De tanto estar em negação com a cama compartilhada, nunca parei pra curtir a delícia que é poder dormir com o meu filho

de tanto ler teorias, não observei tanto o meu bebê quanto gostaria

que, por não ter observado, perdi tempo, muito tempo

que o deixei chorar pra aprender a dormir

e que, com isso, ele nunca mais conseguiu dormir sozinho

que estamos totalmente fusionados ainda, seja via amamentação ou via alma

ele me abraça, me beija, me aperta, me quer por perto

e sempre que eu chego a pensar que isso me incomoda, ou sufoca, ele chega ainda mais perto, me sufoca ainda mais, me força, me põe no limite.

e que, finalmente, quando percebo que a entrega necessária era tanta, vejo que chegou a hora deu me reinventar, me repensar, me rever. Que meu filho somente reflete o que eu escondi. Meu medo enorme de ficar sozinha, meu choro escondido na solidão da noite, os abraços que eu nunca tive, a saudade do peito da minha mãe. A saudade. Que eu tenho.

De mim.

***

E no meio disso tudo, de tanto mergulho em mim mesma – empurrada sem dó pelo serzinho que eu mais amo no mundo –, ainda estive trabalhando muito, depois estive de férias, depois tentando ter outro filho (coisa que, obviamente eu não consegui, visto que acho que meu interior – leia “interior” como quiser – ainda não está pronto pra ser novamente habitado).

Decidi voltar pra terapia e encontrei uma profissional maravilhosa formada pelo escola da Laura Gutman aqui em Buenos Aires. É a primeira vez que faço análise em outro idioma, mas a conexão é tanta que acho que a mulher escuta muito mais a minha alma do que as palavras tortas que meu castellano é capaz de expressar.

Tenho relido alguns livros. Entrei em grupos de discussão sobre parto natural, aleitamento, criação com apego. Decidi assumir e não ter mais medo de algumas opiniões e escolhas minhas. Parei um pouco de ligar pra opinião alheia (processo infinito e quase impossível pra mim, mas estou em processo).

Não tive tempo nem vontade de me expor – acho que não tenho ainda, mas senti que devia uma explicação, pelas queridas que tem me perguntado por onde ando.

Ando por aqui, mais aqui do que nunca.

(e a quem interessar possa: Lucas anda lindo, como sempre. Loiro, mais magro que antes, ainda com certa cara de bebê, mas olhar de menino; falante, cheio de expressões e opiniões, beijos e abraços, gracinhas e birrinhas. Ainda tem fralda, chupeta, peito. E sempre tem muito, mas muito amor)

35 respostas em “Um belo dia, eu acordei e percebi que:

  1. Serei muito insensível se comentar (acredito que pela primeira vez!) dizendo que achei que o post era um anúncio de gravidez?

    Como disseram acima, você escreve com o coração não ponta do dedo.E eu terminei de ler chorando. rs

    Senti saudades dos seus textos, Carol.

    Beijo grande.

  2. Como eles refletem o mais profundo das nossas almas né, Carol?
    Até o que nós nem temos consciência… Nossos filhos encontram e do jeitinho deles mostram pra gente. Que bom que o nosso coração está aberto para escutá-los e iniciar essa viajem interna ou como vc bem disse: reinvenção!
    Boa reinvenção pra todas nós, Carol!

  3. Que lindo!!
    Com tanta sensibilidade vc nao deveria se PRE- OCUPAR com essas coisas (como diria meu ex-terapeuta). Sempre seremos julgados e analisados…Entao, é melhor fazer o que nos apetece… o que sai do coraçao…
    Sorte nessa nova fase…
    beijoca

  4. Owwn Carol, raramente comento mas depois de ler o post me deu uma enorme vontade de te dar um abraço! O que tenho pra dizer é: relaxa, deixa fluir um pouco, sem cobranças, teorias demais, deixe o seu instinto materno falar mais alto! Eu acho ótimo buscar informações em livros, blogs, outras mães…… mas as vezes tudo isso acaba condicionando muito as atitudes e pensamentos. Bjs

    1. Alice, obrigada pelo comentário! O post ficou meio poetico e talvez nao tao claro: é exatamente isso que vc sugeriu que estou fazendo. Estou me desconectando do resto e deixando fluir muito mais conforme meu próprio instinto. Os livros e grupos de discussao que mencionei sao apenas os que me ajudam a me libertar, entende? Nao me prendem mais.

      beijos!

  5. Ah Carol que bom que você está bem… Sempre te acompanho por aqui e em espírito. Eu sei que você é mais forte do que acha e eu acho você uma mãe do caralho! Eu desisti das teorias e grupos maternos e sigo o que eu acho melhor. Dou a Luiza o amor que ela pede e merece, o colo, o carinho os inhos e nhens nhens pois sei que um dia ela nem vai me querer por perto e eu vou sentir uma saudade gigante disso. No segundo que está caminho darei ainda mais nem que eu tenha que criar mais um braço pro novo bebê e pra Luiza saberem que são sempre muito muito amados.
    Não deixe de escrever nem que seja as suas bobeiras sempre muito engraçadas.
    Beijos

  6. Sabe Carol, depois que Alice fez um ano, em dezembro último, entendi que maternidade é acima de tudo entrega e doação – principalmente nestes primeiros anos, quando o que eles mais precisam é o amor da mãe, porque somos o porto seguro para eles (e vice-versa). Compreendi, então, a diferença de anulação e doação – porque o meu medo era perder minha independência (que de fato fica meio de lado mesmo). Esta foi a forma de maternar que eu encontrei, me encaixei e aceitei. E assim, depois de janeiro, tudo ficou mais leve. De verdade.
    Entendi que a minha disponibilidade é fundamental para dar a ela um alicerce, para ela ter uma base, ter uma referência. Comecei a dar de ombros a tudo o que eu queria fazer e não conseguia porque o meu tempo quando estou em casa era, é e ainda será por um bom tempo dela – seja para alimentar, brincar, cuidar, educar, amar ou contemplar. Se não poderei fazer isso pela minha filha, farei por quem?
    Passei um bom tempo brigando comigo mesma para resgatar a vida que eu tinha antes. Mas não dá, porque hoje sou outra pessoa, com outras prioridades, com outra forma de ver o mundo interno e externo. Compreendi que meu sono nunca mais será o mesmo, e passei a não valorizar mais as noites mal dormidas. Tem noites que não durmo tão bem, mas o dia segue. Não posso ficar o dia todo valorizando as horas que deixei de dormir ou no sono interrompido.
    Estou lendo “A maternidade e o encontro com a própria sombra” (passei da metade) e para mim foi fundamental. Foi um abraço apertado que eu queria ter recebido desde que me tornei mãe, quando ouvia coisas do tipo “a vida segue normal” e a frase não fazia o menor sentido para mim, porque um tsunami tinha levado tudo o que eu era embora. Me reconheci em muito trechos, chorei e muitas janelas se abriram. É um livro libertador, em diversas formas, e imagino que fazer terapia com alguém da escola da Laura Gutman deva ser demais! Um processo muito profundo! Aproveite. Se entregue. Imergir em si é necessário para fazer escolhas e tomar decisões que vem do coração e da alma.
    Você não esta sozinha nessa.
    Uma grande beijo em você.

  7. Carol, isso é a minha cara demais… Comento pouco aqui, mas sempre leio. Minha filha nasceu um dia depois do seu, e eles têm um temperamento muito parecido, então nos sinto próximas (coisas da Internet…)
    Mas teu texto de hoje está tão a minha cara que parece MESMO que somos próximas e conversamos ontem.
    Receba um super abraço! Boa sorte com a terapia, faz um super bem mesmo.
    Bjs!

  8. Nossa Carol, eu tava com uma saudade danada de ler vc por aqui! Quanta coisa tem acontecido com vocês, e que ótimo vc ter encontrado essa terapeuta da linha da Laura. Acho que eu preciso de uma boa terapia beeem antes de começar a ser tentante…
    Continue seguindo seus instintos, acho que eles são o melhor das pessoas…
    Bjs.

  9. Ai, ai… O título do post deu a impressão de que foi uma coisa tão fácil né? Mas eu imagino cá com meus botões que nunca seja fácil a gente se dar conta de determinadas coisas. Mas que vale a pena, ah, isso vale.
    E que chicletinho mais delicioso é esse? yamiiii.
    Ficou lindo o post. E eu acho que esse interior aí tá é bem prontinho pra ser habitado. Só falta rolar o alinhamento planetário mais propício. 😉
    Bjo, lymdona!

  10. Acho que eh uma fase… Tb estou ultimamente me repensando como mãe…toda esta entrega.. Doaçao. A vida de antes que nao existe mais e a nova… Com estes serzinhos lindos que temos!! Tb preciso voltar pra terapia.. Tb semti inveja branca da terapeuta b laura… E saudades tb de vc por aqui!'

  11. Olá, adorei o seu blog, ao ler alguns posts, vi que você é uma pessoa esforçada que só quer falar e ser ouvida na blogosfera, assim como eu. Posso dizer que gostei muito do que li, vc tem um potencial enorme e sei que será um grande blog de fácil entendimento e conteúdo gostoso de ler. Sou Luciana Shirley do blog http://coisasecoisasdalu.blogspot.com.br/ se desejar me visite e siga, mas só se gostar, eu vou retribuir seguindo também o seu.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *