Foi hoje cedo. Estava procurando meu casaco pela casa. Atrasada, tinha que sair, marido na porta me apressando. Finalmente vejo o casaquinho: tava lá na varanda, pendurado no carrinho do Lucas. Vou decidida em direção a ele, passos firmes. Até que. CATAPLOFT.

Eu dou de cara com a porta da varanda que estava fechada e eu não tinha visto. Dei uma cabeçada tão patética e espetacular que achei que o vidro fosse quebrar. Que, se alguém tivesse filmando, seria um vídeo digno de estar nas videocassetadas. Que eu quis rir, mas o negócio foi tão forte que eu… chorei. Foi incontrolável, as lágrimas escorriam pelo meu rosto sem parar.

Imediatamente me senti como uma criança. Fiquei perdida, assustada, envergonhada. Minha cabeça rodava, eu seguia chorando e rindo ao mesmo tempo, marido preocupado perguntando se eu tava bem. O drama do momento parecia tão grande, mas também tão bobo que eu levantei, enxuguei as lágrimas e segui fazendo as coisas pra sair logo de casa.

Agora estou aqui com um galo no meio da testa e um mau-humor infantil me perseguindo.

***

Bobeira, né? Foi só um pequeno acidente doméstico…

***

Mas, achei bom. Pra entender algumas coisas e ter um pouco de perspectiva. Porque imaginem uma criança que toma um tombo ou bate com a cabeça como eu bati? Ela fica desesperada! Primeiro porque não tem noção de que aquela dor vai passar. Segundo porque dói mesmo, gents! Terceiro porque é muito feio você se machucar e alguém vir dizer que “não foi nada não”, que “nem doeu”, como prontamente nós adultos fazemos com os pequenos. Eu nunca curti fazer isso, acho falta de respeito com a dor alheia. O que costumo fazer com meu filho é dar colo ou ficar do lado e dizer que já vai passar. Que sei que tá doendo, mas que já vai passar. Mas, ao mesmo tempo, entendo que ficar valorizando demais cada tombo ou cabeçada que a criança dá estimula que ela faça um certo draminha toooodas as vezes… então confesso que quando acho que foi algo mais leve, simplesmente distraio pra que ele nem perceba que caiu. Mas a dor não é minha, então como julgar o que merece atencão e colo e o que não? E mais: alguma coisa que envolva meu filho por acaso não merece a maior atencão do mundo?

E vocês, como reagem às quedas dos seus filhos?

***

E só pra completar a perspectiva que senti hoje: eu quis muito muito a minha mãe na hora que dei a cabeçada no vidro.

27 respostas em “Do dia em que eu me senti o meu filho

  1. Eu evito o "não foi nada", ou melhor, tento evitar. Difícil, né? Parece automático. Erik cai e se machuca diariamente, mas quase nunca chora. Se chora eu respeito e sei que foi mais sério, então faço o mesmo que você. Na maioria das vezes eu ouço o estrondo do cabeção batendo no chão e vejo ele lá estirado, já nem faço mais escândalo. Essa semana mesmo ele ficou com um galo gigante e roxo ao lado do olho que eu nem sei como ele fez (e passo o dia todo cuidando).
    x

  2. Eu ainda me lembro de como ganhava água com açúcar quando acontecia alguma coisa do gênero comigo, quando era criança. E olha, parecia mágica, era eu beber que a dor passava.
    Agora, com as minhas filhas, o que dou é Arnica, da homeopatia, em forma de glóbulos pequeninhos. Diz a homeopatia que isso ajuda para o galo não ficar grande, para sarar mais rápido, entre outras coisas. Eu não sei muito bem se é tudo verdade ou não, mas fato é que a Arnica tem para a minha filha mais velha o mesmo efeito calmante da minha água com açúcar: a Sophia cai e já me pede: mamãe, eu preciso de arnica!!! E eu dou, ela ainda soluça um pouco, fica no meu colo, eu digo que já vai passar e passa 🙂

    Beijo,
    Karen
    http://multiplicado-por-dois.blogspot.de/

  3. Carol…eu sou do time que se desespera quando a criança cai…tenho horror a tombos, machucados e os "roxos" na testa. Semana passada minha filha caiu, bateu a cabeça e foi parar no hospital, fez um galo dignissimo na testa…e essa semana, caiu novamente e bateu o mesmo lugar. Parece que quanto mais protejo, mais ela cai…

    bj e vê se cuida do "dodói"

  4. Carol, querida…. sinto mto pela tua porrada!!!! Judiação!!! Eu sei como é isso, esse misto entre querer chorar e rir da situação patética… mas que dói pra cacete!!! Está melhor a cabeça?? =)

    Quando a Laura cai – e ela cai mto!!! Vc vai ver que qdo eles acham que sabem andar de verdade, andam de ré, andam olhando pra cima, correm (sem ter o equilíbrio necessário), andam olhando pro outro e sempre caem – e mto! – então, como ela cai sempre… às vezes eu dou um super carinho, pego, beijo, dou a chupeta para acalmar, mas às vezes eu finjo que não vi, sabe? Eu tento ter bom senso e saber discernir a situação que eu sei que está doendo (e jamais falaria que não está doendo, não foi nada), mas sei que tem uns tombos besta, por falta de equilíbrio ou por tropeçar em um chinelo ou um brinquedinho… daí ou finjo que não vi, ou dou a mão para levantar, passo a minha mão no joelhinho, para "limpar" ou fazer carinho, mas sem mto drama.

    Carinho master, chupeta e mtos beijinhos são qdo o tombo é dolorido e feio. Tombo bobo, tropeços, cai e levanta, por favor.

    Beijos! E melhoras!

  5. Ai Carol, tenho que dizer que nem reajo, desde que a Manu ficou mais independente eu acho importante deixar ela cair e levantar sozinha, eu só observo para ver se não foi nada grave ou se machucou, sei lá, se foi um tombinho ou uma batida na porta, eu fico olhando, no começo ela chorava, agora ela mesma passa a mãozinha onde bateu e levanta, eu acho até engraçado, ela nem me procura com os olhos, eu tomo muito cuidado com portas, gavetas, quinas e tomadas, para minimizar as possibilidades de algo sério!!!

  6. hahaha…

    Eu bato palmas pro Davi e falo êeee!!! Isso quando é uma quedinha boba e o choro é mais fraquinho. Em geral, o choro fica só na ameaça e logo ele entra na brincadeira e bate palma pra quedinha dele. Muito fofo.

    Agora, se a queda for mais séria (sim, já rolou até um roxinho com galo na testa) e o choro já de cara é mais intenso, pego no colo, abraço, beijo, falo que vai passar. E passa, bem rapidinho. Porque ele também não é de chorar.

    bju

  7. Ô judiação! Passou Hirudoid para não ficar roxo? Porque é isso que faço em galos mais graves.

    E também não supervalorizo, mas se percebo que o choro é mais forte, pego no colo e dou muita atenção e carinho. Agora, se foi um tombinho e ela nem chora muito, distraio.

    Mas falar não foi nada tb não gosto. Poxa, que falta de consideração.

    Mas.. vai passar tá. Antes do Luquinha casar, sara, viu?! Rsrsrs.

    Bjos.

  8. Muito boa a sua postagem e tudo que você é verdade! A criança sente dor , se se sente envergonhada e ainda dizem que não foi nada.Eu sempre tive a preocupação de dar atenção aos tombos e algumas situações com a minha filha , pois quando eu era criança passei muito por essa palavrinha.NÂO FOI NADA NÃO!
    NÃO DOEU!
    e muitas das vezes eu estava sofrendo e muito! Muito boa o seu post pois sempre precisamos estar alertas as coisas que achamos que são bobinhas, mais que para eles tem um significado enorme.eSPERO QUE O GALO NÃO TENHA CANTADO DE MANHÃ KKKKK brincadeirinha…
    bjkss JACK ROSA
    http://diriodeumamedeprincesa.blogspot.com.br/

  9. eu nao reajo ate que eles mesmos reajam. Se choram, corro pra acudir e ainda digo coisas do tipo "dói mesmo, pode chorar, quando parar de doer voce pára de chorar". Se eles nao choram, finjo que nada aconteceu. tem funcionado. (a nao ser, claro, que tenha caído de cara do sofá, aí tem que correr pra levantar a crianca!)

  10. Oohh do..melhoras ai no galo. Mas amei a analogia que vc fez com a criança, certissima..eu tb dou colo, acalmo..mas na sequencia eu digo: ja passou, rs. Afeee, agora pensando bem, quem sou eu pra saber se a dor na minha filha ja passou mesmo? Hummmm

  11. Ui que susto Carol, achei que tu estava grávida de novo 🙂
    Eu sou contra dizer "não foi nada", como a gente vai saber né?! Em cada tombo (que não são poucos, você vai ver) eu espero alguns nanosegundos para ver a reação dele, e dependendo do que ele fizer será a minha reação. Eu considero Arthur muito mais resistente a dor do que eu, visto que as vezes ele me dá cada cabeçada que quase me leva a nocaute e segue rindo, mas nunca me permito julgar o tamanho da sua dor. Eu estou por perto para faze-lo se sentir melhor, é esta a minha função 🙂 beijos (ah, e desculpe por nao comentar nunca, mas leio sempre)

  12. Um vez li um artigo dizendo que um beijinho para sarar ajuda mesmo. Ajuda no sentido que quando acolhida, a sensação de dor fica mais amena, passa mais rápido. E faz todo sentido, né? Se a gente tem dor e é ignorada por todos, até mesmo desprezada e menosprezada nossa dor, dói ainda mais, porque dói também com a alma. Se a gente tem carinho, colo, atenção, compreensão, acolhimento, é muito mais fácil encarar a dor. Então não é valorizar o tombo, mas valorizar o sentimento do filho.

    Então, beijinho pra sarar!

  13. Carol, o que vou falar nem é em relação a quedas nem nada. O que me chamou mais atenção no teu relato é que, se tu, que é adulta, não viu o vidro, imagina o Luquinhas, quando começar a andar!! Acho que é uma boa tu colar uns adesivos,faixa de papel contact, ou coisa parecida ne porta, pra todo mundo saber quando ela tá aberta e fechada, e não acontecer mais nenhum acidente, né.
    Beijão!!
    Cris

  14. rsrsrs, ai amiga, seria cômico se ñ fosse trágio, aki em casa de vez em quando tbém dou umas cabeçadas dessas. aff!
    quant como me comportaria caso acontecesse com um filho meu……..aff! só passando pra saber, pq como vc bem disse, cada tombo, é um tombo.
    bjokas!

  15. A primeira (e última) vez que eu apelei pra um "não foi nada", tomei uma porrada da minha própria filha, que muito sabiamente me mandou uma bolada na cabeça como quem diz: "então toma esse nada você também, sua sabichona!".
    Ainda não fui com a cara no vidro, mas sou perfeitamente capaz de fazer isso mais dia menos dia. Essas mudanças de perpectiva são boas pra gente aprender a se colocar a pele do outro… tudo vira aprendizado, né?
    beijo Carolindona!

  16. eu sempre ignoro, daí se ele chora eu pego no colo e distraio, mas a regra é ignorar e ele mesmo ignora várias vezes.

    mas ele é diferente nisso pq ele sempre toma muito cuidado e quase nunca cai, se cai raramente é uma queda feia.

    e falar que nao é nada isso eu num digo não… eu geralmente levo pra fora e brinco de alguma coisa q ele gosta q ele se contanta

  17. Desastrada e estabanada que sou, sei bem como você se sentiu. E como minha filha se sente…
    Se é só um tombinho, espero a reação dela. Geralmente nem liga e levanta, as vezes até ri. Mas tombos e cabeças maiores ganham colo e beijos imediatos. E gelo, se for o caso.
    E como caem, né?

  18. Nossa, já fiz isso tb, doi pra cacete mesmooo… e tb chorei igual criança…rsr agora Dudu ta na fase de começar a andar então cai muitoooo, quase nunca chora, ó ameaça, quando chora eu sei que foi tenso, dai pego no colo, dou beijinho e tb fico falando que vai passar logo… morro de peninha a final ninguem merece ficar batendo a cabeça não é? Beijosss e espero que já esteja melhor…

  19. Carol, aqui também faço assim. Caiu, estoy aqui para o besito, carinho. E é bem verdade, eu não falo "não foi nada" (não gosto disso tb), pelo contrario, falo que pode chorar, que sei que doi, mas que ja vai passar. Agora se não for nada grave, tb distraio e volta a brincadeira numa boa.

    E quando eles caem e a gente sabe que "ui, essa doeu" e eles nem dão bola, nem tchum? E quando eles caem ou passam de raspão perto de uma quina (ui!) e a gente con-ge-la, o coração para e eles continuam seu caminho, como se nada tivesse acontecido (e de fato, não aconteceu, ufa) sem ter a menor noção do perigo que correu. E a gente fica ali, parado com os olhos arregalados, pensando "Meu Deus do céu, anjos da guarda existem!"

    Mãe sofre! Não é so gato que tem sete vidas, mãe tb viu?

    Beijão

  20. Fico arrasada quando se machucam, me sinto uma incompetente. Pode achar exagero, ams é verdade. Odeio mesmo, tenho vontade de chorar juto, bater nos móveis, xingar a parede de feia… todo o combo.
    Mas me reduzo a pegar no colo, dar muito beijo e esperar passar. Arrasada.
    Bjo

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