Não sei se tem alguma coisa a ver, mas… quero comentar.

Laura Gutman diz que as crianças merecem saber a verdade. E que as sombras da mãe são refletidas pelo bebê (resumindo bem resumidamente, recomendo ler o livro “A Maternidade e o Encontro com a Própria Sombra”).

Daí que, desde a semana passada, venho sofrendo com a data de ontem. E, desde que Lucas nasceu, nunca que tinha dormido sem acordar oitocentas vezes durante a noite. Uns dias bons, outros péssimos. Semana passada todinha acordando 8, 9, 10 vezes. Teve o começo na creche, teve um resfriadinho, teve a mãe cheia da sombra do medo da perda, da separação, do abandono.

Agora imaginem vocês, numa semana só aconteceu que: meu filho já não fica mais comigo o dia todo, fica resfriado e ainda por cima eu vivo morrendo de medo de acontecer algo com ele. Sombra, sombra, sombra, Laurita Gutman me gritaria.

Então, já cansada de não dormir e de ter medo, sentei pra conversar com ele. Sim, eu abri meu coração pra um bebê de menos de seis meses.

Falei das perdas, contei da minha mãe e da minha irmã (e das demais perdas familiares recentes), que tinha medo por ele, que tudo bem ter o nariz congestionado, mas que mamãe fica assustada e acha que tossiu-sufocou-morreu. Credo, mas é verdade. Que certamente tô projetando nele uma obrigação dele ficar o tempo todo me dizendo que sim, que tá vivo, que tá ali, que tá tudo bem. Daí não dorme. Daí chora. Daí fica nervoso.

Realmente considerei a possibilidade do meu filho estar nervoso porque eu vivo ando nervosa.

Então, combinei com ele que, se ele precisasse, eu estaria por perto, sempre. Mas que só me chamasse se realmente não conseguisse se resolver sozinho. Pedi desculpas, mas precisava descansar, precisava ter um mínimo de sono pra voltar a ser uma mãe legal pra ele. Também prometi que não ia ficar indo no quarto o tempo todo ver se ele tá respirando. Falei “eu confio em você que, se tiver algo errado, você vai me chamar. E você pode confiar em mim que sempre estarei quando você precisar”. 

Loucaça, né?
Mas bem.

Primeira noite: acordou 5 vezes.
Segunda noite: acordou 4 vezes.
Terceira noite: acordou 2 vezes. E dormiu quase 7 horas seguidas entre as duas acordadas.

Não estou comemorando nada, pode ser fruto do acaso. Segunda-feira volto a trabalhar e estou totalmente preparada pra ele desembestar de acordar loucamente tudo de novo.

Mas, uma parte de mim gosta de acreditar que ele entendeu o recado e a gente se conectou um pouco além do que é inteligível. Por mim e por ele.

***

E pra quem queria saber o que houve com a minha irmã, conto aqui.

***

Brigada pela força, chiquitas. Vocês não sabem o quanto é importante.

24 respostas em “Da sombra

  1. Sabe, há algumas semanas eu até comentei no blog sobre meus medos, eu nunca tive medo da morte, nem depois que eu perdi minha avó (que era o grande amor da minha vida), mas comecei a ter medo quando meu filho nasceu e ali, a caminho do parto eu já pedia pra Deus que nossa familia pudesse viver junta por muitos e muitos anos.
    Quinze meses depois eu continuo pedindo a mesma coisa, me apavoro pensando em acidentes e coisas do tipo, vira e mexe vou no berço ver se ele tá respirando e essas coisas que eu acredito que 99% das mães fazem.

    Essa conversinha sobre meus medos eu já tive com ele, entre lágrimas confessei meus medos e ele, um bebezico, riu e olhou pro lado, sorriu novamente e apontou pro nada, nesse dia tive a certeza de que ela sabe de tudo e que nossos anjos o cercam e protegem.

    Vira e mexe ele tá rindo e conversando sozinho, eu chego e pergunto "sua bisa tá aqui", ele olha pro nada e sorri mais ainda.

    Agora com tudo as "claras", Lucas te entendeu e de repente entendeu também quem são as pessoas que olham por ele, sim, porque não tenho duvidas de que elas estão olhando por vocês e ele vê. =)

    Beijão e tudo de bom, que o sono siga tranquilo e que seu coração se acalme, vc tem uma familia linda.

  2. Oi Carol, vc tem razão!
    Parece que eles não só entendem, mas tem uma antena super ligada em nossos sentimentos. Há quase um mês atrás passei por uma cirurgia e tive que ficar seis dias no hospital. Eles sentiram muitas coisas, mas o que mais afetou foi o sono deles, choro, xixi, resmungos…
    E quando eu voltei par casa, continuou assim até semana passada.
    Ommmmmm, paciência, Ommmmmm….
    Beijos, Juliana

  3. Ele sabe sim Carol, e te entende!
    Mesmo que depois ele volte a acordar 10000 vezes, com a nova mudança, é só conversar outra vez que vai se acalmar!
    E ó, eu acho que vc é a melhor mãe que o Lucas poderia ter!

    Beijos

  4. gata! te vi inteirinha nesse post. pelo (muito, eu acho!) que te conheço, te enxerguei transparente, sincera, pedindo colo.
    queria te dar um abraço! era isso que faria se você estivesse ao meu lado, viu?
    que bom que Laura consegue tocar a gente. fico feliz por ter te presenteado com este livro. mesmo sabendo que você compraria, é bastante simbólico pra mim.
    a gente e as consultas mentais com Laurita.
    ela é doidona mas consegue cutucar nossa ferida.

    um beijo bem grande e um abraço bem forte.

    Love!

  5. Carol,você e uma guerreira…achei lindo você conversar com ele…vou tentar aqui em casa! Vou viajar, coliquei mais uma babá e munha cabeça ta a mil…..sou assim tb…tenho medo de td…e nem passei por estas perdas que você passou….e morro de medo de td! Escrevi até um pouco sobre isso no meu blog! Um grande bjo e como a vida nao rem receita…seguimos tentando acertar…bjjocas

  6. Oi, Carol, acho que de alguma forma que só o Lucas sabe, ele entendeu sim o recado, boa idéia essa da conversa, sério.

    Li também o post anterior, sobre a sua irmã. Eu passei a vida toda querendo ter uma irmã, pq na minha cabeça, se ela não pudesse me proteger dos meus colegas, eu pelo menos teria a amizade e o carinho dela e isso me bastaria (fui uma kid problemática, sabe) e até hoje sinto falta, filmes e livros com irmãs sempre me comovem, é assim. Então mesmo não tendo uma irmã, eu meio que entendo esse seu sentimento.

    Mas independente do que tenha acontecido, o importante é que você teve uma irmã e ela tinha a você e nada pode mudar isso, laços assim eu não creio que se desfaçam. Eu aposto que ela tá te esperando em algum lugar com o violão encostado num banquinho, pra algum dia vocês cantarem juntas, matarem a saudade, pra ela te contar o monte de coisas que aprendeu nessa novo lugar e pra você contar o monte de coisas que continuou aprendendo na Terra.

  7. OI CAROL, GOSTO MUITO DOS SEUS POST. VOLTEI NO POST ONDE VC CONTAVA SOBRE SUA MAE E IRMÃ… BEM, DEVE TER SIDO BEM DIFICIL… QTO AS NOITES SEM DORMIR, TBM ESTOU NESSA, MAS ESSA NOITE O GABRIEL ACORDOU SOMENTE UMA VEZ PRA MAMAR. NÃO VOU COMEMORAR PQ N SEI SE FOI O ACASO… VAMOS ESPERAR PRA VER. BJUS

  8. Acho que o Léo tinha uns 4 meses quando ficou doentinho e não quis mamar por quase 48 horas. Tbm conversei com ele e ele mamou na hora.

    Pelo sim, pelo não, continue…

    Um beijo

  9. Carol acredito muito que eles entendem a gente, mais do que entendemos eles… Esses pequenos se revelam tão maduros….
    É muito bom se conectar com eles… Eu converso muito com a minha pequena. Quando vou trabalhar que ela fica em casa, digo que vou, mas volto logo e quando chego dedico meu tempo todo a ela….
    Quanto as perdas, esse assunto mexe muito comigo… Não consigo imaginar… Nem escrever sobre o assunto…

    Mas tudo s encaixa…
    Beijos
    Carol

  10. Carol querida, com certeza teu bb entendeu tudo o que vc falou e vc tirou as "sombras" quando resolveu se abrir para ele, vou ser breve e te contar uma historinha, quando fui mãe pela primeira vez, eu fiquei perdidinha , principalmente pq o Ad não dormia de jeito nenhum , acordava muito durante a noite, dai quando fiquei grávida do Bj eu passava a mãe na barriga e falava : Filho quando vc sair dai vê se dorme tá , falei a gestação toda, e o Bj dormia e dormia bem , só que ele tinha refluxo e vomitava muito o que me deixava apavorada, tipo vomitou, engasgou e morreu, mais graças a Deus foi só uma fase , dai veio a bbl, e na gestação eu pedia pra ela dormir e não vomitar, não sei se foi pq eu pedi mais ela sempre dormiu bem e não teve refluxo, acho que a conexão com nosso filhos vai alem da nossa capacidade de entender, bjks

  11. Desculpa Carol, mas fiquei presa no post que vc fala da sua mãe e irmã. Do nascimento e da morte…

    Hoje é Dia de Finados aqui ez vc lembre – talvez vc lembre, talvez seja ai tb -, mas enfim, como costume deixei flores pra ela.

    Ela se foi qndo tinha 17.

    Teve um AVC, ficou em coma – mas estavel, no apartamento do hospital, mas sem acordar, e como eu que ficava com ela 30horas por dia me diziam que ela dormia.

    Mas nem de longe eu sei explicar como vc explicou.

    De como de um dia pro outro ela se foi, na nossa frente e eu voltei para casa depois de 21 dias no hospital…

    Arrumar roupas, escolher a roupa.
    Ser a NOVA DONA DA CASA qnado vc ainda gostava de blusa polo com um piu-piu bordado…

    Nem de longe sei escrever essas coisas, por isso eu LEIO VOCÊ; e com o maior prazer porque vc é quase uma terapia. Me sinto até culpada… EU TE USO CARA!!! Hahahah!!!!

    Mas é bem isso…
    Engraçado como nossas vidas se parecem. Perdemos nossa mãe, perdemos filho e espero que fique mais parecida ainda, porque eu quero um bebê reclamão para eu gritar pra 'azmiga' perguntando se é normal ele espirrar ou tossir. Hauhaiuhauih!!!

    EU VOU SER UMA MÃE COMÉDIA, disso tenho certeza.

    OBRIGADA POR VC.
    E OBRIGADA A SUA MAMMY E PAPPY POR TEREM ESCOLHIDO VC.

  12. olha, querida, eu tenho CER-TE-ZA que eles entendem e mesmo sem ter lido nada a respeito, sempre fui muito conversadeira com meus filhos. primeiro, acho que a segurança que tiramos nem sei de onde para tomar certas decisões e atitudes são fundamentais, "realizar" isso internamente é um passo fundamental para entender o processo e expressar para o bebê é o segundo. sempre senti que meus filhos entendiam mesmo as situações.

    desejo para você o que desejo para mim: que reconheça as sombras, que as entenda e que as integre.

    beijoca e mais um abraço apertado!

  13. Eu acredito que eles entendem o falamos mas as vezes acho estranho explicar coisas pra um bebe.

    Carol to emocionada com sua história de vida, você é sempre tão alegre, bem humorada, nunca imaginei que tivesse passado por um trauma tão grande assim na vida…
    … Pq tudo o que vc escreve até os dias ruins de cansaço e choro do baby sempre me passaram paz…

    Parabéns você é uma vitoriosa!

  14. flor,
    não conhecia tua história, e arrepiei. Chorei, engoli o choro, pensei na vida. Quis muito te conhecer pessoalmente. Que força, e que alegria você tem, tendo vivido tudo isso. Inspiração pra mim, de verdade.
    E olha, eu tenho certeza que eles entendem tudo o que a gente fala. Já fiz isso que você contou muitas vezes (com Caio não tinha conversas tão profundas, mas com Nuno, depois de ler a Laura, passei a ter e foram incríveis as respostas dele).
    Vai com fé que ele te entende e te acolhe, com certeza.
    beijo!

  15. flor,
    não conhecia tua história, e arrepiei. Chorei, engoli o choro, pensei na vida. Quis muito te conhecer pessoalmente. Que força, e que alegria você tem, tendo vivido tudo isso. Inspiração pra mim, de verdade.
    E olha, eu tenho certeza que eles entendem tudo o que a gente fala. Já fiz isso que você contou muitas vezes (com Caio não tinha conversas tão profundas, mas com Nuno, depois de ler a Laura, passei a ter e foram incríveis as respostas dele).
    Vai com fé que ele te entende e te acolhe, com certeza.
    beijo!

  16. Carol, nao creio em acaso e sou da escola de se conversar tudo (com a linguagem e limitacao age-appropriate, obvio) com a crianca. O lance de respeito enquanto pessoa ser humana. Sempre conversei tudo com a Bebella, desde as coisas idiotas do dia a dia (olha filha, agora vou lavar a louca. A louca a gente lava assim e assado, por causa disso e daquilo blablablablabla). Mas tambem das coisas importantes. Antes de nos mudarmos passamos meses explicando tudo pra ela TODO SANTO DIA, mesmo sem ela claramente prestar atecao. Mudanca da creche idem. Acho que funciona sim, crianca precisa de saber o que vai acontecer e de seguranca. Conversar e explicar ajuda nisso, ne?

    Bjos

  17. Carol, eu acredito que eles entendem muito mais do que podemos imaginar! E tem mais, eles sentem o que sentimos… como vc estava mal pelas lembranças e os medos, ele sentiu isso sim, com certeza!
    Sempre que acontecer alguma coisa nova ou algum sentimento ruim, converse com ele, vc vai ver que as coisas fluirão muito mais!
    Beijinhos,
    Fer

  18. Carol, muito legal essa sua percepção! Eu não li o livro ainda, está na minha lista e tenho certeza que vou me encontrar nele…eu tb projeto muitas coisas minhas na minha filha, que se fossem as boas, vá lá, mas parecem ser quase sempre os traumas…
    Beijos,
    Nine

  19. Carol, vc me emocionou muito, por todo o post.
    Mas o que eu quero te dizer é que sim eu acredito que o Luqui entendeu tudinho, e que vcs realmente se conctaram. Sabe uns meses atrás tive problemas com minha cachorrinha Jully(eu sei que não tem comparação,mas pra mim tem) ela ficou triste porque a deixamos na casa da minha mãe e fomos viajar, daí começou a fazer cocô em cima do sofá, contratei um veterinário homeopata por trezentas realidades, porque, meu marido já estava querendo bater nela e por pra fora e o maior escarceu começou tomar conta da minha casa e este vet chamado Marcos Fernandes foi meu anjo ele se sentou comigo e meu marido e explicou que os animais sabem e sentem tudo assim como nós e que era pra gente abaixar no nível dela olhar nos olhos e dizer tudo que se passava que ela entenderia, além de me receitar um floral. E assim fizemos e foi lindo, em quatro dias ela parou, meu marido se transformou em outra pessoa, hj os dois são completamente apaixonados e tudo que precisamos falar como ela a gente conversa, explica e como vc disse abre o coração e ela entende. Como ainda não sou mãe acredito que com seu filho e com todos os filhos é igual, além do nosso estado de espirito contribuir muito pras reaçoes deles! Enfim é isso.
    Super beijo, acho que este é o caminho!

  20. Menina, sabe que depois de ler seu post, estou cá imaginando se esse é o problema da minha Pituca acordar a noite?
    Agora ela dorme na caminha, então quando ela acorda, eu vou para lá e acabo dormindo na caminha junto com ela. Mas até que ela acorda, eu não durmo….. Será que é esse medo tamanho que temos que me bloquei para dormir???

    Beijocas e bom retorno ao trabalho.

  21. Menina…
    Vamos por partes:
    -Visito seu blog há tempos, mas gosto de ir deixando acumular posts ao invés de ver a cada atualização. Seus textos são tão bons que gosto de ler no atacado!
    -Por isso, comento pouco. É mais dificil (leia que sou preguiçosa mesmo!) comentar no atacado! rsrs
    -Esse post em especial me tocou pela sinceridade em expor suas inseguranças. Você escreve coisas quase inconfessáveis. Daí acho que atrai malucas que não sabem lidar com "o lado negro da força", como no caso da história dos cachorros. Azar o delas.
    – Por último: tenho certeza que seu bebê entende tudinho que você fala e lê cada expressão sua! Daqui pra frente ele vai dormir 12 horas direto, como meu pequeno! Vc vai ver!
    – Com isso, você vai ter mais tempo pra blogar!!
    bj,
    Rê Senlle
    http://umavidamaisordinaria.blogspot.com

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