Conversa de botas batidas

não comentei antes, mas no final de semana passado estive no Brasil. E neste, também estarei. O avô de Maridón não está nada bem e tudo indica que é chegada a sua hora.

Por mais que seja avô, por mais que a gente saiba que é normal que seja assim... não é fácil se convencer de que a vida termina. Não é fácil ME convencer. 

Mas enfim.

Fica aqui um post, uma recordação, um agradecimento pelos anos de convivência, elogios, conselhos, exemplos, comidinhas, abraços, beijos, telefonemas, e-mails, visitas e tudo mais que o Seu Zé nos deu. E mais ainda, fica uma das melhores fotos que eu tive a sorte de fazer, no começo do mês:





Abre a janela agora
Deixa que o sol te veja
É só lembrar que o amor é tão maior
Que estamos sós no céu
Abre as cortinas pra mim
Que eu não me escondo de ninguém
O amor já desvendou nosso lugar
E agora está de bem


CATAPLOFT

isso foi o som do meu desmaio hoje mais cedo.

eu não desmaiei, eu morri.

de orgulho, de amor, de saudade, de EMOSSAUM.

foi assim: eu tava trocando a fraldinha do Lucas. É sempre um momentinho gostoso, eu faço caras, bocas, canto, danço. E ele riiii. Daí que ele tava lá, rindo e babando, gengivão à mostra.

Ni qui reluz um ponto branco no gengivón inferior. Imediatamente passo mais álcool gel na mão (se pudesse beber álcool gel, eu beberia), espero secar ansiosa e sigo fazendo a criança rir pra eu poder examinar mais e ele achar que isso é divertido. Passo o dedo por cima do ponto branco e... é pontudinho!

AI JESUIS QUE MEU FILHO TEM UM DENTE.

UM DENTE!

Ele é uma pessoa mordedora agora. Pera: ele é UMA PESSOA!

Fiquei toda boba, agarrei, beijei, fiquei falando "meu filho, você já é um aduuulto!" (fico imaginando ele me achando mucholoca, do alto de seus 4 meses e meio, porque né, legal ter um proto-dente, mas daí a ser um ADULTO... tá longe).

Liguei pro Maridón:

- Amore, Luqui-baby tem um dente!
- Jura? Mas já?
- Pois é!
- He-he
- He-he
- He-he
- He-he

- He-he
- He-he


Isso pra ilustrar o quão idiotizados ficamos. Ai ai.

***

Filhoco lindoco,

hoje eu vi seu primeiro dente dando OI pro mundo. Fiquei tão emocionada e orgulhosa! Pode parecer bobo, mas puxa, pensa que é o primeiro de muitos, que significa um novo visual pros seus sorrisos, a possibilidade de mastigar coisas (e isso você vai fazer a vida toda), umas mordidas durante as mamadas (ai, minhas peitchas).

eu não estava esperando por isso tão cedo, logo você que ainda não sabe virar, nem sentar, nem nada do que tenta falar faz sentido. Mas, veja lá, já tem um primeiro dente nascendo, pra provar pra mamãe que cada bebê, cada pessoa é única e tem seus próprios tempos. Tentei tirar fotos, mas você obviamente não deixou e mordia meu dedo cada vez que eu tentava olhar o mais novo pop-star da sua boquinha. Hmmm, tudo bem, outra hora eu faço foto.

Só escrevi tudo isso pra dizer que estou muito feliz por você, realizada por acompanhar cada etapa da sua vida, meu querido.
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Love me tender

eu quero que ele aprenda a dormir e não sou das mais maternais (digamos assim). No sentido de que não amo ficar colada nele na madrugada, nem vejo tanta poesia nele se acalmar só nos meus braços.

Mas aí hoje eu tava com ele no colo. Ele com aquela carinha sonolenta fofa. Eu sentada na cadeira de balanço, indo e vindo em movimentos mais suaves dos que os bruscos que usávamos antes. Coloquei Pato Fu pra tocar e comecei a cantar:

Love me tender
love me sweet
never let me go


you have made my life complete
and I love you so



ai gente.
senti aquele pacotinho nos meus braços. foi me dando uma coisa. um amor. uma saudade. uma completude.

que bom que estávamos ali juntos. que bom que ele é pequenino, que não sabe dormir, que eu preciso ninar.



For my darlin' I love you,
And I always will.
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O segundo sol

Era um dia lindo. Lindo como está hoje, aliás. E já faz um ano!

Mas eu lembro como se fosse ontem.

Fazia 22 graus e 22 graus é a temperatura da vida: fresquinho na sombra, sol quentinho sem torrar, vento ameno balançando as folhinhas das árvores. Tudo era vida naquele dia.

Eu olhava pras cores, pras coisas, toda boba, toda satisfeita.

Só tinha uma coisa errada: o tempo. Que cismou em não querer passar e me fez ficar o dia todinho pensando no bendito teste de farmácia, que eu tinha decidido fazer de noite, quando chegasse em casa.

No meio do dia, eu escrevi:

“o tempo. acho que é uma das coisas mais subjetivas que eu já conheci.
o ano passado passou rapidinho, mas esse exato instante tá demorando anos.”

Agora, porque caracas eu decidi fazer o teste só à noite... só deus saberia. Acho que precisava de apoio do Maridón, embora ele fosse meio contra essa coisa de ficar fazendo xixi no palitinho toda hora.

Cheguei em casa, disfarcei, deixei o tempo passar mais um pouquinho, segurei a vontade de ir ao banheiro. Começamos a fazer o jantar, papeando sobre amenidades. No meio de tudo, resolvi que era hora. E fui.

Fiz xixi e nada da segunda linha aparecer.

“Humpf, negativo”, pensei.

Voltei pra cozinha com o palito na mão, meio triste, mas resignada: “amore, deu não. Olha só.” (daí mostro o teste pra ele).

Quando eu levanto o troço xixizado, eis o que aparece:



Congelamos. Ficamos sem palavras. Ligamos uma luz mais forte pra olhar com calma.

Será? Será mesmo? Não será “resto hormonal” da gravidez anterior?

AI MEUDEUSU.

Ficamos completamente sem ação, sem saber o que falar, o que pensar, se dava pra acreditar naquilo, se já poderíamos ser felizes de novo.

Na minha cabeça, tocava, sem parar:

Quando o segundo sol chegar
Para realinhar
As órbitas dos planetas


Derrubando com
O assombro exemplar
O que os astrônomos diriam
Se tratar de um outro cometa


Não digo que não me surpreendi
Antes que eu visse, você disse
E eu não pude acreditar


Mas você pode ter certeza
De que seu telefone irá tocar
Em sua nova casa
Que abriga agora a trilha
Incluída nessa minha conversão


Eu só queria te contar
Que eu fui lá fora
E vi dois sóis num dia
E a vida que ardia
Sem explicação.




A vida ardia sem explicação.
(e eu escrevi um post com esse mesmo nome uns dias depois, "contando" da gravidez pra vocês)
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Sobre o que é possível e o que é sensível

Vou dar uma pausa no assunto “sono” (mas vou retomá-lo em breve, me aturam?) pra contar um pouco de história que não foi contada aqui na época que aconteceu.

Eu tinha um espaço só meu pra falar um pouco sobre o que vinha sentindo e não queria publicar. Não era o momento de compartilhar, mas, mesmo assim, eu queria seguir fazendo meus registros. E sempre volto lá e fico lendo as coisas que escrevi. Tão sinceras, tão esperançosas...

Então que no dia 20 de setembro de 2010, há exatamente um ano e exatamente um dia antes de descobrir a gravidez do Lucas, eu escrevi:

“Esqueci de contar sobre um sintominha que tenho sentido.
nao é sintoma, é uma sensação, na verdade.


de que tenho útero.
he-he, que bizarrice. mas é isso mesmo: sinto meu útero. inteirinho. aqui. sensível. nao é que me doa ou que eu esteja com cólicas (ou mesmo com gases). mas é que SINTO.”


E foi por senti-lo tanto, tão vivo, tão dentro, tão meu, que no dia seguinte resolvi fazer xixi no palitinho, mesmo antes de qualquer atraso menstrual, mesmo com todos os médicos que eu consultei dizendo que seria impossível engravidar tão rápido depois de um aborto.

IM-
-POS-
-SÍ-
-VE-
-O.


E amanhã eu volto pra contar sobre o tão famigerado xixi no palitinho dando positivo.
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Sobre o sono - algumas conclusões

Eu li. Eu li todos os 68 longos comentários deixados aqui e mais alguns emailzicos que chegaram na minha caixa. Acho que passei o final de semana nisso, lendo, analisando, refletindo.

Primeiro de tudo: muito obrigada. A quem tirou uns minutos pra mim, pra contar sua história, pra dividir seu problema, pra comemorar um sucesso. Sempre que eu duvido da utilidade do blog, vem um post como esse pra reafirmar que essa troca é o que há de mais importante. Brigada mesmo.

Agoooora: quanto pitaco, hein? Acho que além de pôr pra dormir, dar de comer e trocar fralda, mãe sabe é dar uma opinião, hahahahah.

Mas, falando sério: refleti muito, chorei muito, refleti muito de novo. Eu sei que Lucas não tem nenhum problema sério, eu simplesmente preciso definir uma forma de atuar com ele e seguir nessa forma, persistente e segura.

Só que, independente de saber que ele não tem problema sério algum, eu preciso ser sincera com vocês e comigo mesma: eu não tô feliz. Não tô gostando. Sei que a creche tem grande potencial de resolver, mas tenho pra mim que isso é problema meu, antes de ser da creche. E sei que eles vão resolver de um jeito "menos mãe" e não sei se curto isso. Então, o pobrema é meu.

Daí cheguei à seguinte conclusão: antes de pensar em formas pra resolver o sono do meu filho, eu preciso saber o que espero. Meus objetivos precisam ser claros e reais (não adianta eu querer que a criança durma 12 horas seguidas amanhã). Então, não que alguém tenha me perguntado, mas aí estão as metas* pro Luquinhas (mais pra mim do que pra ele):

- Dormir, pelo menos, 6 horas seguidas durante a noite.

- Depois dessa primeira dormida longa, acordar pra mamar a cada 3 horas, mais ou menos (teoricamente, eu só daria de mamar, então, uma ou duas vezes por noite)

- Sono da noite no berço dele, no quarto dele

- Ficar acordado (bem e brincando) por cerca de 1,5h – 2h.

- Fazer as sonecas necessárias (atualmente, 2 longas e uma curta no final do dia) sem grandes intervenções minhas


- Essas sonecas não faço questão que sejam no bercinho dele (pode rolar carrinho, cadeirinha de balanço, minha cama...)

- Não me importo de fazer dormir, mas me importo de ter que ficar colada nele o tempo todo durante as sonecas, pra ele seguir dormindo. Preciso ter a minha vida, fazer as minhas coisas.

- As mamadas serão, normalmente, logo que ele acordar. Se ele solicitar fora desse momento, eu dou, sem problemas. Mas quero manter a ordem dos eventos (mamar-atividade-soninho – oi, encantadora!) pra que ele sinta fome direitinho e não fique o tempo todo “beliscando”.

- Ser uma criança feliz e menos chorona/gritona.

foto por Daniel Liporace

Como pretendo fazer isso tudo?
Ah, é assunto pra um oooutro post!

*sei que os "objetivos" são complexos de alcançar e, às vezes, não serão tão preto-no-branco assim, já que tudo muda o tempo todo com criança. Mas preciso de um norte, néam?
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Sobre o sono (ou a falta de)

dois posts no mesmo dia porque a situação tá brabeira.

o texto a seguir foi escrito antes deu viajar pro Rio. Algumas coisas já mudaram, todas pra pior. Leiam, leiam. E opinem, por favor!

***


Você palpiteira do bem, você que não consegue manter a língua na boca ou deixar os dedinhos quietos longe do teclado, este post é pra você. Quero saber a sua opinião, seu testemunho; critique, bote inveja nazamiga, chore suas pitangas. A caixa de comentários nunca esteve tão receptiva.

O assunto faz parte da tríade materna básica: sono (a tríade? Sono-comida-cocô).

Vocês sabem, eu já cansei de comentar: Lucas é chatildo pra dormir. Quero contar um pouco como está a situação atualmente e depois queria muito saber como é na casinha de vocês. Porque todo mundo diz “meu filho dorme ótimo”, aí depois de cinco minutos de conversação, eu descubro que o “ótimo” quer dizer “ótimo na minha cama, acordando a cada hora pedindo a chupeta, a cada duas pedindo peito, brincando no meio da madrugada”. Então vamos combinar que ÓTIMO é um conceito altamente relativo e subjetivo.

Luqui-luqui é assim: de noite, pega no sono lá pras 21h, 22h. Isso depende do horário que toma banho. Normalmente mama antes ou durante o banho, canta com o pai, brinca e troca de roupa (e aí já tá chorando). Chora até que eu termine meu banho e deite do lado dele (ah sim, ele dorme na minha cama). Eu deito e dou mais um peito, normalmente não dura muito, é só pra ajudá-lo a dar aquela capotada boa. Eu rezo pra que ele esteja inspirado e mame bem (embora tenha mamado no máximo uma hora antes). É que, mamando bem, ele fica mais horinhas dormindo. Daí são 20 minutos de enrolação: ele vira pra todos os lados, arranca a chupeta um trilhão de vezes, se debate, luta. Eu não faço muita coisa pra não agita-lo ainda mais, apenas carinho, reposição infinita de chupeta e paciência.

Daí dorme direto entre 4 e 6 horas seguidas. Muitas vezes, no meio dessa história, ele acorda sei lá por qual motivo, mas basta fazer carinho e ele volta a dormir (nesse momento, ele já não liga mais muito pra chupeta, só se tiver acordado muito nervoso eu insisto nela). Como ele dorme comigo, eu resolvo essa mini-acordada praticamente dormindo, sem acender luz de abajur nem nada.

Depois, quando acorda pela primeira vez (entre 2h e 5h da matina), mama deitado mesmo. Eu não ponho pra arrotar, nem troco fralda (só se tiver feito cocô explosivo, se for um cocô simples, NOT). Tudo pra não mexer muito com ele e evitar despertá-lo. Milagrosamente, desde que comecei a não troca-lo, ele parou de fazer cocô durante a noite. É raríssimo acontecer.

Volta a dormir numa boa e acorda pra mamar 2 ou 3 horas depois. Repito o procedimento e ele volta a dormir, só que dessa vez mais levinho e já com incentivo da chupeta. Acorda definitivamente às oito e mama de novo (mesmo se tiver mamado uma hora antes, ele pede, eu dou). Nessa hora já começa a rir, faz cocô, enfim, o dia começa. Se eu dou muita sorte, depois de trocado, ele volta pra cama e faz mais uma sonequinha curta, até as 9h.

Daí brinca, ri, essas coisas. Começa a sentir sono cerca de uma hora, uma hora e meia depois de acordado. Seus sinais de sono: bocejos, olhos vermelhos, esfregação de rosto, gritos. Se estiver brincando, para de prestar atenção ao brinquedo e vira o rosto, claramente tentando dizer que já deu pra ele.

Aí amiga, começa o martírio de verdade. Se eu coloco no berço ou na minha cama, ele GRITA como se estivessemos ateando fogo nele. É assustador. Mesmo com chupeta, funchicórea, fraldinha no rosto, musiquinha, carinho, tapinha leve no bumbum, mãos dadas. Quanto mais o tempo passa, mais irritado, daí começa a dar solavancos com o corpo, chutar, ficar vermelho.

Se eu ponho no colo, mais gritos, chutes, solavancos. Se eu tento fazer carinho ou dar beijos, parece que to espetando agulhinhas. Até consigo fazê-lo dormir no colo, mas é necessário balançá-lo bem rápido, de preferência andando ao mesmo tempo. Ou se o puser no colo antes dele dar qualquer sinal de sono. Aí, se eu ficar no colo com ele (balançando e andando) por cerca de meia hora, quarenta minutos, ele até dorme (mas se ponho no berço depois, obviamente, acorda).

Se eu ponho no carrinho, aí é a glória. Mas, não se engane, amiga, não é por no carrinho e tchau. É por no carrinho, com fraldinha no rosto, chupetinha e... balanço. MUITO balanço. Aí sim, ele pega no sono rapidinho, é uma beleza.

Aí você pensa: ué Carol, por que o drama? Balança o menino no carrinho por 5 minutos e tudo ótimo! E eu te respondo: mas não acaba por aí, amigamm! Tem que balançar o carrinho for ever! Senão, baby acorda!

Agora: imagina você viver A VIDA balançando um carrinho? Ken curt? Eu até balançaria pra todo o sempre, se não fosse pelo detalhe de que voltarei a trabalhar em dois meses. Eu sei, dá tempo de corrigir, mas putz... como faz? Quem nesse mundo terá paciência de balançar essa criança sem parar?

Fato é que, independente do local onde ele pega no sono (sim, ele também acaba pegando no sono na minha cama ou no berço, basta eu ter estômago pra aguentar 20 minutos de gritos desesperados), ele não consegue MANTER o sono. Dorme por 30, 40 minutos e acorda chorando tudo de novo. Se estiver no berço, simplesmente nada o faz dormir de novo. Se estiver no carrinho, aí é mais fácil, porque ele mal percebe que acordou e já está sendo embalado de novo, daí dorme. O carrinho é o único lugar onde ele consegue fazer uma soneca realmente restauradora.

Já tentei ignorar essa ânsia de fazê-lo dormir uma hora e meia ou duas horas nas sonecas, mas descobri que a ânsia não é minha, é dele! Ele precisa, pede, fica cansado, choroso e chatíssimo se não dorme legal.

E o que estive fazendo pra ajuda-lo? Até agora: empurrando o carrinho. Não fico em pé andando pela casa, simplesmente empurro pra frente e pra trás com um dos braços, um dos pés. Desenvolvi técnicas avançadas de empurrar carrinho e me cansar o mínimo possível. Empurrar carrinho e comer. Empurrar carrinho e fazer a comida. Empurrar carrinho e fazer xixi.

Na tentativa de resolver o assunto, comprei até uma cadeirinha que balança sozinha, mas ele não se adaptou. Nos últimos 10 dias, tentei acostuma-lo ao berço. Alguns dias foram ok, outros péssimos. Não houve nenhum dia bom. Nenhuma soneca realmente boa pra ele. E eu mais cansada ainda, porque sim, tive que ouvir MUITO choro. Lucas não é um bebê que resmunga. Ele grita como se não houvesse amanhã.

Meninas, não pensem que estou tentando impor rotina militar pra ele. Nem é isso. Não fecho horários, respeito os sinais dele, faço cama compartilhada, dou colo. Não me importo em absoluto de acordar durante a noite. Realmente acho que cada bebê tem sua necessidade e o meu ainda precisa acordar durante a madrugada, tudo bem! O problema é que ele está habituado a uma forma de dormir e não consegue aceitar nenhuma outra!

Já me culpei enormemente por deixar chorar no berço. Eu não deixo chorando e vou embora, eu fico do lado, canto danço e sapateio. Já fiz pu/pd (oi, Encantadora!) e parece que só piora. Mas, deixei essa culpa de lado, porque descobri que não é colinho que ele quer, é BALANCINHO. Na verdade, é BALANÇÃO. Em momento algum eu deixo de dar amor, pele, contato, atenção, contenção.

Só que, oi, vida real: precisarei voltar a trabalhar. E Lucas ficará numa creche. E visitei inúmeras creches e posso dar o coo na esquina e pagar a mais cara, que nem essa terá uma tia à disposição pra balançar meu filho durante as 3 ou 4 sonecas de hora e meia que ele precisa fazer durante o dia.

E nunca ouvi ou li nenhuma história parecida a esta.

***

E aí, amiga mãe? Não precisa me dar uma solução não, mas me conta a sua história? De sucesso ou não, não me importa. Solte seu dedinho aí nos comentários.

Brigada!

Múltipla escolha

Teu filho tá prontinho pra dormir. Bocejou, coçou olhinho, você ninou e cantou docemente pra ele. Já deitadinho no carrinho (ou no berço), ele abre aquela boquinha desenhadinha linda que tem e começa a gritar.

Ele não chora, só grita. Abre a boca e AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAHHHH. Cada vez mais alto, cada vez mais longo, cada vez mais irritante.

Não tá com fome, não tá com fralda molhada, nem dor. Tem sono e você, que já o conhece de outros carnavais, sabe que só precisa dormir. Mas ele prefere gritar.

Você, essa mãe antenada, moderna, conectada com o mundo e com os últimos GRITOS da moda:

a) Abre o Dr. Google e pergunta pra ele o motivo da gritaria
b) Abre o Facebook e escreve sobre a gritaria no mural
c) Abre o Twitter e se aperta em 140 caracteres sobre a gritaria
d) Abre o Msn e comenta sobre a gritaria cazamiga
e) Abre o Blogger e escreve um post engraçadinho sobre a gritaria
f) Todas as anteriores
-

das prioridades

quem é mãe sabe. que o filho vem em primeiro lugar e pronto.

tá.

daí eu tava esperando meu vôo atrasado, perambulando pelo freeshop. a cria dormia e não gritava, num raro momento de paz e silêncio das nossas vidas. fiquei namorando umas maquilagis, mas nenhuma vendedora veio me dar atenção - as mães não se pintam mais, meu povo?

deixei as maquiagens pra lá e fui procurar uma bolsa nova. de novo, as vendedoras me ignoram.

cheguei nos óculos. putz, meus óculos de sol se perderam há mais de mês e eu a.m.o. sair por aí com carão de oclão escurão. sigo olhando. Pradas, Diors, Ray Bans. vendedor vem me mimar e começa a contar daqueles maravilhas ali expostas. tudo lindo, tudo caro, tudo em dólares.

começo a pensar na quantidade de fraldas que aqueles dólares podem comprar. ou médicos. ou roupinhas. ou brinquedinhos. olho pro bebezico dormindo, me dá uma alegria, parece que só isso basta no mundo. escorre uma lagriminha no canto dos meus olhos e eu saio do duty free feliz e sem gastar nenhum tostão verdinho do meu bolso materno.







MENTIRA.






eu fui lá e pensei aquilo tudo dos dólares e caguei e comprei o óclão sem grandes dúvidas. meu cartão de crédito passou e passou feliz (cartão de crédito é bom que dá essa ilusão de estar comprando GRÁTIS, né não? a conta demooora pra chegar e a culpa do gasto já até foi embora).

ah gente. filho é lindo, eu amo, coisa e tal.

mas também amo me sentir rycah, phyna e iluminada, praticamente o retrato do mau humor com um par de óculos que tapam metade do meu rosto. acho muito digno. comprei meeeeermo.

só pra não negar totalmente a questão materna, a primeira foto da minha aquisição é estrelada por quem, adivinha?

loosho e ryquezah

4 meses, contos rápidos de avião e o ensaio fotográfico

por Daniel Liporace

(veja como ele estava no mês passado!)

Contei pra vocês que o vôo tinha sido cancelado, não contei? Pois bem. Daí fui colocada no outro avião, que sairia às 17h. SAIRIA, porque eu nasci com o COO virado pra lua e a sorte me deu a mão nesse dia, logo, o vôo das 17h também foi cancelado. Fiquei nervosa, achei que era o destino tentando me avisar pra não ir mais pro Brasil. Só que, bem na minha frente, aparece um cara avisando que havia 8 lugares no avião da Pluna, agendado pra decolar às 18h. Pô, o cara tava na minha frente. Destino avisou outra coisa, néam? Topei ir de Pluna, topei escala em Montevideo, topei vôo lotado, topei escutar os gritos do bebê que, naquela altura do campeonato, já não tava mais pra papo.

O vôo transcorreu sem maiores gritos, visto que tinha uma porrada de criança no avião e todas gritavam bastante. Diante disso, Lucas e seus mini-escândalos histéricos nem foram ouvidos por muita gente (só a pobre da mãe que ouve em alto e bom som, mas a pobre da mãe cismou de ir pro Rio no mesmo dia, então guenta).

Chegando no Rio (às 23h30 e bebê gritando ainda mais), quedê a mala? Nunca vi, nem comi, eu só ouço falar, já cantava Zeca, O Pagodinho.

Daniel, o Padrinho e salvador da existência de Lucas In Rio (e da pobre mãe), sumiu por uma hora, e – eu soube depois – foi pro balcão da cia aerea, contou histórias tristes, chorou, ajoelhou. E, sabe lá deus como, voltou com a desaparecida mala e seu colega bebê-conforto.

Três e meia da manhã e muitos gritos depois, Lucas repousava plácido em sua caminha carioca.

***

Aqui damos um salto na história e vamos pro final da viagem: o vôo da volta. Que atrasou DUAS horas. E eu gripada. E de saco cheio de bebê no colo. De repente, o avião sobe e eu, já toda encatarrada (thanks for sharing, Carolina), sinto que fiquei surda. Sigo sacodindo o bebê, ele dorme. E eu surda. Passa uma meia horinha, todo mundo dorme, meu olho esquerdo cochila, enquanto o direito permanece aberto, passeando pelas páginas de uma revista de fofocas que eu folheava.

Do nada, todo mundo me olha. “Tô de verde, por acaso?” (aka “Tô cagada, por acaso?”). Bebê se remexe nos meus braços. Se contorce. Fico olhando praquela cena estranha, quando resolvo tirar o paninho do rosto dele e, ha-ha-ha, ele tava chorando.

Eu, SURDA, não tinha escutado.

Conclusão: gripe ou tampão de ouvido em vôos chatos – recomendo. Não se escuta nadinha, é uma beleza!

***

Mas sabe o que muito se escuta no Brasil? Palpite. Todo mundo me perguntando como é o meu filho, se chora muito. Chooooora, eu enfatizava. E escutava as respostas a seguir:

Antes da crise de choro, bebê simpático rindo das caretas alheias:
- Ai Caroool. Você é muito exagerada. Os bebês choram mesmo, mas teu filho nem, ele é ótimo. Você só pode estar inventando.

Gritos que precedem a crise de choro, bebê puto fazendo careta pras caras alheias:
- Ai Caroool. Ele só tá cansadinho. Pronto, tomaí que isso é coisa que só mãe resolve. É normal essa manha.

Após crise drástica interminável de choro, bebê possuído fazendo cara roxa e engasgos pra qualquer um – inclusive pra pobre da mãe:
- Ai Carooool. Mas olha, é bom que ele é saudável! Olha essa garganta, quanto alcance, quanta força! Quem diz que esse bebezico grita assim tão alto?

Após terceira crise drástica de choro interminável seguida, bebê virou o demônio na terra, a pobre da mãe tá afim de jogar pela janela, ou melhor, jogar no colo do infeliz palpiteiro que tava curtindo as risadinhas:
- Ai Carooool. Mas olha, é bom que você tem saúde! Olha esses seus braços fortes, essas suas pernas incansáveis de andar quilômetros pra lá e pra cá! Quem diz que você ia aturar tanto?

Aham.


***

Padrinho Daniel – esse mesmo que nos salvou as malas – além de padrinho e companheirão e maridão da prima-Alice, é fotógrafo! Ele que fez as fotos da montagem dos 4 meses e muitas outras lindonas de Luqui-luqui. Passem lá no site dele pra ver Luquinhas todo trabalhado no brilho modelo!

Ah, ele pediu pra avisar que faz ensaios kids, festinhas, reuniões, comemorações... Se citar que conheceu ele pelo meu blog, ainda ganha descontinho!

***

Então é isso, povo. Muitos chorinhos, aviões, palpites e fotos depois, estamos de volta!
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Eu podia estar matanu

eu podia estar robanu, eu podia estar viajanu pro Rio... mas estou aqui humildemente pedinu mais uma meia dúzia de comentários de força, porque né. Meu vôo foi cancelado e eu me lembrei de tudo, menAs de ligar pra cia aérea antes de sair de casa.

Daí tamos no aeroporto eu, mala, carrinho, bebê-conforto e Luquinhas, esse menino fofo e todo embonecado e perfumado pra conhecer a família, quando nos avisam: "Rio de Janeiro? Ah foi cancelado, vôo pra lá só amanhã e tem fila de espera".

Putamerda.

Peguei o bochechudo no colo pra dar o tom do drama, belisquei pra ele chorar bem alto, fiz cara de mãe gatinho do Shrek e falei "poxa moço, mas eu preciso ir hoje, num arruma um lugarzinho pra gente, não? Hein?"

Ele, compadecido, me passou na frente na fila de muitas pessoas revoltadas que calmamente aguardavam sua vez pra resolver o pobrema e, mágica!, arrumou-se uma passagem. Pra hoje!

Então tô indo, atrasada, mas vou!

Agradeço pensamentos positivos de não-choro no vôo no horário mais péssimo possível pro Lucas. Mas vambora, a maternidade e a Aerolineas Argentinas são realmente cheias de surpresas!


nota: gente, cês acham mesmo que eu BELISQUEI o meu filho? Claro que não, né? Fiz um draminha pro moço do check in, enquanto Lucas esteve plácido e sorridente no carrinho, nada mais. Isso posto, agora vou de verdade! beju nas criança!

Nota mental

- não esquecer de por tudo na mala!



então é isso, meninãs! tô indo pro Rio, nos vemos na volta!

beijoquita

Sobre creche

Gentes lindas do meu corazón!

Tudo bem com vocês?

Tô meio forinha da blogosfera ultimamente, perdón. É que teve o causo do sono do Luqui-luqui e, depois que eu joguei a toalha, teve o causo da creche.

Pois é gentem, creche. Dor aguda no meu coração materno. Mas decidimos mesmo pela creche e não babá, mesmo com as doencinhas e o risco de contaminação de leite (oi, APLV!). Creio que, das decisões que já tive que tomar nessa maternidade, essa é uma das mais complexas e subjetivas: tenho certeza que todo mundo terá argumentos contra e a favor – eu mesma os tenho!

O esquema aqui será assim: eu volto a trabalhar no começo de novembro, quando Lucas terá 6 meses. Tirei essa licença bem longa porque queria manter a amamentação exclusiva (me custou 3 meses sem ganhar NADICA DE NADA e viver contando moedinha). Não tenho como deixar de trabalhar, visto que meu salário é responsável por 70% das nossas contas. E, olha, sinceramente? Eu gosto de trabalhar, não me vejo como mãe em casa. Não tenho talento, não gosto. Preciso sair, ver outras pessoas, ter reuniões, cafézinho com os culega, papo de corredor. Esse tempo em casa tem sido primordial, mas acho que tá bom.

Mas, voltando: começo de novembro volto à labuta. Das creches que eu gostei, nenhuminha tinha vaga pra esse mês, só pro meio de dezembro, quando o ano letivo acaba (e começam os esquemas de férias). Fiquei preocupadíssima e passamos um tempo queimando neurônios pensando no que fazer nesse mês e meio que eu estarei trabalhando e Luquitchous sem creche pra ir. Daí decidimos pedir pra nossa empregada ajudar, estendemos o horário dela (e o salário também, lógeco) e definimos que, durante este período, a prioridade dela será o bebê. Se der, ela faz as coisas em casa.

Eu sei que é bem capaz dela acabar não arrumando nada em casa, mas já estamos nos preparando pra atuar mais nas tarefas do lar, assim isso aqui não vira um pardieiro. E também, acho que será bom pra Luqui e eu, já que manteremos a amamentação mais um pouco. Eu trabalho a 3 quadras de casa e posso vir das as peitchas em quase todos os horários dele (pelo meus cálculos, ficaria só um de fora, daí ele toma LM na mamadeira mesmo, tudo certo). Além do fato deu estar perto e poder ficar controlando a situação Lucas-empregada. Também acompanharei a introdução das primeiras comidinhas, o que é ótimo. E por último, poderemos fazer uma adaptação bem gradual, quando chegarmos em dezembro, no momento da creche, com sorte ele já estará mais habituado à minha ausência, à mamadeirinha, às comidas, aos cuidados alheios etc.

Claro que passou pela nossa cabeça não botar em creche coisa nenhuma e manter o esqueminha dele em casa e eu tão perto, mesmo trabalhando. Sei que um bebê tão novinho não precisa de proposta pedagógica, nem conviver com outras crianças. Mas meus motivos pela creche são pessoais e intransferíveis, nem tá aberto a discussão isso. Basicamente, só pra matar uma possível curiosidade de vocês: EU NÃO CONFIO E NÃO GOSTO. Não curto ter gente em casa, odeio ter empregada (mas claro que adoro não ter que faxinar a casa), me sinto totalmente invadida, não sei lidar. Além disso, não acho que a mais linda e bela babá terá tanta estrutura quanto a creche super legal que eu escolhi. Sabe quando seu coração implora pra não fazer algo? Então, o meu implora pra não deixar o pequeno em casa com babá. E pronto, é isso.

Ah e sobre a escolha da creche: já está feita. Eu visitei 457 locais, fiz 93228 perguntas, acessei 203872 sites diferentes, pedi opiniões pras momis daqui, peguei referências, discuti o tema com Maridón à exaustão. Escolhi finalistas e ele visitou comigo, deu sua opinião. Deixamos o coração falar, ajustamos o orçamento (é logéco que a creche é mais cara que o curso de pós-graduação que eu tava pesquisando pra mim), decidimos. Dos pontos positivos que vimos na nossa escolhida, estão: ultra higiene (não pode entrar na sala dos bebês, só as cuidadoras e com pantufas especiais), planos de segurança e evacuação muito bem definidos, proposta pedagógica de muita brincadeira, muito chão (por isso precisa estar limpinho), muito contato, câmeras em todas as salas que podem ser acessadas pelos pais via internet. E, o mais importante: sentimos que aquele era o local. Imaginamos nosso filho bem feliz ali.

Hoje tô indo lá fazer a matrícula e tô toda TEMÇA, parece que EU vou voltar a frequentar o colégio, ai bobeira. Não canso de imaginar meu pitico todo importante indo pra creche! Já fiquei pensando em mochilinha, materiais, agenda com os comentários sobre o dia dele, chega tô ansiosinha pra começar logo!

Mas aí lembro que isso tudo vai acontecer sem eu estar por perto, então relaxo e me lembro que ele é tão lindinho e pequeno e cabe no meu colo, daí aproveito pra curtir o tempo que nos resta tão grudadinhos.
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Quem disse?

que a continuação nunca supera a obra original?
hein? hein?

quer um exemplo?

então vai lá no MMqD e assista Mari, Lu, e eu pagando ainda mais mico relembrando a nossa infância 80's!

Sijoga!


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