Meu filho é um rapazinho sensível. Depois de quase dois meses observando (também né, que outra coisa vou fazer?), notei que, se mexermos na rotininha dele, é escândalo certo. E mexer na rotina significa qualquer mínima alteração: alguém que venha em casa na hora de alguma atividade dele, um atraso no banho, um nariz congestionado, uma cama diferente.
Daí vocês já podem imaginar como foi o jantar de ontem com o Maridón, né? TREVAS.
Antes de ir, dei o peito, fiz dormir na rede, embalei no colinho. Vesti uma roupinha bem quentinha pro frio e ele capotou. Me arrumei toda, maquiei, pus salto (primeira vez deeeeeesde sei lá quando, até tirei foto deumerma no espelho, dessa vez sem barriga e sem filho – cês querem ver?). Bebezico dormia tranquilamente já todo devidamente atado ao bebê-conforto.
Maridón chegou, entramos no carro, Lucas seguiu no mundo dos sonhos. Demos uma parada no meio do caminho, eu tinha que resolver uma coisa super rápida. Os rapazes ficaram no carro, enquanto eu ia, coisa de 5 minutos, máximo. No minuto 3 e meio, recebo a seguinte mensagem no celular “Lucas quer mamar”.
Putamerda. Já vi tudo.
Voltei correndo pro carro e encontro Lucas gritando, mas gritando do verbo BERRAR ATÉ ESTOURAR OS TÍMPANOS DO POBRE PAI ANIVERSARIANTE. Tento dar peito, nada. Ele briga e chora ainda mais. Tento cantar, tento “shhh”, tenho sacudir, tento devolver pro pai, tento mais peito, tento chupeta, tento funchicórea (daí vocês notam que eu já tava desesperada). Decidimos cancelar o programa e voltar pra casa. Mas antes: que tal passear com o bebê no colo no meio da rua mesmo, no frio de 3 graus? Fui. E ele acalmou.
Voltei pro carro, consegui dar 7 minutos de mamá (o que é muito em tempos de briga com o peito, falo disso mais adiante). Ele não dormiu, mas ficou quietinho, então retomamos a idéia de ir pro restaurante.
Até que comemos bem e foi legal sair. Mas, a sensação que eu tinha era de estar jantando às 4 da manhã, tamanho cansaço que eu sentia e medo do baby abrir o berreiro no meio da comida. E falando em baby: seguiu de olhos bem abertos, mas sem dar um pio. Eu já sabia que aquilo era prenúncio da merda, afinal, bebê que não dorme é bebê POSSUÍDO.
Terminamos, voltamos pra casa, jogamos o filho diretamente no banho. Meio fora do horári oe da rotina dele, mas tentamos fingir que não, que tudo estava normal. Lucas entrou na onda do fingimento e fez o esperado: ficou simpático durante o banho, curtiu as musiquinhas cantadas, mamou delícia.
Maaaas, lembra que ele é apegado na rotina? Lembra que ele é bebê, mas não é burro? Pois bem. Acabou de mamar e...? CHORO. AOS BERROS. Gritos de desespero digno de vizinho ligando pro Conselho Tutelar Argentino (que eu não sei como se chama).
Como ele tem mamado pouco, achei que era fome e forcei peito. Ha-ha. Mais gritos. Tá bom, é sono. E toca nóis tentando tudo pra ele pelo menos se acalmar (dormir seria luxo). Ai ai. Ele gritou tanto que chegou uma hora que eu desisti de ser simpática com o aniversariante e pedi pra ele assumir, eu precisava cochilar dez minutos que fosse. Ele assumiu, sei lá como acalmou e Lucas dormiu meio mal, mas dormiu.
Passou a madrugada acordando regularmente, como sempre. Mamou, soltou seus terríveis 3 puns, riu (porque né, quem solta puns terríveis sempre fica rindo), dormiu. Como se nada tivesse acontecido.
***
Isso tudo pra dizer que meu filho está começando a entrar numa rotina, o que é ótimo. Mas não quer sair dela de jeito nenhuuum.
A coisa ainda é meio confusa, mas é assim (começo pela noite, que é mais regular): acorda entre meia-noite e uma da manhã pra mamar. Não chora, não reclama, só mama, troca fralda e dorme de novo. Vai por umas 3 horas e acorda de novo no meio da madrugada, faz a mesma coisa de antes, sem chorar. Daí volta a dormir e o sono é mais leve, ele se contorce de gases, reclama. Se eu não faço nada, ele acorda meio desesperado. Então, eu tiro do berço e ponho na cama comigo, aí já é tipo 6h da matina. Ele dorme bem até mais ou menos a hora do Maridón ir trabalhar, às oito. Daí começa a briga: ele luta com o peito e mama, no máximo, cinco minutos (contados no relógio). Chora. Mama mais um ou dois minutos. Se acalma e relaxa. Levo pra trocar fralda, ele fica na boa. Volto, ofereço mais peito, daí ele se revolta de novo, chora chora chora. Desisto e tento fazer dormir. Aí acontece de tudo: tem dias que dorme numa boa, tem dias que fica me olhando, tem dias que fica chorando. A partir disso, o dia é meio louco, ele mama em horários variadíssimos (sempre os tais 5 minutos), às vezes dorme muito, às vezes não dorme nada. Ao meio-dia, mais ou menos, eu dou um banho mais pra lavar (o banho da noite é só pra relaxar). Depois disso, quase sempre ele mama e dorme melhor. Fora esses dois momentinhos de banho, o bichinho é complexo.
Eu encararia tudo numa boa, se não fosse a briga com o peito. Isso me deixa triste, preocupada, exausta. Conversei sobre a questão com a pediatra e ela disse que é uma junção de coisas: o nariz dele que segue congestionado (e incomoda muito os babies), as cólicas e o fato dele ser realmente muito pitico ainda. Disse que vai passar perto dos três meses, que tudo ficará melhor. E, finalmente, o ganho de peso está excelente, então eu não preciso me preocupar se ele mama 5, 15 ou 25 minutos. Se em 5 ele tá resolvendo, ótimo.
Ah gente, mas sei lá, né? Ontem de tarde ele mamou tão pouco que, depois de uma mamada, tirei leite e dei pra ele na mamadeira. Ele mamou 70ml. Depois me arrependi e chorei e me culpei de dar mamadeira pra uma criança que mama exclusivamente no peito. Não fiz mais e não pretendo fazer, mas fiquei cheia de caraminhola na cabeça.
Liguei pra pediatra, ela me acalmou e se colocou à disposição pra eu ligar quando quiser e, se quiser levá-lo lá antes da consulta dos dois meses, tudo ok também.
Eu não sei o que fazer. Espero? Insisto com o peito? Tiro leite pra dar na mamadeira? Sento e choro? Faço horários mais rígidos pra ele ter uma rotina estruturada durante o dia? Deixo chorando?
Como foi com vocês? Tô perdida...