Vida de mãe não é fácil, cês bem sabem, né.

Pois bem. Outro dia, fui levar cocôzinho do neném no laboratório, pra fazer exames. Pela estrada afora, eu fui bem calminha, levar essa merdinha para a mocinha. Cantarolante e tranquila, entrego o pote de maravilhas pra moça da recepção e a requisição médica. Ni qui ela me avisa “senhora (agora que eu tenho um filho virei senhora, envelheci 20 anos, você também?), essa requisição é pra exame de sangue, tá? Leva ali o filho ali na salinha pra colherem a amostra”.

“Recolher amostra”, rá. Esse pessoal deve fazer curso de eufemismos, só pode. Porque eu fui encaminhada foi pra sala de torturas, onde iriam segurar meu filho, tirar sangue dele, faze-lo chorar pacas, tem nada de recolher amostra naquillo não.

Pior que a porta da salinha já estava aberta quando fui encaminhada, nem deu tempo de ligar pra ninguém, nem tuitar, nem escrever um post, nem sair correndo. Fui, né. Me enchi de psicologia de botequim: “você é a adulta, seja forte” ou melhor ainda “ele vai esquecer disso tudo”.

Na salinha, tinha um homem grande e uma senhorinha que parecia ser experiente, tinha cara que sabia o que tava fazendo. Porém, os dois marmanjos armaram logo uma cara de aflição ao ver o tamanho do torturado. Lucas, que é pequeno mas não é bobo, sentiu logo o climão e começou a chorar daí. O hômi me explicou como tinha que segurar, pediu pra eu ficar calma (“mas eu tô super calma, moço!”), segurou do outro lado, amarraram o bracinho gordinho querido fofinho maravilhoso do meu filho e a véia trouxe uma agulha tão grande que achei que fosse atravessar o braço da criança. Agulha enfiada, sai saaaaangue pacas (aí a abestalhada aqui pensa “nossa, como tem sangue dentro dessa criança tão pequena!”), Lucas grita como se estivesse sendo torturado (oi, ele tava sendo torturado), enchem uns potinhos e a coisa acaba.

Recebo elogios pela minha calma (brigada gente, eu sou brasileira e não desisto nunca!) e saio dali quase correndo de nervoso, mas ainda em cima do salto da mãe segura.

Do lado de fora mesmo, Lucas ganha peito pra ficar mais felizinho e alimentadinho de amor, eu peço um monte de desculpas e explico pra ele que era necessário o exame e falo mais um monte de psicologia de botequim (tô ótima nisso). Ele faz cara de que entendeu tudinho que eu falei e capota no carrinho.

Ufa, cabou.

***

Cabou nada.

Porque dois dias depois, esse mesmo carrinho que o embalava foi pivô de outro teste de nervos pra essa mãe que vos fala.

Uma explicação rápida: Lucas é chatíssimo pra dormir. Chatíííssimo. Só dorme sendo embalado frenéticamente (eu já cheguei a correr pela casa com ele no colo) ou sendo balançado non-stop no carrinho.

Pois bem.

Daí ele tava sendo balançado no carrinho. Ao mesmo tempo, tentava-se ver TV e, ao mesmo tempo, lanchar (vida de mãe é isso, meu povo, multifunção). Escuta-se um cataploft. Meu coração sai pela boca e marido pega o bebê do chão, apavorado.

Ele caiu do carrinho, minha gente.

Esquecemos burramente de botar o cinto de segurança e, voilá, bebê escorreguento foi dar o ar da graça no chão. Sei que três milésimos de segundo depois da queda, eu estava com ele no meu colo, peito de fora a postos pra consolar e bebê peladinho pra eu checar se tinha algum roxo, fratura, sei lá.

Tadinho. Não foi queda de muito alto, não machucou nada, ele reagiu bem e normalmente a todos os estímulos depois disso.

Mas chorou. Chorou. Foi um puta susto. Eu quis chorar também. Mas a psicologia de botequim me lembrou que eu preciso estar bem pra ele estar bem junto. Então vambora ter presença de espírito pra fazer caretinha pro bebê sorrir. E ele sorriu.

Ufa, cabou.

***

Agora cabou mesmo, juro.

27 respostas em “Desafio pouco é bobagi

  1. Eu sempre miacabo de rir, mesmo dessas pequenas intercorrências maternas. Até pq, já passei por todas né, pq Rafinha tem alguns meses a mais no currículo, e aí a coisa vai aumentando. Por exemplo: ele caiu do berço. Meu susto foi multiplicado por 5, pq o berço dele é alto pra caramba, mas não tinha ninguém por perto e eu fiquei ligando pra Deus e o mundo pra saber o que fazer. Nisso a minha mãe mora lá em Minas, então a conta de telefone custou meu rim.
    E o lance do exame de sangue, não gosto nem de lembrar. Ele estava ainda na materniade com uns 4 ou 5 dias de vida. Mas 2 (sim, DOIS) enfermeiros tentaram e não conseguiram achar veia nele (ela estava muito magrinho) e chamaram a terceira égua, ou melhor moça, até que ela conseguiu. Isso depois de furarem os dois braços, os dois pulsos, e foram achar a veia no pé esquerdo. AH, o direito tb foi furado…
    Cabei também rsrsrs

    Beijos

  2. E a minha tia que foi atravesar a rua, levantou o carrinho (carrinho de merda, diga-se de passagem) o carrinho dobrou e fechou e o Giovanni de 1 mês e meio, caiu na SARGETA!!!! Dá pra ser pior??? Nada aconteceu, mas o susto de ver seu bebezinho cair na rua e ainda tão novinho… afe…

  3. amooo essa mãe mega verdadeira kkkk que nos prepara pra tudo … imagino o susto que vc passou e como mãe me espelho em muita coisa como vc obrigada por fazer parte desse mundo

    beijos a vcs dois e como ele esta lindo

  4. Pior q senhora é "mãezinha"…
    Eu nunca deixei o Joaquim cair.
    Ele só ficou pendurado pelos braços algum tempo, não se sabe quanto, enquanto eu fazia xixi e esqueci de abotoar o cinto…
    Normal, eles sobrevivem.
    (dica: poupança terapia, vcs já tem?)
    bjo

  5. A gente se mostra forte nessas horas, mas dá uma tremedeira e o coração começa a bater forte… Sei lá de onde tiramos tanta força para apoiar, acariciar e fazer tudo que for necessário para que eles fiquem bem. O amor de mãe, sempre fala mais alto…
    Beijos.

  6. Ai, Carol, tive que rir, tá. Qdo meu filho era bebê, eu me achava A mãedemerda porque aos 4 meses ele caiu no chão. Vinicius estava no carrinho e eu lavando a louça. Nem vi como se sucedeu a desgraça. Só sei que formou um calombo enorme na cabeça do moleque e eu ainda tinha que ficar explicando como foi que aquele galo tinha aparecido…
    E eu não tinha blog e nem ninguém pra me dizer "calma, isso acontece…"
    E agora leio seu causo e mais uns outros aí em cima, inclusive do bebê que caiu na sarjeta com 1 mês…
    E eu ri. Desculpa, gentes. Mas é que de repente eu fiquei mais feliz em saber que essas coisas acontecem. Depois de tanto tempo… (Meu filho tem 7 anos e, até hoje, me culpava do tombo. "Tá com dor de cabeça? Claro, caiu de cabeça no chão com 4 meses! Não consegue fazer a lição? Claro, caiu de cabeça no chão com 4 meses!).
    Obrigada por contar esse acontecido.
    Beijo. Em vc e no seu fofucho lindo.

  7. Ai Carol eu sei q nem o momento, mas eu sempre dou risada com seus posts!!! rs…sorry!

    Bom…ainda bem q Luqinha é esperto e entendeu toda essa psicologia de botequim q só nós, brasileiros, entendemos…bem seu filho pode ser argentino, mas o sangue é brasileiro, carioca merrrmo mermão! rs
    Lindo!

    Sobre cair do carrinho! Uuuuuuuuuuuui…doeu mais em vc, A P O S T O!
    É sempre na gente q dói mais!

    Ainda vbem q em ambos os casos, td terminou bem! (:

  8. Carol, ô bicho pra sofrer é mãe…Credo! E é um bicho besta pra caramba também, como diriam no Ceará. Eu também me finjo de forte em exames, vacinas, quedas e outras tragédias mais… Mas aposto que tudo isso doeu mais em você que nele! Bjos

  9. q SUSTO!!
    AINDA BEM Q NAO ERA ALTO NAO..MESMO ASSIM A GENTE FICA COM O CORAÇAO NA MAO NEH?

    QUANDO A GENTE SEGURA BRAÇO DO FILHO DOS OUTROS, POR QUE SERÀ Q PARECE Q NAO DOI TANTO COMO NO NOSSO FILHO??

    QUANDO FIZERAM OS TSTES DE RECEM NASCIDA NA RAFA, PEDI PRA MINHA MAE SEGURAR… ANTES EU SEGURAVA O BRACINHO E PEZINHO DAS MINHAS AFILHADAS…

    ESTRANHO…

    BJS NOSSOS.
    LULY E RAFINHA.

  10. hahaha, tirar sangue de bebê é tipo jogos mortais, só que a tortura maior é com a pobre da mãe, onde já se viu pedir calma para uma mãe ver seu filho lindinho, gordinho,amamentado no leite e criado com muito carinho ser furado?? aff, desaforo…

    e tadinho, ainda bem que a queda não foi alta, quando Bryan caiu da cama eu quis morrer de tanta culpa!!
    bjs

  11. KKKKKKKKKKKKKKKKKKKKK, adoro seus posts, sempre morro de rir!

    Não se preocupa com quedas não! Ele ainda vai cair muito, do berço, da cama, da banheira, no chão, tropeçando no próprio pé…. Faz parte da vida! Cair e aprender a levantar. BJS no Lucas!

  12. Carolzita, IMPOSSÌVEL não rir dos seus posts. Abafa!!!

    Até hoje nunca sofri com o Junior quando o assunto é agulhas.

    No teste do pézinho, fui eu com o coração na mão e nos braços (tava carregando meu tesouro). Graças a Jesus Cristinho a enfermeira foi baita rápida.

    No posto onde ele toma as vacinas conheço o peso da mãe de cada enfermeira daquele recinto. Tive anemia dar braba e tomei uma injeção que doía quase nada, eu só quase desmaiava depois de cada aplicação. E, graças ao bom Jesus Cristinho de novo, ele só tomou vacina com as que tem a mãe levinha.

    E nem me fale de tombo. AINDA, não passamos por nenhum episódio desses, mas o QUASE já pintou por aqui. Hoje mesmo ele foi fazer sua pirracinha básica e quase caiu do meu colo. E quase caiu do carrinho uma vez, ele uns 15 dias. Como ele se mexe muito, um dia quando me dei conta ele tava com metade do corpo no apoio dos pés. Depois disso nada de bebê sem cinto.

    Agora… Me desculpa, mas o bebê da sargeta foi hilário. Na hora deve ser um nervoso só.

    Ingual quando eu comi cocô kkk

  13. Ai, credo. Lembrei do dia em que levei Emília ao PS com febre persistente (era a otite) e passamos horas a fio no hospital fazendo um monte de exames horrorosos – sangue, urina (que é, literalmente, um saco) e raio X. Chorei a tarde inteira, com minha pequena mole de tudo nos meus braços. Coisa pior não existe. Ainda bem que tinham os peitos, onde eu deixava ela pendurada 100% do tempo em que ela não estava sendo torturada.

  14. Oie Carol!! Tô aqui de bisbilhoteira, atraves da Flavia. Eu tenho um casal, ele com 13 anos e ela com 3 anos. Ele fez seu primeiro exame de sangue com 5 dias de vida. Ele tinha um problema serio no rim e teve q fazer 1.000.000 de exames para descobrir o q era, e eram os mais horriveis possiveis para um ser tao pequenino. Ela tem convulsao com febre alta. Então entendo bem essas torturas desses monstros enfermeiros!!! A vontade é de ir com um porrete e tortura-los tambem!!! Mas, não pude deixar de rir da forma q voce escreve. Depois de passado a gente tem q rir para esquecer estes momentos. Tombos??? Alguns… tem cicatriz para provar! Meu pediatra diz q cicatriz é coisa de criança saudavel. Acho q ele fala isso para não bater na gente por sermos "irresponsaveis" (ele é grande, 2m de altura e 3m de largura, entao nao arrisco contrariar…e adora crianças..aff..). Parabens por dividir isso com todas nós, mães experientes ou não. O importante é saber q não estamos errando, estamos sempre tentando fazer o melhor por estes presentes de Deus. Bjs no coração e fique em paz!

  15. Nossaaa a primeira vez que o Enry caiu foi terrível! Ele tava com sete meses..e caiu de cima da mesa da cozinhaa.. isso mesmo! A mamãe aqui colocou a banheira em cima da mesa e (segurando a banheira) se baixou pra pegar um brinquedo..mas n deu tempo! Só ouvi o barulho e água por toda cozinha.. eu fiquei DESESPERADA! (e ainda estava sozinha em casa) tentei acalmá-lo mas ele chorava muito (por qse meia hora)..daí levei ele no pronto-socorro. Não foi nada muito grave, mas machucou (internamente) o ombro e passou cinco dias tomando alivium. Foi um alivium qndo passou! rsrsrs
    p.s.: e ainda ouço do médico: calma mãe, essa foi só a primeira! Rá muito engraçado Dr!!

  16. Ai Carol que foda! rs
    eu nunca fiz exame de fezes nem de sangue no David tks god, mas todo mundo que já fez me conta que é sofrido pra caramba… aqui tem um fleury todo pra crianças que é a cidade do vila sésamo, e aí tudo é super lúdico e tal, mas pro Luquita não sei se já faria alguma diferença, mas é aquele momento que a mãe se sente mais segura e menos mal de estar levando o filho pro matadouro, ops, laboratório…rs, e a queda do Carrinho, uma vez eu não prendi direito o bb conforto do David na base do carro e ele voou de lá de trás ( preso no bb conforto) e caiu de ponta cabeça atrás do meu banco… eu estava sozinha, foi um berreiro, a pior experiência da minha vida, parei o carro no meio da rua com a perna bamba e ele berrrava, em frente um botequim (psicologia de botequim mesmo!) e todos os torcedores do fluminense que habitavam o boteco me ajudaram, socorreram e a mãe aqui louca chorando tremendo viu que nem um arranhão se fez no príncipe bebê, mas nega, foi TRASH no último limite. Depois disso virei neuras, prendia clack no bb conforto todas as vezes e ainda fazia uma prensa com o banco da frente… vivendo e aprendendo, acho que primeiro filho sofre com a nossa cabacisse mas a gente se descola muito, é uma parceiria…
    boa sorte aí querida, acho que vc tá se saindo suuuuuuuuuuuuuuuuper bem viu? logo mais sou eu again! beijoca

  17. me identifico demais com vc e seu bebe, meu filho me descabela igual! Pra dormir é difícil igual!

    e se continuar assim, vc vai ver, tem coisa que melhora sim, mas tem coisa que não nunca, tipo o sono! hahaha

    meu filho tem 10 meses e acorda de hora em hora

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