Era um dia lindo. Lindo como está hoje, aliás. E já faz um ano!

Mas eu lembro como se fosse ontem.

Fazia 22 graus e 22 graus é a temperatura da vida: fresquinho na sombra, sol quentinho sem torrar, vento ameno balançando as folhinhas das árvores. Tudo era vida naquele dia.

Eu olhava pras cores, pras coisas, toda boba, toda satisfeita.

Só tinha uma coisa errada: o tempo. Que cismou em não querer passar e me fez ficar o dia todinho pensando no bendito teste de farmácia, que eu tinha decidido fazer de noite, quando chegasse em casa.

No meio do dia, eu escrevi:

“o tempo. acho que é uma das coisas mais subjetivas que eu já conheci.
o ano passado passou rapidinho, mas esse exato instante tá demorando anos.”

Agora, porque caracas eu decidi fazer o teste só à noite… só deus saberia. Acho que precisava de apoio do Maridón, embora ele fosse meio contra essa coisa de ficar fazendo xixi no palitinho toda hora.

Cheguei em casa, disfarcei, deixei o tempo passar mais um pouquinho, segurei a vontade de ir ao banheiro. Começamos a fazer o jantar, papeando sobre amenidades. No meio de tudo, resolvi que era hora. E fui.

Fiz xixi e nada da segunda linha aparecer.

“Humpf, negativo”, pensei.

Voltei pra cozinha com o palito na mão, meio triste, mas resignada: “amore, deu não. Olha só.” (daí mostro o teste pra ele).

Quando eu levanto o troço xixizado, eis o que aparece:

Congelamos. Ficamos sem palavras. Ligamos uma luz mais forte pra olhar com calma.

Será? Será mesmo? Não será “resto hormonal” da gravidez anterior?

AI MEUDEUSU.

Ficamos completamente sem ação, sem saber o que falar, o que pensar, se dava pra acreditar naquilo, se já poderíamos ser felizes de novo.

Na minha cabeça, tocava, sem parar:

Quando o segundo sol chegar
Para realinhar
As órbitas dos planetas


Derrubando com
O assombro exemplar
O que os astrônomos diriam
Se tratar de um outro cometa


Não digo que não me surpreendi
Antes que eu visse, você disse
E eu não pude acreditar


Mas você pode ter certeza
De que seu telefone irá tocar
Em sua nova casa
Que abriga agora a trilha
Incluída nessa minha conversão


Eu só queria te contar
Que eu fui lá fora
E vi dois sóis num dia
E a vida que ardia
Sem explicação.

A vida ardia sem explicação.
(e eu escrevi um post com esse mesmo nome uns dias depois, “contando” da gravidez pra vocês)
.
.

25 respostas em “O segundo sol

  1. FAZ ISSO MESMO CAROL, POR FAVOR, POSTA TUDO.
    Me enche de esperança… – já tô chorando -, porque quando eu penso que dou um passo pra frente pra realizar meu sonho, dei DOIS para tras.

    Hoje em dia nem tenho mais a certeza dentro de mim que serei de conceber mais uma vez… Ms vc SEMPRE ME ENCHE DE ESPERANÇA.

    PS.: vc fotografa DIVINAMENTE;
    ps.: como vc faz para aparecer esses 'pontos de luz' redondinhos na foto. Tem na do texto e em uma sua de barrigão no post anterior.

  2. Que bacana!!! Eu também lembro dos meus dois xixis!rsrs
    Mas como não tinha blog… não tenho nem ideia da data!

    E o segundo.. o choro tinha uma aflição… tão diferente do que eu sonhava. Eu queria assim… torcer para a listrinha aparecer!! Comemorar!

    Será que terei a chance de um terceirinho(a)?!

  3. Tô tentando ter o segundinho, mas a medicina baiana parece está conspirando contra. Depois de ter perdido o segundo bebê e ter passado por curetagem, um mês e oito dias numa ultrasom descobri que a curetagem não foi completa…passei por outra e amanhã vou fazer mais um exame porque parece que "ainda" tem resto de aborto ACREDITE.
    E pra me acabar em prantos assisti ontem o filme MARLEY E EU, que droga viu, o filme é lindo, me deixou um pouco triste e ao mesmo tempo reascendeu a chama aqui em my heart de continuar tentando, principalmente depois de conhecer também sua história.

    bjos!

    Passa lá: maededudu.blogspot.com

  4. Se eu te falar que li esse post, olhei a temperatura no computador: 22graus, resolvi fazer o teste (pois estava atrasado uns dias) e deu positivo! você acreditaria????? não consigo me conter de tanta felicidade!!! meu segundo filho(a) a caminho! brigada Carol, seu blog é tudo de bom!!!

  5. Carol, vc quer matar o povo com tanta lágrima? Qndo não é de rir e com esses posts tão marcantes!
    Mãe é tudo maria-mole, tudo sensível!!
    E olhe que eu nunquinha da silva fiz um teste de farmácia, sempre corri pra agulhada mesmo! rsrsrs

    beijos

  6. Que legal seu post sobre a descoberta da gravides, mas te juro, quando abri seu blog ea primeira coisa que ví o "palitinho" deu até tremedeira nas pernas, achando que vc estava gravida de novo!
    Não que seja uma coisa triste, não é isso, mas vc ainda nem conseguiu se ajeitar com o primeiro, imagina mais um, hihihi.
    Adoro seus posts, continue escrevendo.
    Beijos
    Eli

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