Sobre APLV

Tenho recebido algumas perguntas sobre como está Lucas e a alergia ao leite de vaca e percebi que nunca mais toquei nesse assunto.

Pra quem não sabe ou não lembra: aos dois meses e meio, filhotinho teve diagnóstico confirmado de ser alérgico a proteína do leite de vaca. Consultamos vários médicos, fizemos alguns exames e batemos cabeça várias vezes. Lucas era um bebê nervoso, chorão, dormia mal, parecia sempre estar reclamando de dor. Tinha fezes com sangue e muco, perebinhas no rosto e era muito irritável. Só dormia as sonecas sendo balançado constantemente (durante toda a soneca, senão acordava) e de noite, cama compartilhada.

Como era amamentado exclusivamente, o tratamento sugerido era dieta restritiva pra mãe.

Fiz a dieta e devo admitir que foi uma luta. Virei a chata da restrição alimentar, emagreci (mais e mais), quis desistir várias vezes. Foram 5 meses de dieta heavy, até que, aos quase 8 meses de Luquinhas, comecei a reintroduzir os alimentos proibidos pra testar a reação dele.

E gentes, ele não reagiu! UUUUUUUUUUUUUUHHHH! Voltei a comer normalmente e ficou tudo bem.

Porém, faltava uma parte da reintrodução: dar alimentos a base de leite diretamente pra ele provar. Decidi, depois de conversar bastante com a pediatra, que não vamos acelerar isso. Ela disse que até o primeiro aninho de vida, ele não precisa consumir lácteos, só a oferta de leite materno já é suficiente pra ele. Então que meu filho não come queijos, não toma iogurte, não come nada a base de manteiga, não come doces industrializados (só um biscoitinho roubado da mãe de vez em nunca), essas coisas.

Outro dia, dei uma casquinha de pão de forma que eu tava comendo pra ele provar (tem leite!) e aproveitei pra observar se ele teria alguma reação. Mas, errei numa coisa: na mesma semana que dei o pãozinho com leite, também comecei a introdução de tomates nas papinhas. Daí pronto: ele teve uma assadura importante e perebinhas no rosto. Agora não sei se foi o tomate (altamente alergênico também, viu mamães?) ou o leite do pãozinho. Suspendi tudo e vou voltar a testar um de cada vez pra ver o que foi. E, claro, sempre existe a possibilidade de não ter sido nada disso, de ter sido só uma assadura isolada e uma pele seca pelo frio que vem fazendo aqui em Buenos Aires.

Então que o causo é esse. Lucas ainda não teve “alta” do tratamento da alergia, mas também não estamos mais tão neuróticos quanto já estivemos. Ele segue mamando no peito, não consome nenhum tipo de leite artificial (eu até cheguei a cozinhar pra ele com LA, mas deu preguiça e desisti já tem uns meses), come papinhas seguindo as orientações da pediatra e, até agora, estamos indo bem. Ele cresce e engorda normalmente e já é um bebê bem mais feliz!

esporte favorito: comer fazendo quase nada de sujeira

***

Meninas que perguntaram: espero ter respondido tudo! Se ficou faltando algo, me avisem que eu respondo nos comentários, ok? Obrigada pelo carinho e pelo interesse!


Biscoito recheado e outras besteiras

Fim de tarde, estávamos brincando no chão da sala, eu e Luquinhas. Maridón ainda ia demorar pra chegar e me tinha me dado uma fominha. Fome de lanche, fome de besteira, sabe como? Então. Eu, que jamais como biscoito (nem recheado, nem nenhum outro) por acaso tinha comprado um Negresco (Óreo é o nome dele aqui na Argentina) numa súbita vontade de doce que tive mais cedo. Ótimo, perfeito pra ocasião. Saquei meu biscoitão do mal, peguei um copão d’água pra dar o acabamento e fui comer ali por perto do bebê, que ele não curte quando eu sumo por muito tempo.

Ni qui eu levantei o biscoitudo em direção à boca, Luquinhas atenta pra cena e começar a gritar de emoção. Vem engatinhando loucamente pra cima de mim, rindo e já de boquinha aberta. Escala meu corpo e fica em pezinho se sacudindo e rindo, todo achando que era ele quem ia comer a delícia chocolatuda recheada proibida.

Não sei descrever o quanto ele tava feliz com a possibilidade. Ria-se, todo prosa e animadinho, como se tivesse vivendo a maior aventura da vidinha dele: provar um biscoitinho de chocolate. Parecia que eu tava comendo ouro banhado em leite materno. Era a visão do paraíso pra ele.

Uma pausa aqui: a maior besteira que Lucas come é pão. Volta e meia dou umas casquinhas do meu pão pra ele roer, nada de mais. Fora isso, o mocinho é todo trabalhado na comidinha orgânicas e super variada, frutinhas, cereais, muita água. Confesso que muitas vezes dou papinha doce industrializada, num misto de preguiça e falta de tempo pra preparar frutinha na hora. Mas, mesmo assim, da papinha de maçã Nestlé pro biscoitão recheadão há todo um salto na história.

E o salto foi dado, viu. Mergulhei no pensamento típico: TADINHO. VAI PASSAR VONTADE. Entao, dei. DEI MERMO. Foram migalhinhas. Eu diria que foram pixels. Pixels de chocolate pro meu filho.

Ele abriu um bocão que cabia o pacote de biscoito inteiro dentro. E mastigou suas migalhinhas com um gosto, uma alegria. Depois dei água, muita água. Pra ver se desfazia aquilo lá no organismo dele, pra ver se desfazia a pontinha de culpa que eu tava sentindo.

***

Mas foi só uma pontinha, viu? Que foi um momentão super divertido, ah foi.

***

Nota mental: comer besteiras escondida do filho.


Sobre a reunião de pais

Sexta passada teve reunião na creche do Lucas. Eu, mãe de primeira viagem patetinha que sou, passei o dia toda animada pululante esperando a hora do grande evento. Tava crente-crente que ia ser luzes, brilhos, muita gente, muita falação de pais empolgados que nem eu.

NOT.

Cheguei lá e o clima era de calma e paz. Dos 8 conjuntos de pai e mãe, só compareceram 5. Mas tudo bem, a verdade é que a reunião foi ótima. Perguntei tudo que eu queria, Lucas engatinhou pra cima e pra baixo e não me deixou ficar quieta nem dois segundinhos, fez gracinhas, aconteceu. As cuidadoras mostraram vídeos e fotos das atividades desenvolvidas, além de um PowerPoint com os objetivos pro ano (pra ganhar meu coração de vez, só faltou mostrar um Excel).

A novidade é que Lucas vai começar em breve sua adaptação pra ir pra sala dos maiores, de 1 ano a 1 ano e meio. Daí minha fica caiu que ele já tem quase 11 meses! Cadê o bebê que tava aqui?? Na sala dos maiores, tem muito mais atividades, menos berços, mais colchonetes de dormir no chão mesmo, menos mimimis. Ai meu corazón, num sei se guenta isso não.

Aproveitei a ocasião e bati altos papos com a mãe da Emma (lembram dela?). Emma é mais velha que Lucas e já está na salinha dos maiores. Foi bem legal conversar com ela (a mãe, não a filha). Demos peito pras crias, deixamos os dois engatinhando e se amando pelo chão, trocamos diquinhas. Inclusive percebi que Lucas é que é o atirado na história: ele a-do-ra a Emma, persegue a menina o tempo todo, faz carinho, abraça, quer imitar o que ela faz. Homens, esses bobões.

Daí que agora somos amigas, eu e mãe-da-Emma (tão amigas que eu nem sei o nome dela, mas ela tampouco sabe o meu, eu sou a mãe-do-Lucas e tudo certo).

Mas voltando pra reunião: cabou que nem anotei nada, nem tirei fotos. O tal do PowerPoint será enviado por email, então fiquei tranquila e gastei meu tempo ali fazendo perguntinhas e perseguindo o baby que explorava a sala como se fosse um cachorrinho chegando num lugar novo. Delicinha.

Em breve, Luquinhas estará frequentando a sala dos bebês maduros e adultos, daí teremos muitas novidades!! Por enquanto, deixo um vídeozinho do pequeno meio-engatinhando, meio-fazendo-merda, meio-se-machucando:


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Do dia em que eu me senti o meu filho

Foi hoje cedo. Estava procurando meu casaco pela casa. Atrasada, tinha que sair, marido na porta me apressando. Finalmente vejo o casaquinho: tava lá na varanda, pendurado no carrinho do Lucas. Vou decidida em direção a ele, passos firmes. Até que. CATAPLOFT.

Eu dou de cara com a porta da varanda que estava fechada e eu não tinha visto. Dei uma cabeçada tão patética e espetacular que achei que o vidro fosse quebrar. Que, se alguém tivesse filmando, seria um vídeo digno de estar nas videocassetadas. Que eu quis rir, mas o negócio foi tão forte que eu... chorei. Foi incontrolável, as lágrimas escorriam pelo meu rosto sem parar.

Imediatamente me senti como uma criança. Fiquei perdida, assustada, envergonhada. Minha cabeça rodava, eu seguia chorando e rindo ao mesmo tempo, marido preocupado perguntando se eu tava bem. O drama do momento parecia tão grande, mas também tão bobo que eu levantei, enxuguei as lágrimas e segui fazendo as coisas pra sair logo de casa.

Agora estou aqui com um galo no meio da testa e um mau-humor infantil me perseguindo.

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Bobeira, né? Foi só um pequeno acidente doméstico...

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Mas, achei bom. Pra entender algumas coisas e ter um pouco de perspectiva. Porque imaginem uma criança que toma um tombo ou bate com a cabeça como eu bati? Ela fica desesperada! Primeiro porque não tem noção de que aquela dor vai passar. Segundo porque dói mesmo, gents! Terceiro porque é muito feio você se machucar e alguém vir dizer que “não foi nada não”, que “nem doeu”, como prontamente nós adultos fazemos com os pequenos. Eu nunca curti fazer isso, acho falta de respeito com a dor alheia. O que costumo fazer com meu filho é dar colo ou ficar do lado e dizer que já vai passar. Que sei que tá doendo, mas que já vai passar. Mas, ao mesmo tempo, entendo que ficar valorizando demais cada tombo ou cabeçada que a criança dá estimula que ela faça um certo draminha toooodas as vezes... então confesso que quando acho que foi algo mais leve, simplesmente distraio pra que ele nem perceba que caiu. Mas a dor não é minha, então como julgar o que merece atencão e colo e o que não? E mais: alguma coisa que envolva meu filho por acaso não merece a maior atencão do mundo?

E vocês, como reagem às quedas dos seus filhos?

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E só pra completar a perspectiva que senti hoje: eu quis muito muito a minha mãe na hora que dei a cabeçada no vidro.


Como proceder?

Conforme Lucas vai crescendo, a gente (eu, ele, Maridón) vai se vendo em situações sociais novas com as quais não sabemos direito como lidar. Outro dia, por exemplo, aprendi que bebê doente não vai pra escola. Como foi uma experiência muito delicada e natural – só que não – resolvi trazer algumas questões pra vocês pitacarem e ajudarem a evitar que a mãe experiente que vos fala – só que não – pague ainda mais mico nessa vida.

Situação 1: a festinha infantil
Fomos convidados pra primeira festinha de aniversário de um amiguinho aqui na Argentina. Já fomos a uma festa (a da Alice), mas era na Brasila, eu sabia que tinha que: levar presente-cantar parabéns-comer brigadeiro. Fora que era a Pat, não tinha muito essa coisa de comportamento padrão. Mas aqui na Argentina, sei lá. Mães internacionais, me ajudem, não sei como que é a festa infantil desse povo! De presente é brinquedo ou roupa? O convite se estende aos pais ou só um dos dois vai apenas pra cuidar do pequeno? Precisa chegar na hora pontualmente? E o mais importante: vai ter brigadeiro?

Situação 2: reunião de pais na creche
Essa é mais comum a todos os países. Fui convidada pra primeira reunião de pais e já siemocionei toda. Mas, logo me bateram as perguntas na mente. Fiquei sabendo, por exemplo, que, na creche do Lucas, os pequenos estarão com a gente na reunião – o que eu acho meio louco, será que eles vão deixar a gente se concentrar no que está sendo dito? E, fora isso: levo algo pra anotar? Caderno? Laptop? Levo perguntas? Preciso socializar com as outras mães? Preciso encher o saco do meu marido pra ele ir ou basta um dos dois? Pode tirar foto? Pode chorar de emossaum?

Situação 3: ele gosta mais da professora que de mim
Sempre achei essa afirmação a mais patética das afirmações patéticas que mães são capazes de fazer. Mas, ah, cuspi pra cima (pra variar), né gents? Estou seguríssima que Lucas tá numa paixão louca forever por essa mulherzinha. Pensem: ela cuida dele o dia todo. Brinca, está perto, põe pra dormir, alimenta, dá carinho. É praticamente a mãe dele! Eu achava que “eu dou o peito” era um master blaster super trunfo, até ver que ele está ficando cada vez mais emocionado ao chegar na creche. Pula no colo da mulher, sacode perninhas e bracinhas, grita de alegria, dá beijos babados, abraça. ELA. Quando eu chego pra buscar, ganho um sorrisinho burocrático tipo “ai, lá vem essa daí”. Pra ele sacudir bracinhos e dar gritos pra mim, só se ficar sem me ver uns 29 dias.Ou se quiser me agredir. Humpf. Prazer mesmo seria vê-lo se descabelando de chorar ao chegar na creche, né não? Confessem. Esse papo de “ai que ótimo, ele fica super feliz na escolinha” é ba-le-la. A gente quer sofrimento, a gente quer lágrimas. Enfim. A pergunta é: como LHE-DAR? Mato a professora? Providencio um acidente ou um vírus bem potente pra ela ficar de molho em casa uns meses anos? Tiro o bebê do colégio, abandono meu emprego, vou à falência e fico em casa com ele vivendo só de amor?



Muitas dúvidas.


Vilarejo

para ler ouvindo:




Um dia, há algum tempo, eu escutei uma música e a dediquei pro meu filho. Filho este que nem existia, mas para quem eu já cantava. 

“tem um verdadeiro amor para quando você for”, eu cantarolava, emocionada.

O tempo passou. Na sexta passada, antes da viagem que eu tinha marcada, ouvi essa música de novo. E, quanta alegria poder perceber que tudo que eu tinha prometido pra esse filho, eu dei. “peitos fartos, filhos fortes, sonhos semeando um mundo real”.

Até chegar aqui, foi um caminho longo, complicado, cheio de curvas e partes iluminadas, partes sombrias. Mas um caminho maravilhoso que não percorri sozinha. Uma das pessoas que esteve ao meu lado eu nunca tinha visto pessoalmente, olha só! Esse mundão tão moderno tinha me trazido uma querida presença virtual.

Então eu fui pra São Paulo. Pra vê-la, pra dar aquele abraço prometido e esperado. Pra ver com esses meus olhinhos o que eu já sabia: que o vilarejo que construímos pros nossos filhos existe, é real, ali “areja um vento bom” e lá “o mundo tem razão”. A gente construiu juntas os tais “lares de mãe”. Que orgulho.

Então é por isso que eu estava saudosa. Porque olho pra trás e vejo o quão bonito foi tudo que fizemos, o quanto nos entregamos. E, olhando pra frente, eu tinha uma passagem de avião que ia me levar pra isso, ó:





Pat, querida. Se eu sobrevivi às neuras da gravidez, pari, se encarei a alergia, mil problemas de sono, solidão, doencinhas, se sigo amamentando até hoje e banco tudo que é preciso nessa vida louca materna, pode ter certeza que muito é pelo apoio incondicional que você me dá, viu?

Foi ótimo. Ótima viagem, ótimas pessoas, ótimos encontros.



Mas não pensem que eu encontrei só a Pat nãããão. Ainda tem mais pra mais posts, volto logo pra contar e mostrar fotas!


Saudade

Porque a maternidade é um eterno cuspe pro alto que cai na nossa cara. Eu dizia que jamais que ia sentir falta do comecinho da vida do Lucas. Que foi loucura, que eu não dormia, que eu não sabia nada e era uma desesperada. Não via a hora do tempo passar.

 E, pasmem: o tempo passou.

E o cuspe caiu na minha testa. Porque chegam dias como hoje, em que eu olho pra trás e vejo que já passou tanta, mas tanta coisa que dá uma puta saudade.


Isso tudo porque neste final de semana irei fazer uma coisa extremamente importante e simbólica pra mim que fiquei assim, nostálgica, pensativa. Na segunda eu conto o que era, tá?
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Rindo tudo

Estou numa semana de trabalho até o último fio de cabelo, mal consigo respirar e, ainda por cima, Lucas resolveu mesmo brincar de RN durante a noite e acorda pra mamar a cada 2, 3 horas. Se eu não gostasse da função vaca-leiteira, estaria louca da minha vida, mas, como curto muito, to só cansada pra caceta (mas feliz).

Feliz também está Lucas, que resolveu que gargalhar is the new black, olhem: 



É gentileza ignorar: a zona da casa, a voz besta da mãe, os sons animalescos produzidos pelo pai. Grata.
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10 meses


(olha só como ele estava no mês passado!)

Hoje Luquilicious faz 10 meses e, como eu já previa, temos um dia de muita comemoração: ele finalmente começou a engatinhar!! Foi ontem, do nada. Claro que ele vem treinando há meses e estava no quase-quase desde a viagem pro Rio, mas ontem ele simplesmente saiu engatinhando como se tivesse destravado alguma coisa na cachola, sabe? Eu tinha visto ele muito profissionalmente se aproximando de um brinquedo logo de manhã e comentei com Maridon “acho que ele tá engatinhando”. O dia passou e não rolou mais, achei que era alarme falso. Daí mais pro final da tarde, estávamos os 3 sentados no chão da sala, brincando, rindo. Levantei pra buscar uma água na cozinha e quem vem atrás de mim, todo empolgado, gargalhando? LUQUINHAS!

Fiquei tão, mas tão emocionada... só uma mãe sabe o quanto essas coisas mexem com o coraçãozinho. Eu chorava e ele ria e vinha se aproximando de mim, coisa LYMDA. Não filmei, não fotografei, não nada. Só estava ali presenciando aquela delícia de cena, rezando pra nunca nunca esquecer disso tudo.

E é o que mais tenho feito, aliás. Rezo pra não esquecer, pras fotos e vídeos e textos serem suficientes e ajudarem a minha memória. Quero viver e aproveitar cada minuto desse meu pequeno, quero vê-lo crescer e acompanhar de perto cada pequeno milagre da sua vida, como esse que tive a sorte de presenciar ontem. Quero rir dele e com ele, quero estar presente, quero enxugar as lágrimas, dar colo, dar peito, dar o coração e tudo mais que já dei e sigo dando, sempre.

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E, como sempre, quero registrar aqui mais algumas coisinhas desse mês que passou:

· Além de engatinhar, ele agora levanta e fica em pé sozinho e explora quase tudo sem muita interferência nossa. É um senta-levanta infinito, ele parece estar constantemente se testando. E não sei se fica feliz com os resultados ou se também faz parte dos “testes”, mas ele também ficar gargalhando muito, às vezes parece só testar a voz, às vezes parece que estão contando a melhor piada do mundo pra ele. É muito divertido.

· Com igual intensidade tem sido seus choros: parece que ele tá sendo torturado. Grita, se debate, se contorce, é todo um drama. Já demonstra raiva quando contrariado e haja paciência e tranquilidade pra controlar as situações que já começam a aparecer.

· Voltou a comer direitinho depois da gastroenterite e a mamar muito, papo de a cada duas horas durante a noite (durante o dia tá muito ocupado brincando, daí não quer saber de peito não). É um saco essa moda RN-noturna, fico arrasada de cansaço, mas gosto tanto de amamentar que vou aturando e não tenho coragem nenhuma de cortar alguma mamada.

· Pesamos antes da doencinha e ele tava com 10 quilos cravadinhos e 72 cm. Achei bastante bom e isso me deu certa segurança durante a gastro-chateação: não tem problema se tiver emagrecido um pouquinho, tem bastante bochecha pra garantir.

· Dá tchau, bate palmas, se esconde, interaje. Tudo quando tá afim e quase nunca quando pedimos. He-he, meu pequeno cheio de vontades próprias.

Apesar da semana doente, posso dizer que esse mês foi uma delícia. Mais que o anterior, que eu jurava que tinha sido O melhor. Isso vai seguir assim? Eu vou sempre achar amanhã melhor que hoje? Até onde isso vai, meu povo? Vou explodir de tanto amor!!
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Só pra dizer que

entre mortos e feridos, salvaram-se todos, ufa.

Lucas finalmente melhorou e voltou a ser o baby de sempre. Ficou a semana toda em casa, por orientação da pediatra (querida, por que você não me orientou ANTES deu pagar mico na creche?). Eu e o Maridón nos desdobramos em 20 pra cuidar do pequeno em casa, trabalhar, cozinhar e tudo mais e hoje estamos arrasados de cansaço, mas felizes que Luquitchous tá ótimo.

Então é isso, gente! Segunda meu bebezico faz 10 meses, teremos foto, teremos post especial, teremos loosho, teremos luzes, teremos fogos!

(relevem que eu to felizinha que cabou a gastroenterite!)

dito isso, deixo um vídeo bobinho do pequeno sobre todo o respeito que ele tem pela minha pessoa:


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#mãedemerda

Sempre chega o dia que você se vê na situação mãe de merda, né não? Pois o meu chegou no dia que o Lucas nasceu e eu nem aí pra trocar a fralda dele, niqui vem a enfermeira tipos oito horas depois e me fala “oi, precisa trocar a fralda dessa criança, viu?”. “Ah é?”, eu disse, a mãe, a besta-quadrada. E o RN ali todo frágil e assadinho, ó coitado.

Então, foi ontem. Na segunda eu tinha ficado em casa cuidando do pequeno. Ele ainda estava sem comer nada e com bastante diarreia, não tinha como mandar pra escolinha daquele jeito. Na terça (ontem), precisava voltar a trabalhar, então fomos. Eu pro trabalho, ele pra creche. Contei pra profe sobre os últimos dias, a doença, o diagnóstico, ele não come, mas ok, eu aguento, falei dos cuidados com hidratação e beijo-tchau-qualquer coisa me liga.

Duas horinhas depois, me liga a diretora. Eu já chorando de medo. Porque a diretora do colégio do Lucas é dessas que temos medo, sabe? Os alunos e eu, a mãe abestalhada. Ela fala grosso e dá esporro e, por favor, não me mandem pra sala dela, eu juro que não faço mais isso (sem nem saber o que fiz, eu já me desculpo).

Mas voltando pra ligação da carrasca, opa, da diretora: ela me senta o verbo que gastroenterite é muuuito contagioso, que o médico tinha que ter me avisado, que não posso mandar meu filho pra creche assim, que todas as crianças vão pegar, que todos irao ficar todo vomitando e cagando molinho, que tudo será uma loucura, que 2012 é o ano em que o mundo termina e a culpada sou eu e que eu tenho que buscar meu filho djá e só voltar com atestado da pediatra.

Uia.

Fui correndo buscar o pequeno e, chegando na creche, eu tava com tanta vergonha e cagaço daquela mulher, que passei batido pela sala dela, pedi mil desculpas pras cuidadoras, catei meu filho da área de isolamento (que nem era nada, ele só tava meio separadinho dos amigos – é que a diretora tinha dito que precisou isola-lo e eu já tinha imaginado salas cobertas de plásticos e pessoas com roupas brancas especiais hermeticamente fechadas) e fomos pra casa.

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Ela tinha razão, né? Que mãe em sã consciência manda filho doente pra creche? Eu.

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Tudo bem, não to me sentindo culpada não. Só abestalhada mesmo.

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Pra que vocês se sintam a salvo neste mundo: hoje Lucas vai a pediatra ser avaliado pra poder voltar pra vida normal, tá?
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Da chateação de mandar filho pra creche

É que ele arruma uma doencinha nova todo-santo-mês.

A de agora chama gastroenterite ou gripe da barriga ou rotavírus. Ele não foi completamente vacinado contra esse treco, por conta da alergia ao leite de vaca (não recomendado pro caso dele). Daí pronto, era deixa que o vírus bobalhão precisava. Um dia Lucas parou completamente de comer. Noutro, vomitou. No terceiro, diarreia.

Hoje tá assim: vomita a cada coisa que consegue ingerir. Faz vários cocôs, todos tão líquidos que não há fralda que segure, haja banho, haja roupa. Não quer comer sólidos. Só quer peito e, mesmo assim, muito de vez em quando e, mesmo assim, muito pouco. Água também só às vezes.

Já fui ao PS do hospital, já liguei pra pediatra e a recomendação é a mesma: paciência, muito colo, muito líquido. Que a coisa deve durar entre 5 e 8 dias (ai meus sais que ainda estamos no quarto dia e ele ainda não parou de vomitar!!) e não tem remédio mesmo. Se eu quiser, posso dar um contra enjôo, mas já dei e não fez nem cosquinha naquela criança vomitenta.

Humpf.

E eu tava toda trabalhada na maternidade-tranquila. Tá, eu to tranquila ainda, só que doença de filho é um negócio tão chato! Tão queria estar no lugar dele! Tão queria que ele comesse direitinho e não ficasse fazendo ânsia toda hora!

Mas, enfim, ninguém disse que ia ser fácil, né?
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Brasileiro pergunta merrrmo

E eu, como boa brasileira e jornalista, também adoro uma perguntinha!

Então vou responder uma feita pela Than, reproduzo aqui:

Lucas falará português ou castelhano (é assim mesmo q fala?)??????
Pq vcs, os pais, falam português em casa certo??? (ou não?)
Na escolinha, é tudo castelhano certo??? (certo??? rs)
E aí, ele falará os dois idiomas, eu sei, mas como vcs vão lidar com isso???

Aqui na Argentina também me perguntam muito isso, sobre qual idioma falamos com Lucas e como levaremos o aprendizado bilíngue dele. Bem, a decisão de ter o filho fora do Brasil foi muito influenciada exatamente por esse tema, da exposição a dois idiomas ao mesmo tempo. Acho que é um presente que estamos dando ao nosso filho, essa oportunidade de aprender, desde cedo, a se comunicar em duas línguas.

Existem muitos estudos e pesquisas sérias sobre o assunto e, mais especificamente, um blog ótimo que eu sempre leio, o Filhos Bilíngues, da Claudia Storvik (quem se interessar mais pelo assunto passa lá, tem dicas e leituras preciosas!). Todos dizem que é possível e recomendável que a criança domine os idiomas aos quais está exposta.

Mas, pra resumir e finalmente responder a Than: Lucas falará os dois idiomas. Em casa, com os pais, SEMPRE e SOMENTE português. Na creche, na televisão, na rua (na chuva, na fazenda ou numa casinha de sapê) é tudo em espanhol mesmo (ou castellano – tá certo, Than!). Só que não tem sentido eu falar com ele em espanhol, principalmente em casa, onde jamais falo com o Pedro em outro idioma (vocês se imaginam mudando pra outro país e só por isso começando a conversar com seus maridos e filhos na língua local? Quedê o amor? Quedê a espontaneidade? Quedê a brasilidade??). Eu somente deixo de falar português perto do Lucas caso esteja numa conversa em que os outros estejam falando espanhol, mas quando me refiro diretamente a ele, eu volto ao português.

Esse exercício é difícil, eu fico tentada em sair falando espanhol com o baby em diversos lugares, como na creche. É meio estranho chegar lá e falar “Hola, seño, todo bien? Como le fue hoy?” e depois emendar “Oi filhão! Tudo beleza? Sentiu saudade da mamãe?”. Parece que to excluindo o resto das pessoas. Tanto parece que aqui no trabalho sempre me perguntam se eu to falando em português com a minha assistente (também brasileira) porque o conteúdo da conversa é secreto. Hein? Claro que não! Eu to falando português com ela porque essa é a nossa língua, ué! E também sempre ficam assustados aqui deu falar em português com o Lucas “ah, que legal, ele vai aprender português também?” – me questionam. CA-LA-RO que vai.

Pra garantir que ele seja exposto aos dois idiomas de maneira divertida e incentivadora, além da gente só falar português com ele, também ouvimos muitas músicas brasileiras, eles tem diversos livrinhos em português (quase todos, aliás), tento mostrar desenhos falados na nossa língua pelo youtube ou DVD, incentivo que ele ouça nossas conversas pelo skype ou mesmo no telefone (boto no viva-voz pra ele ouvir a voz do vovô e da vovó, essas coisas).

Como ainda tem 9 meses e meio, Luquinhas ainda não fala nada além de mamama, bababa, papapa, gugugu. Então tô achando ele super poliglota por enquanto, hihihih. Dizem que os babies que são expostos a mais idiomas demoram pra começar a falar e já estamos preparados pra isso. Seguiremos incentivando e mostrando o idioma e a cultura brasileira pra ele amar e querer tagarelar desde agora!
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Da aceitação

Me perguntaram como foi com Lucas no avião e eu fiquei pensando na resposta e dei uma viajada na maionese, só para variar.

Lucas no avião foi assim: tranquilo.
Lucas não dorme diretão a noite toda e o que eu acho disso: tranquilo
Lucas não engatinha e não sabe ficar em pé sem ajuda e eu tenho que estar com ele o tempo todo: tranquilo
Lucas sofre com nascimento de dentes: tranquilo

Tenderam? Eu já sofri demais com coisas do meu filho que, ah gente, são só coisas de criança. Claro que as questões dele tem minha total atenção e eu o observo muito, mas não vejo nada de anormal nos comportamentos e reações que ele tem. Ele é um bebê animado, curioso, risonho, carinhoso, divertido e é isso que importa!

Mas voltando ao avião: tanto da ida quanto na volta, aconteceu tudo do mesmo jeito. Ele brincou supers no check-in, na sala de embarque. Penduradinho no sling, olhava pra tudo e todos e ria, falava no idioma dele, se balançava todo, enfim, curtiu as novidades. Daí entrávamos no avião e diminuíamos o ritmo. Lá, eu ligava a TV (do avião mesmo, benzadeus pela TAM) e ele via dois minutos de desenho. Nessa hora já quase decolando, eu sacava as peitolas e ele dava uma mamadinha basics, pra relaxar e evitar dor de ouvido. E já ia se aconchegando no meu colo pra dormir. Daí dormia super delícia, papo de uma hora, hora e meia. Nas duas vezes deu tempo da gente comer e ver alguma coisinha na TV.

Ao acordar, era uma loucura. Porque o bichinho despertava cheio da energia e ficar numa poltrona de avião não era o programa mais legal pro momento. Então eu e Maridón revezávamos dando atenção pro pequeno, mostrávamos os brinquedos que tínhamos levado (um de cada vez, pra não gastar!), andávamos pelo avião, deixávamos ele ficar em pé e pegar amizade com os pobres passageiros que queriam dormir ou ver um filminho. E, nas poucas vezes que chorou, eu fiz o que pude pra distraí-lo, mas entendi e aceitei que é assim, ué. Criança fechada num avião não combina e pronto. E sabem? Foi ótimo! Achamos que ele foi um companheirão de viagem. Na ida, demorou muito pra saírem as malas e ainda por cima tínhamos burocracias pra resolver e Lucas ficou quietinho no sling, observando e rindo, mesmo já tendo passado muito da sua hora de jantar e dormir. E assim foi durante toda a estadia no Rio. Mudamos rotina, fizemos passeios, apresentamos muitas novidades. Ele estranhou muitas? Sim, claro. Mas curtiu e sinceramente acho que, ao ver papai e mamãe relaxados, ele se sentiu seguro pra relaxar também.

Então acho que aceitar que a vida mudou, que estar com um bebê exige que muitas adaptações sejam feitas e quebrar a rotina sem sofrer de vez em quando são chaves pro filhote ficar tranquilo e se tornar um bebê-anjinho.

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Nessa tranquilidade boa da viagem, eu percebi (e achei muita graça de) o quanto brasileiro é um bicho perguntador. Tá bom, aqui na Argentina também se pergunta muito, mas no Brasil é nível inquérito. Eu achei muito divertido e respondia tudo conforme meu humor. Como estive muito bem humorada, saibam que eu bati altos papos com qualquer um que me desse meio segundo de prosa. Das perguntas campeãs, temos:

- “Ele já dorme a noite toda?” – eu ria pra essa. Às vezes eu até gargalhava. Não sei o que responder! Dorme, dorme sim, a noite toda. Mas não direto. Acorda pra mamar e volta a dormir sem eu mover uma palha pra que isso aconteça. Eu já li mil livros e tentei mil táticas pra fazê-lo dormir diretão, mas ai, sei lá. Deu preguiça, deu estresse. Quem sabe eu não tente de novo um dia? Atualmente, eu nao me incomodo, eu amo estar disponível pra confortar e alimentar meu bebê, tê-lo nos braços... tá passando tão rápido, ele mal cabe inteiro no meu colo, quero curtir! Estarei louca de achar CURTIÇÃO acordar na madruga pra dar peito? O que leva a segunda top-top pergunta:

- “Mas ele ainda mama?” E eu respondia orgulhosa: SIM! Acho que esse orgulho todo inibiu continuações pra essa conversa, do tipo “ah, mas você deveria complementar”. Até porque Lucas está crescendo tão na boa, tá gordinho, tá delícia. Por que alguém me mandaria complementar uma coisa que sozinha dá certo? Me disseram “mas é muita dependência, você nunca fica livre!”. E eu pensava “verdade”. Sempre fico a disposição, sempre me preocupo, sempre tenho a bomba de tirar leite a postos pro caso dele mamar mal eu poder tirar e não zoar a produção. Mas, de novo: tá passando tão rápido... eu vou piscar os olhos e ele já vai estar grandão desmamado. Então vou curtir essa dependência, ué! É tão bom!

***

Tudo pra concluir que, depois que aceitei o pacote materno como um todo, me abracei a ele e me apaixonei perdidamente. Fiquei bestinha, achando meu filho a coisa mais incrível desse mundo todo, mostro fotos pra quem cruzar o meu caminho, conto dele pra quem quiser ouvir (pra quem não quer eu também conto), fico achando que não há coisa mais fofa que um bebê de 9 meses, mas aí ele tem 9 meses e meio e, ah, não tem coisa mais fofa que um bebê de 9 meses e meio.

Aliás, não tem coisa mais fofa que O MEU bebê de 9 meses e meio.

de novo na praia (ah gente, essas fotos estao tao lindinhas, deixa eu, vai?)


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