· Meu pai esteve visitando e eu fiquei totalmente off. Foi bom ver a vida lá fora e não ficar tão conectada o tempo todo. Foi bom ter família por perto. Foi bom ver meu filho extasiado com a presença do avô. Foi bom tudo.

· Melhor ainda foi poder ver de um pouco de fora. Que estou dando uma educação legal pro meu filho, boas bases, muito amor, muito carinho.

· Talvez precise de um pouco mais de pulso, é verdade, mas fato é que ele está se tornando uma criança querida, segura, simpática, relativamente comportadinha (relativamente porque é criança, né, não um robô)

· Mas, nem tudo são flores: no primeiro dia pós-visita, em que ficamos sozinhos só eu e meu filho, perdi a paciência. Ele não quis jantar a comidinha delícia que eu tinha feito (que tinha comido com gosto no dia anterior) e eu fiquei bem nervosa. Depois de tentar algumas combinações e ouvir muito choro, consegui empurrar uma papinha industrializada goela abaixo do menino. Tá, eu sei que é melhor não forçar, mas realmente não lido bem com criança sem comer. Enfim, amanhã é outro dia, vou cozinhar outra coisa e vemos.

· Queria diminuir um pouco a quantidade de televisão que ele assiste. Fiz um acordo comigo mesma e tinha prometido não ligar mais a TV, mas ele me irritou tanto no jantar que eu liguei, deixei o menino lá e me afastei pra espairecer um pouco.

· Mas, não gosto do efeito alienante que ela tem. Ele ficou 15 minutos quietinho com a TV ligada e ele não é uma criança quietinha.

· Acho que esse causo da recusa da comida é um reflexo de mim, sabe? Fiquei meio baqueada com a coisa do meu pai ter ido embora e eu ter ficado sozinha de novo. Acho que Lucas sentiu. Acho que eu e ele somos ainda muito conectados emocionalmente, mesmo ele já não sendo mais um bebezinho.

· Eu tentaria ler alguma teoria sobre o assunto, mas estou numa fase de desconexão (da internet e do mundo externo, de forma geral), então estou procurando as respostas em mim (e no Lucas).

· E, em nós dois, estou encontrando mãe e filho, simplesmente. Que se amam muito, mas que perdem a paciência, que erram, que aprendem, que sentem, que influenciam, que se deixam influenciar.

· Embora desconectada, tenho lido muito sobre causas que me emocionam. Maternidade ativa, amamentação, parto, feminismo, luta contra o preconceito, defesa de minorias. O ativismo, de forma geral, tem atraído muito a minha atenção e, mesmo que não concorde com um ponto ou outro, o mais importante é que tem me feito pensar, ver por outro ângulo. Tenho repudiado o senso comum, o não-pensar. Tenho estado triste com essa sociedade alienante (e alienada) da qual faço parte, tenho me envergonhado de reproduzir tantas (falta de) ideias engessadas, preconceituosas, pré-formatadas. Às vezes penso que eu deveria lutar por alguma causa, mas não sei exatamente qual. Então decidi lutar pela minha mudança como pessoa primeiro. Pela desconstrução completa desse emaranhado de influencias do meio que sou hoje e pela reformatação de uma nova mulher, uma nova mãe. Estou parando de olhar pro resto e olhando mais pra mim. Estou me permitindo. Por isso sinto que devo desligar um pouco a TV, por isso sinto que preciso me preocupar menos sobre o quanto o bebê come, por isso acho que estou fazendo um bom trabalho como mãe. Todas essas ideias soltas se amarram aqui, no momento em que eu decido que posso ir além.

Vamos além junto comigo?

30 respostas em “Soltos, mas amarrados

  1. Carol, por aqui a hora da comida tem dias que eh um saco, um desafio gigante. Fazer comida de qualidade, nutritiva e o pirralho jogar tudo no chão.
    A maternidade só é fácil para as meninas que aparecem na Revista Caras, cheias de glamour e babás por todos os lados. Para as outras mortais é um exercício de paciência e abnegação.

    1. Carol estou contigo nesta luta.Ando lendo seu blog faz uma semana e estou adorando. Sabe me sinto parecida um pouco contigo também perdi minha mãe quando meu filho fez um mês( morreu de cancer) e agora com quase 4 meses sinto uma saudade grande dela.Sem contar muitas coisas que você escreveu que me ajudou e vi que não sou a unica tendo alguns probleminhas nesta luta diaria de ser mãe.Obrigada por todas as dicas e coselhos que anda dando para nós, pois a tua vida nos ajuda também com a nossa.

      Eu Daniele mãe de Gabriel

  2. Adorei! Também tenho evitado ligar a tv, só se ela pede muito um DVD e não se distrai com outras coisas… E quanto à comida, acho que consegui um avanço. Ela geralmente come super bem. Quando não quer, insisto duas vezes, ofereço uma colher diferente… Ainda não quer? Beleza, come na próxima refeição. Mas confesso que se passa alguns dias recusando eu fico tensa de novo.
    Fica offline, mas não muito ta? Rs

  3. O barato é se encontrar…sentir que vc tá caminhando para o rumo que mais te faz bem…então siga amiga…e seja sempre mais feliz…
    Comer muito, comer pouco…se está bom pra ele (lógico que de maneira segura pra ele)tá bom né?Ruim é forçação, choro, confusão e criança cuspindo a comida toda no chão!Vc fez bem em deixar ele lá quietinho (mesmo que vendo tv) e se afastar pra se recuperar!

    Bjs…

  4. é isso aí, carol, refletir faz bem, muito bem. a gente sempre acha que pode ser melhor, que pode fazer melhor, que pode se dedicar mais, se entregar mais, se doar, se … se… mas, no fundo, o que eu busco mesmo é estar satisfeita com o que eu sou, com o que eu dou, com o que eu faço, pq eu sei, de todo o meu coração, que tudo meu é da Laura e tudo o que eu faço é por ela, então, cobrar mais, algumas vezes chega a ser desumano.

    Estamos juntas.

    Beijos!!

  5. Carol, a gente fica mesmo muito mal qdo perde a paciência, mas faz parte, somos humanas! Eu tb estou em busca de mudar algumas coisas na minha maternagem: quero ser mais leve com as meninas! quero ser menos estressada, sabe? Especialmente durante as manhãs. Às vezes me pego louca, aos berros, de 'vai se trocar', 'hora de escovar os dentes', 'estamos atrasadas', 'toma o leite' e etc… Tenho tentado mudar isso. Parece pouca coisa, sei que não vou mudar o mundo com isso, mas tenho tentado tratá-las com mais suavidade, enfim ser mais zen, mesmo no meio do caos! rsrsr! bjo! ah, Lucas tá melhor das otites? tomara que sim!

  6. Carol , antes de ser mãe eu cobrava muito a minha mãezinha por que achava que deveria ser assim ou assado e nunca me dei conta que mãe é um ser humano também com vontades, sentimentos, medos e que também tem dias bons outros ruins(contas pra pagar, dinheiro curto, chefe no pé, marido que resolveu ficar egoista na visão da mãe, cabelo que tem vontade propria, não conseguia emagrecer e entrar novamente nas minhas roupas) surtei geral, fora que como vc disse filho não é robô e prega cada uma na gente faz o cuspe cair direitinho na testa odiava criança assim(…) filho vai fazer isso comigo nunca e faziá a como fazia bonitinho e a mãe aqui surtava geral. só vim me dar conta quando me tornei mãe, mãe essa que muitas vezes não gostava do que via e das atitudes que tomava sabe por que…somos humanas numa sociedade que se vc não faz o que ela espera que faça vc é jugada e apontade como a mãedemerda do ano…como a escorrea do mundo vc nem imagina o quanto eu sofri nos primeiros anos da minha filha por que eu achava que tinha que ser daquele jeito e pronto (mamar no peito eu achava que se desse LA ela morreira, se não seguisse o que a ped falou ela morreira tudo daria errado, que se andasse descalça, tomasse gelado, pegasse um ventinho eu surtava grandão, fora a questão moral, qual conduta uma mãe tem que ter, , roupa usar enfim) até que a maturidade vei chegando li muito sobre diversos assuntos e me moldei a mãe que sou hoje se perguntar pra minha filha ela dira que sou a melhor mãe do mundo mas que tenho muito ainda pra melhorar…vaintede…
    beijo

    Patrícia VP

  7. SABE COMO É O NOME DISSO? 30 ANOS CHEGANDO. quando estava perto de fazer 29 comecei a pensar em tudo isso e depois dos 29, comecei um processo de me reinventar. é maravilhoso!

  8. Carol, quando quiser se conectar novamente, leia Laura Gutman (A maternidade e o encontro com a própria sombra), que fala justamente sobre nossa ligação com os filhos. O meu bebê só tem 3 meses mas já me surpreende o quanto a gente é ligado emocionalmente.

  9. Te entendo, gata. Também não lido bem com criança sem comer (e olha que o Bernardo tá recém no início dessa coisa além leite) e sempre acho que ele poderia comer mais um pouquinho.
    Também tenho lido muito sobre maternidade ativa, amamentação, ciclistas, manifestantes a favor da alegria (é isso tá rolando em Porto Alegre) e outras causas de minorias. Todas muito radicais, mas me dei conta do óbvio, embora eu não me enquadre nesse "radicalismo", é exatamente ele que me faz refletir. E ele é fundamental pra que exista alguma mudança. O outro lado, o das idéias engessadas, o do senso comum também é radicalmente alienante.
    As vezes também penso se não deveria lutar por alguma causa. Mas não. Preciso primeiro me encontrar em mim, provocar mudanças internas e não querer me rotular, nem num extremo, nem no outro.
    O caminho do meio ao meu ver, é bem diferente do senso comum. E é o mais difícil. Ser flexivel é lindo, não quer dizer ser preguiçosa. Não é escolher o mais fácil…

    Bem, poderia escrever horas e horas idéias soltas que também estão se amarrando por aqui. Incrível é que no meu blog não consigo produzir uma linha sequer…
    Enfim, só quero dizer que estamos num momento parecido. Tamo junta, colega!

    beijos proceis!

  10. Adorei o texto…
    tbém me encontro num momento introspectivo e de questionamento… como isso é importante para o nosso crescimento.
    Continue sempre nesse busca… isso nos faz seguir em frente.
    Bjs e bom final de semana!!!

  11. Carol,
    Não sei se você conhece, mas o livro "A maternidade e o encontro com a própria sombra" da Laura Gutmam, é maravilhoso. Ela fala sobre vários aspectos da maternidade, inclusive sobre essa coisa da ligação mãe e filho, do que a criança sente por conta da ligação materna e etc.
    É muito bom, acho que vc vai gostar!
    Beijos

  12. Carol, é assim mesmo. Acho que todas passamos por isso e é apenas o começo …
    Os livros da Laura Gutman são muito bons, além do citado pela Lara, vc pode procurar o Crianza, muito bom também. Sobre crianças que não comem eu recomendo o Mi niño no me come, do Dr. Carlos Gonzalez (meu idolo) talvez o Ateneo tenha, talvez, mas vale muito a pena ler.
    Beijos

  13. Carol,
    Essa coisa de crianca nao querer comer e um estresse mesmo ! Eu ja passei isso com meu filho, toda refeicao era uma batalha, essa hora estava deixando de ser agradavel e eu ficava muito nervosa e as coisas ficavam piores ainda. Mas depois que li um trecho do livro do Dr Carlos Gonzalez (recomendado tb pela Neda) mudei minha posicao no momento de comer e as coisas foram melhorando. Uma coisa que ele fala e me marcou muito foi que as criancas, diferentemente dos adultos, so comem quando estao realmente com fome e tb somente a quantidade pra sacia-la, nada mais que isso ! Entao, se nos temos dias que sentimos mais fome e outros menos, com as criancas acontecem a mesma coisa. Mas se o problema persistir e ele nao estiver ganhando peso, ai seria melhopr verificar mais de perto. Meu filho recusava todo tipo de comida que eu oferecia, com muito custo descobrimos que ele tinha refluxo oculto (sem vomito), so depois que iniciou a medicacao foi que ele passou a comer melhor e voltou a ganhar peso ! Hoje acredito que o primeiro passo para ter sucesso na hora da refeicao e nao criar muitas expectativas, e tenho sempre em mente o seguinte lema: em casa que tem comida, crianca nao passa fome ! Entao se quer comer, come, senao espera a proxima refeicao !
    Abracos,
    Angela Machado

  14. seu post me fez lembrar imediatamente desta música do marcelo camelo. não pela tevê, mas pelo ser humano. bom final de semana, gatona :))

    É de imaginar bobagem
    Quando a gente liga na televisão
    Toda dor repousa na vontade
    Todo amor encontra sempre a solidão

    Todos os encontros todos os poemas
    Manda me avisar
    Manda me avisar

    Todos os embates todos os dilemas
    Manda me avisar
    Manda me avisar
    Eu sei
    Todo ser humano
    Pode ser um anjo

  15. Adorei, Carol!
    Estou numa fase meio assim também, de dar uma desconectada do mundo, sem me alienar.
    Cuidar de mim, me permitir, para oferecer mais à minha família e, quiçá, ao mundo.
    Mas sou ser falante e não consigo ficar com a boca fechada, ou os dedos sem teclar de vez em quando, nem que seja para um palpite, um arroubo de revolta ou um comentário empático.
    Vambora!
    Beijos!

  16. pelo menos não sou só eu que lida mal com a falta de apetite infantil….essa semana qui em casa tá dificil… o meu só tem 6 meses… não mama muito no peito e já tá na papinha faz um tempo…. então insisto sim pra ele comer e aqui vira um campo de guerra! Meu marido fica bravo e tal, mas fico preocupada com o menino em jejum….
    Mas fica calma que tudo na vida são fases…. com certeza esse sentimento de intolerancia e impaciencia passará….
    Bj.

  17. isso aí carol… no meu primeiro filho me descabelava quando ele não queria comer… depois fui vendo que isso não tem tanta importância e fiquei mais calma e menos neurótica com muitas questões… as coisas fluem bem melhor assim sabe?!

  18. Ser uma boa mãe de um bebê é fácil. Difícil é ser mãe de um projeto de criança hahahaha. Tem sido tãoooo difícil com meu filho de 1 ano e 7 meses. Quando digo boa mãe não estou julgando outras formas de maternar Estou dizendo uma boa mãe para cada parâmetro mesmo. O que cada uma de nós acredita q seja bom. Sabe, eu tinha tantos planos de como ser e fazer e hoje vejo que meu maior erro foi me encher dessas teorias. Foram tantas leituras, tantos acessos em blogs, q me sinto com se estivesse imersa de conceitos soltos. Tô tentando, aos poucos, me desligar de coisas pré-concebidas e reformular o meu ser mãe. Pq meu filho tem vontades próprias e um estilo TODO dele. E as vezes eu penso : Tô fazendo isso errado. E fico angustiada. Mas errado pq? Não existe uma formula para criar a criança perfeita. E falando nisso: DEUS ME LIVRE DE UM FILHO PERFEITO. hahahah a perfeição é chata.

  19. Carol, passei por esta fase mais interna durante minha licença maternidade do Pedro. Foi uma instrospecção só e foi maravilhosa. Sinto que saí fortalecida e minha família só ganhou com isso. Agora já estou com as garrinhas de fora, hehe, to me achando a ativista! Do quê? Vááárias coisas! Quanto mais eu penso mais eu percebo o quanto tudo está conectado, parece óbvio, mas por vezes achamos que nossa vida é setorizada, que nossas escolhas pordem ser departamentalizadas…na minha vida cheguei à conclusão de que não são, uma escolha leva à outra e isso nos faz mudar! Para melhor, amém! beijos!

  20. Concordo contigo sobre a TV, mas eu mesma assisto muito (desde sempre). Não sei se é assim contigo, mas como fazer diferente se o exemplo prático em casa que ele vê é outro?

    Sobre essa fusão emocional, só agora tô lendo a Laura Gutman (ouvia todo mundo de blog falando dela, mas nunca tinha me movimentado pra ler). Tô gostando e dá para ver que essa fusão emocional ainda permanece até hoje (pelo menos com o Davi). Acho que comecei a ler por estar conversando tanto com a Júlia sobre filho, parto, amamentação e meio que me forçando a repensar algumas coisas.

    bjim

    Ps: fica introspectiva, mas não esquece o blog não… Vc ajuda a gente a ficar mais introspectiva 🙂

  21. Carol, comentei poucas vezes, mas hj qria dizer: to com saudaaaaaaaaaadeeeeeee!! saudade do lucas, de vc, dos seus posts!!! Não aguento mais tantos dias sem seus posts! Acompanho todos os dias e mês a mês. Percebi que antes, vcs postava mais e ao contrario do que vc disse neste post , eu acho que vc produz coisas maravilhosas SIM, vc escreve super bem e trata de assuntos que são de mãe de verdade. Queria dizer algo que lavasse sua alma, para que vc parasse de ficar se cobrando. Pelos seus posts, que devem dizer 1% da mãe que vc é, já mostra o quanto ativa vc é, o quanto vc foi corajosa em seu parto, na amamentação e feminismo, e o quanto vc busca td isso em vc e no Lucas. A blogsfera materna está mto cheia de teorias que claro, são muitissimo validas, mas pra gente ler, refletir e adequar a propria realidade. O mais mãe/menos mãe, culpa/não culpa.. etc etc que vc mostra estar super atenta e cansada de saber não pode se tornar um martirio. Desejo a vc toda a FELICIDADE DO MUNDO, como mãe, mulher, pessoa. e nada melhor do que isso, é ser vc mesma e demonstrar essa alegria, esse amor, essa corajem nos posts, na naturalidade do dia a dia, como sempre fez, sem neuras e sem cobranças, apenas seguindo os seus instintos. Se puder e sobrar um tempinho, volte a postar como antes, fique bem, fique tranquila. TE ADMIRO MUITO e vc me inspira mto mto mto.

  22. Carol, acompanho seu blog há um tempão,mas nunca comentei…como agora virei uma tentante oficial, me dou ao direito de fazer parte da Blogosfera…hehehe
    Por causa disso te dei um tag no meu blog, para uma brincadeira, caso você queira participar!
    Só te indiquei pq seu blog é o primeiro site que vejo todos os dias (fã n°1..rsrsrs)
    Bjos
    Carol – http://www.meuparasita.com

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