Eu deveria escrever mais nesse blog. Porque toda vez que eu escrevo, parece que consigo racionalizar melhor e raciocinar melhor. Aí tudo fica claro e os problemas se resolvem mais rápido.
Primeiro de tudo, agradeço muito as queridas que mandaram tantas energias boas. Muitas opiniões, muitas experiências, foi bem ótimo conversar com vocês. Algumas me chamaram de “exagerada”, a maioria sob anonimato. Não há necessidade de preocupação nem de se esconder, povo. A polícia dos blogs não vai bater na porta de vocês, nem eu mandarei email enfurecido só porque algumas pensam diferente. Até porque não achei “exagerada” uma crítica destrutiva, achei que era mais um conselho do tipo “relaxa que tudo vai se clarear em breve”. E curti o conselho, sabe? Curti e aproveitei pra olhar pra dentro, com calma.
Observei meu filho, me observei. E vi que ambos queremos seguir. Ele procura o seio: pra ele é um momentinho de calma e carinho, além do óbvio da nutrição. E eu também me nutro dessa relação, embora – confesso – esteja cansada. Aproveitei também pra entender a origem do meu cansaço. É da amamentação? Das ordenhas? De ser mãe? Do trabalho? Da internet?
Tudo pode ser.
Ontem, divagando sobre o assunto, por acaso, tinha chegado a hora de uma mamada. O peito estava meio vaziote, eu um tanto insegura pelo momento. Preparei uma mamadeira de leite ordenhado pro caso dele ter muita fome e eu não conseguir dar conta. Mas, Lucas se encaixou no seio de tal forma... foi emocionante. Nem olhou pra tal mamadeira que tava ali do lado. Se aninhou em mim e ali ficamos os dois, quietinhos no quarto, nos alimentando um do outro.
E ali estava a minha resposta. É ele que me importa. É por ele que me canso. Vale a pena lutar um pouco mais.
Dali em diante a luta parece ter ganhado outra cara. Até deixou de ser “luta” e passou a ser um prazer, pura e simplesmente. Estou tentando ver as ordenhas como uma parte da construção de algo maior, que é tentar manter a amamentação. Não, não é super maneiro ordenhar. Não vou mentir. É chato. Mas, ver que ainda produzo, ver que, mesmo se tomar mamadeira, Lucas vai seguir tomando do meu leite, ainda que ordenhado, ajuda muito. Daí cada jatinho que sai do peito me arranca um sorriso “ainda estamos aqui, peitcholas!”.
Até quando? Não sei. Eu queria que fosse, pelo menos, até ele fazer um aninho. Mas, na real: to tentando deixar isso pra lá. Que seja até onde der. Até onde eu tiver certeza que fiz tudo que pude, tudo que quis fazer. Até ele não querer mais e virar a cara pro meu peito.
Enquanto nada disso não acontece, estamos aqui!
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De ordem prática, a quem interessar possa: o que estou fazendo pra aumentar/manter a produção de leite?
· Água, muita água, quantidades descomunais de água: sempre que me lembro bebo um copinho e tenho a regrinha de tomar, pelo menos, uma garrafinha de 500ml entre ordenhas/mamadas.
· Ordenha for ever: quando acho que Lucas mamou pouco, ordenho o resto. Quando estou longe dele, ordenho a cada 3 horas (e guardo pra ele consumir na creche). Anoto as quantidades retiradas, o tempo que durou e o horário. Boto tudo num Excel e faço um gráfico comparativo e fico rindo de mim mesma, porque só os loucos obcecados possuem tamanha dedicação doidice mental.
· Livre demanda: durante a semana é meio dificEL porque estamos separados durante o dia, mas a noite é uma criança, meu beeeem. Ele mama o quanto quer. Abriu a boca pra chorar? Peito nele.
· Cama compartilhada: tá, eu sei. Eu prometi pra mim mesma que jamé que ia enfiar criança na minha cama de novo. Porém, em tempos de pouco leite e bebê choramingoso que não mamou tudo que queria, é o que há de mais fácil. Ele dorme comigo nos períodos críticos, quando o leite tá bem pouquinho. Quando aumenta, ele fica no bercinho mesmo (até porque, quando aumenta, ele acorda uma vez só por noite)
· Água quente nas peitas: não é quente fervendo, meu povo. É durante o banho, deixo a água bem morninha caindo e às vezes dou uma massageada pra ativar a coisa toda.Dizem que compressa quente antes de cada mamada ajuda, mas ainda não fiz.
· Levedura de cerveja: é um remedinho comum e naturebis, que dizem, ajuda a bombar. Tomo um antes de cada refeição principal e pronto.
· Comer bem: isso eu faço e como bem pa-cas. Bem do tipo como mais que o pedreiro. Tenho vergonha dos meus pratos.
· Dormir: tenho tentado dormir cedo, dormir mais, dormir quando o bebê dorme (só nos finais de semana é possível). Isso que te mandam fazer quando eles são RN eu resolvi fazer agora, olha só que espertona descobridora da pólvora que eu sou.
Das coisas que não fiz ou não recomendo ou não funcionaram:
· Plasil: tomei, mas me dá um sono tão absurdo que não consigo fazer mais nada. E não senti alterações importantes na quantidade de leite, então deixei pra lá.
· Cerveja: preta, amarela, geladinha, chope. Já me recomendaram de todos os tipos. Não tomei porque já percebi que sempre que consumo álcool (calma gente, eu nao me embebedo), a produção cai. Então nem quis tentar.
· Tintura de algodoeiro: nem sei o que é isso, mas já procurei e não encontrei pra vender aqui em terras hermanas.
· Sondinha de translactação: não tá descartado, ainda não fiz por pura preguiça. Mas já me disseram que é milagroso.
· Comer canjica ou derivados de milho: comi milho cozido, mas não senti diferença (até porque, pra fazer diferença, acho que precisa comer tipos todo dia, né nao?)
· Ordenhar um peito ao mesmo tempo que o bebê mama no outro: juro que tentei, mas Lucas acha a bomba de leite uma coisa tão fantástica que ele para o que estiver fazendo pra observar aquele treco que puxa loucamente o mamilo da mamãe. Daí ele nao mama se eu ordenhar ao mesmo tempo.
· Ordenha elétrica: nunca tive ou aluguei, a minha é uma manual, da Avent. Eu não tinha pensando nisso quando comprei esse modelo, mas a verdade é que ordenhar manualmente todo santo dia me deu mais canseira e uma bonita tendinite. Daí que chega: comprei essa semana uma bomba elétrica da Medela, que inclusive chega hoje (ai emoção!!). Depois eu conto se minha vida mudou!
Do imprescindível:
· Acreditar: que eu posso, que eu consigo, que é o melhor pra gente. Nada do que comentei acima funciona se eu duvido muito da minha capacidade de vaca leiteira. Então eu fico num exercício constante de auto-ajuda, de auto-incentivo, de auto-amor-próprio-da-pessoa-em-si-mesma.