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Minha mãe tinha vários álbuns do bebê, desses que você escreve as datas mais importantes, anota pesos e medidas, cola fotos etc. Tem gente doida que até guarda cabelinhos de recém-nascido e dentinhos de leite dos filhos. E minha mãe era dessas doidas e eu amava; sentia um prazer enorme em ver aqueles dentinhos transformados em pingente de ouro, aqueles cabelos de bebê guardados num plastiquinho qualquer, aqueles muitos pontos de exclamação que ficavam depois de frases como “hoje Carol deu seu primeiro sorriso!!!!”.

Então eu decidi que precisava registrar também. E achei a oportunidade perfeita: tinha ganhado um diário de presente, desses que tem uma pequena fechadura e uma chavinha pra trancar os segredos seríssimos que eu tinha aos 12 anos. Escrevia nele sempre, com datas, detalhes, emoções.

Daí que um dia minha mãe achou o tal diário e leu. E leu que eu tinha dado um beijo na boca de boca aberta e de língua num menino de quem eu gostava na época. Ela ficou possessa, veio brigar comigo, dizer que aquilo era coisa de menina fácil, que eu deveria me proteger, me cuidar, me amar. Poxa, mas eu me amava tanto por ter conseguido o beijo, por ter escrito todos os detalhes e coisas que eu senti, cada gostinho, cada sensação, tava tudo ali registrado. Me envergonhei, mas não me arrependi.

Temos um salto no tempo: um incêndio levou o diário e os álbuns do bebê embora, um acidente de trânsito levou a mãe.

E em mim ficou apenas um desejo: o de registrar. De nunca mais perder. De ter sempre por perto. Os primeiros sorrisos, os cabelinhos, os dentes de leite, os beijos de boca aberta, a mãe.

***

Então veio a vontade incontrolável de ter um filho, as tentativas, a alegria de engravidar, o aborto espontâneo devastador, a esperança renovada, a barriga e, finalmente, o bebê.

E eu virei a minha mãe! Guardadora compulsiva de papeizinhos, catadora de cabelinhos de recém-nascido, louca da anotação, do blogar, do postar, do fotografar, do subir videozinho, do mostrar, compartilhar e, do nunca, jamais, em hipótese alguma, esquecer.

Quero poder estar em todos os momentinhos, mas também quero não estar só pra poder escrever sobre eles. Quero que o tempo pare, que as cenas se congelem só pra eu olhar pra elas e apreciar como deve ser. Quero viver cada minuto com seus sessenta segundos de direito. Quero sorrir e chorar e guardar num vidrinho todas as lágrimas caídas, quero minhas bochechas doendo de todos os sorrisos. Quero escutar a gargalhada solta do meu filho e quero que ele saiba o quanto esse sorrir dele me faz feliz. Quero fazer um perfume do cheiro dele, só pra sair borrifando por aí. Não quero que acabe. Nada. Nem eu, nem ele, nem essa delícia sofrida que é ser mãe, nem essa beleza ofuscante de filho que ele é.

Por isso estou aqui. Por isso guardo, por isso escrevo. E aqui nunca vai acabar. Esse espacinho, esse minutinho, essas linhas. Estaremos aqui, para sempre.

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24 respostas em “Para sempre

  1. Ai, ai eu leio seu blog há mais ou menos um ano, e de um tempo pra cá me deu vontade de te conhecer melhor, fui até o seu primeiro post nesse blog e li todos até hoje, li e reli e não canso de fazer isso pq vc sempre me ensina muito, não sou mãe, sou professora em uma creche, trabalho com bebes.
    Me emocionei, chorei e ri muito nesse tempo lendo todos os posts. É a primeira vez que eu comento no seu blog, mas me sinto #aíntima rsrs.
    Um grande beijo pra vc, pro Lucas(ou Luquêncio rsrsrs) e pro maridon.
    Ps: Já votei no seu post umas tês vezes

  2. Lindo! chorei de mais, me emocionou bastante suas palavras! Também tenho um Lucas, e é lindo, e maravilhoso, e infinitamente perfeito aos meus olhos!

  3. precioso!!!! "Quero viver cada minuto com seus sessenta segundos de direito. Quero sorrir e chorar e guardar num vidrinho todas as lágrimas caídas, quero minhas bochechas doendo de todos os sorrisos. Quero escutar a gargalhada solta do meu filho e quero que ele saiba o quanto esse sorrir dele me faz feliz. Quero fazer um perfume do cheiro dele, só pra sair borrifando por aí. Não quero que acabe. Nada. Nem eu, nem ele, nem essa delícia sofrida que é ser mãe, nem essa beleza ofuscante de filho que ele é."
    também quero fazer um perfume do cheirinho dos meus filhos e sair borrifando por ai! Provavelmente deve ser por isso que escrevo tantas trivialidades sobre eles! obrigada por texto lindo! http://www.euaprendoenquantoensino.blogspot.com.br

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