou minhas bolsas, segurou a minha onda e fomos pro hospital.

Pedro não pode ir comigo porque teve que resolver o que íamos fazer com o Lucas, já que ainda eram 6 da manhã e precisávamos esperar pelo menos a creche abrir. Então cheguei no hospital sozinha com a parteira, que novamente foi um anjo: agitou a internação pra mim, cuidou dos meus documentos, cuidou das pendengas do plano de saúde (sempre tem uma, né?), apressou a equipe pra me atenderem logo, enfim, foi incrível.

Logo a médica chegou e fomos todas conversar pra definir o plano. Sim, minha gente, equipe humanizada é isso: o paciente também opina (e muito) no tratamento. É co-responsabilidade, co-participação. Não tem médico-deus te dando ordem, tem pessoas juntas que estão interessadas no melhor pra todos, só isso.

Então definimos: internar, frear o trabalho de parto com medicação e fazer as injeções de corticoide pra amadurecer o pulmão do bebê, pro caso não conseguíssemos segura-lo mais tempo na barriga. Aproveitamos que já estávamos no hospital e fizemos o estrepto, investigamos infecção urinária (pode ser um dos motivos de parto prematuro), controlamos a glicose da diabetes gestacional e começamos a rastrear a colestase obstétrica – que eu já tinha tido na gravidez do Lucas. Também monitorei pressão, febre, essas coisas.

A ideia era ficar no hospital por apenas dois dias, que era o tempo das injeções fazerem efeito e do remédio inibidor terminar. Mas acabei ficando cinco, ó saco. No meio do caminho, minha glicose enlouqueceu e tive que corrigir com insulina; tive um episódio de dor de cabeça forte que deixou todo mundo apavorado, já que a pressão deu uma leve subida junto e o povo ficou morrendo de medo de pré-eclâmpsia (não deu em nada, afinal, pressão normalíssima) e, pra terminar, meu fígado começou a dar sinais de que não estava mais muito bem, indicando que poderia ser uma colestase mesmo.

Já pensávamos seriamente em interromper a gravidez e induzir o parto quando começaram a me medicar pra colestase. Minha médica e parteira vinham todos os dias e, todos os dias, revíamos todo o plano. Até que, pluft: fiquei bem do nada. Glicose ok, pressão de criança, fígado quase normal (ainda tem dois indicadores alteradinhos, mas estou medicada e estão melhorando), bebê com uma vitalidade incrível, mexendo super bem e respondendo de forma excelente aos monitoramentos que fazíamos.

Então decidimos pela alta. Maaas, já que estávamos no hospital, com tudo controlado, porque não antes fazer uma primeira tentativa de versão cefálica externa? Já pensou? Sair do hospital com bebê cefálico e voltar pros meus planos originais de parto? Era muita emoção, lógico que topei.

Chegou a hora, colocamos uma música relaxante, usamos óleos e creminhos, conversamos com o bebê. Monitoramos o coração dele o tempo todo e depois confirmamos no ultrassom. Confirmamos que não deu certo. HAHAHAHHAHAHAH, PUTA MERDA. Foram quase duas horas de força na barriga (não dói muito, mas é aflitivo pacas), mas Segundinho permaneceu convicto na posição que tinha assumido a semana toda: está meio pélvico, meio transverso. Na verdade, a palavra certa é oblíquo. A bunda está pra baixo, mas não encaixada na minha pelve e a cabeça dá enfiada no meio das minhas costelas direitas.

Fiquei triste da VCE não ter dado certo, mas depois de tudo que passei internada, minha maior vontade era realmente vir pra casa, ficar com meu filho e alisar a barriga mais uns dias, pelo menos até chegar no termo. Voltei com medicação pro fígado, medicação pra relaxar o útero por mais alguns dias, pedidos de exame, controles, homeopatia, indicação de acupuntura e nova tentativa de VCE pensada pras 37 semanas, mais ou menos. A ideia é que eu fique de repouso até o termo, então não devo voltar a engatinhar ou fazer exercícios pesados pro baby virar, mas alguma medida postural sim, vou fazer.

E assim foi a minha semana de aventuras.

***

Desde que o Lucas nasceu, eu venho trilhando um caminho interno de empoderamento, informação, crescimento. Penso na minha maternagem, penso em tudo que diz respeito à criação com apego e, ultimamente, como vocês já sabem, penso muito no parto. Estudei e me preparei muito pra esse momento e agora estou frente a frente com uma cesárea, a verdade é essa. Tem sido muito, muito complicado lidar com essa possibilidade.

É engraçado que a enorme maioria das pessoas não chega a entender essa minha preocupação e muitos me dizem que tá tudo bem, que cesárea não é nada de mal e que, no meu caso, seria providencial pra resolver uma situação que até agora não se resolveu sozinha. Tenho um bebê que quase quis nascer, mas que não se posicionou pra isso. Tenho sinais claros de que a gestação está no fim, mas tenho um bebê que nem pélvico clássico está. Sinceramente, não sei o que pensar. Não sei o que a vida quis me ensinar disso tudo. Nem sei se, de fato, há um ensinamento por trás de todas as coisas. Talvez seja só uma indicação cirúrgica que eu terei que aceitar. Talvez o bebê vire e esses questionamentos não sirvam pra nada.

Enfim. A sensação de falta de controle é a maior que já senti na vida – engraçado AINDA sentir isso com o segundo filho (eu que achava que já tava escolada nessa cartilha com o Primeirinho).

Mas, vamos em frente. Vambora. Que eu tomo sacode mas não desanimo não!

5 respostas em “O quase parto prematuro, a internação e o bebê “oblíquo”

  1. Carol, sei que cada caso é um, mas só pra vc animar um pouquinho, meu bebe que estava pelvico virou, sozinho, inacreditavelmente as 36 sem e meia de gestacao!!
    Boa sorte,e nao importa se cesarea ou pn, que seu segundinho chegue cheioooo de saude e que vc consiga se sentir realizada com o seu dia magico!!!!!

  2. Carol, passando para te mandar um beijo e dizer q tô na torcida para q tudo corra bem e você consiga curtir sua barriga e ter seu bebê cheio de saúde! Acho q sua equipe parece ser tão humana que, mesmo q seja cesárea, certeza q vc será bem amparada e se sentirá respeitada e acolhida! Boa hora!

  3. Carol, existem partos pelvicos, bebe sentado nunca foi indicação de cesárea e tudo depende de como você se sente com relação a isso, se não tem medo vai fundo, o parto é seu e você tem sim controle sobre o que vai fazer no final das contas, quem vai dizer o sim ou não é você, então é um descontrole com controle, não dá pra controlar como o segundinho vai ficar na barriga, se sentado, se de ponta cabeça, mas dá pra controlar as suas escolhas!

    Vai na fé! 😀

  4. Carol, acho que é bem isso mesmo por mais que estudemos, planejemos a vida não segue um roteiro e sempre tem algo que não sai com esperado. Faça tudo que estiver a seu alcance, mas não se sinta frustrada caso não consiga pois no fim o que importa é ter um bebê sadio e é só isso que toda mãe realmente quer.
    Mil bjus e estou na torcida #virabebe! kkkk

    luigiasblog.blogspot.com.br

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