Falei uma vez sobre a minha vontade de fazer Lucas parar de usar chupeta e o plano que tracei pra isso aqui. Era um plano bonito e respeitoso, mas que, rá!, não deu certo.

Um tempo depois que escrevi, não sei o que houve, acho que viajamos. Aí decidi que não dava, em viagem não queria estresse, então deixei de lado o plano e a chupeta voltou com força total, dia e noite. Um mês depois, viajamos de novo e eu não quis lutar de novo. Outro mês depois, teve férias de inverno na creche, eu tirei férias com ele e estava decidida a tirar. Até que mudamos os planos e a chupeta voltou a ser minha aliada, desanimei de novo e não tirei coisíssima nenhuma.

Toda vez que eu forçava uma barra, Lucas reagia mal, parecia não estar preparado pro fim de sua relação com a plasticuda. E acho que eu também não estava, eu também fiquei dependente. O hábito de acalma-lo usando esse recurso era o mais eficiente que eu conhecia (mais que o peito, se vocês querem saber), fiquei perdida e comecei a achar que ele ainda usaria o treco por mais algum(ns) ano(s).

Mas, tínhamos recomendação do pediatra de retirar, tinha o fato dele estar com preguiça de falar porque estava com chupeta na boca e, nos últimos dias, eu percebi que a arcada dentaria dele tinha começado a ficar estranha, alterada. Li vários relatos de deschupetamento e não conseguia ver Lucas reagindo bem a nenhum deles. Conversei cmo algumas pessoas sobre o assunto e muitas me disseram “ah, mas eu chupei X anos e sigo bem, nunca usei aparelho/não fiquei dependente/não uso hoje em dia/não morri”. Esse papo de “fiz tal coisa erradinha e nem por isso morri” não me convence, desculpem. Eu dei chupeta pro meu filho, eu sei os motivos, mas eu também sei que não curtia isso. E não fiquei satisfeita/feliz/convencida de que tudo bem, ninguém morre por usar chupeta. Claro, ninguém morre, mas eu não gosto, não curto, não acho adequado, acho um cala-boca de criança, acho que foi uma puta duma dificuldade que eu tive de lidar com o choro do meu filho (atenção! Não estou dizendo que a chupeta do seu filho é uma dificuldade sua, estou contando do meu caso, ok?).

Bem.

Daí o destino me deu um empurrãozinho.

Um belo dia, Lucas estava a caminho da creche no carro com o pai e a plasticuda do mal. Não sei o que houve, se tava nascendo dentinho ou o quê, mas ele mordeu a chupeta de tal forma que ela rasgou. Rasgou inteira, só ficou a base. Ele reclamou, mas o pai, já atrasado, disse que ele ia ter que ficar com a rasgada mesmo, que não ia voltar em casa pra pegar outra. Ficamos super apreensivos: como ele tiraria a soneca sem chupeta? Como seria no fim da tarde, quando ele fica chatinho e pergunta por ela?

No fim do dia, quando fui busca-lo, perguntei pra professora e ela disse que, embora ele tenha perguntado, mostrou desinteresse quando ela reforçava que a chupeta estava rasgada e que não tinha outra. Dormiu bem, ficou bem. Quando me viu, a primeira coisa que perguntou foi sobre a chupeta. E aí, pela primeira vez, eu disse a frase que me acompanharia pelos próximos dias: “filho, lembra que a chupeta rasgou? (mostra chupeta rasgada). Você quer assim mesmo? Não tem outra, tá?”. E ele falava “pepeta ragou não” (significa: não quero a chupeta rasgada).

Chegou a noite e eu percebi que o próprio Lucas tinha me dado a dica, ele estava pronto, ele tinha entendido. Então não ofereci chupeta pra dormir. Ele pediu, eu repeti o discurso da chupeta rasgada, ele perguntou de novo, respondi de novo, até que ele se deu por satisfeito e dormiu. Nessa madrugada (e nas quatro seguintes), ele acordou querendo mamar, mamou e depois pediu chupeta. Eu repetia o discurso. Mas aí não foi tão fácil, ele tava cansado, dependente. Chorou mais sentido e aguentamos todos juntos. Na quarta noite, achando que tirar a chupeta tinha sido uma decisão errada pelo choro doído do Lucas, voltamos atrás e demos uma das que tínhamos guardadas. Sabe o que ele fez? Mordeu e rasgou. Quando ele fez isso, eu me empoderei de novo e falei: “viu, filho, a chupeta tá rasgando, você vai querer usar assim rasgada mesmo?”. E ele dizia que não. Então pronto, dormiu. Aí quem não dormiu fui eu, meu filho cresceu bem ali na minha frente, amadureceu e a criança da historia não era mais ele.

Pra não ficar um vazio completo, ao longo dos dias seguintes, eu sempre oferecia qualquer outra coisa (qualquer mesmo): “não tem a chupeta, mas tem água, quer?” ou “não tem a chupeta, mas tem peito, quer?” ou ainda “mas podemos ir brincar, quer?” ou mesmo “mas podemos respirar, comer, viver – quer?”. E ele sempre topava.

Depois de uns 10 dias de perguntas esporádicas, zero choro e nenhum sofrimento, ele esqueceu completamente. Hoje já tem 45 dias que não usa (fora o rápido ocorrido na quarta noite, que eu nem considero) e está muito bem, obrigada. Segue mamando, está falando mais e melhor, sem muletas emocionais que não as que considero “naturais”: mãe, pai, família, aconchego, carinho… Levamos no dentista pra avaliar arcada dentária e, grazadeus, está tudo bem.

Assim foi. Dois anos e dois meses com a plasticuda. Acabou e eu não sinto a menor saudade.

já vai tarde

muito melhor assim

18 respostas em “O fim da plasticuda

  1. realmente cada criança tem seu tempo! eu acho que eu era muito mais dependente da chupeta do que meu filho, com 11 meses ele decidiu que não queria mais, eu insisti, me desesperei pensando em como ele ia dormir, já que a dita cuja me ajudava e muito!! fiquei doidinha, guardei todas as que ele tinha mais de 2 meses, ofereci varias vezes e ele não queria, depois de um tempo joguei todas fora! e olha que eu tbm era contra, era do tipo que falava que meu filho nunca ia chupar chupeta, mas quando ele começou a chorar ainda no hospital eu não aguentei o tranco!

  2. Meu filho não usou chupeta, não por merito meu, eu até tentei, mas ele não gostou do negocio mesmo!
    Mas o problema acontece com a bendita mamadeira, que ele usa de chupeta, é o consolo dele, sei que tenho que tirar mas to com uma preguiçççaaa hahhaa
    Beijos e parabéns!

  3. Acho que o melhor mesmo é sentir o filho da gente. Em casa foi fácil, mas porque o Felipe estava pronto pra isso, não porque eu quis ou usei um método infalível. Nossos melhores termometros são eles. bjbj

  4. Como pode que eu não peguei o espírito da coisa…aqui a Júlia tem rasgado as chupetas, já foram três e das mais caras (das que ela mais gostava) e eu sem pensar muito ficava catando outra e outra…será que é ela me mostrando que já pode viver sem?! Tô marcando bobeira em pelo menos aproveitar a chance e tentar!
    Lucas lindo, como sempre e de costume!
    Beijos!

  5. Carol, aqui foi praticamente a mesma coisa, a chupeta se foi sozinha. Um belo dia, Bento estava de chupeta e disse que o "dente tava dodói". Levei pra ver e tudo, mas não tinha nada. Deduzimos que ele mordeu a bochecha por dentro, sem querer, e não soube explicar. Mas o bom resultado é que ele associou a dor à algo na boca e não quis mais a "peta". Contei em detalhes aqui ó: http://maedobento.blogspot.com.br/2011/08/o-dente-que-expulsou-chupeta.html
    Ou sejE: Lucas esperto, percebeu que não precisava mais da chupeta e deu um jeito. Achei incrível ele morder conscientemente!! Parabéns pro mocinho!

  6. "Aí quem não dormiu fui eu…" Que dor é essa que a gente sente ao ver os filhos crescendo? Não cheguei ainda na fase do deschupetamento, mas a cada aprendizado da minha baixinha sinto essa dorzinha estranha, um misto de orgulho e saudade da bebezinha que ela, aos poucos, está deixando de ser. Adoro o teu blog! Não demora pra escrever de novo!

  7. Oi, Carol! Que legal! Parabéns! Vc sabe que o Lucas deschupetou igualzinho à Ísis? Ela tb deixou a chupeta depois que rasgou…não quis mais, mas eu tinha uma reserva, que dei, e ela rasgou tb. Daí aproveitei e disse que tinha rasgado! Ufa! O Pedro usa tb, para dormir, e para desgrudar dos meus peitos nos momentos de maior cansaço. Já pensei em tirar, mas ainda tenho um bloqueio com isso. São as muletas, são as muletas…Beijos, linda! Lucas tá lindo demais!

  8. Ola…

    que delicia. Sabe que aqui foi quase assim.A chupeta ela a Pituca gostava rasgou, dei outra (maior) e ela achou ruim, virou para o lado e dormiu.
    Nos dias seguintes oferecemos somente a chupeta grandona e pronto.

    A dureza aqui esta em tirar a Pituca da cama….

    Beijocas

  9. Ai, nem me fale… estou nessa historia.Quero tirar, mas não consigo ainda… talvez ainda não seja a hora. 1 ano e 3 meses.
    Suas palavras ficarão na minha mente. Com certeza me lembrarei…

    Bjs

  10. E quando chupa o dedo, como faz? 2 anos e 7 meses, arcada visivelmente alterada e dedo companheiro pra todos os momentos. Se alguém souber de algum caso de sucesso, por favor, me conta.

  11. O meu bebezão (2 anos e 1 mês) fica na boa sem chupeta, mas o problema são os avós, chega final de semana eles tacam chupeta nele e não deixam ficar sem porque fala que criança tem vermes e tem que dar chupeta pois se não ficam com vontade e faz mal. Pior que não adianta eu explicar que ele passa a semana sem chupeta e sem pedir chupeta, chega fds dá-lhe pepeta!!!! Afffff

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