Um mundo mágico chamado Férias

ou: “Um mundo mágico chamado Rio de Janeiro

Férias, né. Coisa linda, coisa rica.

Confesso que saí da terra hermana cheia de medo: da reação do Lucas ao avião, do descontrole na rotina, da amamentação que poderia se perder, do excesso de gente pra ver e coisas pra fazer. Tolinha, haha. Deu tudo mais do que certo. Família feliz, bebê animado e companheiro, dias lindos de sol, bloquinhos de carnaval e sonequinhas de tarde. Vimos amigos, família, praia, paisagens. Fomos felizes e curtimos muito e voltamos pra casa numa ressaquinha gostosa de fim de festa muito bem aproveitada.

Nesse meio tempo, o baby: CRESCEU! Desenvolveu, falou, riu, gargalhou, tá quaaaaase engatinhando (agora é quase mesmo, juro), aprendeu a sentar sozinho, a dar tchau, a ficar em pé e ir andando por aí apoiado nas coisas. Comeu areia da praia, bebeu água do mar, pulou ondinhas e deu gritinhos pra elas, lambeu e foi lambido pelos cães, foi a bloco de carnaval e sambou e agora se remexe todo quando toca qualquer música, comeu papinha delícia feita pela vovó, tomou água de coco, mate, muita água e leite da mamãe, claaaro. Esteve em muitos colos, teve as bochechas muito apertadas, foi super fotografado e amado e aproveitado. E aproveitou, viu. Tudinho.

Teve algumas chatices, tipo os dentes. Tão saindo 3 (ou 4, não sei) ao mesmo tempo e ele tá bem incomodado. Morde tudo e todos, choraminga e machuca demais o meu peito na hora de mamar. Algumas vezes, confesso que tirei leite e dei na mamadeira porque ele ficava tão ansioso e animado com o entorno que me mordia loucamente e mal mamava. Também teve uma febrinha num dos dias, mas tratamos com banho fresco e muito colinho, logo passou.

Também teve o calor, que ele não tava acostumado. Daí era mais choramingo e bebê cheio de brotoejas e incômodos. E muitas picadas de insetinhos, tadinho. Mas também resolvemos com banho e pronto.

Perto do tanto que foi bom, essas coisinhas mal incomodaram.

sorrindo para Iemanjá (foto by Ju)

Férias agora só no invernão, mas já to contando os dias!!


E voces, ficaram bem? Curtiram o carnaval?
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Pra ver a banda passar

Vou dobrar minha língua uma vez mais (e a maternidade não é bem isso?, confessem) e vou postar Chico Buarque aqui. Tá, eu ainda odeio ele, mas tem coisa mais bonita que isso:



??

Num tem.

E é o meu feeling hoje, pessoas lindas do meu corazón. Vou parar um pouco e vou ali ver a banda passar cantando coisas de amor. Divirtam-se, aproveitem e juízo, hein?

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Pras moçoilas queridas do Rio de Janeiro: na segunda-feira, 20/02, eu e Luquinhas estaremos dando o ar da nossa graça e beleza no bloco Largo do Machadinho, Mas Não Largo do Suquinho, às 10h, no Largo do Machado. Se quiserem, apareçam também e vamos botar esses pitocos pra sambar!

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beju, nos vemos na volta!
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Mais da Emma

Ontem eu tava com tempo sobrandinho, então fiquei dando uma perambulada pela creche. Daí que conheci (de verdade) a Emma.

E, olha, vamos lá nos retratar: Emma é uma fofa. Pequena (ou, pelo menos, menor que o ogro que é meu filho), ágil, já fica em pé sozinha, já quase engatinha melhor que o quase-engatinhamento do Luqui. Olha pra ele com o maior carinho e eu achei tão fofo que outro alguém nesse mundo olhe pra ele com esse olhinho de amor, sabe? Claro que tem muitos outros que amam o Lucas, mas eu achei fofo ele ser amado também por uma humaninha da idade dele. Mais que isso: eu pude ver que alguém dessa idade é completamente capaz de amar.

Antes que alguém me ache louca: acho que não tem coisa nenhuma de “namorados”. Isso é o que nós adultos achamos, mentes acostumadas a sexualizar tudo. O que vejo ali é que são amiguinhos; são bebês que, de alguma forma, se identificaram e se gostam e curtem o tempo que passam juntos. Vivem aventurinhas só deles, se reconhecem e, independente de ser um menino e uma menina, se amam.

Não acho que esse amor vá sobreviver ao tempo, mas acho que é o primeiro de muitos que ainda virão. Daí que fiquei feliz de ver meu filho amando e sendo amado, construindo relações e vivências que são só dele, que não me tem como intermediária. Claro que dá um apertinho no coração “ai, ele ama mais a Emma do que eu” “ai, ele tá crescendo!”, mas, mais que isso, me dá um puta orgulho de vê-lo vivendo a própria vida, trilhando seu caminho.

Vai, filho, vai. Estarei sempre por perto.

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Pensando nisso tudo, com lagriminha no canto dos olhos, observando Emma e Lucas e querendo apertar as bochechinhas dos dois, eis que me surge... a mãe da Emma! A cuidadora da creche fez as devidas apresentações e ela solta, em tom acusatório “ah, então é você que é o Lucas?”. Ferrou, essa mulher vai querer pegá-lo na porrada. Acabou o amor, isso aqui vai virar o inferno.

Mas aí comecei a doutrina “Você não acha lindo que eles tenham uma vida própria, independente de nós? Que aprendam os valores de amizade, de amor, de companheirismo? Blá-blá-blá whiskas sachê?”. E ela, sorrindo sem graça “é, mas é que o pai dela não gostou nada dessa história...”

HAHAHAHHAHA

É que ela nao leu meu blog ainda, né povo?

***

Daí eu saí da creche pensando que:

1) A Emma é uma fofa.
2) Esse mundo é mesmo muito machista.
3) Por que menino e menina que são amigos precisam necessariamente ser namorados?
4) Eu viajo na maionese demais, pelamor.
5) Vou escrever tudo isso no blog então.
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Rapidinhas rápidas para ler entre um blog e outro – parte não sei qual de infinitas

Além de compartilhar a vida e esse amor enorme que nos une, eu, Maridón e Lucas agora compartilhamos espirros, tosses e lenços encatarrados, olha que bão. Começou no final da semana com Maridón super mal, ontem era eu chapada e sem rumo e logo em seguida Lucas começou com nariz entupido e escorrendo sem parar. Quem ficou melhor foi o baby, que mesmo com tanto catarrinho, não parece nada baqueado.

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E isso acontece logo na semana que vamos sair de férias, olha que sorte.

***

Falando em férias: Lucas já viajou de avião 4 vezes nessa curta vida, mas, mesmo com a experiência, me pego meio neUvosa com mala e com o comportamento dele no voo. Da última vez, ele era neném de colo, dormia grande parte do tempo e só mamava. Agora é mini-ogro-baleiudo, não sabe ficar parado, mama e 3 minutos depois quer comer arroz com feijão, pensa que dormir é pros fracos e que qualquer coisa no mundo é um convite pras suas mãozinhas curiosas. Como enfia 3 horas num avião sem muita coisa pra fazer?

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Falando em coisa pra fazer: será que ele vai curtir bloquinho de carnaval?

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Falando em curtir: será que ele vai amar a praia como eu espero que ame?

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Falando em amar: AMOR é o nome do sentimento pela minha bomba elétrica nova. As ordenhas são mais tranquilas e produtivas – fico lendo twitter enquanto a Medelinha (somos íntimas já) faz o trabalho pesado. Delícia.

***

Era isso. Vou ali arrumar uma mala e preparar o espírito pra pular carnaval (hahaha deixa eu sonhar que vou pular algo com filho pequeno no colo) e já volto pra me despedir antes das tão sonhadas férias.

* **

Enquanto isso, deixo umas fotAs das últimas fofices do pequeno, pode ser? Sijoga:

fazendo besteira escondido
te peguei!
quase (engatinhando? andando? nao se sabe)
siachando grande
delíciO

9 meses




(Veja como ele estava no mês passado!)

Todo mês que passa, eu penso “esse foi o melhor mês! Ele ficou mais lindo e eu apaixonei mais!”. Até que chega o próximo e eu penso “pffff, como pode que eu achava tudo isso no mês anterior? Agora sim que a coisa tá de-mais!”.

Ou seja: cada mês que passa é um desafio e cada mês que passa é um amor que só cresce, que nem as bochechas do meu filho.

Dito isso, vamos sijogar nos acontecimentos comigo?

- Graças ao bom pai do céu, a chatice pra se alimentar deu uma trégua. Lucas voltou a comer suas papinhas (agora com pedacinhos e não mais aquela pasta disforme) com mais alegria no coração. Também voltou a mamar numa boa e meu leite voltou a dar as caras depois de muito esforço meu (e valeu a pena! Desmame agora NÃO!).

- Teve sua segunda otite, mas que curou numa boa.

- Nasceu seu segundo dente, que nos infernizou por alguns dias. Achei que viriam mais outros, porque tava uma babação e uma coçação de gengivas sem fim, mas não aconteceu nada. Mesmo só com dois dentinhos, ele já mastiga muito melhor as coisas e até se arrisca a arrancar pedaços de algumas frutinhas que eu dou pra ele roer.

- Arrumou uma namorada na creche

- Não sei quanto está pesando ou medindo, só veremos a pediatra de novo após as férias (iei, vamos sair de férias na semana que veeeem!!). Mas, desconfio que já esteja perto da marca dos 10 quilos, uma vez que quase não o aguento mais no colo, tô cheia de dores nos braços e nas costas de segurar esse menino peso-pena.

- Está quase engatinhando. Eu fico nervosa porque ele é sempre o último dos babies a atingir esses marcos, fico achando que ele pode ter graves problemas neurológicos e/ou físicos, mas aí eu paro pra pensar e vejo que ele só tem o tempinho dele mesmo. Anyway: ele não engatinha ainda, se arrasta, se coloca na posição, dá uns trancos pra frente e pra trás e, de repente, começa a chorar de ódio que não consegue coordenar os movimentos pra chegar onde quer. Eu já tentei deixar chorando um tico pra ver se ele resolvia a questão sozinho, mas parece que só piora se eu ignorar.

- Por outro lado, inventou que adora ficar em pé. Só que não sabe ficar em pé sozinho, então grita pra eu levantá-lo.

- Também aprendeu a abrir gavetas. Eu falei que “não” trinta mil vezes e ele ignorou todas, até que o deixei fazer o que queria e – óbvio - ele fechou os dedinhos. Aí eu falei a frase de mãe que mais esperei pra falar nessa vida “eu te aviseeeeeei”. Hi-hi, tadinho. Foi mais o susto, nem fechou forte, mas enfim, tô achando mais seguro comprar aqueles protetores do que assistir meu filho quebrando os dedinhos, né não?

- Ainda em desenvolvimento de coisinhas: há uns dois meses eu bato palmas pra ele. Diariamente. É “parabéns pra você” em loopings eternos. E ele? Nada. Me ignorando. No máximo dando um sorrisinho burocrático pra ver se eu parava logo. Nunca fez menção de que ia tentar bater palmas também. Daí ontem, o fiz dormir e pus no berço. Como já era tarde pros padrões dele, achei que tinha capotado. Volto pro meu quarto e eis que escuto na babá eletrônica um som estranho, bem de leve: “pá-pá-pá”. E ele falando junto com o som “abubu-ababá”. Vou lá conferir e tá a criança BATENDO PALMAS. Como se sempre tivesse feito isso na vida. Pensei em filmar, mas já era tarde e só agitá-lo mais, então resolvi por no colo e fazer dormir de novo. E cês acham que ele parou? Não, ficou batendo palmas no meu colo até pegar no sono (inclusive batia palmas até de olho fechado, hahahaha). E eu me segurando pra não gargalhar daquilo.

- Tudo isso pra me lembrar: cada bebê tem seu tempo, Carolina.

Então é isso, gentes. No tempo dele, vamos seguindo e vamos amando (mais, sempre mais).

;)


O caso Emma

Emma é uma qualquerzinha.
Tem oito ou nove meses de idade, não sei ao certo.

O que sei é que cheguei na creche pra buscar Lucas, dia desses. E a cuidadora, toda felizinha, vem me contar da Emma. Mas oi? Meu filho é o Lucas, me conta do Lucas? Não, desandou a falar da Emma, essa qualquer.

Parece que Emma e Lucas são melhores amigos. Do tipo Best Friends Forever, sabe? Andam (?) juntos o dia todo, brincam juntos, dormem ao mesmo tempo (não juntos, suas maldosas), estão sempre rindo da mesma coisa, ficam os dois tentando engatinhar e caem e riem e tudo lindo, ói que fofura. Trocam chupetas, brincadeiras, confidências e piadas internas.

E a cuidadora me conta isso assim, com uma cara orgulhosa, achando muito lindo os dois siamando tanto desse jeito, desde cedo: “são companheiros pra vida!” – exclamou orgulhosa a mocinha da creche.
Eu sorri. Bem amarelo. Bem afins de dar um soco nela. E na Emma, claro. 

Piada interna?
Troca de confidências?
Amigos-pra-sempre?

NAONDE, me diz?

Que meu filho, meu pitoco, meu gordinho delícia cheirando a leite e alimentado organicamente tá se engraçando pro lado de uma QUALQUER por aí e a maluca da tia da escolinha tá achando lindo? Não. É lindo coisa nenhuma.

Brincar é com a mamãe,
Piada interna é com a mamãe,
Amizade é com a mamãe,
Compartilhar-a-vida-para-todo-o-sempre é com a mamãe.

Tá? Que essa sim é a única mulher que vai te amar e te querer e te cheirar e achar tudo lindo aroma das flores campestres regadas a chuvas amenas na primavera, viu filho?

E Emma, te liga, garota. E anda na rua com um olho na nuca e com muita noção do perigo.


Que essa delícia braquela é só minha e só tem olhos PARA-MIM.


(aham Cláudia, senta lá)

A pessoa sabe que enlouqueceu quando...

... está tranquilamente trabalhando no excel (amor verdadeiro, amor eterno) e manda organizar os elementos. Aí o excel em espanhol (oi, eu moro na Argentina), muito preocupado com a minha producao leiteira, me manda ir ORDENHAR. Comassim, excel?

Assim, ó:


ou seja, né. Quase que pressionei F1 para obter ajuda e entender melhor o causo, mas logo Tico e Teco voltaram a funcionar e vi que tava escrito ORDENAR.

pior que isso, foi quando eu li que 70% das cegonhas tavam atrasadas num jornal online qualquer...


Blogagem coletiva: o relato de parto do meu blog

O trabalho de parto deste blog foi LONGO.

Foi assim: um belo dia de setembro de 2009, eu resolvi postar, bem escondidinha.

Mentira: dois anos antes, eu lia a blogosfera materna toda, bem escondidinha.

Mentira: 10 anos antes, eu decidia começar a brincar de blog, não tão escondidinha.

Ou seja: eu acho que sou a blogueira mais antiga que eu conheço! Tenho blog desde 2002, vejabem! Só que não era sobre maternidade, claro que eu não sou doida de querer ser mãe aos 18 anos (mas respeito quem é, viu? Doida E mãe aos 18).

Mas bem, voltando pro parto: a gravidez deste blog durou 7 anos. Escrevia no antigo sempre, quase todo dia. Registrei lá muito da minha vida, do meu relacionamento com Maridón, meu trabalho, minha vinda pra Argentina. Tinha meia dúzia de leitores pingados, afinal só quem era amigo tava afim de saber aquelas historinhas. Mas eu curtia escrever e sempre sempre achei que era um exercício de auto-conhecimento (e de auto-embobeiramento também, já que não é de hoje que adoro escrever uma bobeira).

Daí que, numa bela madrugada, conheci um blog materno. E pensei “que porra mais doida essa mulher postando foto da sala de parto”. Mas voltei no dia seguinte. E pensei “que porra mais doida essa mulher descrevendo amamentação”. Mas voltei de novo depois. E pensei “que porra mais doida essa mulher sofrendo porque parou de enfiar o peito na boca da criança e agora vai enfiar a mamadeira”. Mas voltei novamente. E atinei pra olhar pros comentários dela. Lotados de mulheres com histórias parecidas, com coisas pra contar, com o coração aberto pra ajudar. E pensei “que gênia essa porra dessa mulher!”.

Ali, naqueles comentários, eu fui entrando de blog em blog. Conheci muitas mães, muitas histórias. Li arquivos, relatos de parto, acompanhei crianças nascendo, crescendo, andando, falando. Me peguei sensibilizada com tanta vida e tanto amor.

E assim, quietinha, permaneci por dois anos.

Até que a Flávia perguntou quem é que tava lendo de Buenos Aires... hahahaha. E eu achei que a polícia dos blogs tinha me descoberto! Tolinha, era só o Google Analytics! E ali fiz meu primeiro comentário  (olhem lá nos comentários e vcs verao que nao é mentira, tá reSistrado!). E me soltei. E comecei a falar da vontade de ser mãe. E a vontade de ser mãe tomou conta de mim. Daí resolvi começar a escrever pra falar disso, mas não queria que ninguém “de fora” dessa pequena panelinha soubesse.

Pensei muito e, entre uma contração e outra, fiz uma força bem forte e nasceu! As minhas bobeiras em versão baby!

As porras das mães loucas e gênias que eu estive admirando por tanto tempo, de repente, viraram minhas companheiras de caminhada. Ganharam minha amizade. E eu as ganhei aqui, sempre presentes. Nos comentários, na caixa de email, nos seguidores, nas visitas.

Vocês, maioria blogueiras, sabem o que é receber um comentário. Um elogio. Uma crítica. Muda nosso dia, nos bota pra pensar, nos faz querer mais e sempre. Comigo não foi diferente: me apaixonei perdidamente por tudo isso e não largo mais! Pensei em vocês até durante o trabalho de parto do meu filho e fiz questão de vir postar!

Enfim. Estar aqui é uma coisa de porra de mãe doida mesmo e sabe o que? Vale muito a pena. MUITO.

Cês num acham?

***

Esse post faz parte da blogagem coletiva organizada pelas bunitas do Mamatraca!

Pensamentos mais amarrados sobre amamentação

Eu deveria escrever mais nesse blog. Porque toda vez que eu escrevo, parece que consigo racionalizar melhor e raciocinar melhor. Aí tudo fica claro e os problemas se resolvem mais rápido.

Primeiro de tudo, agradeço muito as queridas que mandaram tantas energias boas. Muitas opiniões, muitas experiências, foi bem ótimo conversar com vocês. Algumas me chamaram de “exagerada”, a maioria sob anonimato. Não há necessidade de preocupação nem de se esconder, povo. A polícia dos blogs não vai bater na porta de vocês, nem eu mandarei email enfurecido só porque algumas pensam diferente. Até porque não achei “exagerada” uma crítica destrutiva, achei que era mais um conselho do tipo “relaxa que tudo vai se clarear em breve”. E curti o conselho, sabe? Curti e aproveitei pra olhar pra dentro, com calma.

Observei meu filho, me observei. E vi que ambos queremos seguir. Ele procura o seio: pra ele é um momentinho de calma e carinho, além do óbvio da nutrição. E eu também me nutro dessa relação, embora – confesso – esteja cansada. Aproveitei também pra entender a origem do meu cansaço. É da amamentação? Das ordenhas? De ser mãe? Do trabalho? Da internet?

Tudo pode ser.

Ontem, divagando sobre o assunto, por acaso, tinha chegado a hora de uma mamada. O peito estava meio vaziote, eu um tanto insegura pelo momento. Preparei uma mamadeira de leite ordenhado pro caso dele ter muita fome e eu não conseguir dar conta. Mas, Lucas se encaixou no seio de tal forma... foi emocionante. Nem olhou pra tal mamadeira que tava ali do lado. Se aninhou em mim e ali ficamos os dois, quietinhos no quarto, nos alimentando um do outro.

E ali estava a minha resposta. É ele que me importa. É por ele que me canso. Vale a pena lutar um pouco mais.

Dali em diante a luta parece ter ganhado outra cara. Até deixou de ser “luta” e passou a ser um prazer, pura e simplesmente. Estou tentando ver as ordenhas como uma parte da construção de algo maior, que é tentar manter a amamentação. Não, não é super maneiro ordenhar. Não vou mentir. É chato. Mas, ver que ainda produzo, ver que, mesmo se tomar mamadeira, Lucas vai seguir tomando do meu leite, ainda que ordenhado, ajuda muito. Daí cada jatinho que sai do peito me arranca um sorriso “ainda estamos aqui, peitcholas!”.

Até quando? Não sei. Eu queria que fosse, pelo menos, até ele fazer um aninho. Mas, na real: to tentando deixar isso pra lá. Que seja até onde der. Até onde eu tiver certeza que fiz tudo que pude, tudo que quis fazer. Até ele não querer mais e virar a cara pro meu peito.

Enquanto nada disso não acontece, estamos aqui!

***

De ordem prática, a quem interessar possa: o que estou fazendo pra aumentar/manter a produção de leite?

· Água, muita água, quantidades descomunais de água: sempre que me lembro bebo um copinho e tenho a regrinha de tomar, pelo menos, uma garrafinha de 500ml entre ordenhas/mamadas.

· Ordenha for ever: quando acho que Lucas mamou pouco, ordenho o resto. Quando estou longe dele, ordenho a cada 3 horas (e guardo pra ele consumir na creche). Anoto as quantidades retiradas, o tempo que durou e o horário. Boto tudo num Excel e faço um gráfico comparativo e fico rindo de mim mesma, porque só os loucos obcecados possuem tamanha dedicação doidice mental.

· Livre demanda: durante a semana é meio dificEL porque estamos separados durante o dia, mas a noite é uma criança, meu beeeem. Ele mama o quanto quer. Abriu a boca pra chorar? Peito nele.

· Cama compartilhada: tá, eu sei. Eu prometi pra mim mesma que jamé que ia enfiar criança na minha cama de novo. Porém, em tempos de pouco leite e bebê choramingoso que não mamou tudo que queria, é o que há de mais fácil. Ele dorme comigo nos períodos críticos, quando o leite tá bem pouquinho. Quando aumenta, ele fica no bercinho mesmo (até porque, quando aumenta, ele acorda uma vez só por noite)

· Água quente nas peitas: não é quente fervendo, meu povo. É durante o banho, deixo a água bem morninha caindo e às vezes dou uma massageada pra ativar a coisa toda.Dizem que compressa quente antes de cada mamada ajuda, mas ainda não fiz.

· Levedura de cerveja: é um remedinho comum e naturebis, que dizem, ajuda a bombar. Tomo um antes de cada refeição principal e pronto.

· Comer bem: isso eu faço e como bem pa-cas. Bem do tipo como mais que o pedreiro. Tenho vergonha dos meus pratos.

· Dormir: tenho tentado dormir cedo, dormir mais, dormir quando o bebê dorme (só nos finais de semana é possível). Isso que te mandam fazer quando eles são RN eu resolvi fazer agora, olha só que espertona descobridora da pólvora que eu sou.


Das coisas que não fiz ou não recomendo ou não funcionaram:

· Plasil: tomei, mas me dá um sono tão absurdo que não consigo fazer mais nada. E não senti alterações importantes na quantidade de leite, então deixei pra lá.

· Cerveja: preta, amarela, geladinha, chope. Já me recomendaram de todos os tipos. Não tomei porque já percebi que sempre que consumo álcool (calma gente, eu nao me embebedo), a produção cai. Então nem quis tentar.

· Tintura de algodoeiro: nem sei o que é isso, mas já procurei e não encontrei pra vender aqui em terras hermanas.

· Sondinha de translactação: não tá descartado, ainda não fiz por pura preguiça. Mas já me disseram que é milagroso.

· Comer canjica ou derivados de milho: comi milho cozido, mas não senti diferença (até porque, pra fazer diferença, acho que precisa comer tipos todo dia, né nao?)

· Ordenhar um peito ao mesmo tempo que o bebê mama no outro: juro que tentei, mas Lucas acha a bomba de leite uma coisa tão fantástica que ele para o que estiver fazendo pra observar aquele treco que puxa loucamente o mamilo da mamãe. Daí ele nao mama se eu ordenhar ao mesmo tempo.

· Ordenha elétrica: nunca tive ou aluguei, a minha é uma manual, da Avent. Eu não tinha pensando nisso quando comprei esse modelo, mas a verdade é que ordenhar manualmente todo santo dia me deu mais canseira e uma bonita tendinite. Daí que chega: comprei essa semana uma bomba elétrica da Medela, que inclusive chega hoje (ai emoção!!). Depois eu conto se minha vida mudou!


Do imprescindível:

· Acreditar: que eu posso, que eu consigo, que é o melhor pra gente. Nada do que comentei acima funciona se eu duvido muito da minha capacidade de vaca leiteira. Então eu fico num exercício constante de auto-ajuda, de auto-incentivo, de auto-amor-próprio-da-pessoa-em-si-mesma.


Pensamentos soltos sobre amamentação

Só eu sei o quanto eu lutei.



Vejo mães lutando pelo parto, outras pela boa alimentação, outras pelo criação com apego e outras ainda que lutam pelo direito de ficarem quietas e não lutar por coisa nenhuma.

A minha briga, sem dúvidas, foi o peito. Começou tranquila, sem rachaduras, pedras ou bebê magro, mas teve suas dificuldades ao longo do tempo. Uma alergia que me impôs uma dieta (e eu aceitei de bom grado e coração aberto), um bebê que sempre mamou 24 horas por dia, mas que nunca ficou mais de 20 minutos no seio. Depois teve o retorno ao trabalho e a obrigação de ordenhar muitas vezes, sob risco de baixar muito a produção caso não o fizesse (e também de baixar muito o estoque e não ter quantidade suficiente pra mandar as mamadeiras da creche). Tivemos nascimento de dentes e o desinteresse pelo peito (que fez a produção baixar mais ainda) e, por ultimo, duas otites, que tornaram o processo extremamente complexo – eu lutando pro leite não secar, pra oferecer ao bebê tanto quanto fosse necessário e ele, com dor, incomodo e sei lá mais o quê que deu naquela criança.

Me vi ordenhando madrugada adentro, botando despertador pra tocar a cada 3 horas pra não desacostumar o corpo a produzir. Emagreci 20 quilos, tomei remédios, fiz rezas. Acreditei.

Acreditei não porque a OMS disse. Ou porque a amiga do blog comentou que era bom. Eu quis, eu quis muito. Amamentar, pra mim, é de uma entrega, de um amor, de uma simbiose. Não consigo descrever o quão profunda é a minha conexão com o meu filho na hora que lhe dou o peito. Não é só que me conecto com ele. Parece que me conecto comigo, com o Feminino, com o Natural, com a origem das coisas.

Só que, essa semana, durante a greve de fome do Lucas, vi a produção baixar uma vez mais. Pelas minhas contas, é a sexta vez em cerca de dois meses. E comigo a coisa acontece rápido: um dia eu to com peito bombando e com pedras de tão cheio, no outro já mal consigo ordenhar, no terceiro mal saem gotas e já tenho um bebê irritado gritando na minha cara que não sai nada. É triste quando acontece. Só que eu sempre me refaço, reajusto meu despertador pra tocar a cada 3h, volto ao modo ordenha-total e pronto. De 3 a 5 dias depois, consigo me reerguer.

Nunca deixei acontecer livremente pra ver no que ia dar. Tenho medo da mamadeira, tenho medo do desmame precoce.

Sim, precoce.

Não estou preparada (e nem acho que o bebê esteja) pra esse rompimento. O difícil é que o tal rompimento se desenha e toma forma pra mim várias vezes. E é atraente. Porque fico achando que seria mais fácil entrar logo na mamadeira. Que ele já nem aproveita mais as qualidades nutritivas desse alimento. Que o tão potente e festejado leite materno – pelo menos o meu – não evitou as otites, nem os resfriados mil que ele teve. Que ele nem é mais tão viciado assim no peito. Daí eu vou e volto nesses pensamentos e não consigo decidir nada. Vou deixando que os acontecimentos nos guiem e, por via das dúvidas, vou ordenhando pra produção não acabar de vez.

Sendo bem sincera, às vezes fico pensando que caio na armadilha da mãe-sofrida, da mãe-guerreira, essas que acredita que, quanto mais sofre, mais nobre fica, sabe como? Não acorda trocentas vezes pra amamentar? Nunca enfrentou uma greve? Nunca teve que ordenhar até quase sair um pedaço do cérebro pelo mamilo? Então não vale, tua maternidade é facinha. Calma, eu não penso isso conscientemente. Mas fico achando que me coloco esses “desafios” pra fazer tudo ter ainda mais valor, entendem? Estarei mucho loca? Mas aí, seguindo essa linha de raciocínio: se a amamentação é sofrida e só serve pra eu me sentir mais mãe (é uma teoria, calma), por que seguir? Só pra eu poder dizer “puta merda, eu sou uma puta mãe, olha só como eu sofri!”?? E ainda: será que, se eu encerrar as peitchas, terei que encarar a realidade que sou uma pessoa como qualquer outra mortal pra ele por aí? E mais mais: será que não é chegada a hora de interiorizar que, peito ou não peito, parto ou não parto, mãe é uma só e eu sou a mais foda que o Lucas poderia ter?

É difícil explicar pras pessoas que simplesmente acham que amamentação é leite que sai pelo peito e vai pra boca da criança que não é nada disso. É pouco isso, na verdade. Pra mim. Amamentar. É. Ser mãe.

Estou dizendo que você que não amamentou não é mãe? Não, não estou. O que estou dizendo é: ao parar de amamentar o Lucas, serei menos mãe dele?

Lógico que não.

Só que não sei.

Entendem?

***

Por enquanto, sigo amamentando. Não sei a que custo, não sei até quando, não sei se vou ficar louca de vez em breve.



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