Já me pediram muitas vezes e eu fui deixando pra lá,
deixando pra lá... mas hoje eu conto! Sobre os dogs e o baby: como foi?
Pra quem não sabe, eu tenho dois cachorros: o Chimi Churri,
que é um beagle levadíssimo e simpático e a Diana, uma vira-latinha comportada
e madura.
Mas voltando ao causo da adaptação entre os meus “filhos”. Gente,
falando sério? Do fundo do meu coração? Se forem atirar pedras, atirem de
levinho?
Não foi legal. Não é legal.
Muito mais por mim que pelo Lucas, com certeza.
Logo que chegamos com o bebê, Diana ignorou – tava mais
carente que qualquer outra coisa – e Chimi ficou muito desconfiado. Lucas
começou a chorar, Chimi começou a latir. Isso passou rapidinho, mas, aos
poucos, fomos limitando o acesso deles a determinados cômodos, cortamos muitos
privilégios (primeiro tirei de cima da minha cama, depois de dentro do meu
quarto etc.), paramos de dar tanta atenção.
Não tínhamos mais tempo pra passear, esquecíamos de comprar
ossinhos e brinquedos pros cães, o excesso de pelos e latidos fora de hora me
deixavam bem puta. Isso virou uma bola de neve: quanto mais puta fui ficando,
menos eu os queria por perto, menos eu brincava, menos eu ligava pra eles e
mais eles faziam coisas irritantes. Embora cachorros, não são bobos, então
foram muitas tentativas de chamar a minha atenção. A mais chata foi o xixi pela
casa (coisa que não se fazia em nenhuma hipótese antes). Ah, também teve o
acesso de loucura quando Pedro chegava em casa, os dois ficavam loucos, latiam,
pulavam de um lado para o outro, faziam um puta barulho e, duh, acordavam o
bebê que eu tinha ficado uma hora pra acalmar. Eu queria matar.
Com tudo isso, eu fui me afastando deles. Comecei a odiar os
pelos, os latidos, os trejeitos, a carência constante. Não tenho mais saco,
paciência, prazer. E eles, coitados, ficam implorando por um tiquinho de
atenção. Chimi teve uma infecção no ouvido outro dia e parecia amar a hora de
botar o remédio (que visivelmente doía nele), mas era o momento mais próximo
que tínhamos. Tadinho.
Agora, antes que me odeiem: eu sou a bitch da história, eu
sei. Tá tudo errado. São meus cachorros, minha responsabilidade e merecem um
tratamento legal. Na verdade, eles são bem cuidados: tomam banho periodicamente,
comem da melhor ração, tem água freca e disponível o tempo todo, tem
acompanhamento médico constante, casa quentinha, cama macia, espaço pra fazer
as necessidades. Não estão jogados ao léu. Não estou maltratando meus
bichinhos.
A questão é que antes eram MEUS FILHOS. E agora são os meus
cachorros. E só.
***
Desde que Lucas começou a perceber o mundo à sua volta,
atentou pra existência de Chimi e Diana. E ele parece gostar, estende os
bracinhos, tenta pegar, faz carinho quando consegue. Mas, depois da minha certa
hostilidade, acabou que os dogs têm medo dele. Estou tentando reverter essa
situação, sento no chão com o Lucas, chamo os dois pra perto. A Diana deixa, o
Chimi morre-de-medo. Fica todo nervoso e sai fora rapidinho.
E eu confesso que também não curto muito, fico logo
procurando o alcool gel pra lavar as mãos do Lucas e as minhas, acho tudo sujo,
me dá neurose de infecções e bactérias e outras loucuras da minha cabeça.
Já pensei em doar os cachorros, mas sinceramente acho
maldade. Fora que tenho certeza que Lucas ainda vai curtir muito essa
convivência.
***
Foi difícil escrever isso aqui, viu. Nunca admiti essa
situação pra ninguém, nem converso muito com o Maridón sobre o assunto. Me
sinto a Bruxa Má do Oeste. A Egoísta, Sem Coração, Bitch das Bitches.
Não quero jogar água fria nos sonhos das gravidinhas que tem
dogs, mas, querida amiga, se você tiver um filho demandante como o meu, te digo
que será difícEL.
***
Enfim, essa foi a minha experiência. Chatinha, né? Mas já
sei que a culpa é minha (a culpa é sempre da mãe) e tô tentando resolver.
Alguém tem dicas? Alguém passou por algo parecido ou eu sou a única Lado-Negro-da-Força-Darth-Vader
do pedaço?
(se bem que o Darth Vader não renegou o filho dele...)