35 semanas, o casamento real e a contração de mentira

Daí que acordei às 6h prum xixizinho básico e tive a pior idéia: dar uma ligadinha na televisão pra ver qual era a do casamento de Kate e William.

ERRO.

Porque, além de ter ficado assistindo à programação mais sem importância dos últimos tempos, eu ainda inventei de ficar emotiva. E chorar.

Chorei porque a Victoria Beckham tá grávida (de novo) e esquelética (de novo) e o marido dela é lindo (de novo).

Chorei porque o William é tão simpático e parecia tão feliz.

Chorei porque eu também tava tão feliz no dia do meu casamento.

Chorei a cada mãe que entrava e me imaginei no casamento do Lucas.

Chorei porque a Lady Di não estava.

Chorei porque a minha mãe não está.

Chorei porque vou ser mãe.

Chorei porque eu terei um filho que pode vir a casar um dia na abadia de Westminster com 2000 convidados.

Enfim, chorei porque tô grávida, vamos combinar.



E deveria ter ficado dormindo.

***

Até porque a pessoa aqui, que ficou palestrando ontem sobre parto e tal, teve uma noite de contrações doloridinhas. Irregulares, fracas, mas contrações. Já sei, é normal, não fiquei doidinha tipo da outra vez. Quer dizer, doidinha eu fico sempre, mas agora foi com bom humor: tentei lembrar das técnicas de respiração que aprendi e aproveitar o discurso da parteira “a falsa contração é sua amiga, aproveite pra treinar e fique feliz que seu corpo está se preparando”.

Tá bom, parteira, a contração é minha amiga e eu sou feliz.

Daí eu ria. E esquecia de respirar. E doía. E falava “ai ai ai” e ria mais um pouco.

Cheguei no trabalho, fui fazer minhas coisas. Levantei pra mais um xixi e, puft, contração. Eu tava em pé e doeu um pouco, parei pra respirar (e rir também porque a contração é minha amiga e eu sou feliz) e esperei passar pra seguir a vida. O povo em volta percebeu. Comoção total, os doidjos achando que eu ia parir ali mesmo. Caras de espanto, gente cogitando pegar carro pra me levar no hospital. Ai santa desinformação.

Ni qui passou a dorzinha, eu fechei a cara e falei “gente, água quente e toalhas, por favor, é agora!”. Hahahahahahaha, que maldade. O povo é educado na base de filme e novela e fica achando que a vida é assim: um espirro, um bebê. Eu hein.

***

35 semanas, gente. EMOSSAUM.
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O parto e eu

ou Um post enorme
ou Leia se tiver saco


Eu gosto desse assunto. Gosto desde muito antes de engravidar ou mesmo antes de pensar que tinha chegado a minha hora de tentar o filho. Já li muito sobre o tema, tanto que acho que já até esqueci algumas informações importantes!

Mas enfim, depois de muito mudar de opinião, ouvir opinião, estudar, discutir e pensar, hoje estava lendo o ótimo post da Carol e isso me inspirou a falar sobre alguns detalhes da minha decisão sobre o parto do Lucas. Sim, a decisão está tomada, é consciente e só será modificada caso seja necessário.

Lucas nascerá de parto normal. Não chamo esse parto de “natural” porque não será na minha casa, nem tampouco com equipe humanizada acompanhando. Cheguei a cogitar o parto domiciliar, mas meu marido não quer nem ouvir falar no assunto. Ele tem medo. Medo esse que eu acho que é mais desinformação do que qualquer outra coisa, mas já tentei fazê-lo mudar de idéia e ele é bem rígido com isso. Aceitei. E eu escuto sua opinião porque ele não é desses que não se envolve, muito pelo contrário: às vezes acho que se envolve mais do que eu. Sabe tudo de tudo com relação à gravidez e aos bebês, não se recusa a discutir nenhum tema, me atura, me cuida, me apóia. Inclusive, a onda naturebis é muito mais dele do que minha; desde que o conheço ele é um cara mais da homeopatia, da não-medicação, da observação do corpo e tudo mais. Raramente o vejo medicando uma febre ou tomando comprimidos no primeiro sinal de dor de cabeça. Ele prefere tentar alívios naturais antes de se encher de químicos. Sendo assim, se o limite deste homem incrível que me acompanha é ter o filho em ambiente hospitalar, eu estou com ele: vamos ter o filho no hospital.

Sobre a equipe humanizada: já briguei muito com esse assunto. Não entra na minha cabeça fazer parte de um dos melhores planos de saúde da Argentina e ainda ter que pagar médicos por fora. Não é por falta de dinheiro (nem excesso, hihi), é mais porque não vejo sentido mesmo e ainda por cima descobri que muitos profissionais que se dizem “humanizados” usam as mesmas práticas que os do plano, esses simples e mortais médicos. Então por que pagar mais por uma coisa que já pago? Vamos catar alguém legal no plano mesmo.

Até chegar na obstetra que me acompanha, eu passei por uns que detestava. Foi difícil, mas conseguimos chegar numa opção que amamos. Ela me convence por uma coisa incrivelmente humana que tem (olha, que coisa): ela tem uma capacidade natural de me deixar calma. Sempre saio da consulta com ela flutuando nas nuvens, confiante, sinto que ela sabe fazer a contenção que eu preciso. Falou a palavra “cesárea” uma vez ao longo desses oito meses: quando eu perguntei se existia essa possibilidade. Só existiu uma vez, que foi quando o Lucas tava ainda sentadinho na barriga. Isso já mudou e, pronto, o assunto morreu. Ela não faz exames desnecessários: me pediu apenas 4 ultras ao longo de toda a gestação (um deles só porque eu tive hematoma no comecinho, senão seriam só 3, um por trimestre), duas análises de sangue, duas vacinas e nunca me receitou remédio algum. Só se eu pedisse - aí teve um contra enjôo e um contra gases, hihihhi. Fora isso, ela sempre receita: repouso, descanso, banho morninho e tentar ter calma. Sempre elogia minha pressão, o tamanho da barriga, responde tranquilamente as minhas perguntas repetidas, faz até desenho. Atende o telefone celular a qualquer hora do dia e da noite e nunca parece irritada ou incomodada com nada. Meu único porém com ela foi o diagnóstico da diabetes gestacional, mas não acho que comprometeu a ponto deu querer mudar de médico.

Ela também me indicou a parteira, minha nova paixão. Estou tendo encontros semanais com ela, no curso pré-natal, e gosto muito da forma dela de pensar. Não é nada radical ou xiita, é simplesmente uma pessoa com a voz boa, expressão doce, interessada no bom nascimento, de acordo com o que nós – as famílias – quisermos. Não se fala em cesárea nesse curso, mas muito em contração, em puxos (ela evita citar “dor” ou “sofrimento”), na importância da respiração e de deixar o corpo fazer o que precisa. Na semana passada, pra meu deleite total, foi dito “não vamos ensinar vocês a fazerem o que já sabem. Vocês já sabem parir, o corpo feminino foi feito pra isso. Estamos aqui pra dizer como vai acontecer o entorno, pra que tudo as deixe mais seguras”. Juro gente, quase chorei. Precisava que alguém verbalizasse o que eu já sabia: eu vou parir meu filho. EU.

Pelamordedeos, não to falando que quem teve cesárea não pariu ou algo do tipo: só estou contando pra vocês de um grande amor que está crescendo em mim, esse de sentir tudo que envolve o nascimento do meu filho. Não vejo mal em idealizar o parto, pelo contrário, acho que dessa forma eu conseguirei lutar pelo que acho melhor pra gente (se é que alguma luta será necessária). Se eu tiver que passar por uma cirurgia, ficarei triste SIM. Entenderei e aceitarei, mas não será motivo de alegria. E pronto, falei. Ufa. Mas daí, não confundam, por favor: o nascimento do meu filho será motivo de alegria mesmo que ele saia pela minha boca, não importa. A cirurgia, não.

E não pensem vocês que essa decisão é fácil. Pra deixar meu filho vir quando ele quiser, eu terei que excluir os avôs dele do processo. Óbvio que eles virão pra acompanhar os primeiros momentos do Lucas, mas, pra quando marcam passagem? Alguém sabe quando o bebê vai nascer? Pois é, não se sabe. Se eu marcasse a cesárea, tudo seria mais simples: os teríamos aqui na hora certa, eles poderiam ver o netinho nascendo, depois de devidamente acomodados no hotel e liberados de suas obrigações de trabalho/vida lá no Brasil. Sem essa data, hmmm, a gente vive de apostas. Os dois (avô e avó) marcaram pra época das 40 semanas, mas já avisei que a minha médica espera até 41 e meia pra induzir o parto (o que eu achei bem legal, aliás). Só que meu pai, por exemplo, só pode ficar 5 dias. O que significa que se o bebê não nascer até 40 semanas e 5 dias, tchau vovô, a gente se vê em dezembro, tá? Difícil, gente.

Mas enfim, conversei com os envolvidos, falei das minhas crenças e escolhas e, ok, vamos ver quando chegar mais pra frente. Embora seja chato e custoso, passagens se remarcam, compromissos se resolvem de outras formas, hotéis com vaga existem. O foco é o melhor pro Lucas, então sigamos nisso.

Então que o parto será no hospital, estarei acompanhada de parteira e, no final, chega a obstetra (já falei aqui no blog algumas vezes que a médica não fica o trabalho de parto todo do meu lado, ela só é chamada no final). A idéia é que eu passe o começo do TP em casa, encontre com a parteira no hospital (enquanto isso, ela vai monitorando por telefone) e seja internada a partir dos 3 cm de dilatação. Diz ela que a maioria das primíparas chega com uns 5 cm. Daí, dependendo da dilatação, vou pro quarto. Se já estiver mais avançada, vou pra sala de parto diretamente. Não se permite ter o bebê no tal quarto, precisa ir prum ambiente mais estéril possível (meio que discordei, mas enfim). Quando da internação, eu usarei uma camisola própria do hospital e me farão um acesso de soro na veia. O pai trocará de roupa apenas quando a gestante for pra sala de parto (porque precisa estar todo mundo esterelizado, ai meu deus).

Fiquei preocupada com esse “sorinho”, mas a parteira garantiu que não tem nada de ocitocina aí (aí a gente dá as mãos e acredita, porque o tal do soro é inegociável: internou, tem que ter furo no braço). Só vão me dar o hormônio caso exista indicação pra isso. Ok. Porém, ela nos garantiu que o soro é colocado de uma forma pensada pra ser menos incômoda possível, ou seja, que me permita movimentos, trocas de posição, andanças, banhos. Nada disso será proibido, inclusive eu poderei parir na posição que me sentir melhor. Como comentei no post anterior, também não se faz tricotomia (brigada Lia!), nem enema (brigada Lia!). Ela disse que faz quem quer e fora do ambiente do hospital, ou seja, se eu quiser chegar lá de virilha cavada e com a pancinha sem cocô (êta papo bom), posso providenciar. Eu penso seriamente em dar uma boa depilada, mas não sei o quanto isso influencia ou não no caso de levar pontos lááá na amiga. Fico na dúvida. Sobre o cocô, nem ligo. Tô cagando, ha-ha (meu deus, que infame). Ainda mais que a parteira disse que mulher que faz cocô na hora do parto não é avisada do assunto, o ocorrido vira “segredo médico”. A equipe tá acostumada, limpa rapidinho e todo mundo faz cara de paisagem. Então ótimo, o que os (meus) olhos não vêem, o (meu) coração não sente.

Sobre anestesia, também já falei no post anterior: só tomo se quiser. A parteira dá força pra seguir sem, mas também sugere caso eu chegue no hospital com 1 cm de dilatação e já arrancando os cabelos. O que ela recomenda, na verdade, é que a eu espere pra ver como funciona a minha resistência. Se eu quiser, é só falar com ela que ela chama o anestesista e cuida da burocracia do assunto (magina eu cheia de dor tendo que pensar em chamar alguém?). Mas, particularmente, não tenho medo da dor do parto não (deveria?). Sei que estarei no hospital e com a opção de acabar com a dor quando quiser, então fico ainda mais tranquila.

O que mais me preocupa nesse processo, na verdade, é a tal da episiotomia. Eu realmente ainda não sei sobre esse assunto, se é de praxe da minha médica fazer ou não. Eu prefiro terminantemente que não, mas muita gente já me disse que não é nada de mais. Confesso que preciso me informar e tomar uma decisão. Tenho pra mim que, se conseguir me mexer durante as contrações, puder escolher as melhores posições pra ficar, se tiver o apoio psicológico necessário e, com tudo isso, não precisar de anestesia, minhas chances da expulsão em si ser feita com calma são maiores. E com isso, diminuo a chance de ter laceração. Ou do bebe não descer direito. Ou sei lá mais o quê que seria indicação de episio. Também li (nos comentários e numa indicação da Pat) pra fazer exercícios pra preparar o períneo, então to nessa também. Ainda não comecei com as massagens em si, mas já comecei com aquela coisa de segurar/soltar o xixi, parece que ajuda.

Ainda terei aulas de parto com fórceps (deusmelivre) e cesárea (deusmelivre de novo). Vou prestar atenção e preparar a mente pra entender que nem tudo está sob meu controle. Porém, sigo na luta pra realizar meu sonho e, por enquanto, esse é meu objetivo, meu foco e meu objeto de estudo, leitura e desejo.

Enfim. Nossa, quanta coisa precisa pensar pra simplesmente fazer o que meu corpo já sabe, não? Mas tudo bem, eu to animada e confiante. E certa da minha decisão.
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Oito meses

Tem várias coisas que eu escrevo e não publico. Mas não apago nada e, às vezes, volto nelas. Pra reler, pra me entender, sei lá. Num desses retornos, encontrei:

“o tempo. acho que é uma das coisas mais subjetivas que eu já conheci.
o ano passado passou rapidinho, mas este exato instante está demorando anos.”

De acordo com o gravidômetro e com as minhas contas louquinhas, hoje completo oito meses de barriga. Só falta um pra tudo isso acabar. Ou começar.

O sentimento é estranho, ambíguo: ao mesmo tempo que morro de curiosidade pra ver a carinha do meu filho, quero muito saber aproveitar o hoje. Quero curtir meus últimos momentinhos de casal com o marido, mas não tenho mais vontade de sexo, nem de filminho, nem de jantar que não seja pra ficar ho-ras falando do pequeno. Quero viver uma vida normal, sair com as amigas e curtir a falta de horário que existe hoje, mas já tenho pouca paciência pra aglomerações, me sinto cansada, não dá pra beber, fumar, dançar, comer qualquer merda. Fico aqui esperando a grande mudança que está por vir – e sei que virá – mas muitas delas já aconteceram. Eu já sou outra pessoa.

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Daí que oito meses depois, já me sinto segura pra tirar pelo menos uma conclusão: gravidez é um treco muito chato. Desculpem meninas que se sentiram lindas, abençoadas e plenas, comigo não foi assim. Vai ver foi porque emendei uma gravidez na outra e me sinto grávida há praticamente um ano. Vai ver foi porque me estressei demais a cada coisinha que foi aparecendo ao longo do caminho. Vai ver é porque já deu, já tô cansada, já entendi o que é ficar grávida, bebê mexendo, emoção de ultrassom, fome fora de hora, barriga apontando, essas coisas. Já tô pronta pro que vem a seguir.

Enfim. Pelo menos fiz vinte mil fotos e escrevi vinte mil textos, minha experiência fica guardada, documentada e sempre à minha disposição pra eu voltar nela quando quiser. Mesmo sendo uma experiência chata, he-he.

Maaas, o que tem de novo? Hmmmm, pensemos:

- o enxoval tá pronto e óbvio que eu acho que exagerei. Tenho lavado as roupas e passado tudo, aos poucos. Faltam umas coisiquitas, tipo cortinas (que acho que não vou comprar agora, visto que rola uma infiltração no teto e talvez o quartinho do baby entre em obras de novo – ai meus sais), álcool (que se resolve em qualquer ida à farmácia) e as tais conchas formadoras de mamilos, que foram recomendadas pela professora de lactação do curso pré-natal que tô fazendo. De coisas práticas, falta assinar a renovação do aluguel e resolver essa coisa da infiltração (marido tá com isso e eu não quero saber muito do assunto, segui conselhos de vocês e me afastei, pra não estressar a essa altura do campeonato). Já tô com data fechada pra início da licença-maternidade (e pra isso eu conto os minutos: faltam 23 dias), já tô arrumando a malinha do hospital, já tô quase fechando com uma moça pra nos ajudar com os serviços da casa todo dia (atualmente, tenho faxineira uma vez por semana).

- não tive mais contrações doloridas, só a barriga dura de sempre. Mas, embora a pancinha seja pequena (e é, gente, hoje eu comparei no curso pré-natal: eu sou a mais magrela e menos redonda abdominalmente falando), ela já tá pesando. E não é só isso: já tenho um pouco de respiração ofegante e dificuldade de mudar de lado na cama. E cada vez que mudo de lado, dá vontade de fazer xixi. Então tô assim num sono picado e leve, coisa mais chata. Também não aguento mais andar muito, nem ficar muito tempo em pé. Idosa feelings, gente.

- sobre a barriga pequena: eu sei, o assunto é chato. Nem eu me aguento mais com essa chateação. Acho que o grande problema foi a pseudo-diabetes gestacional. Digo pseudo porque em momento algum eu tive pico de glicose, mesmo me jogando no chocolate de páscoa, mesmo comendo sorvete, mesmo comendo massas, pizzas. O que mudei de verdade foi: zero coca-cola e acrescentei saladas e frutas aos meus hábitos. Então fiquei assim: comendo mal, mas comendo bem, sabe como? Só que comecei a emagrecer. Aí fiquei com medo pelo bebê e agora me esforço pra engordar. Dentro dos parâmetros básicos de controle que eu tenho que fazer (mesmo achando que não tenho diabetes, mas enfim), eu como mesmo. E sabe quanto eu engordei, até agora? 3 quilos. Em TODA a gravidez. Sigo preocupada com o Lucas, sei lá se o bichinho tá engordando direito. Eu tenho a impressão que a barriga não cresce há umas três semanas, mas chego na consulta com a médica e ela mede e vê que cresceu sim. Vou discordar da fita métrica? Não dá, né. Na semana passada, às 33 semanas e 3 dias, a altura uterina media 34 cm. O que é ótimo, adequadíssimo. Se fosse outra época, eu já inventava de fazer ultrassom pra ver qual é a do crescimento do baby. Mas putz, fiz um com 30 semanas, tava tudo muito bem, minha GO diz que não precisa de mais nenhum e eu mesma já nem quero mais. Quero parir, pode?

- Sim! Pode parir! Minha parteira que o diga. Descobri várias coisas muito legais sobre o parto esses últimos dias: posso escolher posição pra parir (inclusive entrar no banho de água quente no hospital mesmo), não tem depilação forçada (como chama essa prática?), não tem lavagem intestinal forçada (como chama essa prática? #2), marido pode e deve estar em todos os momentos, bebê só é separado de mim na hora de pesar e fazer as checagens básicas iniciais (mas o hospital encoraja que isso tudo seja feito no colo do pai), depois volta pro meu colinho e saímos juntos da sala de parto rumo ao quarto de hospital. Não tem sorinho na veia – ok, tem, mas não é de ocitocina (só me dão ocitocina caso exista alguma indicação e me consultam sobre isso antes). Só rola analgesia se eu quiser, não é prática-padrão do hospital (e a parteira incentiva a não tomar, mas respeita caso eu queira). Ainda preciso me informar mais sobre episiotomia (MEDO) e sobre os procedimentos com o bebê logo depois que nasce. Já fiquei sabendo que pesam, medem, dão vacina de vitamina K e aplicam colírio. Eu e marido concordamos em lutar pelo não-colírio (o resto, ok, que façam), mas ainda não sei qual é a abertura do hospital e da equipe quanto a isso. Mas, só de saber que, em nascendo em boas condições, o bebê não será separado de mim, já fico muito feliz e tranquila.

Eeeenfim.

Falta um mês, gente.
Vai ser demorado PACAS, mas vambora, que venham as últimas semaninhas!
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As árvores somos nozes

(hein? que porra de título é esse?)



Já mostrei para vocês os meus amadinhos?

Óia eles aí:


Chimi Churri – esse é o baby dog original, pessoa canina da marca beagle. Folgado, teimoso e cheio de carinhas e expressões engraçadas. Quem olha essa foto até acha que é um docinho, mas né nada: não respeita a bolha pessoal de ninguém, senta no colo, lambe a cara mesmo.



Diana – essa é a dog que não é baby. Mulher adulta da marca vira-lata, pessoa sábia, calma, vivida, sabe tanto que chega a ser meio blasé. Pede carinho com a maior doçura, mas é ciumenta e late pro irmão (também pudera, ele é chato pra caraleo). Seu nome foi dado em homenagem a Lady Di, porque ela é de uma classe, de formosura quase monárquica.

Lucas – esse é o filho humano, que ainda está embutido na minha barriga. Diz o Pedro (o marido) que inclusive essa minha barriga parece meio fake: eu teria colocado uma bola de futebol embaixo do vestido e saí na rua assim, só pra furar a fila do mercado. Mas voltando ao Lucas: apesar dele não ter me engordado muito, é um serumano que parece estar sempre crescendo, além de mexer bastante – mas só quando quer e só quando não tem ninguém vendo. Se eu me empolgo e solto um “bota a mão aqui, ele tá mexendo!”, ele para na hora e me deixa com cara de mentirosa diante da colegagi. Ontem eu resolvi que tava de saco cheio de prestar atenção nele e resolvi pensar em outros assuntos. Pra quê? O bichinho mexeu o dia todoooo, non-stop.





E essa é todo mundo junto, num esforço master blaster pra foto dar certo (e não deu, mas enfim, vale a intenção). To num looove com essas pessoinhas todas... ai ai!
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Momento siachei linda



ah, mas foto de grávida às vezes é um negócio tão bonitinho, né não?!
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34 semanas e um quase susto

Desde muito tempo (sei lá quando, minha memória já tá falhando), tenho contrações. São irregulares, nem sempre a barriga fica toda dura, nem sempre eu sinto.

Nunca nem cheguei a comentar isso com a médica, achava totalmente normal.

Só que, desde a semana passada, algumas contrações são doloridinhas. É coisa pouca, parece cólica menstrual fraca. Contei isso pra médica na última consulta que tivemos, na segunda passada, e ela sugeriu que poderia ser intestinal (oi, gases!), mas, de qualquer forma, era pra eu tomar um buscopan simples, repousar e observar se parava. Que o máximo que iria acontecer seria o bebê nascer. Rá.

Mas ok. Na minha médica, we trust.

No dia seguinte, ou melhor, na noite seguinte, passei com muitas dores. Ainda fracas, mas mais frequentes. Segui o conselho dela de repousar e observar: não fui trabalhar, tomei o buscopan. Passei o dia melhor e, de noite, me animei de ir no shopping comprar umas coisas que faltavam e comer. Ni qui... voltam as porras das contrações. Com dor. E com frequencia. Contei três em menos de meia hora. ARFE.

Resolvi que era hora de ligar pra parteira e ela se alarmou, a coisa tinha uma carinha de trabalho de parto. Maaas, antes de botar todo mundo tenso e sair loucamente pro hospital, pediu pra eu tomar mais um buscopan e descansar. Fiz e... parou tudo.

Passei o dia bem, fiquei confiante novamente, fui passar uma vassoura na casa e cozinhar e... mais contração. Outro buscopan, repousinho e pronto, cabou de novo. A parteira disse que, a partir de agora, é bom dar uma diminuída no ritmo, pois parece que estou sensível a essas movimentações mais agitadas (bater perna no shopping, ficar em pé muito tempo, fazer serviços domésticos etc.). Tinha planos de passear numa cidade próxima agora durante o feriado, mas já cancelei. Não vou parar de trabalhar nem nada, mas fato é que as coisas irão mais devagar.

Não fico nervosa se o Lucas resolver nascer por agora. Não é o ideal, mas, se Deus quiser, daria pra solucionar. Porém, estou com algumas dúvidas: é normal isso, meu povo? Contração falsa dói? Eu juro que achava que não... Será que é só uma preparação do meu corpo? Não tive nenhum tipo de perda de muco ou sangue, o bebê segue mexendo normalmente, não tenho dores nas costas e, sempre que paro com o que estou fazendo e tomo o tal do remédio, tudo fica ok de novo. Sendo assim, what the fuck tá rolando, gentes?

Minha médica e a parteira dizem que, se for trabalho de parto, a coisa vai rolar sem parar e vai se intensificar, não tem buscopan dourado que segure o processo. Se tá segurando, não é nada. Mas, até onde preciso ficar alerta? Será que é bom resolver a mala da maternidade, só assim, por via das dúvidas?

Enfim... não tô tensa não, só estou, digamos, em alerta (e viciada em chocolate - que meleca que é a propaganda da Páscoa, criou em mim uma necessidade primordial de almoçar e jantar o ovo Milka com Amêndoas que meu marido me deu, ai ai. Nossa Senhora dos Quase Diabéticos, segura na minha mão que eu vou ali comer um pedacinho de chocolate e já volto).
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Grávida é um bicho muito bobo

Confessem aí, donas grávidas: a gente é tudo coisa doidja.

Porque olha só a boboca aqui: ontem, eu tive uma noite merda de insônia, de ansiedade, de olhão arregalado na madrugada. Pra completar, cólicas e contrações (leves, não se desesperem). Pra melhorar, o remédio não fazia nem cosquinha. Pra ficar ainda mais legal, arrumei uma enxaqueca. Daí não fui trabalhar hoje. Ainda sem pregar o olho, comecei a olhar pras paredes. Descobri uma infiltração no meu quarto. Fui olhar no quarto do bebê e, ó supresa!, a infiltração tá indo pra lá também. Resolvi que não vou me preocupar com isso, não tenho mais ânimo pra problema chato não. Se tiver que fazer obra, vamos fazer e foda-se, ninguém morre por causa de obra, né? Então tá, decidi passar roupinhas do bebê. Com dor de cabeça, cólica e infiltração. Ganhei de presente uma dor nas costas pra completar.

Essas chateaçãoes do dia-a-dia seriam suficientes pra grávida aqui ficar doidona de ódio.

Mas cês acham que eu fiquei?

Na-na-ni-na-nã.


Primeiro porque sou uma pessoa equilibrada.


*pausa pras gargalhadas.


Segundo, porque... chegou o kit berço!!!!!!!! EEEEEEEEEEEEEEEEEEEEE! A maior chateação do enxoval do Luquinhas ACABOU! Êta emossaum.

Não é o mais bonito que eu já vi, nem o que imaginei quando começamos a montar o quarto, mas baseada em tudo que vocês me falaram e assustada com os preços ABUSIVOS desses mini pedaços de pano, achei que a minha escolha foi bem legal. Mandei fazer mais ou menos do meu jeito, o preço foi justo, a entrega conforme combinado, fiquei felizinha.



A girafinha amada do meu coração também ficou felizinha, cês num acham?
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Blogagem coletiva: amamentação na Argentina

Taí um tema obscuro pra mim. Em toda a minha preparação pra chegada do baby – vocês que acompanham, sabem – eu pensei em quase todo o possível e o impossível, mas nunca toquei no assunto amamentação. Sou capaz de ler atentamente a fóruns sobre bebês prematuros (sendo que Lucas nunca deu sinal de que nasceria antes), mas não consigo ler 4 linhas sobre dar as peitas. Sendo que ele vai precisar comer. Ai ai.

Sinceramente, não sei o que rola comigo. Acho que tenho um medo louco de amamentar, muito maior que medo de dor do parto ou de quebrar recém-nascido ou de afogá-lo durante o banho de banheira. Por isso, eu não sei muito sobre como é a realidade da amamentação na Argentina. Pelo pouco que pude pescar, rola um incentivo pra que as mães amamentem os babies, inclusive depois que voltam da licença-maternidade (que aqui é muito curtinha, dura 3 meses apenas). Sempre que eu entro em lojas de coisas pra bebês, vejo alguém comprando esses kits de Avent de extração de leite, sabe? Sinal de que a mulherada tá preocupada e quer manter a alimentação adequada dos filhos no peito, mesmo depois que voltam a trabalhar.

Onde eu trabalho, por exemplo, já acompanhei duas mocinhas voltando de licença e as duas se desdobravam o dia inteiro pra tirar e congelar seus leitinhos. Mas, ao mesmo tempo (e pelo menos pelos lugares por onde passo), não vejo um moooonte de mãe com as peitas de fora alimentando seus filhos não. Por coincidência, ontem na sala de espera da minha médica (tive consulta de rotina), vi uma mãe tentando amamentar. Dava pra ver que ela não tinha experiência nenhuma: o bebê era minúsculo, claramente tinha nascido há poucos dias, e ela tava toda sem jeito, precisa de alguém que o segurasse enquanto ela levantava a blusa e enfiava o peito na boca do menino - que berrava de fome.

Fiquei prestando atenção ao redor pra ver a reação das pessoas e percebi que ninguém ficava olhando não. Senti, assim bem empiricamente, que é normal dar de mamar, não é uma coisa que chame muito a atenção, embora eu não veja muito por aí. Maaas, me lembrei de uma ocasião em que me perguntaram se eu sou dessas naturebas que saem mostrando o peitão por aí na hora de amamentar... daí senti que as pessoas aqui encaram este como um ato mais de intimidade (mesmo que aconteça na rua), por isso a pergunta. Mas, confesso que não curti muito esse questionamento não: diante da fome do meu filho acho que a opinião alheia será minha última preocupação. Mas, como amamentação é meu fantasma feio, logo arquivei o assunto e deixei pra lá.

Até que comecei o curso pré-parto com a minha parteira. E a primeira aula era sobre qual assunto, adivinhem? Amamentação. Decidi abrir a mente e entender a coisa toda. A mocinha ia falando e eu achando que já sabia tudo. Saber, eu sabia mesmo, já tinha me deparado com vários textos por aí que diziam a mesma coisa. Mas nunca tinha me envolvido, sei lá. Pois bem, daí ela pergunta pra turma como estão preparando os seios pra amamentar. Rá. Eu sou a única que não responde. Mas, enfim, peguei as dicas e já comecei a preparação: creme de calêndula natural duas vezes por dia, massageando levemente mamilos e aureolas. Massagem nos seios durante o banho, sem passar sabão ou óleos, com a idéia de manter a pele bem natural e sem químicas. E pronto.

A aula em si foi ótima, a professora era bastante humanizada, falava de contato pele com pele, de amamentar até os dois aninhos, da participação do pai como contenção e incentivo, da volta ao trabalho, da importância do humor e relaxamento da mãe pra tudo dar certo, do quanto os palpites e encheções de saco alheios podem comprometer o processo... curti muito, peguei ótimas dicas. E todo mundo da turma sorria muito e balançava a cabeça como que confirmando as palavras dela, então entendi que estão de cabeça aberta, pelo menos. E que, assim como pensam sobre o parto normal, é óbvio que vão achar super normal uma mãe que dá o peito pro filho. Sem grandes neuras.

Além disso, descobri que existem grupos de apoio a amamentação e cursos de lactação, além da visita diária de uma especialista em aleitamento nos dias de internação na maternidade, pra ver como estão indo as coisas. Inclusive, a professora do curso tem formação em psicologia da lactação (e obviamente eu peguei os telefones dela pra consultar caso tenha problemas). Mas, não consegui descobrir se existem bancos de leite, fico devendo esse dado. De qualquer forma, acho que informação e ajuda estão disponíveis pra quem quiser aqui na Argentina. Basta querer.

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E eu? Bem, acho que chegou a minha hora de prestar mais atenção ao assunto. Alguém tem alguma sugestão boa de leitura? Dicas? Rezas brabas? To aceitando, viu.

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Saiba como funciona a amamentação em outros países, acessando o link da nossa blogagem coletiva!
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Sobre os peludinhos

Ontem comecei uma parte do plano “Adaptações pra chegada do Lucas”, que foi tirar os cachorros de cima da minha cama. Na minha casa é meio isso: a gente não tem muita noção de higiene ama muitos os babies peludos, então abraça, beija, dorme junto, simisturatudootempotodo. Só que vira um inferno, a casa, o chão, a cama, as gavetas, as roupas, tudo fica cheio de pelos, é impossível de administrar.

Até que cheguei no limite: fui abrir uma gavetinha de roupas JÁ LAVADAS do Lucas e o que encontrei lá dentro? Pelo de cachorro. PUTAMERDA (foi aí que comecei a chorar "minha casa é imunda, eu nao tenho condicoes de ter um filho, buááá" - que comentei no post anterior). Sendo que os cachorros quase nem entram no quarto dele, tem grade de proteção na porta. O problema é que a gente é mole e vai deixando, vai deixando... não que eu ache que meu filho vai morrer de comer um pelinho (até porque, é melhor eu já aceitar: ele vai comer pelinhos). Mas puxa, deitar com o rostinho num travesseiro todo peludo não é agradável. Muito menos encontrar marca de pata preta no lençol branco limpinho recém-trocado.

Mesmo sabendo que, com cachorro em casa, eu sempre vou ter que ficar varrendo e aspirando e limpando e rezando pra nao cair mais pelo, decidi colocar uns limites. Tipo esse que comentei aí em cima: lugar de cachorro não é em cima da minha cama. Confesso que, nessa primeira noite, fui eu quem deu uma sofrida. Fiquei com saudade, atenta ao que estavam fazendo, levantei de madrugada mais que o normal só pra checar como estavam. E, apesar de meio perdidos no começo, andando de um lado pro outro, eles entenderam o recado e dormiram placidamente na sala (em cima do sofá, arfe, mas ok, essa mania a gente tira depois).

Outra coisa que temos pensado é na reação deles com a chegada do baby. Já li várias dicas e opiniões, mas ainda não sei bem qual usar. Muitos dizem pra deixar os cachorros cheirarem as coisicas do bebê, pra ir acostumando. Isso eu já fiz: chamei os dois e abri gaveta por gaveta, deixei cheirar o quanto quisessem. A louca aqui ficou cheirando junto (sidentificando com os caninos, meodeos). Ainda por cima fiquei conversando com eles, explicando o que era cada coisa, pra que servia e quem ia usar aquela tralha toda. CERTEZA que entenderam.

Mas as dicas vão além: já ouvi falar que é legal dar coisas usadas pelo baby pra eles cheirarem antes mesmo de conhecerem o novo morador da casa. Tipo: quando Pedro vier em casa dar comida pra eles (durante o período que eu estiver na maternidade), seria legal já trazer uma mantinha usada pra eles irem se acostumando. Será? E também sobre a minha própria chegada em casa (já com o baby no colo): deixo o cachorro cheirar o baby? Lamber? Levar lá pra fora pra brincar e arrancar pedaço das bochechas gordinhas? Hihihihih.

Pessoas que não tem cachorro e não entendem lhufas do que eu to falando: não se desesperem. Óbvio que higiene e supervisão são primordiais pro relacionamento bebê-cãozinho. Mas é legal pensar no bem-estar de TODOS os que vivem na minha casa, né? Não quero que seja um choque pra eles essa mudança toda que vai acontecer, meus cachorros não são enfeites da minha casa, eu vivo com eles e prezo muito pra que se sintam sempre felizes, acolhidos, queridos. Fora que acho o máximo crianças que se relacionam bem com os bichinhos – conviver com eles é a chave, eu acho. Eu era uma chata de marca maior, morria de medo e chorava, que criança chata, cruzcredo.

Meu filho não vai ser chatonildo tipo eu não. Vai ser fofildinho e amigo dos animais, tipo o pai quando criança, óia que fofice:

 nhó!


Mas, e vocês, pessoas mães de humanos e bichinhos, fizeram alguma adaptação especial para chegada do mini-humano em casa?
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Nada não

Tenho estado com muita fome. Não sei se tenho diabetes gestacional. Comprei uma barra de chocolate. Não sei muito bem porquê. Agora tenho vontade de comer chocolate o tempo todo, só porque a bendita barra está aqui. Engordei, finalmente. Minha glicose segue controlada. Será mesmo que tenho diabetes gestacional? Vou comer mais um quadradinho de chocolate, acho que não pega nada não. Me senti estranha e comecei a chorar. Pedro riu, depois veio me abraçar. Fiquei tão preocupada com enxoval que acho que o Lucas tem coisas demais. Será que ele vai usar tudo? Como faço pra lavar isso tudo? A máquina de lavar é meio velha e às vezes mancha as roupas. Não quero manchar as roupas do meu filho. Filho. Puta merda, eu vou ter um filho. Falta um mês e meio. Um mês e meio passam voando. Mas parece que falta muito. Colocamos o bebê-conforto no carro. Engraçado como não temos a menor habilidade pra essas coisas. Fiquei imaginando o bebê ali dentro, sofrendo com a minha falta de jeito. Parei definitivamente de dirigir e, por causa do air bag, ainda por cima viajo no banco de trás. Fico chamando o Pedro de “Jarbas, O Motorista” e enchendo o saco sobre como ele dirige. Não sei como ele atura, mas, confesso, às vezes me dá um prazer sádico irritá-lo um pouquinho. Comecei o curso pré-parto. A aula era sobre amamentação e eu já sabia tudo que a professora falava. Serei muito foda, excelente pré-mãe ou simplesmente uma obcecada? Conheci a parteira. Descobri que terei que pagar pelos serviços dela. Fiquei braba porque tudo nesse mundo é pago. Às vezes penso demais em dinheiro. Não deveria. Minha mãe pensou muito em dinheiro e morreu de repente, sem levar um tostão furado com ela. Essa lição precisa ser aprendida. São muitas lições pra aprender, preciso de um bloquinho pra registrar. Ou de um blog. Opa, já tenho um blog. Por que será que eu tenho um blog? Hmmm, que fome, acho que vou comer mais um quadradinho de chocolate.
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Alguém me explica?

se lavar roupa é chato e ver roupas estendidas é das coisas mais sem graça do mundo, me digam por que essas imagens são tão lindinhas?


hein?


hein?


hein?
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Diga trinta e três

na verdade, o dia de dizer t-r-i-n-t-a e t-r-ê-s semanas de gravidez é só amanhã, mas o que são algumas horinhas até à meia-noite, não?

E também resolvi dar um pulinho aqui agora que tive um minutinho de descanso, essa semana tá BRABA, não tô tendo tempo pra nadinha. Acho que é a primeira semana da vida que fico sem ler emails direito, sem entrar em gtalk ou msn, sem olhar muito pro facebook, sem ler blogs (se li 2 durante esse tempo, foi muuito). E, olha, até sobrevivo, viu, mas me deu uma saudaaaaade, uma vontade de saber como vocês estão! Eta mundo virtual doido.

E eu? Eu tô bem, ó:


(meio sem dignidade, com os cabelos molhados e sem vontade de acertar essa cor esquisita da foto no photoshop. Miperdoam?)


Acho essa barriga pe-que-na, mas sei que o habitante dela tá com peso normal e parece estar feliz aí dentro (mexe bastantinho), então vamos em frente, né? Que essa neura de barriga já tá muito last season.

E vocês, tão bem? Tô com saudades!!! Volto em breve pra gente papear mais, prometo.

;)
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Rapidinhas rápidas para registrar os momentos que merecem – parte 7 de infinitas

- O causo do apê se resolveu: o proprietário quer seguir alugando sim. Aumentou o preço um pouco mais do que eu acho que meu bolso gostaria, mas cortou uma das taxas que deveríamos pagar no ato da renovação (e a todas que me ajudaram falando um pouco de como funciona no Brasil, obrigada! Mas aqui tem umas taxas das quais não podemos fugir mesmo...). Apesar de caro, pensamos bastante e decidimos ficar, essa grana a mais é pouca perto do quanto vale a minha tranquilidade agora. Estou bem mais calma, feliz e quero seguir morando no meu apêzinho querido, então resolvemos ficar. Fim do sofrimento!

- No mesmo dia, fiquei sabendo que meu bônus de mérito do trabalho tinha sido aprovado e que tinha saído um pagamento de uns frilas que Maridón havia feito. Ou seja: duas graninhas legais chegaram no mesmo dia, que bom. Tá loonge de ser uma fortuna, mas serve pra acalmar o coração de qualquer pessoa que há 5 segundos atrás estava preocupada com o aumento no valor do aluguel.

- Ainda nesse mesmo dia (que foi uma felicidade só, por sinal), nos ligaram da concessionária avisando que o carrinho que compramos tava pronto pra ser retirado (mais de um mês depois, haja saco pra esperar). Fomos lá bem bestinhas e felizes, buscar o nosso primeiro carro ever. Felicidade da classe média dividida em bonitas parcelas, vamos combinar. Mas e daí, né? Tanto é uma alegria que todo mundo que sabia ficava dando parabéns, achei engraçado. Eu nunca dei parabéns pra quem comprou carro, mas ganhei vários. Enfim, curti.

- Daí que, na saída da concessionária, eu, que não dirigia há tempos e não sabia direito os caminhos, não quis pegar no carro. Maridón trouxe e eu vim de co-pilota encheção de saco "olha o sinal, olha a seta, passa a marcha", essas coisas agradáveis. Mas, no dia seguinte, precisamos dar uma saída e eu encarei. E desde então, quem dirige sou eu, AMARRADONA. Insegura, com um senso de direção digno de cego em tiroteio e péssima estacionadora. E daí? Dirigir o seu próprio carro, com cheirinho de novo e ainda por cima com bebê mexendo na barriga é uma delícia.

- Essa saída do dia seguinte, a primeira em que dirigi, foi pra terminar o enxoval de Luquitchous. Compramos várias coisinhas e, ufa, tá quaaaase acabando. Faltam bobeiras, tipo álcool, algodão, cabides. Também falta comprar a cortina, mas estamos esperando o kit berço chegar, pra ver o que combina mais. Tampouco comprei coisas pra mim, mas estou esperando as orientações de parteira pra não comprar errado ou a mais (o curso com ela começa agora na terça!).

- Dito isso, resolvi começar a lavar roupinhas. Como o final de semana foi beeem agitado e eu já tava cansadinha, lavei só os gorrinhos e os babadores. Coisa pouca. Cismei de lavar na mão e saí desinfetando tudo em volta antes de começar (inclusive o secador de roupas, inclusive o balde – que era novo e exclusivo para este fim –, inclusive eumesma e, se algum cachorro tivesse chegado perto, acho que eu teria passado álcool-gel nele também). Lavei com um sabãozinho líquido específico para bebês, tudo na água morninha e depois ainda passei peça por peça. Desinfetei a gaveta da cômoda antes de guardar as coisas e já deixei o pote de álcool morando por ali mesmo, caso alguém queira meter a mão na coisas (será que devo pôr um alarme ali? Assim evitamos mãozão na gaveta de roupas lavadas do meu filho...).

- Como tudo isso deu muito trabalho, acho que vou aproveitar a experiência apenas pra rir de mim mesma e nada mais: a próxima leva de roupas vai pra máquina de lavar. He-he.
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Blogagem coletiva - maternidade real

Gente,

Hoje tá rolando uma blogagem coletiva muito legal, sobre Maternidade Real. O que é ideal, o que é possível quando o assunto são os filhos?

Será que o perfeito não é inimigo do bom nessas horas? (muitas vezes eu acho que sim)

Achei a proposta muito legal e tentei escrever vááárias vezes (cheguei a apagar uns 3 textos inteiros que estavam prontinhos pra sair do forno), mas realmente não saiu. Fora o óbvio de que ainda não sou mamãe e nem tenho tanta experiência pra relatar, estou precisando me fechar na minha conchinha... coisas de gravidez, acredito eu. Já já eu volto.

Mas bem, como o assunto é imperdível, recomendo fortemente dar uma passada no blog da Carol Passuelo (mommy espertona que idealizou a blogagem) e visitar os blogs participantes!
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Acabou que...

brincar de "Um Dia de Fúria" no blog no mesmo dia que um homem entra num colégio do Rio atirando e mata várias criancas acabou ficando uma piada de super mal gosto.

Desculpe gente, só agora fiquei sabendo desse triste ocorrido.

***

Ainda nao tenho resposta do apartamento, Marido conseguiu falar com o proprietário e parece que ele nao tem problemas de renovar, mas nao quer dar uma resposta definitiva pois precisa falar com a imobiliária, ver novos precos etc.

Ok.

O máximo que vai acontecer é eu ter que me mudar e isso nao é tragédia nenhuma. Nada como um pouco de perspectiva pra por a gente de volta no lugar.
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Um dia de fúria

Pronto. Acabo de jogar pela janela toda pseudo-calma que fui aprendendo ao longo dos sete meses e uma semana que já durou essa gravidez.

Tentei ligar dezoito mil vezes pro proprietário do apê, tentei falar com a imobiliária, li a lei de inquilinato da Argentina, li meu contrato. Ainda não consegui resolver nada, to na mesma de ontem.

Mas, valeu muito a pena escrever o post, recebi muitas palavrinhas de ajuda, apoio e torcida. Legal mesmo.

Até que recebi um comentário de uma mocinha pedindo dicas de Buenos Aires. Ah, gente. Ah... gente. SÉRIO? Sério que no post que eu falo que to DESESPERADA, com barrigão pesando e sem confirmação de moradia alguém vem PEDIR DICAS?

Até apaguei o comentário, sabe. Eu ficaria menos ofendida se tivessem me chamado de chata, ansiosa, neurótica ou qualquer coisa dessas. Fiquei num ódio tão grande, numa vontade de queimar todos os guias turísticos que eu conheço sobre Buenos Aires, explodir todos os aviões de brasileiros mal educados que vem encher o saco o tempo todo achando que são a última coca-cola gelada do deserto, queria entrar numa loja da Havana atirando em turistas, quero afogar todo mundo em 900 litros de sorvete Fredo e, finalmente, derrubar o Obelisco e quebrar as pernas dos dançarinos de tango.

Eu sou o Michael Douglas PUTO na lanchonete porque o sanduíche é ridiculamente diferente do da foto.



(vejam a partir de 01:05, é uma boa lavada na alma)


Bem, depois do vídeo, já fiquei melhor. Eu não sou assim não, tá gente? Eu sou agradável, simpática, pessoa do bem e não tenho nenhum problema em dar dicas de coisa nenhuma. Mas hoje NÃO.

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Uma vez, quando eu ainda tava grávida do bebezico que virou anjinho, eu escrevi uma coisa que nunca mais esqueço. E hoje, me sinto ingualzinha, então repito:

Estou descompensada.
Estou louca.
Estou incontrolável.
Estou grávida.

***

HUMPF.
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Um despejo iminente

Vida de adulto é um negócio que pode ser uber chato, às vezes.

Vou explicar rápido porque, se eu me alongar, vou começar a gritar (sei lá como via internet, mas to prestes a gritar mesmo): meu contrato de aluguel do apê onde moro vai vencer. No final do mês que vem.

(alguém se lembra de algum outro contrato de aluguel vencendo no final do mês que vem? Não? Eu lembro: o do meu útero – Luquinhas será despejado em breve, sem possibilidade de renovação)

Pois bem.

Eu já sabia disso, mas achava que, pra renovar contrato era só ir lá na imobiliária, assinar uns papeis e beijo-tchau-te vejo em dois anos.

Aí, falei pro marido, por via das dúvidas: quando você for lá pagar o aluguel (tem que pagar diretamente na imobiliária, olha que moderno, olha que prático, olha como imprime Novo Milênio), confirma a renovação e pergunta se os reajustes seguirão os mesmos (meu contrato vai reajustando conforme a inflação aproximada).

Aí sabe o que falaram na imobiliária? Ah, vai vencer, é? Mas a gente nem sabe se o proprietário quer seguir alugando, nem como ele fará o novo preço... ah, pra renovar, precisa pagar mais taxa disso, taxa daquilo, taxa daquilo outro... sai por módicos muitos dinheiros, tá? Mas, no mês que vem a gente vê isso...

Oi?

OI?

O-I?

Mês que vem????

MÊS QUE VEM?????????????

IMAGINARAM TODA A MERDA QUE EU IMAGINEI EM 5 SEGUNDOS?
Neste exato momento, eu não sei:
- se terei onde morar em menos de dois meses
- se meu proprietário vai querer renovar
- se ele vai fazer um preço justo na renovação
- eu terei grana pra pagar o novo preço dele
- se o Lucas já estará entre nós ou não caso tenhamos que nos mudar
- se eu terei SAÚDE pra procurar apê e fazer mudança nesse curto espaço de tempo entre A MERDA e O NASCIMENTO DO MEU FILHO.

E pensar que acabei de fazer obra no quarto dele... ai ai ai. Por essa, eu não estava esperando, gente.


Ok, pode ser que não aconteça nada e amanhã o cara me ligue pra dizer que vai renovar sim, tudo ok, e que o preço será reajustado normalmente (aliás, é o que espero que aconteça). Porém, não posso ser ingênua, preciso estar ligada e começar a dar uma olhada nos aluguéis por aí, né?

Seria tão mais fácil se eu não tivesse que pensar em nada disso, se pudesse ficar simplesmente preocupada em alisar a minha barriga... mas aí não teria graça, né. Porque na minha vida é assim: cabou uma emoção, começa logo outra.

Pelo menos, dos males, o menor: meu filho está bem, mexe numa boa o dia todo e enfiar o pé na costela da mãe é o último grito da moda no meio da vida intra-uterina. Tudo certo, vamos em frente.

***

Daí eu fiz um paralelo doido e comecei a entender um pouco da angústia que deve ser estar na pele de um recém-nascido. Se eu to histérica com a possibilidade de não ter mais a casinha que eu gosto tanto e ter que me adaptar a um lugar novo, imagina a sensação de ser despejado, sem aviso-prévio, sem te consultarem, do lugar mais maravilhoso do mundo, que é o útero da mãe? Temperatura ideal, comida o tempo todo, escurinho, soninho, preguicinha, vozes engraçadas ao fundo, paredes fofinhas pra brincar de pular e umas costelinhas pra enfiar o pé. Daí, de uma hora pra outra: CABOU.

Putamerda. Coitados.

Vou tentar lembrar disso quando o Lucas histericar de chorar sem motivo aparente.

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Então é isso, gentes. Torçam por mim? Pra eu ficar no apezinho que eu tanto gosto e não ter que entrar numa aventura de mudança no oitavo mês de gestação?

Brigadona.
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Dos prazeres de estar grávida, parte 2

Comentei aqui uma vez que já não vejo mais a amiga láááá embaixo, né? Pois é, sigo sem vê-la, mas ela se faz perceber por ali. Sabe como? Doendo.

Pois é. A novidade da semana é que os ossinhos lá de baixo resolveram doer todos, o tempo inteiro. Parece que cavalguei o dia todo (ah, suas maldosas, não pensem besteira, minha vida sexual anda tão agitada que o máximo do êxtase é ir trabalhar e aprovar chamadas dos filmes eróticos – não entendeu nada? Entenda). Mas enfim, é isso. Dói pra andar, dói pra ficar em pé, dói pra viver. Mentira. Quando estou sentadinha ou deitada, tudo fica melhor.

Ou não.

Quando estou sentada, o Lucas acha gostoso apoiar o pé nas minhas costelas, me deixando tortinha (já comentei isso aqui também). Quando eu deito, ele aproveita que a pança está jogadona e espaçosa e começa o comportamento Alien - ou Polvo, como tenho percebido atualmente. Porque é um tal de chutar e passar membros de um lado pro outro que eu fico na dúvida se são realmente 2 braços e 2 pernas. Acho que, na verdade, tá mais pra meia dúzia de braços e meia dúzia de pernas.

E o bebê pesa, sabe. Não me sinto gorda, nem nada (magina, se eu me sentisse gorda, eu poderia me sentir louca também, afinal to numa magreza que só), mas é muita pressão nos ossinhos que doem e na bexiga que está prestes a explodir.

Mas não to reclamando não, só acho divertido estar assim. Mais divertido ainda acha a minha médica, contei isso pra ela ontem e ela ficou rindo. É porque não é contigo, sua piranha. Falou que faz parte do terceiro tri, que é o bebê lentamente se encaixando e a bacia se abrindo pra dar passagem a ele. Fora isso, não reclamou do meu emagrecimento, disse que esperava que eu perdesse um pouco mesmo. Como o bebê está bem, ela achou tudo tranqüilo. Mediu barriga, pesou, verificou pressão arterial, tudo certinho. E, finalmente, me indicou a parteira.

Liguei pra dona parteira (personagem nova na novela dessa minha vida) e começarei o tal do curso pré-natal na semana que vem. Serão 6 aulas, uma por semana, num horário ótimo e convidativo pra quem trabalha: as quatro da tarde. PELAMOR. Quando marido-participativo souber disso, vai querer morrer. O engraçado dessa ligação pra parteira foi o comentário dela “nossa, você já tá de 31 semanas, vem logo pro curso senão você nem chega a tempo!”. OI? E eu achando que falta um montão ainda.

Mas só eu acho isso: minha família, por exemplo, já fica ligando pra gente, meio que neUvosa, querendo saber se tá tudo pronto, se estamos ansiosos, se a mala da maternidade já tá preparada (hahaha, faz-me rir). Até então, eu não tava nada tensa, nem me lembrava direito que a coisa tá chegando perto. Mas com tanta sugestão, a gente começa a acreditar, né não? Daí resolvi que preciso terminar o enxoval nesse final de semana agora (é possível, Carolina! – repitam em coro comigo, faz favor), já fiz uma listinha de coisas pra por na mala da maternidade e, se Deus e a minha força de vontade quiserem, em breve começo a lavar as roupas do Lucas.

***

E falando em Lucas, queria pedir um pouquinho de pensamento positivo de vocês pra outro Luquinhas, que não o meu: o da amiga blogueira Mércia. Ele se apressou e nasceu antes do tempo, agora está na UTI Neo Natal se fortalecendo.

Mércia, duvido que você tenha tempo ou cabeça pra ler aqui, mas quero registrar que to em oração pro Lucas se fortalecer e o tempo de hospital ser bem curtinho, viu?

;)

Chá de Lucas

Daí que eu era contra. Tinha vergonha de pedir presente, to meio limitada com a coisa da diabetes, achava que seria um evento chaterésemo pra quem fosse convidado, não tava com saco de organizar nada, nem pedir que organizassem pra mim.

Deixei quieto.

Até que, num belo dia, recebi o email mais fofo da Mari, minha amiga bonita e empreendedora, dona do hotel mais fofo em que eu já estive. Ela dizia que eu sou muito querida, que as pessoas fazem questão de mim e que eu preciso lembrar que tenho sim uma rede de apoio aqui (eu tenho a feia mania de nunca pedir ajuda, nunca lembrar que as pessoas estão aqui por mim também). Sugeriu um almocinho, que eu escolhesse o restaurante. Assim, ficaria uma coisa mais descompromissada, cada um paga a sua, vai quem quer e tudo certo. Sem listona de presente, sem rococó de lembrancinhas, decoração e outras chateações.

Óbvio que amei o email e amei a idéia. E marquei um almocinho só de meninas, que foi no sábado.

A.M.E.I.

E agora, recomendo fortemente, seja qual for a sua onda: permita-se. Seu filho acoplado à barriga merece comemoração, qualquer que seja. Eu fiz a coisa mais low profile possível e amei, era exatamente o que eu queria. Bati muito papo com as amigas, ganhei presentinhos excelentes e muito úteis que me fizeram respirar um pouco da coisa toda do enxoval, falamos um monte do Lucas, Lucas, Lucas, de família, maridos, namorados, comemos coisinhas gostosas (três vivas pra sobremesa, que tava incrível – comi doce!) e fechamos o dia passeando pelas ruas fofas de Palermo.


Da esquerda pra direita: Clara, Silvia, eumerma, Gina (também gravidinha, só que de dois babies!), Tati, Martinha, Aline e Mari (falta Nadja na foto!)



Maridón curtiu tanto a idéia (=ficou com tanta inveja) que decidiu fazer um eventinho com os amigos dele também, só pra poder falaaaar sobre o bebê (sim gente, meu marido é desses que tem opinião sobre fraldas, parto e decoração do quartinho).

E vocês, gentes? Fizeram/vão fazer chá de baby?
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Sobre diabetes gestacional

Sei que já reclamei falei bastante sobre o tema aqui no blog, mas estive relendo e acho que ficou tudo meio capenga. Como recebi muitas perguntas sobre o assunto, quis contar melhor pra vocês sobre o que aconteceu e sobre como estou me tratando.

Pra entender melhor o que é diabetes gestacional, qualquer Googleada vai te ajudar. Basicamente, é uma condição que só acontece na gravidez e é causada pela placenta, carga hormonal exagerada que se produz nesse período (que afeta o funcionamento da insulina) e, consequentemente, faz com que a gente fique com níveis exagerados de açúcar no sangue.

Para o baby, os principais riscos são: ele nascer macrossômico (leia-se grande demais), o que dificulta muito um parto normal (recentemente saiu uma notícia de uma mãe que teve um baby de 7 quilos, que nasceu assim pela diabetes gestacional que ela teve, não soube e não tratou); icterícia, problemas respiratórios e hipoglicemia (ele tá super acostumado com muita glicose – da mãe – e, de repente, fica só com a dele). Além disso, dizem que a criança tem maior risco de desenvolver obesidade e a própria diabetes no futuro. Pra mãe, o risco é único e apavorante (na minha opinião): seguir diabética pra sempre ou desenvolver uma em breve. Mas, a grande maioria dos casos que escutei são de sucesso: logo depois do parto, a mãe já tava toda trabalhada no chocolate e no sorvete sem grandes neuras.

A diabetes gestacional é tratada, basicamente, com dieta de controle do açúcar, cafeína e carboidratos, além de acompanhamento de endócrino, exames de sangue mais constantes e medição de glicose todo dia. Em alguns casos, precisa ir pra insulina mesmo.

No meu caso, descobri no exame de sangue de rotina do final do segundo trimestre. No exame de rotina do primeiro tri, estava tudo normalíssimo, mas como me queixei com a minha médica que estava sentindo muita sede e indo demais ao banheiro fazer xixi, ela desconfiou e pediu o exame de glicose com curva glicêmica (esse que você tira sangue em jejum, toma um líquido doce e duas horas depois, tira sangue de novo pra ver como evoluiu a glicose no organismo). Muitos médicos não pedem esse exame no segundo tri caso o teu primeiro tenha saído normal. É bom ficar atenta ao corpo e conversar sobre essas besteirinhas com o médico, mas sem neuras – beber muita água e fazer muito xixi é NORMAL na gravidez. Não deixe de comentar com ele, mas também não inventa de fazer auto-diagnóstico (tipo eu), não vale a pena!

Pra quem gosta de números: meu exame, em jejum, deu 91 mg/dl e, depois da overdose do suquinho doce, fui a 159 mg/dl. Quando peguei esse resultado, sabia que boa coisa não era e liguei imediatamente pra médica. Ela falou quer era diabetes sim e quem nem precisava repetir o exame, mas que eu precisava de acompanhamento com endocrinologista. Nos dois dias de espaço entre o diagnóstico e a ida ao novo médico, eu fiquei DESESPERADA. Quase não comi, tava perdida, confusa e me achando uma bomba ambulante de açúcar.

Depois que comecei o tratamento específico, aconteceu uma coisa mágica: aprendi a conhecer meu metabolismo. Com a ajuda das medições de furar dedinho (naaada de mais, só precisa de um mínimo de organização e atenção aos horários de comer), comecei a ver o que eu tolero e o que eu não tolero. Percebi meus melhores horários e fui me adaptando, observando sempre de não comer açúcar NUNCA, cafeína NUNCA, farinha branca raramente e evitando carboidratos heavy. Também aprendi uns truques: se eu ficar afins de comer macarrão, prefiro o integral. Se não tiver, jogo um saladão junto e meu corpo absorve melhor a massa. Se eu quiser dar uma chutadela de balde (outro dia fui ao Mc Donalds, acreditem, e minha glicose não teve pico), faço na hora do almoço, porque as atividades do dia vão me ajudar a processar melhor o açúcar (comer um montão de besteiras e ir dormir é o pior que há!).

Meu maior aprendizado foi fazer uso do bom senso. Se quero comer pizza, escolho alguma que tenha pelo menos um verdinho enfeitando em cima (uma rúcula, um manjericão, qualquer coisa). Quando comi no Mc Donalds, escolhi um sanduíche sem molhos e não adicionei ketchup ou mostarda, além de ter pedido a porção pequena. Em casa e quando tenho escolha, prefiro comer tudo integral (o corpo demora mais pra processar e, com isso, a absorção do açúcar é mais lenta e não te dá pico). Tomo suco natural e, quando preciso adoçar, uso adoçantes naturais (Linea ou Stevia, mais adequados pra gestantes). Fujo de aspartame, mas, tomo sim refrigerante zero no final de semana ou quando dá vontade (Fanta Laranja Zero é minha paixão atual, hehe). E, por último e mais chocante: quando fico LOUCA, eu me rendo. Como açúcar SIM.

Só aconteceu duas vezes até hoje e eu controlei pra que desse certo – e deu: tomei um copinho de sorvete e uma fatia de torta de limão. AÇÚCAR BRANCO HEAVY DO MAL DO CAPETA. Mas, nos dois casos, foi assim: longe das refeições (quanto mais separado você for comendo ao longo do dia, melhor), porções pequenas e com muito prazer no coração. Medi a glicose 120 minutos depois (que é o correto pra ver a reação do corpo a determinadas comidas) e tava tudo bem.

Isso e o meu emagrecimento recente tem me feito pensar que talvez esse diagnóstico de diabetes não proceda. Talvez eu estivesse numa semana muito ruim de alimentação quando fiz o exame, talvez eu tenha só algum tipo de intolerância. Não sei. O pessoal que convive comigo (galera do trabalho e Maridón) concorda. Meus valores atuais estão sempre na média de uma pessoa normal: 70 mg/dl em jejum e 110 mg/dl duas horas depois das refeições. Quando faço refeições mais levinhas (salada + um grelhado, sem carbs), minha glicose pós-sobrecarga fica em 90, 95 mg/dl. NOR-MAL.

Porém, acho que não vou fazer nada a respeito não. Talvez conversar com o médico pra repetir o exame da curva ou simplesmente pedir que me libere uma sobremesa de vez em quando – não é a coisa mais legal do mundo passar vontade estando grávida. Mas, sabem por que eu não to afim de questionar muito? (e agora vocês gravem o que vou falar, porque não sei se irei repetir nesta encarnação) Os hábitos que adquiri são muito bons. De ser comedida, de cuidar do que como, de curtir as escapadas como escapadas em si e não obrigação (como tomar um litro de coca-cola por dia). Foi na merda que aprendi o que sempre quis a vida toda: comer direitinho. To muito longe de ser natureba, mas eu me sinto melhor. Minha pele tá mais bonita, cabelos idem, minhas funções intestinais (oi?) estão ultra reguladas e normais, tudo está tão bem assim... Não quero seguir emagrecendo, óbvio, tenho tentado que não aconteça mesmo. Mas, viver jogada no açúcar branco malvado como era antes, ah, não quero não.

E, pras gravidinhas que estão com esse problema (ou com medo de): das complicações que podem existir numa gravidez, garanto que ter diabetes é uma das mais simples. Porque quem controla é você! Não é o acaso, o destino, o obscuro. Tá na sua mão fazer tudo pra dar certo, então sijoga! Óbvio que o começo é assustador, óbvio que vai ter o dia de se sentir A sofrida, óbvio que vai bater vontade de comer um pote de 2 litros de sorvete, óbvio que dá cansaço e vontade de chutar o baldão.

Mas, com todo o pouco otimismo que deus me deu, acreditem: vai dar tudo certo!



Referências:
Diabetes Gestacional, Baby Center Brasil
Sociedade Brasileira de Diabetes (especialmente: valores glicêmicos normais)
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