ou Um post enorme
ou Leia se tiver saco
Eu gosto desse assunto. Gosto desde muito antes de engravidar ou mesmo antes de pensar que tinha chegado a minha hora de tentar o filho. Já li muito sobre o tema, tanto que acho que já até esqueci algumas informações importantes!
Mas enfim, depois de muito mudar de opinião, ouvir opinião, estudar, discutir e pensar, hoje estava lendo o
ótimo post da
Carol e isso me inspirou a falar sobre alguns detalhes da minha decisão sobre o parto do Lucas. Sim, a decisão está tomada, é consciente e só será modificada caso seja necessário.
Lucas nascerá de parto normal. Não chamo esse parto de “natural” porque não será na minha casa, nem tampouco com equipe humanizada acompanhando. Cheguei a cogitar o parto domiciliar, mas meu marido não quer nem ouvir falar no assunto. Ele tem medo. Medo esse que eu acho que é mais desinformação do que qualquer outra coisa, mas já tentei fazê-lo mudar de idéia e ele é bem rígido com isso. Aceitei. E eu escuto sua opinião porque ele não é desses que não se envolve, muito pelo contrário: às vezes acho que se envolve mais do que eu. Sabe tudo de tudo com relação à gravidez e aos bebês, não se recusa a discutir nenhum tema, me atura, me cuida, me apóia. Inclusive, a onda naturebis é muito mais dele do que minha; desde que o conheço ele é um cara mais da homeopatia, da não-medicação, da observação do corpo e tudo mais. Raramente o vejo medicando uma febre ou tomando comprimidos no primeiro sinal de dor de cabeça. Ele prefere tentar alívios naturais antes de se encher de químicos. Sendo assim, se o limite deste homem incrível que me acompanha é ter o filho em ambiente hospitalar, eu estou com ele: vamos ter o filho no hospital.
Sobre a equipe humanizada: já briguei muito com esse assunto. Não entra na minha cabeça fazer parte de um dos melhores planos de saúde da Argentina e ainda ter que pagar médicos por fora. Não é por falta de dinheiro (nem excesso, hihi), é mais porque não vejo sentido mesmo e ainda por cima descobri que muitos profissionais que se dizem “humanizados” usam as mesmas práticas que os do plano, esses simples e mortais médicos. Então por que pagar mais por uma coisa que já pago? Vamos catar alguém legal no plano mesmo.
Até chegar na obstetra que me acompanha, eu passei por uns que detestava. Foi difícil, mas conseguimos chegar numa opção que amamos. Ela me convence por uma coisa incrivelmente humana que tem (olha, que coisa): ela tem uma capacidade natural de me deixar calma. Sempre saio da consulta com ela flutuando nas nuvens, confiante, sinto que ela sabe fazer a contenção que eu preciso. Falou a palavra “cesárea” uma vez ao longo desses oito meses: quando eu perguntei se existia essa possibilidade. Só existiu uma vez, que foi quando o Lucas tava ainda sentadinho na barriga. Isso já mudou e, pronto, o assunto morreu. Ela não faz exames desnecessários: me pediu apenas 4 ultras ao longo de toda a gestação (um deles só porque eu tive hematoma no comecinho, senão seriam só 3, um por trimestre), duas análises de sangue, duas vacinas e nunca me receitou remédio algum. Só se eu pedisse - aí teve um contra enjôo e um contra gases, hihihhi. Fora isso, ela sempre receita: repouso, descanso, banho morninho e tentar ter calma. Sempre elogia minha pressão, o tamanho da barriga, responde tranquilamente as minhas perguntas repetidas, faz até desenho. Atende o telefone celular a qualquer hora do dia e da noite e nunca parece irritada ou incomodada com nada. Meu único porém com ela foi o diagnóstico da diabetes gestacional, mas não acho que comprometeu a ponto deu querer mudar de médico.
Ela também me indicou a parteira, minha nova paixão. Estou tendo encontros semanais com ela, no curso pré-natal, e gosto muito da forma dela de pensar. Não é nada radical ou xiita, é simplesmente uma pessoa com a voz boa, expressão doce, interessada no bom nascimento, de acordo com o que nós – as famílias – quisermos. Não se fala em cesárea nesse curso, mas muito em contração, em puxos (ela evita citar “dor” ou “sofrimento”), na importância da respiração e de deixar o corpo fazer o que precisa. Na semana passada, pra meu deleite total, foi dito “não vamos ensinar vocês a fazerem o que já sabem. Vocês já sabem parir, o corpo feminino foi feito pra isso. Estamos aqui pra dizer como vai acontecer o entorno, pra que tudo as deixe mais seguras”. Juro gente, quase chorei. Precisava que alguém verbalizasse o que eu já sabia: eu vou parir meu filho. EU.
Pelamordedeos, não to falando que quem teve cesárea não pariu ou algo do tipo: só estou contando pra vocês de um grande amor que está crescendo em mim, esse de sentir tudo que envolve o nascimento do meu filho. Não vejo mal em idealizar o parto, pelo contrário, acho que dessa forma eu conseguirei lutar pelo que acho melhor pra gente (se é que alguma luta será necessária). Se eu tiver que passar por uma cirurgia, ficarei triste SIM. Entenderei e aceitarei, mas não será motivo de alegria. E pronto, falei. Ufa. Mas daí, não confundam, por favor: o nascimento do meu filho será motivo de alegria mesmo que ele saia pela minha boca, não importa. A cirurgia, não.
E não pensem vocês que essa decisão é fácil. Pra deixar meu filho vir quando ele quiser, eu terei que excluir os avôs dele do processo. Óbvio que eles virão pra acompanhar os primeiros momentos do Lucas, mas, pra quando marcam passagem? Alguém sabe quando o bebê vai nascer? Pois é, não se sabe. Se eu marcasse a cesárea, tudo seria mais simples: os teríamos aqui na hora certa, eles poderiam ver o netinho nascendo, depois de devidamente acomodados no hotel e liberados de suas obrigações de trabalho/vida lá no Brasil. Sem essa data, hmmm, a gente vive de apostas. Os dois (avô e avó) marcaram pra época das 40 semanas, mas já avisei que a minha médica espera até 41 e meia pra induzir o parto (o que eu achei bem legal, aliás). Só que meu pai, por exemplo, só pode ficar 5 dias. O que significa que se o bebê não nascer até 40 semanas e 5 dias, tchau vovô, a gente se vê em dezembro, tá? Difícil, gente.
Mas enfim, conversei com os envolvidos, falei das minhas crenças e escolhas e, ok, vamos ver quando chegar mais pra frente. Embora seja chato e custoso, passagens se remarcam, compromissos se resolvem de outras formas, hotéis com vaga existem. O foco é o melhor pro Lucas, então sigamos nisso.
Então que o parto será no hospital, estarei acompanhada de parteira e, no final, chega a obstetra (já falei aqui no blog algumas vezes que a médica não fica o trabalho de parto todo do meu lado, ela só é chamada no final). A idéia é que eu passe o começo do TP em casa, encontre com a parteira no hospital (enquanto isso, ela vai monitorando por telefone) e seja internada a partir dos 3 cm de dilatação. Diz ela que a maioria das primíparas chega com uns 5 cm. Daí, dependendo da dilatação, vou pro quarto. Se já estiver mais avançada, vou pra sala de parto diretamente. Não se permite ter o bebê no tal quarto, precisa ir prum ambiente mais estéril possível (meio que discordei, mas enfim). Quando da internação, eu usarei uma camisola própria do hospital e me farão um acesso de soro na veia. O pai trocará de roupa apenas quando a gestante for pra sala de parto (porque precisa estar todo mundo esterelizado, ai meu deus).
Fiquei preocupada com esse “sorinho”, mas a parteira garantiu que não tem nada de ocitocina aí (aí a gente dá as mãos e acredita, porque o tal do soro é inegociável: internou, tem que ter furo no braço). Só vão me dar o hormônio caso exista indicação pra isso. Ok. Porém, ela nos garantiu que o soro é colocado de uma forma pensada pra ser menos incômoda possível, ou seja, que me permita movimentos, trocas de posição, andanças, banhos. Nada disso será proibido, inclusive eu poderei parir na posição que me sentir melhor. Como comentei no post anterior, também não se faz tricotomia (brigada Lia!), nem enema (brigada Lia!). Ela disse que faz quem quer e fora do ambiente do hospital, ou seja, se eu quiser chegar lá de virilha cavada e com a pancinha sem cocô (êta papo bom), posso providenciar. Eu penso seriamente em dar uma boa depilada, mas não sei o quanto isso influencia ou não no caso de levar pontos lááá na amiga. Fico na dúvida. Sobre o cocô, nem ligo. Tô cagando, ha-ha (meu deus, que infame). Ainda mais que a parteira disse que mulher que faz cocô na hora do parto não é avisada do assunto, o ocorrido vira “segredo médico”. A equipe tá acostumada, limpa rapidinho e todo mundo faz cara de paisagem. Então ótimo, o que os (meus) olhos não vêem, o (meu) coração não sente.
Sobre anestesia, também já falei no post anterior: só tomo se quiser. A parteira dá força pra seguir sem, mas também sugere caso eu chegue no hospital com 1 cm de dilatação e já arrancando os cabelos. O que ela recomenda, na verdade, é que a eu espere pra ver como funciona a minha resistência. Se eu quiser, é só falar com ela que ela chama o anestesista e cuida da burocracia do assunto (magina eu cheia de dor tendo que pensar em chamar alguém?). Mas, particularmente, não tenho medo da dor do parto não (deveria?). Sei que estarei no hospital e com a opção de acabar com a dor quando quiser, então fico ainda mais tranquila.
O que mais me preocupa nesse processo, na verdade, é a tal da episiotomia. Eu realmente ainda não sei sobre esse assunto, se é de praxe da minha médica fazer ou não. Eu prefiro terminantemente que não, mas muita gente já me disse que não é nada de mais. Confesso que preciso me informar e tomar uma decisão. Tenho pra mim que, se conseguir me mexer durante as contrações, puder escolher as melhores posições pra ficar, se tiver o apoio psicológico necessário e, com tudo isso, não precisar de anestesia, minhas chances da expulsão em si ser feita com calma são maiores. E com isso, diminuo a chance de ter laceração. Ou do bebe não descer direito. Ou sei lá mais o quê que seria indicação de episio. Também li (nos comentários e numa indicação da Pat) pra fazer exercícios pra preparar o períneo, então to nessa também. Ainda não comecei com as massagens em si, mas já comecei com aquela coisa de segurar/soltar o xixi, parece que ajuda.
Ainda terei aulas de parto com fórceps (deusmelivre) e cesárea (deusmelivre de novo). Vou prestar atenção e preparar a mente pra entender que nem tudo está sob meu controle. Porém, sigo na luta pra realizar meu sonho e, por enquanto, esse é meu objetivo, meu foco e meu objeto de estudo, leitura e desejo.
Enfim. Nossa, quanta coisa precisa pensar pra simplesmente fazer o que meu corpo já sabe, não? Mas tudo bem, eu to animada e confiante. E certa da minha decisão.
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