Lucas em: o sono, a pediatra e as mãos

Segundo Maridón, eu mudo de idéia a cada meia hora, então olha eu comprovando o que ele falou e afirmando: desisti brevemente do “treinamento” do sono pro Luqui.

Ah, que saco essa porra, viu. Não desisti completamente, ainda vou tentando aqui e acolá, mas nos meus tempos e termos, sem livros de referência ou comparações com os outros bebês. Vamos vendo o que acontece.

Mas fato é que o bichinho ficou tão choroso que todo o esforço de manter uma rotina se perdeu. Então, além de não dormir, ele não mamava mais direito, não brincava, não sorria... só gritava nos meus ouvidos. Não tenho talento, gentes. #mãedemerda, pronto, assumi.


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Em outras notícias: mudamos de pediatra (sim, de novo). Eu tava feliz com a anterior, mas era particular e minhas finanças não estavam mais aguentando esse gasto. Pedi indicações e agora estamos numa que é coberta pelo plano. Foi uma mudança tranquila, a nova médica é também muito legal, apóia a amamentação e tivemos uma primeira consulta que durou DUAS horas. Tá muito bonito pra um médico de plano, não? Ela ouviu todas as nossas chorumelas, deu e-mail, celular e tudo mais.

Pesou e mediu Luqui-luqui, esse rapaz bochechudo. Que agora tem 61cm e 6,5kg. Achei super bom pra idade (meio baixinho, mas ok), ainda mais que é um baby alérgico, em teoria não ganharia tanto peso assim. Mas engorda numa boa e gosta de mamar e estamos muito bem com isso, obrigada.

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Apesar da luta pelo sono, Lucas é uma criança divertida. Quando consegue dormir bem, é muito risonho, simpático, curioso. Tá viciado na própria mão, descobriu recentemente que ela existe e, pasmem!, ele mesmo pode controlar. Daí olha olha olha, abre e fecha dedos, enfia a mão na boca (isso quando acerta a boca, hohohoh). Está quase entendendo que pode pegar os objetos, mas enquanto não domina essa arte, vai socando as coisas.

Às vezes, fica putíssimo com a girafinha, a amiga que mora no carrinho. Não sei o que acontece, ele ri pra ela e de repente começa a gritar, acho que ela se comporta muito mal e não faz o que Lucas quer. Aí eu pergunto o que houve e ele grita pra mim – que horror deve ser não dominar linguagem nenhuma –, eu não entendo picas. Daí mostro a girafa de novo, digo que ela é legal, ele se convence e volta a brincar (e brigar também).

Eu acho isso tudo muito divertido, me acabo de rir e tirar fotos e achar que ele é um gênio da ciência quando faz coisinhas novas. Cada avanço desses vai afastando meu filho da amebinha come-dorme-faz cocô que era e o aproxima cada vez mais de uma pessoinha. E é muito legal poder assistir isso, incentivar, fotografar, participar, amar.

Falando em fotos, óia ele e as aventuras manuais:

ó, que lindas mãos que eu tenho
muito linda mesmo, mas...
será que consigo dar uma provadinha?
ahm, agora sim!
pode duas ao mesmo tempo?
:D

Quem nunca?, parte 2 (a foto)

lembram desse post?

Então, eu tinha feito a foto do filho chorando, mas não tinha ficado assim uma coisa linda da fotografia.
Daí a alma presepeira baixou nimim de novo e lá fui eu zoar meu filhinho que tava chorandinho.

Diz aí se não é a coisa mais amassável, raptável e chorável que vocês já viram:


Quero arrancar um pedacinho e comer com batatinhas.
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Consultando as universitárias, mais um feedback

Então gentes, mais um feedback de enxoval pra gente sidivertirmos: agora sobre as pequenezas (quer ver a parte 1, sobre o quarto? Clica aqui).

Como eu já sabia, tem muita coisa do enxoval que a gente só vai saber se gosta ou se usa muito vivendo a coisa na prática. Eu sabia que ia errar e, pimba!, errei em várias coisas! Vou deixar abaixo a minha opinião sobre os itens, lembrando que:

- Lucas nasceu no inverno
- Lucas nasceu um pouquinho antes do tempo, não era um baby grande
- Minha casa tem calefação, então, embora no inverno, aqui dentro faz 25 graus, no matter what.
- Eu moro longe da família e da maioria dos amigos, então não ganhei tanta coisa de presente, nem tive um chá de bebê gigante.

Vambora sijogar comigo? Vou dividir em catigurias pra facilitar a nossa vida (e poupar a paciência da leitora que veio procurar uma info específica):

Banho


Banheira: ganhei da sogra uma simples que vem com uma espécie de cadeirinha dentro, pra dar mais segurança e apoio. Como fui com ela escolher, optei por não comprar uma dessas com base/trocador, tinha impressão que seria um elefante branco na minha casa, fora que queria dar o banho em cima da cômoda dele, dentro do quarto mesmo (o banheiro acaba ficando mais frio que o resto da casa). Nos primeiros banhos, usei a tal cadeirinha e o baby ficava histérico. Com o passar dos dias, peguei mais segurança e tirei aquele treco, agora seguro no braço mesmo e ele fica muito mais feliz, acho que se sente mais seguro. Gostei da compra, mas...

Balde: esse é o máximo. Comprei um genérico mesmo, só cuidei pra que fosse um genérico bom, sem saliências ou partes que machucariam o baby. A idéia era dar banho de balde à noite, pra relaxar antes de dormir. Da primeira vez que fizemos, não rolou. O bebê chorou, ficou nervoso, um pouco histérico. Mas, já na segunda, pegamos o jeito e foi só alegria. Lucas já fez altos cocôs dentro do balde (obviamente eu tiro na mesma hora e troco a água) e já chegou a dormir durante um banho. Isso estaria lindo se não tivéssemos descoberto o banho de chuveiro. Esse mesmo, o bom e velho chuveirão de casa. Esse que não custou nada no enxoval. Esse que entra a família toda. Esse que Lucas AMA. Mas ama do verbo AMAMUITOEPODEVIVERAVIDAALI. Não sei quando começamos essa modalidade de banho, mas sei que é a emossaum do dia do meu filhotinho. A gente faz assim: eu dou banho de banheira ou balde no horário bem quente do dia (12h, quase sempre), aí lavo direito, tiro as cracas etc. De noite, quando o pai chega, leva ele pro chuveiro e canta várias sequências de “O Sapo Não Lava o Pé” (o hit do banho). Aí depois de muitos loopings dessa música, passamos um sabonetinho nas partes críticas e eu entro no chuveiro, pra dar o peito. Acreditem, meninas, é a melhor mamada do dia! Ele mama tranquilão, corpinho debaixo d’água e todo aconchegado no meu colo.

Toalhas: ganhei uma com revestimento de fralda e achei que só usaria essa no começo, mas a verdade é que todas as outras que tenho também servem, nenhuma chegou a machucar a pele dele. Tenho 6 e curto ter essa quantidade, já que Lucas relaxa muito em seus banhos e sempre acaba “premiando” a toalha com xixi ou cocô (ou ambos). Já teve dia de ter uma toalha em uso e todas as outras lavando.

Termômetro de banheira: todo mundo disse que era inútil, mas eu amo e uso sempre. Ganhei depois que o baby já tinha nascido e foi aí que ele finalmente parou de chorar no banho, eu errava demais a temperatura (pra muito quente e pra muito frio). Como ganhei e acho que é um ítem baratinho, recomendo a compra pras mães mais sem noção (tipos eu).

Brinquedinhos pro banho: ganhei, mas ainda não usei, Lucas recém começou a interagir com algo além dele mesmo, falta testar. Veremos.

Produtinhos: ganhei da Ju um kit com várias coisinhas, da Natura, linha Mamãe-Bebê. AMO o cheiro desses trecos, dá vontade de usar nimim. Lucas usou o sabonete e ainda usa o shampoo (pra qual cabelo? – vocês se perguntam –, mas dane-se, eu uso e lavo diariamente os 7 fios que ele tem na cabeça). Fora isso, também uso o óleo pra fazer massagens (principalmente barriguinha e pés) e o perfume, jogo umas gotinhas na roupa, pra dar o toque final. Adoro e felizmente não deu alergia nele. O sabonetinho acabou e comprei um qualquer da J&J que tá cumprindo sua função, mas nem de longe tem o charme da linha da Natura.


Troca de fraldas e higiene

Fraldas: No primeiro mês, Lucas usou tamanho RN, tanto da Pampers, quanto da Huggies (no Brasil chama Turma da Mônica, né?). Homem grande e bochechudo que é, já passou pelo tamanho P e agora já está no M e ficamos com a Pampers. Acho o material dela mais suave e quase não vaza (e se vazou, certeza que foi porque colocamos frouxa ou porque o cocô era explosivo demais). Apesar Huggies ser campeã aqui na Argentina, não foi a preferida na minha casa. Ainda não me empolguei de testar as marcas mais baratas do mercado, mas farei em breve.

Lenços umedecidos: até pouco tempo atrás, não tinha uma marca preferida porque, na verdade, nem usava muito. Comprei um de cada marca que vi vendendo (Huggies, J&J, Pampers e genéricas) e comecei a usar em casa, mas percebi que o bebê tava ficando assadinho, então voltei pro bom e velho algodão com água. Na semana passada, mais ou menos, cansei dessa de algodão e voltei pros lenços. Daí achei a Pampers a melhor marca (e a pior, de longe, a J&J), mesma coisa da fralda: parece um tecidinho e o molhadinho me parece na medida certa.

Aspirador Nasal: uso e muito. Tenho um da Chicco e quero comprar outro, acho o bico duro e grande demais pro narizinho do Lucas. Mas, mesmo assim, é o que resolve os insistentes catarrinhos dele. Só que é aquilo: arranca partes do cérebro da criança, hohoho. Tem que ter sangue frio pra usar.

Nebulizador: não ia comprar, mas muitas meninas indicaram nos posts do enxoval e Maridón garantiu que, se Lucas não usasse, ele mesmo usaria (ele tem sinusite). Então compramos um pra crianças e adultos e foi tuuudo. Em crise, Lucas usou todos os dias, é ótimo – só que o pai é que tem que fazer, com a mamãe, ele chora até perder o ar.

Termômetro: não é da categoria troca de fraldas e higiene, mas já que estamos falando de catarrinhos, ficou aqui mesmo. Tenho um que ganhamos de presente, digital. Ele funciona bem, o chato é ficar segurando o braço da criança até o treco medir a temperatura (o que aconteceria também com o termômetro normal de mercúrio). Já ouvi falar de uns termômetros auriculares, mas nunca vi pra vender. Será que é a boa?

Tesourinha: tenho duas que ganhamos. Uso as duas e não tenho muitos sofrimentos pra cortar as unhas do baby não (tampouco prática, fica tudo torto, mas who cares?).

Lixa de unha: quando voltamos da maternidade, a orientação era diminuir as unhas com isso, a mãozinha dele era muy pitica, tinha o risco de machuca-lo (duh, ainda tem). Tentei usar, mas a verdade é que não funcionou nada (talvez pelo meu excesso de habilidade). Sabe o que eu fiz? Só vou contar porque essa frase está escondida num sub-tópico de um post enorme: roí as unhas dele. Prático, rápido, indolor. Limpinho? Não sei. Mas vem cá: maternidade é limpa, por acaso? Ah tá.

Cortador de unha: usei uma vez e tive a impressão de que ia arrancar o dedo inteiro dele fora. Não dá, pelo menos não por equanto. Quem sabe quando ele for mais velho e eu parar de roer as unhas dele?


Roupinhas, paninhos e demais inhos combinandinhos

Coisas de lã: o-d-e-i-o. Perdão colegagem que nos presenteou com lã, mas não dá. Apesar do frio que faz por essas bandas hermanas, acho lã uó, mil furinhos, ruim de vestir, ruim de lavar (lavar a seco, secar à sombra, passar a frio? Tô foraça). E nem acho bonito, ainda por cima. Usamos algumas peças só porque foram ganhadas, mas super não recomendo.

Sapatinhos: não precisa, mas a gente ama, né? Tem coisa mais fofis que um bebezico todo modernoso de All Starzinho? Adoro. Ganhei alguns de lã, mas releia acima pra vc entender porque só ornaram a gaveta e não os pés do meu filho.

Conjunto pagão: tijuro que ainda não sei que merda é essa. Acho que é aquele conjunto de calça e camiseta que amarra, certo? Bem, ganhei um desses. Não usei, porque colocar coisas amarradinhas no Lucas é o mesmo que não colocar, ele se solta e se desamarra e se desarruma em três tempos. Também não achei nada prático.

Babador: temos alguns, com o objetivo de segurar aquele leite que volta depois dele mamar e não cagar a roupa toda. Usei algumas vezes, mas quem se lembra de pendurar isso no pescoço da criança quando ela tá berrando de fome? Ou na madrugada boladona? Não rolou. Mas tão lá, de repente servem pra fase das comidinhas, não?

Luvas: HAHAHAHAHA. Ainda bem que só tenho um par. Serviu pra nada, Lucas odeia coisas nas mãos, nem cobertor ele deixa, prefere ficar com a mão congelando do que ter algo que o impeça de explorar o mundo manualmente. E isso não é de agora, é desde que nasceu.

Saco de dormir: no plano da idéia tinha todo sentido, mas na prática, não serviu. Seria só mais uma coisa pra ele regurgitar/cagar em cima. Se tá muito frio, eu aumento a calefação, enrolo tipo charutinho ou ponho uma cobertinha nele (não que ele deixe o treco quieto muito tempo, mas ok).

Roupinha com pé: são lindas, mas duram pouco – essas crianças crescem rápido demais e logo não entram mais nas roupitchas. É bom ter se teu filho não aceita meias. O meu aceitou e usa ambos: meia e roupas com pé. Até porque, ganhou várias lindas da madrinha dele, então não fiquei tão chateada de ver as roupas com pé se perdendo na velocidade da luz.

Toucas: só uso pra sair na rua, mas Lucão cabeção já perdeu várias, visto que seu cabeção é muito grandão (e também porque tenho que sedar o garoto pra vestir isso nele, caso contrário, é berreiro certo – o que me leva a crer que ele nasceu no lugar errado, temos que ir morar na Bahia, sol e verão o ano todo, sem essa porra de mil vestimentas enchendo o mini-saco do meu filho)

Bodies e macacões: olha, no meu próximo enxoval, só vou comprar isso. É loosho, é vida, é luz, é sedução, é paixão. Não tem coisa mais prática, linda, fofa, bebezística. Veste bem, veste rápido, lava e passa facinho, dá pra comprar mil combinações e rendem mais tempo. Eu comprei vários e ganhei outros milhões (madrinha de Lucas trouxe muitos fofoléticos de NY e ele só anda todo lindo e apertável).

Cueiros: pra quem não sabia o que era, eu até que tenho vários e uso bastante. É coringão do enxoval, principalmente pro meu filhote nascido no inverno. Serviu pra charutinho, pra cobrir locais onde ele ia ficar, pra substituir edredom/cobertor... muitas utilidades, recomendo.

Fraldas de pano: LOVE. Quanto mais, melhor. Como são mais feinhas e descartáveis que o cueiro, limpam qualquer coisa: um xixi fora do lugar, uma baba, uma regurgitada, uma meleca ou qualquer outra coisa delicinha produzida por esses ternos bebês. Tenho fraldas comuns e fraldas de boca, todas muuuito usadas. Devo ter umas 30, mas teria mais sem pena.

Conjuntos de lençol: tenho uns 5 ou 6, mas, rá, Lucas mal dorme nos berços. Tô tentando remediar isso, mas a verdade é que os lençóis ainda não tiveram muito uso... De qualquer forma, pra quem usa berço: é bom trocar uma ou duas vezes por semana, né? Daí ter 3 ou 4 conjuntos fica ótimo. Ah, dizem que existe lençol pra carrinho, mas acho inútil. Mantendo o carrinho limpo e um bom cueiro, já tá muito bom.


UFA. Acho que tá bom por hoje! Mas não gritem! Continua na semana que vem com acessórios pra amamentação e itens de passeio!
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Lucas 1 x 0 Sono

oi gente!


só pra dizer que minha mãe tá ACHANU que eu vou curtir ficar dormindo nesse tal de berço, deixa ela. Eu, que só tenho 3 meses mas não nasci ontem, mudei de tática: em vez de chorar, agora eu fico rindo tudo, daí ela presta atenção em mim e esquece essa bobagem de sonecas e dormir mais horinhas durante a noite. Outro dia, ela percebeu a minha armação e parou de me olhar. Daí eu tossi duas vezes, bem falsamente. Ela olhou e eu ri de novo.


Não é genial?


e quem resiste?

Volver

hoje comemoro 3 anos de Buenos Aires. E essa cidade incrível me deu o mais maravilhoso presente da vida: o Lucas.

Celebro com um dos textos mais sinceros e profundos que já escrevi, publicado aqui mesmo, no aniversário do ano passado:


Esta semana, comemorei dois anos de vidinha em Buenos Aires.
Comemorei sim. Não simplesmente “fiz” ou “completei”, porque morar em outro país é uma experiência única, pessoal, intransferível e incomparável. Que deve ser celebrada.


Pra mim, é óbvio agora que eu não poderia passar por essa vida sem a experiência de morar fora do Brasil. Como não posso passar sem filhos, sem viajar pra Ásia, sem comprar um carro (juro que nunca tive carro comprado com meu dinheirinho!), entre outros must haves e must dos da (minha) vida.


Eu queria muito escrever um puta post sobre Buenos Aires e nossos dois anos de relacionamento, o lado bom, o lado ruim. Queria contar pra vocês como foi que vim parar aqui. Como eu acho que Buenos Aires é só minha, foi feita sob medida pra mim e mais ninguém. Que quando chega uma visita é algo que invade tão profundamente a minha realidade que eu demoro dias pra voltar ao normal. Que quando vou ao Brasil, quero voltar loucamente e não quero voltar nunca mais. Mas voltar pra onde? Se a minha sensação é de estar sempre indo?


Buenos Aires me deu e me tirou a maior alegria da minha vida. Aqui fui profundamente feliz e profundamente triste. Já não sei mais o que fazer com tanto sentimento. Que, pra mim, inunda as ruas, avança sobre os prédios bonitos, está pelas ruas de Palermo que eu amo, nos doces de leite viciantes, nos vinhos que me embriagam, nos alfajores que eu nem gosto.


Ainda não sei o que fazer com tanta coisa. Nem com Buenos Aires, nem com a vida, que insiste em continuar. E eu, no meio disso tudo e quase que sem perceber, fico pensando em voltar. No tempo. Pra casa. Pra mim.


Mas, como quase sempre faço, apenas deixo o pensamento voar, escolho uma música que me acompanhe e sigo em frente.



Pero el viajero que huye
Tarde o temprano detiene su andar
Y aunque el olvido, que todo destruye,
Haya matado mi vieja ilusión,
Guardo escondida una esperanza humilde
Que es toda la fortuna de mi corazón.


originalmente publicado aqui.


8
Obrigada, Buenos Aires. Pelos 3 anos de convivência, pelo carinho, pelo amor. Um amor argentino de 3 meses que me transborda o corazón e me enche de alegria. Ai ai.
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Até logo

#todasgrita: oh não, ela vai acabar com o blog!

Não, gatinhas e gatinhos, não não. Só vou ali e já volto.

A coisa é assim: preciso de férias. Da internet, sabem. A coisa aqui vicia e não estou com tempo. Tô tentando ensinar o filhote a dormir e, embora tentadíssima a vir aqui todos os dias falar sobre as minhas depressões impressões, notei que ele precisa de muita atenção agora. Tô vendo esse momento como um investimento a longo prazo, sabe? Vou focar no grande problema dele - o sono - e, depois, se deus e os astros quiserem, eu volto com a rotina mais ajustada, com um baby que saiba dormir direito e não precise da mommy ao lado a cada 10 minutos.

Além disso, tava ficando frustrada porque parece que o bebê de todo mundo sabe dormir, menos o meu. Todo mundo postando lindos horários e rotinas e táticas que deram certo e eu colecionando histórias de erro. Pohan. Cabando com a auto-estima da mãe aqui.

Então resolvi focar, olhar pra dentro de mim, seguir meus instintos e educar meu filho. Porque até dormir precisa ser ensinado, não?

Me coloquei uma meta e, no final dela, tem um prêmio: a viagem ao Rio. Então pensei assim: fico duas semanetes concentrada, viajo e volto renovada e cheia do post e da novidade, o que acham? Tomara que eu consiga fazer tudo dar certo!

***

Não se preocupem que deixei uns posts programados: o meu relato de amamentação (ufa, que demooora pra publicar isso!), um post grandão sobre enxoval (que eu passei dois meses escrevendo, olha que louca) e a parte 2 do vídeo baphônico do Minha Mãe Que Disse. Confessa aí que, se eu não tivesse avisando, cês nem iam notar que eu fui-me?

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Mas agora é sério: fui-me!
Beijo nas criança!
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Rapidex

só pra dizer que tenho mil coisas pra contar e comentar, mas essa semana vai ficar meio dificEO.

Ai, é que errei uma coisa na dieta e Lucas reagiu, daí ontem foi um martírio, chororô non-stop, Lucas gritando de um lado, eu gritando do outro (sim, às vezes eu grito. sim, morro de culpa), empregada vindo no quarto a cada cinco minutos saber o que tava rolando (e eu querendo matá-la, porra, caralho, me deixa com meu filho), marido fazendo tudo pra ajudar, cachorros latindo, madrugada com escândalo... ai. É muito ruim voltar a isso, principalmente depois que vimos uma melhora linda do bebê, muitos avanços e gracinhas novas.

Mas, faz parte.

Já acertei o erro na dieta. Luqui-luqui ainda está chatinho, mas já melhorando (espero!).

Assim que der, quero voltar pra contar das coisinhas novas que Lucas tá fazendo, da cadeirinha que eu comprei pra ele (adeus balançar carrinho!), da minha ida ao Brasil (yes! Rio, tô indo!), da meda de viajar sozinha com o bebê, das novas vacinas, da procura por creche (já comecei!), do vídeo baphônico do MMqD (e todo mundo pedindo parte 2, suaslindas). Ufa, muitas coisas!

TorçÃO aí por mim (e pelo Luquitchous) que em breve tudo volta à normalidade!
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Só mais um pouco de pai


é muita fofice, não consigo sozinha, preciso compartilhar com vocês!
não dá vontade de apertar? de morder? de comer ensopadinho com batatas?
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Aos homens da minha vida

que esse cotoquinho de gente continue sendo uma fonte de inspiração, reforçando e relembrando que vocês são os homens mais lindos, cheirosos, simpáticos, inteligentes, agradáveis e amados do mundo!



Feliz Dia dos Pais! Amamos vocês muitão!

um beijo da Carol e uma babadinha do Lucas
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Três meses


(olha como ele tava no mês passado!)


Hoje Luqui-baby completa três meses e a mãe aqui respira aliviada porque teoricamente o mais heavy da bebezice já passou!

Vamos dar uma olhada no que aconteceu nesse último mês? Sijoga comigo:

- O sono continua uma tristeza. Claro que eu sei que grande parte disso é por conta da APLV, mas, o sofrimento da mãe é igual: ele só dorme sendo balançado frenéticamente; no colo ou no carrinho. Como meus braços já não estavam aguentando, agora faço dormir no carrinho mesmo. E não pensem que, uma vez que pegou no sono, ok parar. Não, amiga, não. Tem que balançar all over the fucking time, senão ele acorda. Não é à toa que tô magra que nem um faqui, é papo de empurrar carrinho por 6 horas todos os dias (sim, eu já fiz contas). Ah e só sabe dormir de dia se estiver enrolado tipo charutinho e com uma fraldinha no rosto, pra bloquear o mundo. Assim, ó:


O Retorno da Múmia 
(não gritem: o amarradinho é super frouxo 
e a fraldinha no rosto tem mil furinhos - ele não vai sufocar)

- Descobrimos que ele é APLV, mas ainda estamos em fase de diagnóstico. Fomos a vários médicos e todos são unânimes quanto à alergia, porém tenho que ficar de 4 a 6 semanas em dieta de exclusão pra ver o que rola. Já são duas semanas, melhoras pequenas, mas existentes!

- Recebemos a visita da Sogrona e do afilhado do Maridón e foi ótimo, Lucas deu várias risadinhas fofas pra eles (e muitas outras choradas escandalosas nos ouvidos, heheh).

- Falando em risadinha: Lucas ri cada vez mais, é uma graça! Também tem uma proto-gargalhada, ele faz “he-he”, assim mesmo duas únicas risadinhas juntinhas como quem entende piada atrasada. Fofo.

- Acorda super bem humorado, sacode as perninhas, abre o banguelão e fica falaaaando.

- Aliás, fala fala fala. Os sons vão ganhando alguma complexidade e ele faz biquinho quando fala a letra U, como se quisesse enfatizar que é UUUU.

- Também faz um biquinho lindo pra chorar, eu sempre demoro uns segundinhos pra atendê-lo porque é fofo demais, preciso ficar olhando.

- Além de chorar, este mês ele tomou vacininha, tirou sangue e saiu voando do carrinho. Um aventureiro.

- Tão aventureiro que nem os cabelos suportam tanta emoção: muitos estão caindo e abriu-se uma careca vergonhosa no meio da cabeça.

- Além de cabelos, perdem-se roupas, muitas. Começou a usar roupas que eu achava que não iam caber tãão cedo, inclusive algumas quase perdeu sem mesmo dar uma única usadinha.

- Tudo isso porque está pesando 6 quilos, cheio de dobrinhas e todo trabalhado no leite da mamis aqui.

- Tem mamado por mais tempo, outro dia ficou 15 minutos penduradinho no peito e eu quase chorei de emossaum. Mas foi só esse dia. Normalmente, mama entre 5 e 8 minutos. E não briga mais com o peito, é só amor.

- Só amor ele é também com o pai: se agita todo quando Maridón chega, ri, faz cara de apaixonadinho. O pai é tipos o lado entretenimento do Lucas (a mãe é sobrevivência, néam: comida e sono), eles fazem caretas um pro outro, conversam e cantam músicas. Atualmente duas músicas são o hit aqui em casa: O Sapo Não Lava o Pé, que é exclusiva da hora do banho e a Melô da Bunda Branca, que serve pra hora de passar a pomada no bumbum do bebê, quando da troca de fraldas (inventada pelo pai, letra abaixo):

Bunda branca eu sou, e-ô, e-ô
E ninguém vai me segurar, ah-ah, ah-ah
Minha bundinha de neném
Eu nao escondo de ninguém
É bunda branca sim senhor, e-ô, e-ô
E ninguém vai me segurar, ah-ah, ah-ah
Minha bundinha de neném
E minhas pernocas também
São bunda branca sim senhor, e-ô, e-ô

Posso com esse negózdi inventar músicas complexas? Só o pai dele mesmo, hihihi.

- Por último, este mês aconteceu a coisa mais incrível: me apaixonei pelo meu filho. Claro que já amava, amo desde que vi todo sujinho e amassadinho recém-saído de mim. Mas agora... ai, não sei. Agora ele tem personalidade, tem voz, tem sorriso, tem uma pessoa ali. Uma pessoa fofa, risonha, bangueluda. A gente se olha dentro do olho e se admira longamente, como quem encontra um grande amor. Ele se aninha em mim pra dormir, se abraça no meu peito e parece que tudo está muito bem. Eu converso com ele e ele finge que entende (ah, os homens). Acho que somos felizes. Independente de dietas, sonos (ou faltas de), choros, estresses. No meio da madrugada, quando estamos só os dois nos nutrindo um do outro, parece que não falta mais nada, o mundo está finalmente completo.

E está.



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Ah gentes! Só pra avisar que eu e Luquinhas em cUjunto com Mari, Alice e Lucão, Rô e Noah, Lu e Pimpão (hein?) estamos hoje dando o ar da cara de pau, falta de vergonha na cara graça lá no MMqD. Corrão!
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Sobre o post da Paloma

Então que tava lendo os posts da Paloma (aqui e aqui) e alguns tristes comentários deixados por lá. Uma frase de um deles me chamou a atenção: “muita gente aqui é hipócrita. quero ver qual a mulher aqui que vai querer ter um filho gay. duvido.

Pois bem, senhor troll, encontrou. Na verdade, você encontrou a mulher que vai querer ver seu filho feliz.

Se Lucas for gay: quero que encontre um homem que o ame muito, que o faça feliz, que incentive viagens, que o respeite, que transe muito bem e o leve à loucura, que beije bem, que curta estar em família, mas que saiba estar sozinho com ele e também estar sozinho sem ele. Quero que os dois tenham amigos mil, gays ou não, pretos ou não, mulheres ou não, deficientes ou não, religiosos ou não, estrangeiros ou não, mas sim, todos diferentes, porque NINGUÉM é igual neste mundo e não quero que eles achem que só é legal ser gay. Legal é SER. E ter a liberdade pra isso.

Quero que tomem decisões juntos, que aprendam com o cotidiano, que se casem. Que eu tenha a alegria de levar meu filho ao “altar”, de ver o brilho nos olhos de outro homem ao esperá-lo, ver que alguém o ama e o quer assim como eu (tá bom, menos que eu, heheh). Que tenham filhos, que tenham netos. Que andem de mãos dadas e beijem na boca, com respeito e delicadeza e discrição, como TODO MUNDO DEVERIA FAZER, não só gays.

Não quero: que matem, que roubem, que estuprem, que faltem com o respeito, que não entendam a diferença.

E, da mesma forma, esses são sonhos meus, caso Lucas queira ser um gay solteirão, viver na putaria (se protegendo, hein filho, cuidado com as doenças!), não se amarrar a alguém... ok também. Eu estarei feliz sempre que meu filho estiver.

O que me preocupa disso tudo foi o que me incentivou a escrever o post, aliás: o preconceito. A falta de informação. A intolerância. Que sei que Lucas sofrerá caso decida sair um pouquinho que seja do padrão abestalhado pré-estabelecido.

Mas, como mãe, estou aqui para apoiar, dar colo, dar as mãos, sacodir a poeira, levantar e seguir em frente, junto.

***

Lucas, quero que você leia isso um dia: você nasceu na Argentina e, aqui, o casamento homossexual é permitido por lei, os direitos são iguais aos de um casamento heterossexual.

Quando essa lei foi aprovada, eu já estava grávida (desculpe, agora não lembro se era de você ou do irmãozinho que mora com a vovó e com a titia lá no céu). Mas bem, não importa. Lembro bem de ver a notícia na TV de manhã, antes de sair pra trabalhar. E lembro de chorar. De alegria por estar aqui, de estar grávida neste lugar, onde um primeiro passo foi dado rumo à tão sonhada igualdade. Fiquei feliz por você, pois você terá o direito de casar com quem quiser no país que nasceu. Fui chorando até chegar no trabalho, tamanha era a minha felicidade.

Não era só alegria. Era ORGULHO.

(Orgulho hétero é o caraleo, que lei mais imbecil, hein? Que vergonha!)

Desafio pouco é bobagi

Vida de mãe não é fácil, cês bem sabem, né.

Pois bem. Outro dia, fui levar cocôzinho do neném no laboratório, pra fazer exames. Pela estrada afora, eu fui bem calminha, levar essa merdinha para a mocinha. Cantarolante e tranquila, entrego o pote de maravilhas pra moça da recepção e a requisição médica. Ni qui ela me avisa “senhora (agora que eu tenho um filho virei senhora, envelheci 20 anos, você também?), essa requisição é pra exame de sangue, tá? Leva ali o filho ali na salinha pra colherem a amostra”.

“Recolher amostra”, rá. Esse pessoal deve fazer curso de eufemismos, só pode. Porque eu fui encaminhada foi pra sala de torturas, onde iriam segurar meu filho, tirar sangue dele, faze-lo chorar pacas, tem nada de recolher amostra naquillo não.

Pior que a porta da salinha já estava aberta quando fui encaminhada, nem deu tempo de ligar pra ninguém, nem tuitar, nem escrever um post, nem sair correndo. Fui, né. Me enchi de psicologia de botequim: “você é a adulta, seja forte” ou melhor ainda “ele vai esquecer disso tudo”.

Na salinha, tinha um homem grande e uma senhorinha que parecia ser experiente, tinha cara que sabia o que tava fazendo. Porém, os dois marmanjos armaram logo uma cara de aflição ao ver o tamanho do torturado. Lucas, que é pequeno mas não é bobo, sentiu logo o climão e começou a chorar daí. O hômi me explicou como tinha que segurar, pediu pra eu ficar calma (“mas eu tô super calma, moço!”), segurou do outro lado, amarraram o bracinho gordinho querido fofinho maravilhoso do meu filho e a véia trouxe uma agulha tão grande que achei que fosse atravessar o braço da criança. Agulha enfiada, sai saaaaangue pacas (aí a abestalhada aqui pensa “nossa, como tem sangue dentro dessa criança tão pequena!”), Lucas grita como se estivesse sendo torturado (oi, ele tava sendo torturado), enchem uns potinhos e a coisa acaba.

Recebo elogios pela minha calma (brigada gente, eu sou brasileira e não desisto nunca!) e saio dali quase correndo de nervoso, mas ainda em cima do salto da mãe segura.

Do lado de fora mesmo, Lucas ganha peito pra ficar mais felizinho e alimentadinho de amor, eu peço um monte de desculpas e explico pra ele que era necessário o exame e falo mais um monte de psicologia de botequim (tô ótima nisso). Ele faz cara de que entendeu tudinho que eu falei e capota no carrinho.

Ufa, cabou.

***

Cabou nada.

Porque dois dias depois, esse mesmo carrinho que o embalava foi pivô de outro teste de nervos pra essa mãe que vos fala.

Uma explicação rápida: Lucas é chatíssimo pra dormir. Chatíííssimo. Só dorme sendo embalado frenéticamente (eu já cheguei a correr pela casa com ele no colo) ou sendo balançado non-stop no carrinho.

Pois bem.

Daí ele tava sendo balançado no carrinho. Ao mesmo tempo, tentava-se ver TV e, ao mesmo tempo, lanchar (vida de mãe é isso, meu povo, multifunção). Escuta-se um cataploft. Meu coração sai pela boca e marido pega o bebê do chão, apavorado.

Ele caiu do carrinho, minha gente.

Esquecemos burramente de botar o cinto de segurança e, voilá, bebê escorreguento foi dar o ar da graça no chão. Sei que três milésimos de segundo depois da queda, eu estava com ele no meu colo, peito de fora a postos pra consolar e bebê peladinho pra eu checar se tinha algum roxo, fratura, sei lá.

Tadinho. Não foi queda de muito alto, não machucou nada, ele reagiu bem e normalmente a todos os estímulos depois disso.

Mas chorou. Chorou. Foi um puta susto. Eu quis chorar também. Mas a psicologia de botequim me lembrou que eu preciso estar bem pra ele estar bem junto. Então vambora ter presença de espírito pra fazer caretinha pro bebê sorrir. E ele sorriu.

Ufa, cabou.

***

Agora cabou mesmo, juro.

Todo um homem


daqui a cinco minutos, vai tirar a chupeta da boca e vai dizer "empresta aê o carro, mãe". Ou, pra meu eterno desgosto: "che, vieja, prestame el auto"
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Sobre alergia, esforço e amor

Essa semana, chegou a informação que faltava pra eu finalmente escrever este post: confirmamos a alergia do Lucas. Leite e soja, people.

Desde que contei da dieta e das suspeitas, tenho recebido todo tipo de pergunta (e não respondi quase nenhuma), mas acho que chegou a hora. É legal fazer esse registro pra vocês que me perguntaram e se interessaram na minha vida e por mim também, pra eu cruzar informações mais pra frente, se for o caso.

Então, sentá lá Claudia:

- Ah alergia ao leite... minha prima/irmã/cunhada/conhecida/vizinha também teve isso, mas ela comia um poquinho de queijo e não fazia mal não.
Pois é, mas temos que começar entendendo que: Alergia à Proteína do Leite de Vaca é diferente de Intolerância à Lactose. Não vou entrar em detalhes, ninguém merece, mas na intolerância, as pessoas podem consumir quantidades pequenas ou espaçadas de LACTOSE, porém, na alergia, não pode NADA que tenha a PROTEÍNA do leite da vaca. Comer um cisco de queijo perdido na salada é iNgual a comer pizza, tomar achocolatado, nadar no molho branco. Dá merda.

- Mas que tipo de merda pode dar?
No caso do meu filhote, dá MERDA mesmo, he-he. Diarréia, cocô com muco, sangue, muita dor e cólica, dermatite. E, vocês já sabem, ele fica irritadíssimo, dorme mal, está sempre incomodado e choroso. Se dor de barriga já incomoda e deixa qualquer adulto mal humorado, imaginem um piquitico com menos de três meses que ainda nem terminou de entender o que está fazendo nesse mundo? Fora isso, quanto mais eu demorar pra tratar, mais demora pra ir embora.

- Ah, então esse treco vai embora?
Sim, vai. Varia de criança pra criança, mas, de acordo com a gastro que consultamos, por volta de um ano, ano e meio.

- Vocês consultaram gastro, legal. Fizeram muitos exames? Qual exame COMPROVOU a alergia?
Todos e nenhum, hihihi. Na idade do Lucas, o exame pode ser inconclusivo, tipo teste de gravidez de farmácia, sabe? Se é positivo, não tem dúvidas, mas se der negativo, não quer dizer muita coisa. Fizemos exames pra descartar outras suspeitas e esses sim vieram todos negativos. Vamos fazer o específico pra alergia, mas não é o ponto principal pro diagnóstico. Pelo quadro clínico dele, nossa gastro não tem dúvidas.

- Poxa, mas podia ter algo que te desse certeza, né?
É.

- E como trata?
Trata com dieta de exclusão. Como Lucas come através de mim, a premiada fui eu. Devo excluir da minha dieta toda e qualquer comida que tenha proteína do leite ou da soja. Não é tão simples quanto parece, já que descobri que muitas coisas que consumimos normalmente são agraciadas com as proteínas malditas. Quer um exemplo? Coca-cola. Aí você se pergunta: NAONDE que Coca-Cola tem leite? E eu te digo: no corante dela. Corante caramelo tem derivado da proteína do leite. E Coca-Cola tem corante caramelo. Se eu tomo esta porcaria, Lucas reage. Tenderam?

- Ah, caramba, mas assim é dificil fazer dieta. Como você faz pra saber o que pode e o que não pode?
Eu tenho uma lista dos leites “disfarçados”. Corante caramelo, caseína, soro são algumas das palavrinhas que, pra quem sofre dessa alergia, são iNguais a LEITE DO MAL. Daí, quando eu vou ao mercado, levo a minha lista e fico deliciosamente lendo TODOS os rótulos.

- Muito difícil, Carol.
Sim, mas não para por aí. Porque eu descobri uma chateação mais chata ainda, chamada TRAÇOS. Funciona assim, por exemplo: se a empresa que produziu a farinha X também produz alguma coisa enriquecida com leite e, por acaso, compartilha o maquinário pra esses dois alimentos, a minha farinha X, que teoricamente estava isenta de contaminação, foi toda zoada. Possui TRAÇOS DE LEITE. Aí eu, inocentemente, compro essa farinha e faço meu bolo, achando que tô dentro da dieta. NÃO ESTOU. Contaminou meu bolo, o prato do bolo, o garfo, a forma, o liquidificador que eu fiz a massa. E pior: Lucas reage.

- Impossível viver assim!!! Como faz pra mapear TODOS os produtos DO MUNDO?
Não faz, né? Na verdade, até faz: liga pra SAC e pergunta do maquinário, ameaça dizendo que vai ter choque anafilático, substitui por alimentos menos industrializados... por aí vai. E também: usa-se a rede de apoio. Me indicaram uma comunidade no orkut pra APLVs e também faço parte de uma lista de discussão argentina sobre filhos alérgicos. Daí rola muita troca de informação, tem listas de produtos aptos e confiáveis e, acima de tudo, muita ajuda e força pra aturar as dificuldades do processo.

- Que bom, pelo menos isso. Mas e aí come o que?
Neste primeiro momento, em que Lucas está no meio da crise, todo sintomático, eu como de forma muito restrita. Além de leite e derivados e soja, cortei carne vermelha, feijão e lentilha, alho, cítricos, oleagenosas. Tenho comido, basicamente, frutas, verduras, legumes. De industrializado, somente arroz e macarrão (e mesmo assim, as marcas confiáveis, que não tem traços em seus produtos).

- Carol, mas por que esse sofrimento? Dá logo leite de fórmula pra essa criança que tudo estará resolvido mais rápido!
Não é bem assim. Se eu não pensei em fórmula? Lógico que pensei. LÓGICO. Mas, preferi seguir amamentando. Por alguns motivos: primeiro, porque gosto, porque acredito que é o melhor pra ele. Segundo porque, de acordo com o gastro e com o pediatra e com as comunidades das quais participo, uma vez acertada a dieta da mãe, o leite dela é o melhor remédio pra alergia. E terceiro – e menos nobre – porque não posso dar qualquer leite. Nan é leite de vaca, caso não saibam. Tem que dar fórmula especial (altamente hidrolisada, só aminoácido, sem proteína), tipo Neocate. Agora, sabe quanto custa uma latinha de Neocate? 500 pesos. É papo de duzentos real. E ainda fiquei sabendo que tem um gosto MERDA, que muita mãe taca açúcar pro filho aceitar. AÇUCAR, tá gente? Pra criança de três meses, pensem. Mas, ok, segui pesquisando sobre o assunto e vi que meu plano de saúde cobriria a tal fórmula pelo menos até o primeiro ano do bebê (claaaro que depois de muita burocracia). Mas estou firme na amamentação. Ganhei uma lata de Neocate e ok, fica aí pro dia que eu MORRER. He-he, brincadeira, fica aí pro dia que eu mudar de idéia, caso a dieta não dê certo ou algo do tipo.

- Mas Carol, com essa dieta toda, será que seu leite não diminuiu ou secou? De repente, ele tá chorando de fome...
Essa possibilidade me parecia quase impossível, visto que já são quase três meses amamentando e meu peito ainda vaza. Mas foi sugerido tantas vezes que encasquetei e fui tirar um pouco, pra ver qual era. Pois bem. Em cinco minutos de bomba manual, no mesmo peito que eu tinha dado na mamada anterior, eu tirei 100ml. Acho que tenho leite, né?

- Tá, você vai seguir amamentando, mas não tem nenhum remedinho que amenize essa alergia?
Tem não. Tem remédio pra amenizar efeitos muito fortes da alergia (tipo crises respiratórias e tal), mas, pelo que eu entendi, ainda não é o caso do Lucas (e tomara que não seja NUNCA).

- E quanto tempo a dieta leva pra fazer efeito? Ele não deveria estar melhor já?
Cada médico e cada comunidade que eu participo diz uma coisa. Uma vez que a dieta esteja acertada e sem furos, meu leite estaria limpo em: 15 dias, de acordo com a pediatra; 4 dias de acordo com o pessoal do orkut; 3 dias de acordo com a colegagi blogueira; 7 dias, de acordo com a gastro. Já escutei até 40 dias, meu povo. Estou em dieta talibã desde quarta-feira, ou sejE, DOIS DIAS. Falta, até no mais otimista dos casos. A dieta anterior estava com furos, então não conta (lembra que eu falei que, pra alérgicos, é tudo ou nada? Dieta marromeno não funciona). Quando a sintomática do Lucas começar a melhorar, eu vou reinserindo as coisas extras que cortei: alho, cítricos etc. Daí seguirei só com exclusão de leite e soja, vai ser mais tranquilo (hahahahahaha).



Queria agradecer demais pelos montes de comentários no post sobre o lado negro da força. Foi muito bom ver que ninguém atirou pedra, pelo contrário, muitas se identificaram e deram apoio. Recebi muitos emails, ainda não respondi nenhum, o que pretendo fazer amanhã, quando marido ficar um pouco com a cria.

As coisas por aqui ainda estão meio dificeis e eu sinto que tenho que matar um leão por dia pra me manter firme, sabe? Ontem mesmo eu tive uma “recaída” e chorei pacas, fiquei meio inconformada. Mas depois, lembrei do que a gastro nos falou (e também já me falaram no orkut): alergia NÃO É DOENÇA. O conforto do meu filho está nas minhas mãos. É complexo, é chato, exclui socialmente? Sim. Mas não tem hospital, não tem remédio, não tem sofrimento de não saber o que será dele no dia seguinte. Ele ficará bem, só preciso ser forte (e haja força!). E, se eu não conseguir, nada de derrotismo, a lata de leite estará disponível pra quando eu quiser. Sem neura, sem culpa (tá, mentira, vai ter culpa sim, mas eu sei que estou dando o meu melhor, espero que isso amenize).

O que preciso agora é me despedir do filho que eu queria ter e aceitar o que eu tive. Isso é foda, gentes. Não que eu não o ame, longe disso, mas é que a gente sonha com a noite sem acordadas, com uma criança simpática e que dorme nas horas apropriadas pros adultos. Sonha em dizer “ele quase não dá trabalho!” ou “nem parece que tem um bebê em casa!”. Mas tem. Tem um bebê em casa. Que chora, dorme mal, está alérgico, precisa de atenção, carinho, paciência. Não tá nem aí se tem adulto em volta, se tem visita em casa, se o horário não tá apropriado, se a mãe tá com sono, se o pai tá com dor de cabeça.

Mas, é bom lembrar: ele é lindo (cês num acham?), gordinho, bochechudo, adora mamar, curte um carinho, acorda quase sempre sorrindo, ama tomar banho (e a gente toma banho juntinho, os três no chuveiro), come as mãos como quem toma um sorvete de chocolate, dá uns gritos engraçados e ri do próprio pum.



Amorzinho.
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Mãe, be proud


quem me conhece sabe que este meu almoço é obra de deus. Milagre. Coisa rara. Coisa pra fotografar.

Minha mãe, se estivesse nesse mundão, certamente diria:

"bem feito"
ou
"eu te avisei"
ou ainda
"vai chover"
ou mais
"viu que você ia me entender quando tivesse seus filhos?"
ou então
"que orgulho, filha! fotografa isso!"


Então, querida mãe (e demais amigas mães), quero dizer que: já tomei foi porrada nessa vida. Fazer dieta não é, nem foi, nem será, o pior dos mundos. Eu vou comer o que precisar. Eu vou fazer o que precisar. Meu filho vai tomar meu leite até quando a gente conseguir. Não importa o que me custe.

Eu vou conseguir.
Eu sou mãe, porra! E as mães podem tudo!
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O lado negro da força

A pessoa atura uma choradeira interminável há quase três meses. Procura médicos, listas, se informa. Dá colo, muito colo, peito, muito peito. Nina na cadeira de balanço, na rede, andando rápido pela casa, levando pra passear na rua quando nada mais resolve. Atende a todos os desejos da criança, mesmo quando não sabe quais são.

Bota pra dormir junto, exercita a compreensão, não faz mais nada se não for com o bebê, dentro da rotina do bebê, tudo pelo bebê. Esquece que tem marido, que tem amigos, família. Joga tudo fora e vive pra ele, por ele, com ele.

Daí descobre que, puxa, talvez essa crise sem fim tenha nome: alergia. Pela amamentação e pelo bem da criança, decide seguir dando o peito, então entra numa dieta dificil. Notem que essa mesma pessoa nunca tinha conseguido ficar 24 horas sem tomar um refrigerante, não curte frutas, verduras ou legumes e não sabe cozinhar.

Mas, por ele, a pessoa entra numa dieta e corta quase todos os industrializados, carne vermelha, soja. Vai pra cozinha e inventa opções. Embala e amamenta o bebê nos intervalos. Essa pessoa que já tinha jogado fora amigos e família, agora termina de vez com a vida social e a recusa, porque essa vida social com certeza trará contaminação pra dieta tão rigorosa e bem cuidada. Então não se come mais na rua, nunca. Não vai mais à festinha, encontrinho, nada.

Orienta a empregada e os poucos que ainda vêem à sua casa pra que cuidem muito dos novos utensílios e do novo jogo de panelas que comprou. Que lavem muito bem as mãos, que cuidem pra que o veneno – o leite de vaca – não chegue perto da criança de forma alguma. Tudo isso acontece enquanto o bebê chora-mama-chora de novo.

Mas, ele está sofrendo, tadinho. A alergia dá dor, dá perebinha no rosto, sangue no cocô. O bebê nao chora à toa - ela tenta entender.

Ela sente o peso do mundo nas costas. Quando alguém se atreve a perguntar “e aí, tudo bem?”, ela tem vontade de responder NÃO. NÃO ESTÁ TUDO BEM. Só que vem a culpa, a lembrança de que ela sempre quis tudo isso, o fato de amar esse serzinho tão pequeno e indefeso. Então, ela tenta entender. Então: “sim, tudo bem e você?”, ela responde.

Aí chega o dia de hoje.

O bebê chora berrando todas as vezes que precisa ir dormir. Mesmo com tudo que ela fez pra ele ficar bem. Mesmo com a dieta. Mesmo com a paciencia. Colo. Carinho. Peito. Aconchego. Mesmo com tudo isso, ele chora. E grita. E fica rouco.

Um pouco confusa das ideias, ela começa a pensar que isso é manha. Que é ingratidão. Que ele só pode estar de brincadeira. “Por que não dorme, já que está com sono? Por que eu mereço esses gritos? Eu não mereço isso! Que merda, acho que odeio isso tudo”.

E, por fim, ela dá um grito: CHEGA, LUCAS.

Ao se ouvir, percebe que talvez tenha ficado louca. E decide: deixar o bebê no berço, chorando mesmo, pra se acalmar.

Deixa o bebê lá.

Senta na cadeira e escuta. O desespero da criança. Que agora chora de se engasgar.

Passam 10 minutos.

Ela pega ele de volta, ainda nervosa, mas pega antes que ele sufoque.

Ele se acalma. Olha pra ela. E recomeça.

Inacreditável. Essa porra dessa criança está chorando tudo de novo.

É tão inacreditavel que ela bloqueia os ouvidos. Fecha os olhos. Abraça ele bem forte e se lembra, com detalhes: do dia que o teste deu positivo. Do dia que a gravidez foi anunciada. Do dia em que soube que era um menino. Do dia em que ele nasceu.

O bebê – que a essa altura já deveria ter desistido de estar com essa mãe louca e insegura – fecha os olhos inchados de tanto chorar, se acomoda, suspira.

E dorme.

***

Ok, já podem atirar as pedras.
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Tijuro

que é meu filho!


embora não tenha nada a ver comigo... (injustiça da natureza, mas ok, ainda bem que acho o pai dele bunito)
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