Muy bien la teta!

ou Lata de Nan é o caralho, meu nome agora é Zé Peitão, porra!




Fomos à pediatra hoje e essa frase do título foi o que ela nos disse, já que as notícias não poderiam ser melhores: Lucas engordou supers só mamando no peito! UUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUHHHHHHHHHH!!

Logo que a médica abriu a porta do consultório, ela falou "nossa! que bochechão que ele tá!". Já comecei a siemocionar daí. Chegou a hora da balança e... felicidade! Engorda de 42g/dia, pega ótima, bebê curtindo as mamadas, mommy aqui feliz da vida.

Sei que essa coisa de ganho de peso é um tanto não-linear e discutível, mas foi importante esse resultado. Pra eu retomar a confiança no processo e seguir em frente, firme e forte.

***

Algumas respostas a comentários:

- muitas mocinhas sugeriram tirar um pouco de leite antes de amamentar, caso o peito esteja muito cheio, pra facilitar a pega. Tenho feito e dá muito certo! Brigada pela dica!

- sobre leituras: andei lendo algumas passagens do Carlos Gonzalez (falta ler a Laura Gutman, ainda não tive tempo!). Fiquei com o coração feliz depois de ler o Dr. Gonzalez. Ainda não li nenhuma obra completa dele, mas já posso dizer que gostei muito, tem muito mais a ver com o que eu acho correto e como pretendo seguir com meu filhote.

- idas ao pediatra: pois é, pelo fato dele ter nascido antes do tempo, tenho que levá-lo em consultas semanais, pelo menos até completar o primeiro mês. Depois seguimos como todo mundo, indo uma vez por mês. Não curto a coisa de pesar sempre, mas pelo menos a pediatra é muito tranquila e nunca falou nada de complementar com Nan ou colocar pra mamar de tantas em tantas horas. Ela orientou livre demanda, falou da importância do colinho e vive dizendo pra eu curtir o momento da amamentação, que isso é mais importante que qualquer técnica em si.

- sobre o meu emagrecimento rápidão: claro que faz bem pro ego, mas eu tenho cuidado pra não emagrecer tanto e ficar fraca, então tenho comido de UM TUDO (e por TUDO, entendam TUDOMESMO, tipo eu tenho muito mais fome e sede do que tinha quando grávida - só pra vocês terem uma noção: eu tomo dois litros d'água em duas ou três mamadas do Lucas, fora os milhares de copos de leite que vou tomando pra me sustentar de noite)



Fora isso, hoje Maridón voltou a trabalhar e, na quarta-feira, Sogrona volta pro Brasil. Embora eu esteja um pouco TEMÇA, tenho total confiança que vou seguir sozinha numa boa. E quero aproveitar o momento pra começar a criar uma rotininha pro Lucas. Nada de horários fixos, mas quero que ele se sinta mais confortável com o que tá acontecendo na vidinha dele. Eu percebi que, quando fazemos algo brusco (tipo trocar horário do banho, mudar a ordem de alguma atividade), ele fica nervoso, não dorme direito etc. Também aceito dicas pra isso, ainda nem sei por onde começar!

No mais, brigada pela força de vocês, tem sido ótima essa troca!
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Duas semanas!!

Luquinhas fez duas semanas há dois dias, mas eu tava tão envolvida com o relato do parto que acabei adiando o post com os detalhes desses últimos tempos. Mas ainda tá valendo!

Nessa última semana:

- Recebemos a visita surpresa da queridona prima-irmã Alice (lembram dela?) e do Maridón dela, o Daniel. Atendi o interfone num dia de manhã e fiquei de queixo caído ao saber que tavam os dois doidjos de mala e cuia na porta do meu prédio! Fiquei tão feliz! Só queridos e amados assim fazem isso: viajar de um país pro outro DE SURPRESA, só pra compartilhar um pouquinho da alegria que estamos sentindo! Eles foram ótimos: tiraram muitas fotos, fizeram vídeos, nos ajudaram com o mercado, com a comida, até se aventuraram na troca de fraldas e cuidados com o pequeno Luqui-baby. Ah! E ainda por cima trouxeram todo um enxoval de roupinhas M e G, trazidos diretamente da última viagem deles a NY! Amamos!



- Fomos ao pediatra pra segunda consulta de acompanhamento e tudo ok com o baby. Uma coisa me preocupou: o ganho de peso dele. Na primeira consulta estava bombante, com parabéns pelas tetas e tal, mas caiu muito nessa segunda semana (ficou em 24g/dia, humpf). Eu já estava notando que Lucas tava pegando meio erradinho no seio, não abria muito o lábio inferior na hora de abocanhar. E que talvez por isso, estivesse mamando menos, sei lá. Procurei infos na internet e só fiquei mais desesperada, pois tentava corrigir e o deixava estressado – ele algumas vezes até desistia da mamada no meio e trancava a boquinha. Conversei com a Pat no msn (salvadora, pra variar – obrigada querida!) e ela me acalmou bastante. Aos poucos, estou corrigindo. Mas, sem neuras: tanto a pediatra como a Patrícia me ajudaram a ver que preciso aproveitar esse momento e ir ensinando ele aos poucos. O foda é ensinar algo que nem eu sei direito... confesso que ainda me pego preocupada com a próxima consulta, com um certo medo da balança. De qualquer forma, já consegui que ele abra a boca toda pra abocanhar e, aos poucos, vou enfiando mais mamilo goela abaixo na criança (ele abre a boca toda, mas não abre muito, entendem? Faz a “boca-peixinho”, mas muito timidamente ainda).

- Com essa neura da amamentação, passei uns dias muito estressantes. Choreeeei, me questionei se amamentar é a minha mesmo, tive pena do meu filho, quis desistir e comprar logo um latão de NAN. Mas entendi que isso é neura da minha mente, ninguém falou em dar leite de fórmula, não preciso transformar isso numa nuvem negra terrível por agora. Me conformei em seguir aos pouquinhos, entendi que é um aprendizado, um processo pra mim e pro Lucas. Sendo assim, sigo firme com a minha bisnaguinha de Lansinoh e com as conchas de amamentação – a salvação das peitas! Fora isso, aceito dicas, rezas e simpatias, viu?



- Ainda sobre os dias de neura: li, de uma tacada só, o livro da Encantadora de Bebês. Porque além da amamentação, eu tava ficando maluca de dar o peito a cada hora, hora e meia, sem dormir, sem comer direito, sem tomar banho, sem conversar com ninguém... Tava me sentindo o mais solitário dos seres maternos e me bateu um desespero. E sobre a leitura... sei lá. Achei a senhorinha Encantadora meio maleta. Curti algumas dicas, incorporei outras, mas, de forma geral, não consegui achar o método dela tão brilhante assim. O que gostei muito foi a técnica da observação que ela ensina, essa coisa de conhecer bem e observar o bebê. Passei a anotar cada minuto do dia do Lucas e agora já entendo melhor seu choro, suas expressões corporais etc.

- E foi aí que descobri que essa criança é quase um reloginho: acorda pra mamar religiosamente a cada 3 horas. Não fui eu que impus, juro, ele acorda e pronto. No final do dia, fica mais chatinho e pede uns mamás extras, mas normalmente é muito pouco e eu percebo que é só pra se acalmar.

- Mesmo usando o peito pra se acalmar, ele continua com a feiosa chupeta. Quando acabam as minhas idéias sobre o que fazer pra ele dormir ou se acalmar, vou lá e enfio a plasticuda na boca dele e é quase um milagre: ele se acalma, as expressões faciais ficam amenas e ele dorme.

- O umbiguinho caiu! Uhuuu! Nunca entendia essa coisa das mães comemorarem pequenices dos filhos, mas agora saquei: dá a maior emoção, ué! Aquele ser pitico que saiu de dentro de você vai dando pequenos passos rumo à independência, é mó lindo poder acompanhar isso! (abestalhada mode on)

- Sabe outra coisa que me deixa abestalhada? A balança, quando eu subo nela. Ô coisa boa. Ô emoção. Toda vez que fico tristinha, em vez de comer um chocolate ou ouvir uma música, eu vou lá no banheiro e subo na balança (eu sei, não tô gozando das minhas faculdades mentais normais - mideixa). Ao longo da gravidez, eu engordei 7 quilos, já sabemos que isso é bonito, coisa e tal. Mas sabem quanto eu já DISMAGRECI? 10 quilos, gentes. DEZ. D.E.Z. Tipos, tô com o mesmo peso de quando eu casei, visualizem:


A barriga ainda não tá lá essas coisas (rola toda uma molenguice depois que o baby sai), mas nada que uns abdominais não resolvam assim que eu for liberada pros exercícios (até parece que eu MALHO alguma coisa, mas enfim, vamos dar as mãos e crer).

- Só é uma pena que minha cutis e meus cabelos não acompanhem a perda de peso. Mentira, eles acompanham: PERDERAM mesmo. O brilho, as cores vibrantes, a dignidade. O cabelo tá uma palha com pontas, a pele tá opaca e as olheiras dão todo um ar de “sofri agressões domésticas”. Mas, tudo bem, não se pode abraçar o mundo, né? Vou lá na balança me pesar um pouco e já volto, tá?
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O relato do parto - parte final

Lucas veio ao mundo de olhos bem abertos, sem chorar. Ele murmurava uns sonzinhos engraçados e estava todo sujinho ainda quando foi colocado sobre o meu peito, logo depois que saiu de dentro de mim. Ninguém levou embora, ninguém pesou, ninguém aspirou. Ele nasceu nas mãos da médica e veio repousar pele a pele comigo logo em seguida. Nos abraçamos, eu, ele e Maridón, e ficamos ali curtindo. Falei “oi, meu filho!” e ele olhou bem dentrão dos meus olhos. Lindo, lindo.

Alguns momentos depois, aí sim, o levaram pras checagens normais. Luquitchous foi, mas no colo de Maridón e ali ficou o tempo todo em que foi examinado. Teve notas de Apgar 9 e 10, pesou 2.843 kg e mediu 48 centímetros. Pitico e considerado prematuro, mas normal pras suas 36 semanas e 6 dias de idade gestacional. Não teve alteração na glicose, não teve icterícia, não teve nenhum problema pra respirar, não ficou em berço aquecido ou incubadora. Voltou rapidinho pro meu colo e, antes da primeira hora de vida, já estava grudado no peito, mamando sei lá o que, mas mamando.

Enquanto Lucas estava nas checagens com o pai, eu ainda estava na sala de parto, sendo costurada. Sim, fizeram episiotomia. E, se tem uma parte chata dessa história toda, foi essa. Um pouco antes do expulsivo, eu vi a médica com uma tesoura cirúrgica na mão. Mas sabe quando você não processa o que está vendo? Ou não quer processar? Acho que a culpada por essa intervenção fui eu. Que não falei expressamente pra GO que não queria isso. Nem pra parteira. Ficou no plano da idéia e, infelizmente, minha médica ainda não é adivinha.

Mas, ela tinha noção de que eu e Maridón éramos contra intervenções desse tipo, tanto que foi se explicar pra ele, dizendo que cortou porque viu que eu ia rasgar mesmo e a coisa seria pior. Disse que fez o mínimo corte possível – e isso é verdade, não chega a ter muito mais que um dedo de comprimento. Só que eu sofri na recuperação. Fiquei 10 dias sem conseguir sentar direito, sem encontrar posição pra amamentar, cansada de sentir aquela dor incômoda. Na primeira consulta de revisão pós-parto, vimos que estava um pouco inflamado, mas já muito melhor e agora quase não sinto mais nada. Sinceramente, não recomendo, não foi legal e espero estar melhor preparada pra recusar essa intervenção numa próxima oportunidade.

Mesmo com essa questão, acredito que o meu parto tenha sido sensacional. O TP durou 7 horas, tive dilatação total naturalmente (sem sorinho com ocitocina), fui respeitada e consultada sobre (quase) tudo que aconteceu e a equipe do hospital era toda ligada num papo humanizado muito legal. Me incentivaram a dar o peito, falaram sobre a importância do contato pele a pele, sobre a necessidade de carinho e respeito que um recém-nascido tem. Cada vez que vinha uma enfermeira no quarto ou uma pediatra ou uma consultora de amamentação (tinha uma por lá todo dia!), era muito gostoso ouvir o que elas tinham pra dizer e ensinar. Toda vez que tinham que fazer algum procedimento no Luquinhas (e foram alguns, pela prematuridade), elas explicavam o que ia acontecer e, se possível, faziam na minha frente.

Não sei como é no Brasil, mas, além da documentação do bebê, recebi uma documentação minha, que incluía um “relato de parto”. Nesse doc, tem especificado tudo isso que contei pra vocês: horário da bolsa rota, quantidade de toques feitos (e quantos centímetros de dilatação eu estava), frequência e força das contrações, medicamentos administrados e demais intervenções. Tudo assinado pela minha GO, pela parteira e por mim. Achei bem legal.

Saí do hospital feliz e afirmando que queria ter mais uns 20 filhos. Embora as contrações e o expulsivo sejam doloridos, eu nunca os entendi como SOFRIMENTO. Foi o maior prazer sentir meu filho vindo ao mundo, não me arrependo de nada e sou muito feliz por ter parido do jeito que foi.

***

Foi muito legal também compartilhar isso tudo com vocês. Desde a pimeira gravidez, a perda, essa gravidez que deu certo e o nascimento do Lucas. Fico toda boba a cada comentário ou email que recebo de pessoas que se identificam, que acham graça, que choram junto, que torcem. Leio todos e sempre fico muito feliz, obrigada! Não consigo agradecer um por um, mas saibam que eu sei de todos que passam por aqui e se manifestam, ninguém passa sem ser notado não, viu?


Agora... bem, agora é vida nova. Tem muito mais coisa pra contar, até porque o mais esperado "personagem da história" já está entre nós.

Topam seguir com a gente?



;)

O relato do parto - parte 3

(continuando...)


VOU.

Respondi sem pestanejar, sem pensar, ligando o foda-se completo pra toda a leitura feita e toda segurança de que eu iria em frente sem medicação. Maridón tentou argumentar comigo, tentou me lembrar do sonho da coisa rolar naturalmente, dos mil argumentos que eu tinha, das mil leituras que eu fiz. E eu nem conseguia responder nada pra ele, tamanha era a dor, tamanha era a minha incapacidade de falar ou desenvolver qualquer raciocínio.

Mas, embora sem raciocionar direito, eu estava tranquila. Fiz o que tinha me proposto a fazer: tentar, testar meu limite. Ainda não tinha chegado no limite em si, mas já estava cansada e imaginava que esse cansaço só ia piorar e a anestesia poderia me dar o descanso que eu estava precisando pra seguir em frente. Lógico que morri de medo de uma intervenção levar à outra, tive medo do TP parar de progredir, do coração do bebê diminuir o ritmo, blá-blá-blá-whiskas sachê, então o que fiz foi começar a rezar e pedir a Deus que me permitisse o parto normal mesmo com anestesia. Durante essa reza doidja, a dor veio tão forte que eu vomitei.

Uma hora depois da minha autorização (e muitas contrações PEGADAS DICUM FORÇA), me levaram pra sala de parto em si (eu tava numa de pré-parto até então) e chegou o anjo dourado da minha salvação: a anestesista. Eu tomei uma epidural que tinha um cateter que controlava o nível analgésico, se doía um pouco mais forte, a médica podia aumentar a medicação; se eu parasse de sentir as contrações, ela diminuía pra eu não perder as sensações. A doutora simpática me explicou o que ia acontecer (essa história do catater e como me daria a medicação), mas dentro dessa explicação vieram duas fortes contrações e eu não queria que ela falasse mais nada “injeta essa porra no meu olho, doutora, tudo certo”. Mas obviamente a “injeção” foi na coluna, eu tive que ficar com as costas curvadas e nisso veio outra contração e eu agarrei nos braços da parteira (sei lá como essa mulher ainda tem braços). Nesse meio tempo, tinham pedido pro Maridón sair da sala. Anestesia dada, ele voltou. E viu a seguinte cena: a parturiente que há um minuto atrás tava cheia do palavrão no vocabulário e ódio no coração tinha virado uma pessoa serena. Pacata. Tranquila. Amena. De bem com a vida.

Essa era eu. Santa Anestesia Argentina Brilhante.

Eu fiquei com cara de bebum, rindo tudo, vendo a barriga ficar dura “olha, uma contração, ha-ha-ha”.

Me colocaram um cinto pra acompanhar a frequência cardíaca do bebê e as contrações. Uns minutinhos depois, eu comecei a sentir minhas pernas formigarem. E o coração do bebê diminuir o ritmo. Fiquei super preocupada de me mandarem pra cesárea, de inventarem outras intervenções. Mas, só fizeram mais um toque (acho que eu tava com 6 ou 7 de dilatação nessa hora), me mudaram de posição e me deram uma máscara com oxigênio pra eu ficar respirando. Eu tinha que ficar de ladinho na cama, segurando a tal máscara. Lembro que a parteira, em algum momento, botou a mão lááá dentro e mudou o bebê de lugar, pra ajudar na coisa dos batimentos. E eu nem senti, he-he.

Depois disso, o coração do baby voltou ao normal e eu fiquei ali respirando na minha máscara, Maridón fazendo carinho nos meus cabelos. Até que começou um papo chatésemo de comparar Argentina com Brasil, de comentar a nossa estrangeirice, essas coisas que escutamos todo santo dia desde que viemos morar aqui. BORING.

Sabe o que eu fiz, do alto dos meus 6, quase 7 centímetros de dilatação? No meio da EMOSSAUM do meu trabalho de parto? DORMI.

Assim de simples, tranquilo e despreocupado. Mas eu dormi mesmo, de babar. E acordei, acho que uns 40 minutos depois, sentindo uma pressão estranha. A parteira veio fazer outro toque e... “pode começar a empurrar!”.

“HEIN?! Que choque de realidade foi esse?! Como assim EMPURRAR? Meu bebê vai nascer agora, com você me olhando com essa cara plácida? Eu já tenho 10 centímetros de dilatação?”. “Sim, 10 centímetros!”

Fiz o que ela mandou e comecei a empurrar, totalmente sem técnica, sem saber o que tava fazendo. A pressão foi aumentando e eu comecei a sentir dor. Sim, dor. Mesmo anestesiada. Até que a coisa ficou braba de novo, de como estava antes da anestesia, a pressão era muito forte, eu sentia muita vontade de fazer cocô (perdão pela força do detalhe, mas a sensação é essa, ué!), achei que ia me rasgar pela metade. Acho que as contrações estavam vindo quase sem parar, eu não conseguia mais respirar direito.

De repente, a sala se transformou: as luzes foram apagadas, surgiram aparatos cirúrgicos, roupas brancas, minha GO finalmente chegou (viu como ela só chega no final?!), chegou também uma neonatóloga, todo mundo posicionado em volta de mim. A própria cama em que eu estava mudou, surgiram barras de apoio e a parte debaixo se abriu, pra médica sentar bem na frente do “acontecimento”.

Essa parte da história ainda é muito confusa pra mim, eu fiquei ansiosíssima, Maridón também. Sentimos que o momento mais esperado de todos estava muito perto. Mas, ao mesmo tempo, eu estava com muita dor e muita pressão, comecei a pedir cesárea (aloka), pedi pra parirem por mim (aloka 2), pedi pra me tirarem dali (aloka 3), pra tirarem o Lucas de dentro de mim (aloka 4). Minha médica riu e falou que esse trabalho era meu.

Ela desfez alguma coisa do meu colo do útero que estava impedindo a passagem do baby e, putz, aí foi trevas. Eu comecei a gritar de dor. De medo. De morte. De vida. Não sei. Todos me encorajavam pois, parece que, depois que ela mexeu lá dentro, o bebê finalmente entrou no canal de parto. Já se via a cabeça do bebê e chamaram o Maridón pra olhar. Me perguntaram se eu queria ver no espelho. Gentilmente recusamos: “quero meu filho aqui fora!”. E gritei mais um pouco.

O mundo ficou fora de foco, as vozes todas se misturaram. Consegui pescar alguém falando pra eu fazer a maior força da minha vida.

Foi fazendo a maior força da minha vida que vi que a maior força de todas já estava ali.
Meu filho. Nasceu.

Paro pra pensar nesse momento. Nesse momentinho tão único que foi vê-lo, senti-lo, cheirá-lo, ouvi-lo pela primeira vez. Acho que ali eu morri e eu vivi. Me despedi completamente do que conhecia e me joguei no novo.



(continua, mas só tem mais uma parte, prometo!)
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O relato do parto - parte 2

(continuando...)


É muito engraçado como eu faço mil planos e, quando chega a hora, tudo sai diferente do que eu esperava. No caso da bolsa rompendo, por exemplo: eu nunca achei que o parto do meu filho começaria assim. Achei que perderia o tampão, que teria contrações, que ficaria no telefone com a parteira tentando decidir a melhor hora de ir pro hospital, que avisaria calmamente ao marido... tanto que nem prestei muita atenção na aula de “bolsa rota” que tivemos no curso pré-natal. A única coisa que eu lembrava era: “no caso da bolsa romper, existe um tempo que o médico aguarda antes de intervir no parto e não se pode esperar por risco de infecção”. Também lembrava que tinha que prestar atenção à cor do líquido e ao cheiro. E só.

Então, quando vi minha cama alagada, primeiro pensei que tinha feito xixi na calça. Aí me toquei que era impossível tanto xixi, mas, por via das dúvidas (a.k.a. pra não pagar mico indo pro hospital mijada), resolvi cheirar o treco. Cheiro de água sanitária. Ai deus, ele vai nascer. Levantei. Jorrava água de dentro de mim.

“Amor, a bolsa estourou!” – nem sei como foi que eu falei isso, mas quando me dei conta, ele já tava em pé me dando os absorventes noturnos que eu tinha comprado (“ai de você se sujar meu carro novinho com esse líquido doido!”) e eu já estava no banheiro conferindo a aguinha de novo. Do banheiro mesmo, chequei o horário (eram duas da matina) e liguei pra parteira. Ela me orientou a checar as contrações (quais?! Eu não tava sentindo NADA!) e ligar de volta pra ela quando chegassem a vir de 5 em 5 minutos. Se isso não acontecesse até as seis da manhã, iríamos internar de qualquer jeito e veríamos o que fazer no hospital.

Fiquei preocupada, afinal eu tinha 4 horas pra desenvolver contrações de parto, firmes, fortes e ritmadas. E cadê as contrações quando eu mais precisava delas? Tinha não. Lembrei das mil coisas que li sobre parto, sobre a adrenalina que atrapalha a ocitocina. Então decidi ficar calma. O bebê ia nascer de qualquer jeito, eu ficando neurótica ou não. Resolvi secar as minhas roupas da maternidade – que eu “sem saber” tinha lavado naquela mesma noite – e organizar os últimos detalhes do quarto, como abrir pacotes de fralda, colocar as coisas no lugar, lençol no berço, arrumar o bebê-conforto no carro etc. Maridón me questionava, perguntava se tudo aquilo era necessário durante o trabalho de parto. Era, Maridón. Foi o que me manteve calma, serena e o que permitiu um dos momentos felizes daquela noite: veio a primeira contração.

Continuei com as atividades e, com elas, muitas outras contrações vieram. Doloridas, mas ainda irregulares. Vinham de 8 em 8 minutos, 6 em 6, 10 em 10. Deixei rolar. Sentei pra mandar emails, postei no blog, cochilei, tomei banho quente, caminhei pela casa, fiz tudo que me lembrei que poderia ajudar. Começamos a anotar os horários a partir das 3h30 da manhã, quando sentimos que regularizou. A essa altura, eu tinha contrações a cada 7 minutos e eram bem doloridas. Tinha que parar o que estava fazendo, parar de falar, parar de tudo, esperar passar. Não dava pra ficar deitada, nem sentada. Tentava lembrar das técnicas de respiração, mas não adiantou nada, o que me ajudou mesmo foi o banho quente. Só que o mesmo banho quente que aliviou as dores fez com que a progressão do TP desse uma diminuída. Achei melhor sair do banho e aturar a coisa toda na raça.

Daí, foi rápido: em cerca de uma hora, eu saltei das contrações de 7 em 7 minutos pra contrações de 4 em 4 minutos. Eram 5 da manhã quando liguei novamente pra parteira, já implorando pra ir pro hospital. E ela marcou de me encontrar lá às seis.

Caracola, uma hora pra chegar num hospital que fica a 10 minutos de casa?? Dei uma surtada. Já estava começando a delirar durante as contrações, xingava o Pedro, o Lucas, a natureza e qualquer outro ser que eu me lembrava que tivesse a ver com aquilo. Doía PA-CAS. Finalmente entramos no carro e eu fui meio chorando até o hospital, de tanta dor. Acho que essa hora de entrar no carro e aturar as contrações a seco foi a mais brabinha.

Mesmo assim, entre as contrações tudo era lindo. Eu chegava a querer cochilar tamanho o relaxamento. Tanto que me lembrei de olhar pra tudo em volta: as ruas, as poucas pessoas que circulavam. Tentei registrar o máximo possível e me lembrar dos últimos momentos em que eu era só eu, que eu não era mãe ainda, que a vida era só minha. Lembro claramente de olhar pras avenidas por onde passamos e me despedir de cada semáforo, cada lojinha, cada cruzamento – eu sabia que a vida que eu conhecia estava chegando ao fim.

Mas, a poesia romântica da despedida acabava no exato minuto em que outra contração começava. Daí todo o meu repertório de xingamentos e baixarias era ativado.

Chegamos no hospital, eu fiz todo o drama que me cabia, me sentaram numa cadeirinha de rodas e me levaram pra dentro. A parteira estava lá me esperando – BENZADEUS – e me fez o primeiro toque da noite. Eu rezando pra ela dizer 8 centímetros. Sabe quanto ela disse? 3 pra 4.

AI MEU CARALEO.
AI MEU ÚTERO.
AI MEU CÉRVIX.

E daí veio o golpe baixo, ela me faz a pergunta do milhão: “vai querer anestesia?”


(to be continued...)
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O relato do parto - parte 1

(vamos por partes, Jack?!)

É incrivel pensar que o dia pelo qual eu mais esperei ao longo desses últimos anos já aconteceu. Dia 12 de maio de 2011. O dia em que eu deixei toda uma vida de lado pra viver outra. O dia pelo qual eu mais esperei, com o qual mais sonhei, mais fiz planos, mais me preparei, mais li.

Só que não há espera, sonho, plano, preparação ou leitura que deixe alguém pronto pro dia que o primeiro filho nasce. É o momento mais profundo e transformador da vida.

Acho que meu relato de parto começa uns dias antes do nascimento em si. Começa no dia em que conversei com a minha médica e descobri a questão da Colestase. Desde esse momento, eu tive a certeza de que não chegaria às 40 semanas, nem mesmo a junho, talvez nem mesmo à minha licença, que estava marcada pra começar no dia 20. Tive medo de algo dar errado e comecei a ficar angustiada que ainda faltava muito pra resolver. Tinha um problemão pendente no trabalho e eu só pensava nisso, estava totalmente voltada pro âmbito profissional. Por mais que eu quisesse que a gravidez terminasse logo (nunca fui muito fã dela), sabia que cada dia que o baby ficava dentro de mim era importante pro desenvolvimento dele e pra eu resolver as tais questões pendentes. Mas, ao mesmo tempo, sabia que a colestase era perigosa. Mas, ao mesmo tempo, queria entrar em trabalho de parto, então preferia esperar. Mas, mas, mas. Essa equação parto antes do tempo x minha falta de tempo x esperar o tempo certo tava dando nó na minha cabeça.

Até que, na quarta-feira de tarde, fiquei um tempinho conversando com a Pat no msn. E ela me falou sobre uma coisa que também já tinha escutado no curso pré-natal: da importância de deixar ser. Deixar ir. Let go. Falou que, pra eu conseguir o que queria, assim que resolvesse o problema no trabalho, deveria conversar com o bebê, escrever uma carta pra ele, tentar me conectar comigo mesma, sei lá. Que fizesse qualquer coisa pra me voltar pra dentro de mim e deixar o parto vir como tivesse que ser. Foi muito importante essa conversa.

Em paralelo, Lucas mexia loucamente na barriga. Mostrei pro pessoal do trabalho, curti. Ri daquilo e fiquei feliz que ele estava bem. Só que eu estava muito cansada. Era muita coisa na cabeça, muita preocupação, muita pendência. Fui pra casa depois do trabalho, conversei com o Maridón sobre mil coisas, fizemos planos, ele sentou pra terminar um frila grande e eu fui tentar dormir. Mas alguma coisa estava estranha, eu estava incomodada. Não sei se era a luz do computador do Maridón, se era o bebê que mexia demais na barriga e não me deixava relaxar, se era um formigamento estranho que eu sentia pelo corpo, numa ansiedade que algo estava por vir – mas eu não sabia o que era.

Me lembrei de um texto que eu escrevi pro meu filho e deixei nas minhas anotações pessoais, sem publicar. Escrevi quando estava no 21º dia do ciclo em que engravidei. Aquelas palavras ecoavam na minha cabeça:

“filho, vem. Pode vir. Estou morrendo de medo de sofrer de novo, vai ser muito difícil entrar novamente numa salinha de ultrassom. vai ser muito difícil tudo que está por vir. mas eu acredito em você, acredito no seu pai, acredito em mim. e mais que isso: eu acredito na vida. mesmo já tendo tomado tanta puxada de tapete, eu sigo nessa ingenuidade boba, nesse sorriso de canto de boca só de pensar na alegria que será te-lo aqui com a gente. vai ser demais, eu mal posso esperar os minutos passarem pra saber que você já está entre nós. por favor, não pense que vai ser fácil. não será, filho. mas eu estou aqui pra você, desde agora. não sei se você é ainda uma idéia, um peixinho que nada dentro do seu pai ou um montão de células coladas em mim. o que eu sei é que você já é amor. eu já te amo, já te quero e já te espero. pode vir.”

Me arrepiei, me lembrei de tudo que aconteceu e repetia na minha cabeça, várias vezes: “pode vir”.

Peguei no sono.

E acordei, duas horas depois, com a cama toda molhada.

(to be continued)
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Uma foto e uma desculpinha

desculpinha essa que não é esfarrapada!

mas, primeiro a foto:



então, tão de coração derretidinho? (é gentileza responder que sim).

Imagina eu? Então, daí não tenho tempo não, povo. Comecei a escrever o relato do parto e ainda nem cheguei na parte em que começam as contrações, vejam bem. Vai demorar um tiquinho mais, mas sai, prometo!

Quero agradecer pelo enorme carinho nos últimos dias, viu? Brigada mesmo.

Vou ali babar um pouco mais na cria e já volto! Bom domingo procês!
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A sua

ou Uma Semana!!


Hoje meu pequeno faz uma semana! Caramba! Eu acabei de parir e já passaram 7 dias, como assim?? É a primeira vez na minha vida que o tempo assume essa forma corrida, quase não me deixa respirar e curtir o que está acontecendo. Se eu não parar pra prestar atenção, daqui a pouco essa criança bochechuda tá me pedindo a chave do carro pra sair com a namorada! Cruzes!

Sendo assim, decidi fazer um resumão do que aconteceu nesssa primeira semana de Lucas e assim pretendo seguir conforme os marcos da vidinha dele. Preciso registrar, não quero esquecer nenhum segundinho.

Pois bem, em uma semana de vida do meu filho:

- Eu aprendi o que é viver sem dormir direito. No comecinho, foi mais brabo, ele acordava de hora em hora, estava completamente perdido nesse mundão. Agora, tudo está relativamente mais tranquilo: ele dorme cerca de 2 ou 3 horas entre as mamadas. Nessa noite, dormiu quase 4 horas e eu fiquei tão surpresa que, quando acordei, tinha a sensação de ter dormido uma noite inteira.

- Perdi a minha primeira batalha nas convicções que eu tinha: a chupeta. Me dói falar sobre isso, mas é importante. Lucas tem muita necessidade de sucção, principalmente à noite. Eu sou adepta à livre demanda e não fico regulando peito pra ele não. Porém, chegava no final do dia e eu tava amamentando a cada hora ou a cada 40 minutos. Ele nem chegava a dormir entre as mamadas. Daí sentia fome mais rápido, estava cansado, se irritava quando não conseguia pegar o peito, ia ficando cada vez mais nervoso... até que, numa noite de desespero, pedi pro Maridón esterelizar uma chupeta que tínhamos ganhado. Dei, chorando de soluçar. E vi meu filho dormir por quase três horas seguidas, acordar tranquilo, mamar com calma e voltar a dormir numa boa. Nesses dois dias que insisti em só dar o peito e recusar a chupeta, fiquei tão mal e cansada que caí numa super gripe. Tanto que a pediatra mandou eu evitar contato com o baby, usar máscara pra amamentar e passar pra alguém os demais cuidados com o Lucas (arrotar, trocar fraldinha etc.). Morri. Pra que serve ter o peito (e o resto do corpo e e alma) disponível pro meu filho se eu fiquei doente e não pude ficar com ele por dois dias? Pra nada, né. Pois bem, então ele chupa chupeta. Mas tem mil regras: só pode de noite, só pode quando EU quero (quem tem que estar descansada sou eu que produzo leite, ninguém mais), só pode depois que eu tentar outras formas pra acalmá-lo: musiquinhas, muito colinho, beijinhos etc. Entramos em sintonia e ele só pega a chupeta duas ou três vezes de noite, por uns 2 minutinhos. Logo ele se acalma e dorme sem aquela feiurice na cara. E nunca se deixa enganar: quando tá com fome ou precisa mesmo do cheirinho de mommy, põe a boca no mundo e não há chupeta dourada que o faça relaxar.

- E eu com isso? Bem, eu choro. Choro todo dia, quando cai a noite. Não queria dar chupeta, odeio ela, odeio esse assunto. Mas eu me vi chegando no limite e prejudicando a causa em si, então tomei uma decisão. Acho que a maternidade é feita disso, né? Mas voltando ao choro: acho que é esse tal de baby blues, essa mini-depressão meio louca que ataca as mocinhas pós-paridas. Eu choro tanto que chego a soluçar, quase sempre por conta da chupeta, mas já tive outras neuras: os dois dias que ele teve cólica e não conseguia fazer cocô (e eu descobri que foi a coca-cola que eu tinha tomado), o Maridón ter saído com a mãe dele e ter me deixado sozinha bem na hora que o choro vem, a vida que continua lá fora e eu aqui dentro nessa função cíclica de amamentar – trocar fralda – botar pra dormir. Mas não tenho brigado com isso não, acho que é normal. Quando o choro vem, eu deixo vir, choro mesmo e pronto, acabou. Durmo um pouquinho e, quando acordo, volto a ser a pessoa mais feliz da face da terra.

- E eu sou mesmo a pessoa mais feliz da face da terra: não imaginei que um serzinho de menos de 3 quilos pudesse me trazer tanta felicidade. Me sinto tão completa! E amo esse negócio de recém-nascido: adoro as carinhas, adoro ele ser molinho, dependente, piquitico. Até do baby blues eu gosto, fico pensando que tenho o pacote completo e no quanto sou sortuda por isso! Tive o parto, tenho o peito cheio, a mini-deprê, a falta de sono, a compensação com cada carinha que o baby faz, a família babando... ai, ai, muito bom.

- Mas chega de falar de mim, vamos ao Lucas! Ele muda a cada instante, é impressionante. Está mais gordinho, percebe mais o ambiente em volta, fica cada vez mais com os olhos abertos. Ainda odeia trocar a fralda (mas não berra mais tanto como antes) e ODEIA o banho. Como o umbigo ainda não caiu, a pediatra não recomendou dar banho de imersão, então a gente dá esse banho com pouca água, só pra limpar o grosso mesmo. Daí acho que deve ser chato ter aquela aguinha pobre de vez em quando no corpo, além de dar frio nele, tadinho. Sei que o bichinho chora como se fosse tortura da braba. Mas, depois de vestido e trocado, mama deliciosamente e relaxa muito, dorme profundo. Vai entender.

- Tá ficando meio amarelinho e isso me preocupa. Tenho tentado dar banho de sol, mas não dá pra ir lá fora, está muito frio pra ele. Daí fico do lado da porta da varanda fechada mesmo, uns 10 minutinhos. Será que adianta? Precisa pegar sol no rostinho também? Fico achando que tá claro demais pra ele, tenho pena.

- Ele continua mamando super bem. Aprendeu a pegar direitinho, curte muito o momento. Faz uma carinha engraçada quando vê o peito, arregalando os olhos e abrindo beeem a boquinha tipo “oh, mamãe, que legal, não precisava!”. Aí se joga, abocanha e começa a sugar loucamente. No final, ele solta o mamilo e abraça o peito, no melhor amo-muito-tudo-isso-style. E fica com aquela cara de bebum que eu tinha comentado antes, um fofo (ah, e tem bafinho de leite sim, Anne!).

- Quando escuta a minha voz ou me vê, fica todo manhosinho e bobinho, acho que fica feliz (Ai orguuulho! Ai ego-trip!). Aí eu beijo, agarro, cheiro. Não dá pra não amar INTENSAMENTE. Não dá pra não querer ter outros 20. É uma função que não termina nunca e cansa e tudo mais, mas fico sempre com saudade dos dias que já passaram, saudade do parto, do hospital, das visitas que já visitaram, dos erros que cometi, do minuto que acabou de acabar. Fico com pena de não ter outro par de olhos que fiquem grudados nele o tempo todo. Duvido que possa existir amor maior, mas passa um tempo e eu amo mais ainda, daí eu tenho a certeza que só vai crescer. Não quero nada de volta, só quero ser o melhor que eu puder pra ele e que ele seja feliz nesse mundão.




Eu só quero que você saiba
Que estou pensando em você
Agora e sempre mais


Eu só quero que você ouça
A canção que eu fiz pra dizer
Que eu te adoro cada vez mais
E que eu te quero sempre em paz


Tô com sintomas de saudade
Tô pensando em você
E como eu te quero tanto bem


Aonde for não quero dor
Eu tomo conta de você
Mas te quero livre também
Como o tempo vai e o vento vem

Eu só quero que você caiba
No meu colo
Porque eu te adoro cada vez mais


Eu só quero que você siga
Para onde quiser
Que eu não vou ficar muito atrás
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Felicitaciones por las tetas!

e essa foi a frase que a pediatra nos falou, quando nos despedíamos dela na consulta de hoje. Ai, orgulho.

Quero fazer um relato de parto e juro que ele já está escrito na minha mente, mas não podia deixar de vir aqui contar pra vocês que, além do parto que eu queria, estou conseguindo amamentar Luquinhas só nas peitas! E sem dor, sem sofrimento, sem neuras! Eu, que morria de medo da amamentação, não deixo de me surpreender com a calma que tive ao longo do processo e do resultado legal que conseguimos até agora.

Sei que a vida de um RN é super instável, que amanhã pode ser que tudo mude. Mas hoje é dia de comemorar que Luquinhas voltou ao peso de seu nascimento em APENAS 3 dias. Ele veio ao mundo com 2,8 kg, saiu do hospital no sábado de manhã com 2,6 kg e hoje pesou 2,8 kg de novo. Como nasceu antes do tempo, a gente acaba tendo que fazer mais controles que os babies "mais velhos" fazem. Daí sua primeira consulta foi com 5 dias de vida e repetiremos consultas semanais até o primeiro mês de vida.

Ainda temos algumas questõezinhas a controlar: o perigo de icterícia (embora ele esteja um pouquito amarelinho, o ganho de peso foi tão bom que afastamos essa possibilidade por essa semana) e o hematoma na cabeça que formou pelo esforço do parto (normalíssimo, vai se desfazer ao longo das semanas, mas pode contribuir pra aumentar a bilirrubina no sangue). Mas, como eu disse, são apenas pontos de controle, naaaada de mais.

Voltando à amamentação: eu tenho curtido, sabe. A coisa do peito cheião, de ver o leite escorrendo pelos cantinhos da boca do meu filho, o prazer que ele tem quando chega a hora de mamar, a carinha fofa que ele faz quando tá satisfeito. É realmente uma conexão enorme e única, que espero que se estenda por muito tempo. Aliás, falando em tempo: aqui não tem tempo certo pra nada, ele mama a hora que quer, o quanto quer. Eu tô sempre atenta, não quero que ele fique com fome por muito tempo ou tampouco me machuque de querer mamar a cada meia hora. Mas acaba que nem preciso me preocupar muito, o ritmo é mais ou menos frequente. Ele tem mais fome em alguns momentos que outros e às vezes precisa do peito só pra dar uma relaxada (ou soltar uns puns, hihih). Somos todos assim, não? Comemos por fome, por prazer, por necessidade de conforto. Com ele é igual, não vejo motivos pra ser diferente - e a pediatra super apóia.

Então sijoga no peitão, Luqui-fofis!


Bochechas trabalhadas no peitão de mommy 
(Absolute Milk, como diz o Maridón, visto que babytchous faz cara de BEBUM quando termina de mamar, hihihi)
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Love, love, love

entao que Lucas nasceu e o blogger ficou doido e eu tenho emails pra ler ate a próxima encarnacao.
e muitas fotos minhas no facebook que eu nunca vi. e meu celular apitando a cada minuto com mensagens recebidas. e muita gente querida nos mandando energias lindas, muito mais do que eu ousei imaginar.

alias, tudo isso eh muito mais do que eu ousei. eu nao imaginava TANTO.



tenho muuuuito pra contar pra voces! mas, agora, acima de tudo, tenho um pitoquinho lindo que soh quer saber de peito e colinho. E eu soh quero saber dele. Amorzinho meu.

mas soh pra voces ficarem tranquilas, quero contar que Lucas nasceu de parto normal, 7 horas depois da bolsa estourar. Mamou antes de completar uma hora de vida e agora tah achando que a vida eh assim, mamar a cada hora. E se ele acha, eu concordo. E se eu concordo, eu nao durmo. Mas ok, apesar de exausta, acho que eh muito bom ele curtir tanto um peitao. Eu durmo quando dah e pronto (e isso significa POUCO, MUITO POUCO).

Foi considerado prematuro (tinha 36 semanas e 6 dias quando resolveu que jah tava bom de barriga de mommy), mas estah totalmente saudavel, nao perdeu muito peso de nascimento, nao teve ictericia, nao teve perda de glicose, nem qualquer outra alteracao que tanto temi durante a gravidez. Ficamos dois dias no hospital, nao fomos separados em momento nenhum ao longo da estadia por lah e agora jah estamos em casa.

Ele jah conhece o avo (que veio CORRENDO do Rio pra cah pra conhecer o netinho) e amanha conhecera a avo. Fora isso, jah fez sucesso no colinho das tias QUERIDAS e AMADAS aqui de Buenos, que estao todas babando no pequeno. Faz cocos e solta puns barulhentos e nos, comos bons pais, achamos LEANDO. Cada carinha, cada sonzinho, cada coisinha. Eh muito amor, minha gente!

Quem apostou no dia 12?

pois é.

estou em trabalho de parto! Uuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuh!


Acordei com a cama toda molhada: a bolsa estourou e eu quase sem contração. Jatos e mais jatos de líquido amniótico (thanks for sharing, Carolina). Ai. Mas, um pouco mais de uma horinha depois, a coisa engrenou e já estamos de 5 em 5 minutos. Já tomei banhinho de água quente, já arrumei a mala da maternidade, já me despedi da barriga. Estou felicíssima por meu corpo ter entrado em TP sozinho e com a certeza de que meu Luquinhas nascerá na hora dele. E nem acredito que estou aqui, calmíssima, entre uma contração e outra, escrevendo no blog!

Em breves, vamos pro hospital para, FINALMENTE, conhecer o meu tão querido e amado e esperado filho.

E.M.O.S.S.A.U.M.



torçam por nós, gatinhos e gatinhas?
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Fui ali e voltei - com notícias baphônicas

Quero começar o post com um pedido de desculpas. Aos amigos mais próximos, aos familiares. Porque vão saber do que vem a seguir pelo blog mesmo e não vão ganhar um relato personalizado. Desculpem mesmo, amados, mas já repeti tanto a mesma história hoje, estou tão tão cansada como não me sinto há tempos (e como não deveria estar a essa altura do campeonato).

Mea culpa feita, vamos aos fatos: o lance comigo é na base da EMOSSAUM, lembram? Pois bem.

Há cerca de duas semanas, venho sentido umas coceirinhas pelo corpo. Começou pela palma das mãos e plantas dos pés. Depois espalhou pelo corpo, um pouco mais forte nas costas e na barriga. Pensei que poderia ser a pele esticando, mas isso não explicava coceira na palma da mão ou no pé. Imaginei que seria algo ligado à circulação sanguínea, que pudesse estar usando roupas apertadas demais e que, quando me trocasse ou me despisse pro banho, o sangue circulasse melhor e mais rápido, causando a coceira. Não era nada de mais, nada grave, não deixei de dormir ou viver por causa disso. Mas estava lá.

Comentei sobre isso com a médica na minha última consulta (com 35 semanas) e ela incluiu, no mesmo pedido de exame de sangue normal que já faria, um hepatograma e que, assim que saísse o resultado, era pra eu ligar pra ela e ler os números, sem falta.

Ontem à noite, fui buscar o exame. E os números do tal hepatograma pareciam bem alterados. O resto do exame todo perfeitinho (inclusive a glicose, lembram da diabetes gestacional?!), então segui a orientação e liguei no celular da GO. Ela mandou eu ir o mais rápido possível no consultório, porque ela iria me medicar.

Hoje, às oito da matina, tava eu lá. Já devidamente tendo lido no Google sobre o que poderia ser, já devidamente não tendo dormido bem, já devidamente com o coração disparado. He-he. E, bem, o que tinha lido era verdade: tenho um treco chamado Colestase Obstétrica. Em rápidas linhas, até porque meu "entendimento médico” já tá nos finalmente de sua capacidade: meu fígado não tá curtindo a gravidez, ficou confusado com tanto hormônio e tá doidinho. Não há remédios pra resolver o problema, apenas um que parece que ajuda a filtrar meu sangue – coisa que meu fígado decidiu que não quer mais fazer direito. Eu não corro riscos, o baby, sim, por isso, o objetivo é fazer o parto o quanto antes.

Claro, isso tudo tava na internet, precisava confirmar com a minha médica. E ela confirmou. Não é pra eu me desesperar, mas essa gestação só continua enquanto o bebê estiver bem e, mesmo assim, não deve passar de 38 semanas. Se eu der MUITA SORTE, chego em 39, mas senti que a GO ficou muito reticente quanto a isso. Enquanto não decidimos nada, exames de sangue e cardiotocos pra descartar sofrimento fetal (é um dos riscos dessa complicação). Além disso, tenho que ficar ligada nos movimentos do pequeno, caso diminua muito, é correr pro hospital.

Hoje mesmo comecei a tomar a medicação (caréééésema e com gosto ruim da porra) e já fiz um cardiotoco. O exame deu perfeitinho, nada de sofrimento pra Luquinhas! Adiantei minha licença e comecei a seguir o conselho da doutora: sabe aquela idéia reconfortante que você tinha de que ainda faltava muito? Esquece. “No te queda tiempo”, ela me disse, “prepare-se para parir em, no máximo, uma semana e meia”. Então, adiantei o começo da minha licença-maternidade e me joguei numa estranhíssima e quase desconhecida sensação:

CALMA. Eu sou um poço de.

Se não estou preocupada? Duh. CLARO QUE SIM. Eu SOU preocupada. Mas estou fazendo o que posso – sempre fiz – então tô pronta pra seguir em frente, seja como for.

Juro, gente. Estou completamente surpresa com essa reação. Falo do assunto na maior tranquilidade, não tô me achando a última das últimas e não tô vendo nada de mais em ter uma complicação na gravidez. É assim e pronto, ué. Atenção redobrada ao tratamento, terminar os preparativos, curtir os últimos dias de barriga, dormir gostoso o sono das que ainda não tem filhos.

E o parto?

Ah sim. Se eu não entrar em TP naturalmente (sempre há essa possibilidade!!), induziremos. Se a indução não funcionar ou o bebê apresentar sinais de sofrimento durante o procedimento, será feita uma cesárea.

Fiquei feliz da médica não querer marcar a cirurgia logo de cara; ficou claro pra mim, uma vez mais, que ela realmente tem interesse no parto normal. Nem a indução em si ela marcou ainda: quer esperar os resultados do próximo hepatograma, que vou fazer daqui uns dias pra ver como meu corpo reagiu à medicação.

***

Então é isso, gentes! Sabe o contadorzinho ali em cima que diz que faltam 24 dias? Ignorem.

Faltam 10. No máximo.

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Mas e aí, cês acham que nasce quando? Alguém quer palpitar? Vamos apostar?

:P
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Vou ali e já volto

Belezinhas do meu coração, tudo bem com vocês? Andei lendo alguns posts fofildinhos de Dia das Mães, fiquei toda emocionada! O meu dia foi lindão, Maridinho-fofis me encheu de presentes e mimos e carinhos, amay!

A semana começou beeem agitadinha e não tive tempo de vir contar tudo com calma pra vocês. Eu venho, juro, mas, preciso dar uma concentrada no trabalho e outras coisitas, tô sem tempo!

Como já andei recebendo alguns recadinhos de gente perguntando se Luquitus nasceu (e me lembrei que tinha prometido posts diários), dei uma passada rápida pra dizer que: ele mora nimim ainda, viu? Embora a barriga tenha dado uma estufada engraçada (TODOMUNDO comentou), seguimos juntinhos firmes e fortes habitando o mesmo corpo-humano-servivo que deus me deu.

Não sei quando vou conseguir escrever de novo, mas fiquem tranquilas que, se algo EMOSSAUM acontecer, eu venho contar (ou peço pro Maridón)!

;)
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A nossa cara

Outro dia falei pro Maridón que tava pensando em fazer uma conta no gmail pro Lucas. Ele riu. Me sacaneou e falou que, quando o Lucas começar a usar email, email já vai ser coisa das antigas. Bobão.

A idéia ficou de lado e eu segui aqui, escrevendo num blog, registrando minhas memórias, imaginando o dia que ele vai finalmente ler tudo isso.

Até que...



CHORAY LITROS.

Cês num acham que eu PRECISO fazer isso também?

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Filho, esse vídeo lindo quem mandou foi o tio Boo, tá? POR EMAIL!
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36 semanas

Recebi o boletim do Baby Center sobre as 36 semanas de gravidez. Com a seguinte foto ilustrativa:


Faz-me rir, Baby Center! Olha o tamanho dessa barrigaaaaaa! Cês acham que eu to nesse níveO? Not.

Tanto que outro dia um taxista me perguntou de quanto tempo eu estava, respondi 8 meses e ele falou “tudo iiiiisso?? mas você não tem barriga!”. Como não tenho paciência pra desconhecidos e menos ainda pra taxistas, fiz logo a louca “é moço, mas segundo a última ecografia que fiz, o bebê já tem mais de 4 quilos, olha que coisa, será que vou ter passagem pra parir?!”.

Só assim pra eu não ficar inventando preocupacao, né?

Mas aí, pra gente saber que o povo é que é doido e pronto, hoje mesmo escutei: “mas você tá com essa barriga AINDA? Não nasce nunca não?!”.

- Olha, não sei, já estou grávida há 13 meses, to começando a desconfiar que tem algo errado. Será que ligo pro médico?

Isso era o que eu queria dizer.
Mas o que eu disse foi:

- Falta um pouco, é mais pro final do mês, começo do próximo! Tchau, bom dia!

Simpática e amável.

Independente de tamanhos, julgamentos alheios e traumas louquitos desenvolvidos pela cabeça desta que vos fala, devo confessar que foi muito bom viver a experiência da barriga:



Maridón comentou outro dia que essa foi a parte mais legal da gravidez pra ele: o quanto ele me viu feliz e orgulhosa da pança.

Nhó. Fofildo.

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36 semanas, hein?
Cada mergulho é um flash (ãn?).
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Dos pequenos grandes problemas (com algumas pequenas grandes soluções)

Gente, impressionante a solidariedade! Que lindas!
Todo mundo dando opiniões e receitinhas pra tirar as manchas do kit berço, amei! Brigadíssima!

Decidi algumas coisas, compartilho com vocês:

• Comprar outro kit, na verdade, só um edredÃO e um protetor de lateral. Encontrei um conjunto baratinho e bem básico, pelo menos pra dar aquela decorada no quarto. Estou decidindo qual dos dois tons de azul prefiro:



OU




Esses dois, edredom e protetor lateral, juntos, custam cerca de 90 realidades (190 pesos). Digno, hein. Pra me dar calma e paz e alegria no coração, tá muito bom, né?

• Encher o saco da vendedora do kit original. Nem que ela diga que a culpa foi toda minha, ela precisa me dizer algo. Minha amiga Ciana tomou as minhas dores e ficou tentando ligar ela mesma no nível SANGUE NOZÓIO, pra exigir algum tipo de ajuda. Mas aí descobrimos que a mulé tá com problema de saúde e não tá atendendo ninguém. Sorte é meu nome do meio, reparem. Mas enfim, se eu tiver um kitzinho coadjuvante em mãos, posso esperar a dona vendedora se recuperar e ver com ela comofas com o principal.

• Caso a encheção com a vendedora não dê certo, vamos partir pras técnicas de salvação do kit: levar numa tinturaria (dependendo do preço e do que me disserem que dá pra fazer ou não). Se eu achar caro demais ou se me falarem que não tem jeito, vamos tentar da forma caseira. Espero que a minha sogra já esteja aqui nesse momento e me ajude com isso (não é pra esse tipo de coisa que serve família por perto? Sigura na minha mão, sogra!).

• Last, but no least: lavar o novo kit A SECO, NA LAVANDERIA, com sopros amenos, reza braba e energia positiva no coração. E cantando “I Believe I Can Fly”, tudujunto, em coro, abraçados e lágrimas nos olhos pra dar um toque de emossaum:




Ahhh! Sobre as fraldas rosa: permanecerão rosa. O objetivo delas é limpar coco-xixi-vomito-babinha. Não vou gastar minha beleza grávida tentando botar isso branco, gentes. Depois, conforme forem sujando, eu vou utilizando as técnicas sugeridas (Vanish / sal / orações) pra tentar o retorno a cor original. Mas brigada pelas dicas mesmo assim, já fiz até um arquivo no meu computador chamado “Lavando Roupa For Dummies.doc”, pra ajudar a ABESTALHADA que vos fala das próximas vezes.

***

Filho, roupa com cor original e uma mãe com desenvoltura você não terá não, viu.
Mas aventura e emossaum e patetice, eu te garanto! E ai de você se um dia reclamar de tédio, vai tomar uma tapa na beiça pra aprender que essa palavra nao existe no nosso vocabulário.

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Dos pequenos grandes problemas

Contei aqui uma vez que estava com medo de lavar as roupinhas do Lucas na máquina de lavar. Minha máquina às vezes fica louca e mancha as roupas, mas enfim, arrisquei. E óbvio que manchei algumas coisas.

Um bodyzinho de uma loja cara (ÓDIO), uma manta branca que tinha uma fita vermelha na ponta – manchou a manta e todas as fraldas que tavam na máquina com ela, ficou tudo rosinha, óia que amor, você faz um enxoval azul e a vida dá um jeito de te mandar coisas ROSA – e, finalmente, o kit berço.

Pois é, gente, miabracem. Morreu meu kit berço.

De todas as perdas, essa foi a mais grave.

Coloquei o protetor lateral e o edredom sozinhos na máquina. Modo delicado. Sabãozinho de bebê. Saíram de lá duas coisas tronchas, tortas e os tecidos mais escuros que compunham o patchwork soltaram tinta, manchando os que tavam do lado (que por acaso eram os mais claros).

Ficou HORRÍVEO. No nível impraticável.

E eu chorei no nível alguém-morreu.

Já tentei tirar as manchas com Vanish, já conversei com uma amiga sobre mandar pra uma lavanderia especializada, já reclamei com a moça que me vendeu o kit. E acho mesmo que é causa perdida. Erro meu, erro da máquina de lavar, erro da vendedora que não mandou instruções de lavagem. Sei lá. To puta.

***

Aí entrei no quarto do baby pra ficar pensando no que fazer. Faltavam umas coisas pra passar (as fraldas rosa, aliás) e fiquei lá nessa função. EXAUSTA (e quem foi que prometeu dar uma parada??), mas bufando, pensando no que fazer. E olhando pro quarto. Que não tem decoração, só tem móveis. Se os móveis não fossem fofos e a parede não fosse azul baphonica, aquilo lá teria cara de depósito.

Chorei mais ainda. Sem kit e sem decoração. 36 semanas de gravidez. Quem quer me dar a mão e chorar junto?

***

Eu sei. Eu sei. Eu sei.

O bebê não precisa de nada disso. Ele vai nascer e o maior amor dele vai se chamar PEITO DA MAMÃE.

Mas porra. E o meu orgulho? E o prazer de ver o quartinho pronto e decoradinho? Jogo pela janela, né? Ou, melhor: enfio na máquina de lavar pra ficar tudo bem manchado e escroto. ARFE.

***

Não aguentei, sobrou pro Maridón. Chamei ele no quarto, conversamos, decidimos decorar um pouco, desenhamos idéias no papel e, se precisar, eu compro outro kit berço. Fogo é que tem tanta gente me dizendo que o kit não serve pra nada, que é dinheiro jogado fora e o destino tá dando tantos jeitos de dificultar esse kit, que acho que não é pra ser mesmo. Será?
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Sossega, Carolina

Ontem tive um dia cheio. No final dele, estava com tão cansada que convidei o marido pra ir jantar fora. A gente tem esse hábito do confort food: quando os dias são muito pesados ou frustrantes ou apenas muito cheios, a gente senta em algum restaurante gostoso e afoga as mágoas num bom prato de comida. Eu sei, nem é bom jogar tanto sentimento na alimentação, eu tento não fazer isso no dia-a-dia, mas confesso que é um hábito nosso das antigas e é muito gostoso. Sempre temos papos ótimos, comemos bem, são momentinhos que fazem a vida (e os dias cansativos) valerem a pena.

Já na saída de casa, comecei a sentir contrações. Como já to ficando acostumada a essas manifestações do meu corpo, não desisti do jantar. A coisa foi piorando, piorando... e eu firme. No meio da comida, eu já achava que era nossa última noite de casalzinho, de tão constantes que eram os incômodos. Mesmo assim, insisti de ficar mais e pedi sobremesa. A esta altura, Maridón já tava cronometrando contrações e eu já choramingava que minha mala não tava pronta, que eu não dormi tudo que queria antes de ter filho, que não terminei as pendências no trabalho.

Fui ficando estressada e com medo, não sei descrever a sensação. Pensei que não seria capaz do parto normal, pensei que não estava pronta pra ser mãe e, acima de todos esses pensamentos, o que mais preocupava era o cansaço extremo que eu ia sentindo a cada contração que me incomodava. Se realmente estivesse em trabalho de parto, eu certamente passaria a noite com aquelas dores (e piorando) e não estava pronta fisicamente pra isso. Menos ainda pra luta que deve ser um bebê recém-nascido (e a falta de descanso que vem com ele). E conforme eu fui entrando nessa onda de estresse (e com isso, o mal estar físico só piorava, é claro), cheguei a uma super óbvia conclusão: estou muito cansada. Preciso diminuir o ritmo.

Como a barriga nunca chegou a ser monstruosa ou pesadíssima, nem tampouco engordei muito, achei que poderia seguir vivendo como sempre. Claro que já venho diminuindo o ritmo naturalmente ao longo do tempo, mas estava me forçando até o limite, por sempre achar que ainda falta fazer algo. É hora de ver que não dá mais, sabe. Duvido (e não quero) que esse bebê nasça agora, mas eu tenho que fazer a minha parte nisso também.

Estava achando divertidos esses alarmes falsos, mas me dei conta que, se o Lucas vier agora, será PREMATURO. E, nossa, zero necessidade disso acontecer, né? Que ele nasça no tempo dele, mas a termo, prontinho, sem ter que sofrer muito aqui fora.

Sigo curtindo a expectativa da chegada dele, mas, tomei essa decisão importante: de dar um tempo. É necessário, não é frescura (vejam bem que isso sou eu tentando me convencer de que preciso ficar quieta!).

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Só pra não ficarem preocupadas: cheguei em casa, tomei um banho bem quentinho, marido fez massagem, carinhos e eu adormeci no colo dele, sem mais nenhum incomodo. Ou sejE: foi só um dia cansativo e um psicológico estafado, nada mais! Ou sejE #2: Sossega o facho, Carolina!
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30 to go e outros

Então que a boa é não sumir, né?
Beleza, mesmo sem assunto, lá vamos nós escrever um post por dia. Miaturem, por favor.

Até porque hoje é dia 03 e, oficialmente, faltam 30 dias pra minha DPP.

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Ontem tive consulta com a médica querida. Como sempre, foi super ótimo, rimos muito e eu abestalhadamente esqueci de perguntar da episiotomia. Mas ok, hoje tenho encontro com a parteira, pergunto pra ela.

Fora isso, está tudo bem com a gente: Luquinhas segue nadando numa boa em sua piscina amniótica e seu coração tá ok. Engordei quase dois quilos nos últimos 15 dias (u-huuu!), a barriga cresceu como deveria, a pressão arterial segue ótima. Fiz um exame novo, coisa terrível dignidade-free: um teste para streptococus. Esse exame serve para verificar a presenca de uma bactéria que pode prejudicar o baby na hora do parto. Se der positivo, eu tomo uma medicação antes de parir e tudo ok. Mas a falta de dignidade e sensualização não tá na bactéria em si, mas sim na forma de testar sua presença no corpitcho: enfiam-se cotonetes naS buracaS lááá embaixo. Numa hora, tamos ouvindo o coração do bebê, aquele clima de ROMANCE e VIDA; na outra, tamos com cotonetes acoplados as partes. Com o marido do lado. TODOS CURTEM.

Você amiga, você mulher. Que achou que teu marido já tinha visto de um tudo e que já tava de bom tamanho. Ele viu teu muco na época das tentativas, teu palito-teste mijado quando você descobriu a gravidez, teu vomito matinal de primeiro trimestre, teu pum fora de hora quando a barriga começou a crescer, te ajudou a depilar quando você parou de ver a virilha, te escutou roncar quando o bebê cresceu demais e pressionou o diafragma. Agora, quando você achava que já tava legal de REALIDADE, ele teve a chance de conferir como você fica BONITA de pernas abertas na mesa da médica, pés apoiadinhos naquele suporte do mal e ainda por cima cotonetes embutidos.

Gravidez é GLAMOUR, gente. Cabelos sedosos, pele macia, barriga redondinha, cotonete no coo.

Mas bem, fora essa delícia de exame, minhas próximas semanas serão agitadinhas, tenho muitos outros pra fazer: uns laboratoriais, risco cirúrgico, eletrocardiograma, uma vacininha pra tomar e um ultimo teste que aqui chama “monitoreo fetal”. Não sei do que se trata, mas acho que é aquele que amarram uma faixa na barriga e ficam escutando o coração do bebê enquanto medem contrações. Ultrassom não tem mais e, a partir da próxima consulta, já terei encontros semanais com a médica.

Fora isso, tenho que organizar tudo no trabalho pra entrar de licença, INCLUINDO selecionar e contratar outro assistente, o meu atual pediu demissão, puxa-puxa. Se eu tivesse nas minhas CNTPs, teria ficado louca com um processo seletivo tão em cima da hora, mas já me conformei: quando eu desci pra este planeta, pra esta vida, eu escolhi a opção “COM EMOSSAUM”. Então, quando as coisas ficam calmas demais, eu desconfio. Vambora escolher outro assistente com a corda no pescoço, tudo vai dar certo!

***

Amanhã eu volto – sempre e quando eu seguir com o bebê na barriga! – pra mais um importante informe dessa minha vidinha, ok?
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Nasceu?

Não gente, nasceu não.

Dei uma sumida esse final de semana e percebi que não posso mais fazer isso não. Todo mundo fica preocupado, achando que o bebê nasceu, ligando, mandando email. Foi mal, folks, prometo que não sumo mais, viu? (ou só desapareço mesmo se o bebê nascer, ho-ho)

Por mais que eu ache essa preocupação engraçada – afinal 35 semanas não são 41 – parece que tem realmente algo rondando. Notei que a barriga deu uma estufada esses dias e tenho sentido mais pressão lááá embaixo. Daí essa noite passei com bastante contração de novo, mas segui o conselho da médica e observei. Como não passou (só diminuiu) e a coisa toda me deixou sem dormir, fiquei em casa descansando hoje. Maridón até perguntou se eu queria que ele ficasse comigo. Pra quê, gente? Pra empurrar de volta caso a criança decida descer? Precisa não, fofis, vai trabalhar. Se acontecer algo mais emocionante, eu ligo, ele volta correndo, tudo certo.

E bem, de emocionante, aconteceram duas coisas: resolvi o causo da infiltração (bem mais fácil e rápido do que eu pensava, nem vamos precisar quebrar nada agora! U.F.A.) e uma das colegas do trabalho que compartilhava gravidez comigo pariu ontem. No dia que completou 37 semanas. ARFE. Olha nóis na sexta agora, comparando barrigas:


Mari (a parida, na foto com 36 semanas e 5 dias), eu (com 35 fechadas) e Josefina (com 30)


Vocês vêem barriga baixa na amiga Mari parida? Cara de PARTURIENTE? Lua mudando sobre nossas cabeças?

Não. Nem eu.

Daí me deu um NEUVOSO. Uma GASTURA. O que mais chega nimim é história de gente que pariu com 35, 36 semanas. Posso não, povo, não tô pronta. Por mais que eu queira que aconteça logo, pre-ci-so das minhas 4 semanas de espera, tenho taaanta coisa pra fazer!

Aí que a mocinha faxineira tava por aqui hoje e só sabia rir de mim: mesmo com pressão na amiga lááá embaixo e iminente contração, lá fui eu toda torta terminar de lavar as roupas. Mesmo que não consiga passar tudo, lavado tem que estar – eu pensava. E toca Carolina abrindo e fechando porta de armário e gavetas, refazendo listas, revisando mala do hospital (a do baby tá pronta! A da mommy ainda tá no plano da idéia, lógeco). Até entrei em contato com a pessoa que tá fazendo as lembrancinhas da maternidade, mandei adiantar o pedido, porque “moça, eu vou mórrer se meu filho nascer e eu não tiver os cacarequinhos prontos pra distribuir no hospital”. De suma importância.

Super pode ser deu ficar barriguda, cheia de lembrancinhas prontas e roupinhas tinindo de tão passadas e lavadas e nada mais acontecer. Mas sei lá, seguro morreu de velho. Confesso que tô achando divertida essa história, essa expectativa engraçada, esse ar de que algo muito incrível está por acontecer. E tá mesmo, não?!
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