Tava com a idéia desse texto na cabeça há algum tempo, pois recebo muitos emails de meninas pedindo ajuda, só que sempre batia uma preguiça de escrever e eu ia adiando. Até que a Nívea, do Mil Dicas de Mãe, me convidou pra uma blogagem coletiva super especial e eu vi que minha idéia de post se encaixava perfeitamente, então me animei!

A blogagem se chama “Leite é Amor” e a idéia é incentivar a doaçao de leite materno, entao cada blogueira pode contar um pouco sobre sua experiência amamentando seu filho, alguma passagem especial desses momentinhos, etc. Mas, já que o tema é doaçao, eu decidi falar sobre ordenha. Já contei aqui algumas vezes: eu sou a vaca leiteira mais ativa que conheço, hohoho. Não porque tenha muuuito leite, mas porque faço a extração todo-santo-dia, faça chuva, sol, neve ou tempestade, lá estou eu com minhas peitas acopladas à minha querida bombinha saca-leite, pra garantir o estoque de leitinho que Lucas toma enquanto está longe de mim e, de quebra, manter a minha produção bombando.

Como eu tava dizendo no começo do post: recebo muitos pedidos de ajuda. Muitas mocinhas que querem seguir dando leite materno depois do retorno ao trabalho, mas estão cheias de dúvidas, não sabem como começar, qual bombinha comprar, quantos mls deixar pro filho, se oferecer em mamadeira ou copinho… Então vou fazer uma auto-entrevista tentando reunir (e responder, óbvio) todas as perguntas que já me fizeram, ok? Espero que ajude!

E lembrando: essa experiência é totalmente pessoal e eu não sou médica, então sempre consulte com o seu profissional de confiança antes de tomar qualquer decisão mais drástica!

Qual bombinha comprar? A elétrica é muito melhor que a manual? Qual é a que você tem?

Depende da demanda de retiradas que você terá. Antes do meu filho nascer, eu comprei uma manual da Avent e a usei bastante. No comecinho, ordenhava simplesmente pra saber se tinha leite no peito. Depois, eu tirava uns pouquinhos só pra ter guardado, por via das dúvidas, se precisasse sair e deixar o baby. Nesse esquema, o Lucas só precisou uma vez quando fui a um enterro (ele tinha 4 meses). Fiz a ordenha, deixei uma mamadeirinha, ele tomou na minha ausência e tudo bem. Daí voltei a trabalhar e essa bomba foi comigo, pras ordenhas mais “sérias”. Não vou dizer que foi ruim, mas a verdade é que tornou-se muito cansativo: a ordenha demorava, eu tinha que forçar demais os braços e tava caminhando pruma tendinite de tanto apertar a alavanquinha. Eu estava ficando ficava esgotada! Daí resolvi assumir o preju e comprar outra. Comprei uma elétrica portátil da Medela. Das bombas da Medela, essa é a mais simples e o próprio site diz que não é a melhor pra uso diário, mas as outras eram muito mais caras e muito menos portáteis. Arrisquei. E me dei super bem a minha Medelinha! Ela é leve, funciona na tomada ou na pilha, fez o tempo de ordenha ficar mais curto e muito menos cansativo. Além disso, ela tem ajuste pra força de sucção, daí eu podia ajustar pro que aguentava melhor, sem machucar o mamilo. Depois de um tempinho, eu punha logo no mais forte pra coisa acabar mais rápido, mas meu peito já tava calejado e não machucava fácil não! Não me arrependo da compra e acho que foi um excelente investimento! O único porém dela é que é pra um peito só (muitas elétricas possuem sistema pra fazer dois peitos ao mesmo tempo, uma economia óóótema de tempo!!), mas eu não me incomodo. Resumindo: se você vai tirar ocasionalmente, pode ir numa manual sem problemas, mas se vai ser todo santo dia que nem eu, melhor botar a mão no bolso e investir numa elétrica.

Quanto de leite preciso ordenhar? Preciso começar a fazer estoque muito tempo antes? Como vou saber quanto o bebê toma, já que atualmente ele só mama no peito?

Isso você vai vendo com o tempo. Quando eu ia voltar a trabalhar, perguntei pra pediatra e pra algumas amigas que dão leite artificial quanto é que os bebês da idade que ele tinha (6 meses na época) tomam por mamada. Daí usei esse valor como meta mínima de ordenha e fui ajustando conforme fui vendo o quanto ele consumia por vez. No começo, a quantidade era absurda, Lucas tomava 3 mamadeiras de 200 ml durante as 8 horas que passávamos separados. Então pensem: eu tinha que ordenham 600 ml por dia pra dar conta!! Fora as mamadas que ele fazia diretamente nas peitas. Muitas vezes, não conseguia chegar nesse numero, o que me salvou foi o estoquinho que eu tinha feito antes de voltar ao trabalho. Fiz assim: uns quinze dias antes de voltar, tinha como meta tirar uma mamadeira de leite pra guardar. Então após todas as mamadas, eu ordenhava um pouco, só o que tinha sobrado mesmo. Conseguia fácil fazer 200 ml por dia e guardar. Sendo assim, quando Lucas começou na creche, já tínhamos 15 frasquinhos de 200 ml de “back up”. No começo, como comentei, o baby mamava 3 mamadeiras de 200 ml. Depois passou a duas de 200ml, depois fomos pra duas de 150 ml. Atualmente, com um ano e três meses, ele toma apenas uma e varia muito a quantidade (depende do que acompanha o lanchinho dele), mas mando sempre algo entre 150-200ml – e ele só toma duzentão se tiver com muita fome, senão fica entre 100 e 150 mesmo.

Como vou saber se produzo leite suficiente pra tudo isso? Como manter o ritmo das ordenhas? Como eu sei que tá bom de leite? Ou tá bom de tempo?

Você produz, fica tranqüila. Peito é demanda, não é depósito. Quando você começar a ordenhar, vai impor a demanda ao corpo e ele vai se ajustar, confie. Quando voltei ao trabalho, tirava leite sempre que eu achava que ele ia mamar caso tivesse comigo. Como ele sempre esteve em livre demanda, isso ficou meio difícil, então fixei que ia tirar leite a cada 3 horas. No começo, portanto, eu fazia 3 ordenhas e, em cada uma, tirava entre 150-250 ml. Tudo dependia do quanto de água eu tomasse, do horário do dia, do meu cansaço, da minha tranquilidade. Acredite: tudo influencia! Então eu sempre tentei ficar relaxada, ler uma revista durante o processo, ou blogs, ou o twitter… qualquer coisa que me distraísse e não me deixasse ficar olhando o contadorzinho de ml, nem o relógio! Claro que houve momentos difíceis, em que fiquei doente ou cansada demais e não conseguia ordenhar quase nada. Muitas vezes me abalei por isso, mas me mantive firme no propósito e funciona até hoje. No começo eram 3 ordenhas diárias, depois passei pra duas (sempre observando o ritmo de mamadas dele quando tá comigo e a quantidade que ele toma durante o período da creche, como falei antes) e finalmente agora estou passando pra apenas uma. Cada ordenha dura entre 15 e 25 minutos e eu nunca deixo passar disso (até porque não dá pra me ausentar mais tanto do trabalho pra ficar ordenhando). Em casa, é livre demanda!

E como é o processo na prática?

Já começo com um ponto negativo: no meu trabalho não tem onde ordenhar. É banheiro ou nada. E todo mundo diz que não é legal fazer no banheiro e eu concordo: é um ambiente sujo, né? Mas não tem jeito, tenho que encarar. Então faço assim: com todo o material da bomba já lavadinho e esterelizado, lavo bem as mãos (se tiver álcool gel, também passo) e não toco em mais nada (uso um papel pra abrir portas etc), higienizo os seios (só uma aguinha, sem sabão, sem álcool!), faço a ordenha, tampo a mamadeira rapidinho e mantenho em geladeira durante o dia no trabalho. Pro transporte até a minha casa, levo em bolsa térmica e, assim que chego, congelo. Se opto por deixar na geladeira, o leite dura 24 horas apenas. No freezer (não no congelador, viu?), tem gente que diz 15 dias, tem gente que diz 3 meses. Na dúvida, eu mantenho um mês, no máximo. Guardo tudo em potes ou saquinhos esterelizados com data da ordenha, horário e quantidade de mls. Pra servir pro baby, descongelo em geladeira (demora uma noite, mais ou menos) e esquento em banho-maria. Nunca em microondas nem fervendo. Quando eu tô com pressa, descongelo fora da geladeira mesmo ou em banho-maria, mas jamais uso micro. Se o baby não tomar tudo, nunca requentar ou reaproveitar, é lixo (leite derramado, literalmente). Além disso, eu sou meio freak e mantenho uma planilha em que anoto tudo: data, hora, quantidade de mls, minhas impressões sobre a ordenha. Mas por que isso? Porque já passei por muitas “secas”, então assim eu consigo mapear como está a minha produção e já prever caso o leite comece a diminuir. Se isso acontece, eu já dou uma melhorada na minha ingestão de líquido, descanso mais, faço uma oração braba etc.

Mas você não tem medo do seu filho gostar mais da mamadeira e largar o seio? Por que não oferecer em copinho?

É uma preocupação genuína que eu não tive. Aqui eu diria pra você seguir seus instintos. Meu filho sempre curtiu muito o peito e sempre trocou qualquer mamadeira pra se acoplar diretamente a mim, mas eu tenho lá minhas táticas… tipo: 1) nunca dou mamadeira pra ele. Se é necessário, que outro dê. Mas, comigo é só peitas; 2) quando meu peito seca, eu raramente dou (ou mando dar) mais mamadeira. Ele toma o que tem e pronto. Senão, tenho medo de ensiná-lo que quando acaba o meu leite, tem outro esperando. Não, não tem; 3) Os bicos das mamadeiras dele são pra crianças de 3 meses, vejabem. É, é pra tornar difícil mesmo, senão ele vai achar muito mais fácil e legal tomar o mamadeirão, né gents? E, por último: 4) Nunca, jamais, em tempo algum, meu filho toma LA. Não tenho nada contra, mas em casa que tem estoque de LM, LA não passa nem perto da porta. Ah e também: quando Lucas começou a tomar mamadeira na creche, já tinha 6 meses, já tinha mamado exclusivo tudo que deveria e já tínhamos a amamentação consolidada. Se você vai começar esse processo antes, eu recomendo dificultar mesmo: copinho, bico de sucção mais difícil, corrida com obstáculos antes etc.

Ótimo, mas… não é mais fácil dar logo um NAN pra ele e pronto?

Eu não acho! Acho mais caro, menos nutritivo e menos desafiante, hahahaha. Sinceramente, eu acho que cada-um, cada-um, tá? Cada mãe sabe o que é melhor pra sua família. Pra mim, é óbvio que cansa, que tem dia que quero jogar a bombinha pela janela, que não quero parar tudo e ficar 20 minutos enfiada dentro do banheiro tirando leite. Mas vale a pena porque mantém a minha produção ativa, porque Lucas ainda pode tomar o leite que é especial e exclusivo pra ele e eu não preciso gastar rios com latas de leite, meu povo! A coisa já tá tão inserida no meu dia-a-dia que, no próximo filho, penso inclusive em começar mais cedo e doar leite!

Bem, espero ter ajudado. Quem tiver mais dúvidas, pode falar nos comentários que eu vou responder cada uma, ok?

Esse post faz parte da Blogagem Coletiva com objetivo de incentivar a doação de leite materno aos Bancos de Leite. Saiba mais informações de como doar clicando aqui!

15 respostas em “Blogagem coletiva: leite é amor

  1. Então que sua blogagem veio bem a calhar: tô lascada na mastite (já tenho post pequeno falando sobre isso, que será publicado depois do relato terminar – eu ainda tenho mais (!!!) coisa pra falar do parto), cheia de dores em todos os lugares, lutando com lágrimas, sangue (de novo!) e leite para continuar no aleitamento materno. Tá difícil. Vontade de sentar na sarjeta e chorar. Já fui no banco de leite, já chamei fono em casa, já tô medicada, mas tô trevas.
    Espero, imensamente, conseguir me manter focada até o fim da licença, pelo menos. Daí, venho pegar as dicas.
    Ah, como eu tenho bico plano e rachado, não posso usar bombinhas, só no mãozão mesmo. Haja paciência, músculos e amor!
    bjs

  2. Carol você é TUDO!!!! Realmente era o que eu precisava, pois minha filha vai começar no berçário com 5 meses em Novembro (ai, que triste)!!
    Indico tintura de algodoeiro para quem precisar, pois aumenta muito a produção!!

    OBRIGADA!!!

    Tati (ps. te mandei um email ontem!)

  3. Carol, cansei só de ler!… Mas que bom que a história de amamentação de vocês ainda está ativa. Já passou sua meta e segue firme!!!! Lucas é que sai ganhando.

    Davi segue mamando e tem dia em que meu peito vaza quando chego do trabalho (aconteceu de novo essa semana). Adoooooro! 🙂

    bju

  4. Nossa, acho que foi a primeira vez que um texto sobre amamentação+jornada de trabalho+mamadeiras+ordenhas respondeu meus questionamentos.
    É claro que cada caso é um caso, mas quando tiver que voltar a trabalhar (largar o emprego está fora de cogitação), baby vai estar com 5 meses e vou ter que organizar um esquema para manter a amamentação exclusiva.
    Obrigada pela auto-entrevista!

  5. Adorei o post! Vou deixar guardado para ler quando eu chegar perto, mas já vou comprar (junto com o enxoval) a bomba elétrica! Fico pensando se eu vou ter tanta força de vontade de seguir com esse objetivo, de trazer para o trabalho, levar bolsinha térmica… Te admiro! bjus

  6. Carol, de longe vc é a mãe mais persistente que conheço em relação a amamentação. Eu não tive nem metade dessa força de vontade toda, e pra falar a verdade, sentia falta de ter meu corpo de volta (e isso incluía os peitos). Nunca consegui ordenhar com a mão e quase tive uma síncope quando tentei usar a bomba manual… no auge das tentativas de ordenha, aluguei uma maquininha elétrica, pelo jeito o mesmo modelo que vc comprou, e testei por um mês. Mas saía tão pouquinho que achei que não valia o trabalho… de qualquer jeito fica a dica, não é preciso comprar a maquininha, alugar também funciona (se não me engano era mais ou menos 100 reais ao mês, variando conforme o modelo e o tempo de contrato).
    Bjos

  7. Adorei seu post. minha bebê vai ger cinco meses qdo eu voltar ao trabalho, queria mto continuar até o sexto mes com amamentação excluisva, mas tenho medo de deixar essa tarefa (esquentar e banho maria, jogar fora o q sobrar…) com a babá. E tem mais uma coisa, no meu trabalho n tem geladeira, será q tem como armazenar só em recipiente termico, por seilá umas cinco horas? ordenharia um pouco antes de sair, mas aí tem engarrafamento e trab em outra cidade… já li tanto, pesquisei tanto sobe isso, mas n vejo solução senão o NAN, que eu tbm n queria dar de jeito nenhum!

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