Ontem, ao buscar Lucas na creche, a professora vem me contar: “Lucas está terríííível!!”. Assim, com ênfase no “i”. Como ele veio com uma marcona de mordida nos braços na semana passada, imaginei que tivesse mordendo os amiguinhos também (mentira, eu imaginei o terror sobre a Terra: imaginei ele pendurado nos lustres, cuspindo na cara das tias, fazendo cocô nos colegas, jogando comida nas paredes e fazendo xixi dentro da mamadeira de leite materno. Enfim, quem nunca?).

Mas ela segue: parece que o “problema” é que ele abraça demais os amiguinhos. Abraça, beija, fica em cima, se joga. E como ele é parrudinho (leia-se gordão pesadão), acaba sufocando as crianças. Outro dia mesmo, terminou o almoço dele antes de todo mundo, então resolveu ir abraçando e beijando um por um os coleguinhas que ainda comiam, sempre aproveitando pra dar uma checada no prato alheio pra ver se não descolava uma comidinha a mais pra ele.

Minha primeira reação foi rir, juro. Não falei nada pra professora e fui pra casa com aquilo na cabeça, no quão terrível deve ser um bebê que quer abraçar. AHAM. Tá, eu sei que a creche precisa ensinar a conviver em grupo e, grande parte disso é aprender a respeitar o espaço alheio, a individualidade, o não querer ser abraçado pelo amigo parrudinho. Mas, pra mim, a resposta é óbvia: ele ta carente, ué. Ele sente falta de contato humano. Ele quer chamar a atenção, quer carinho, quer beijo, quer abraço (e uma comidinha alheia, se possível, ele também quer).

Não vejo mal nisso, de forma alguma. Até ensaiei sentir culpa por não poder estar disponível pra todos os beijos e abraços que ele precisa no dia dele. E, de alguma forma, essa quase-culpa que senti e essa naturalidade com a qual encarei o problema terrível do meu filho me fez colocar a última parte num quebra-cabeças que venho montando há um tempo.

Meu filho precisa de contato. Precisa de pele, precisa de voz, precisa de gente. Mas não qualquer um, ele precisa ser cuidado (quem não?). E é por isso, por saber disso e conhecer meu bebê, que eu materno do jeito que materno. Por apego? Attachment? Não sei, sinceramente às vezes não gosto de dar nome. Simplesmente dou. Me dou.

Dou meu tempo livre, minha madrugada, meus peitos. É pra ele, por saber que ele é assim, por saber que é um momento e passa, logo passa. Quero nutri-lo o máximo que puder, pelo tempo que for necessário. Quero respeitá-lo e ajudá-lo a atravessar essa fase, que logo ele vai parar de gostar de abraçar, logo vai querer correr por aí sem fim, sem limites. E também logo vai querer dormir a noite toda direto e logo não vai nem lembrar que tanto amava o seio da mamãe.

Não é nada fácil e às vezes eu me vejo inclusive me auto-sabotando, fazendo coisas contra. Tipo rolar a página do facebook olhando pro nada enquanto ele choraminga do meu lado por atenção ou brigar por ter que levantar de novo no meio da madrugada só pra ele sentir meu cheiro e mamar um pouquinho. Se fosse só acordar e dar peito e beijos e abraços, ok. Mas tem todo um resto de vida pra viver, um trabalho pra trabalhar, amigos, marido, família. Realmente estou cansada.

Mas, fico feliz de finalmente conseguir entender o motivo de estar fazendo tudo isso. É porque meu filho é terrível, sabe.

😉

30 respostas em “Terrível

  1. Ai amiga emocionei aqui… mas acho você uma heroína pq euzinha sou fraca pra essas coisas de acordar na madruga… mas olha se te faz feliz siga seus instintos… os filhos e os pais são como um casadinho, perfeitos um para o outro!!
    beijo

  2. Também quero um abraço desse do Lucas…
    Lindo, lindo.
    Eu penso como você, um dia ela não vai mais acordar de madrugada. O jeito é ter paciência e ser feliz durante o dia com esses beijos e abraços todos. Chato né? rsrsrsrsrs
    beijos para vcs

  3. Essa terribilancia sempre atacou por aqui também. Nic AMA abraçar todo mundo (e olha que primeiro morávamos na Austrália, depois aqui, nao necessariamente lugares com pessoas que apreciam o contato físico) e nao vou ser eu que vou dizer pra ele parar. MIL vezes abraçar que morder ou fazer xixi nas mamadeiras, né amiga? Deixa o pau quebrar.

    Go, Lucas!

  4. Oi Carol, eu sou a Patricia, Mãe do Rodrigo e Guilherme. Leio seu blog e me divirto lembrando dos meus garotos e não faz tanto tempo assim. O que vou comentar, não comento por ser experiente mas por ter vivido por situações parecidas. Seu gurizinho é terrível sim, terrivelmente amoroso e carinhoso, terrivelmente cheio de energia e curiosidade, terrivelmente esperto e inteligente. Sabe se eles mordem são terríveis, mas se abraçam e beijam tb são terríveis, juro que não entendo, acho que na verdade ele simplesmente expressa aquilo que mais recebe dos pais, amor, carinho e atenção. Então, agora eu digo como Mãe experiente, de dois rapazes(17 e 14 anos)invista muito nesse "chamego", pois hj eu colho bons frutos,eles se tornaram jovens atenciosos, companheiros e educados, valores que esta meio que escasssos.Bjs Patricia Paula ( Dourados-Ms)

  5. Oi Carol, nossa que lindo seu post. Eu me senti melhor sabe, pois minha bebe tem 4 meses e meio e acorda de madrugada para mamar e as pessoas as vezes nos recriminam. Dizem que já está na hora de dormir a noite inteira e tals… mas minha bebe precisa de mim e eu sempre acordo e dou mamar, faço carinho e ela dorme de novo coisa mais linda do mundo. Obrigada por seus post tão lindos sempre. E eu vou dar mamar a noite sim até o dia que ela não quiser mais.

  6. Pois Bento é do time desses terríveis. Não atacava os amigos, mas sempre foi de colo, de beijo, de ficar de mão dada pra dormir (own!!). Eu adoro, me derreto toda. Hoje está menos grudinho, mas ainda adora um chamego. Passou a fase de "limpar" o beijo que lhe dávamos e agora faz conchinha com a mão na bochecha e diz que cobriu o beijo pra não sair. Vc acha que sou doida de reclamar desse comportamento terrível? Eu que não. E beijo mais.
    bjos!

  7. Terrível seria eu, correndo atrás do Luquinhas para abraçá-lo. Muito totoso, esse menino! Carol, eu não sei bem como são os argentinos no seu próprio país, porque quando estão no Brasil, todo mundo se solta, né! Mas acho que deve ser aquela coisa mais fria que, definitivamente, a gente não vê (no geral) aqui. E já vi que seu filhote é brasileiro mesmo, só fez nascer aí. Ele gosta mesmo é de calor humano. Beijocas

  8. Que terrível, hein… Vai ser o terror das menininhas.. Abraçando e beijando… Ótemooooo…. Lindooooooooooooo… Foooooooofooooo… Amei… E juro que eu também gostaria de receber um beijo e um abraço desse fofo…
    LUCAS O TERRÍVEL….RS

    Bjossss
    Carol

  9. Ele é terrivelmente irresistível….muito lindo!!!
    E é isso mesmo Carol…por isso ainda luto com os plantões noturnos da Lulu, sei que logo, logo ela não lembrará dos meus peitos, dormirá a noite todinha e dispensará o meu colinho…como trabalho o dia todo resta pra ela a noite…apesar do cansaço a gente faz das tripas coração pra atendê-los né???

    Bjs…

  10. Que bom, né? O meu é terrível também. Preciso ficar pedindo desculpas às mães irlandesas explicando que a pobre da criança é latina e quer mesmo é abraçar, pegar e beijar. Algumas até já protegem suas crias ao ver o meu também parrudinho se aproximar.
    Beijo meu

  11. Se isso é ser terrível, imagina os babies que mordem, batem e o escambal!
    O seu LuquiLuqui é um amor!!!!!! Quem dera que todas as crianças fossem assim carinhosas!
    Bjos

  12. Ate os 3 anos a ligação emocional do bebê com a mãe, ou figura materna é enormeee, é a única que ele conhece, a partir disso é que o pitoco começa a desenvolver o eu, e ai, esse vínculo começa a mudar, ele começa a se desligar emocionalmente da mãe( e isso so termina la pelos 14/15 anos), a criança esta preparada para creches e escolas depois dos 3 anos por esse motivo, um dos motivos,então, bebês "carentes", terriveis hahaha, todos os bebes precisam de toque, pele e mãe!!!!! o fato de ficarem longe as vezes metade do dia deixam marcas, e surgem ai, em pequenas e as vezes até engraçados traços de personalidade.

  13. Oi Carol, yo entiendo lo que estaba tratando de decir la profesora del creche. Pero la forma decir las cosas, es muy mal. Vos habias quejado antes de la forma que la gente ahi te explican las cosas y parece que realmente no tienen entrenamiento en childcare (o por lo menos psicologia de nino), y es mas y mas aparamente que ellos tampoco no pueden relacionar bien con los adultos. Es una verguenza.
    Lo que me parece que estaba tratando de decir es que algunos no le gustan estar tocado o abrazado (por ejemplo los que tienen autismo) y se ponen incomodos. Pero como dijiste, es un lugar donde los chicos tienen que aprender como jugar, comer, vivir con otros. Pero es tanto la responsabilidad de los padres como los profesoras de reinforzar buen comportamiento, no queda solamente en tus manos.
    Y si, los ninos necesitan limites. Tienen que aprender preguntar el otro si quiere abrazo (cuando puede hablar) y respectar el espacio personal de otros, incluyendo la comida. Pero quedate tranquila que no es un asunto de Lucas, es un asunto de tu creche y la inabilidad de ellos de efectivamente ensenar comportamento.

  14. Ahhh se tudo de TERRIVEL no mundo, fossem bebes gorduchos, felizes e fofos querendo abraçar… essa professora só pode ser louca…, que o Lucas possa continuar sendo terrivel assim por toda a vida dele!!!!

  15. Olha, eu enquanto mãe de um bebê que anda meio magrelo e chapinho pra comer, adoraria ouvir da tia da creche que o meu filho está assim "terrível" como o seu. E poxa, às vezes ele nem está carente de verdade, só é um menino carinhoso e quer mostrar pros amiguinhos como abraço é gostoso! Sinal de que ele está sendo bem abraçado em casa!
    Bjos

  16. Que fofo! Já Davi é a pobreza humana em beijos e abraços. A gente tem que implorar. Pelo menos ele gosta que a gente o agarre e aperte. Mas o que ele faz é dar tchau ou "tao", na linguagem dele. É tchau para qualquer ser humano, animal, vegetal ou objeto que passe na frente dele. Até rola uns beijos estalados, mas de longe… 🙂

  17. vem ser terrível assim aqui em casa 😉 que besteira né, deixa eles se abraçarem, e não te culpa, pois nessa fase eu estava 24 horas com o meu filhote e mesmo assim ele não podia ver outra criança que se jogava no abraço 🙂
    beijos

  18. Oi Carol, leio o seu blog desde que Luquitchos nem sonhava em chegar, e sempre adorei!!! E hoje para minha surpresa quando acessei meu facebook vi sua foto da evolução da gestação compartilhada por quase 6.000 pessoas! Fiquei chocada!
    Passei aqui para te avisar, caso não tenha visto ainda!
    Beijinhos para você e para sua linda família, em especial para o Lucas naquelas bochechas que dá vontade de morder! kkkk

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