(vamos por partes, Jack?!)

É incrivel pensar que o dia pelo qual eu mais esperei ao longo desses últimos anos já aconteceu. Dia 12 de maio de 2011. O dia em que eu deixei toda uma vida de lado pra viver outra. O dia pelo qual eu mais esperei, com o qual mais sonhei, mais fiz planos, mais me preparei, mais li.

Só que não há espera, sonho, plano, preparação ou leitura que deixe alguém pronto pro dia que o primeiro filho nasce. É o momento mais profundo e transformador da vida.

Acho que meu relato de parto começa uns dias antes do nascimento em si. Começa no dia em que conversei com a minha médica e descobri a questão da Colestase. Desde esse momento, eu tive a certeza de que não chegaria às 40 semanas, nem mesmo a junho, talvez nem mesmo à minha licença, que estava marcada pra começar no dia 20. Tive medo de algo dar errado e comecei a ficar angustiada que ainda faltava muito pra resolver. Tinha um problemão pendente no trabalho e eu só pensava nisso, estava totalmente voltada pro âmbito profissional. Por mais que eu quisesse que a gravidez terminasse logo (nunca fui muito fã dela), sabia que cada dia que o baby ficava dentro de mim era importante pro desenvolvimento dele e pra eu resolver as tais questões pendentes. Mas, ao mesmo tempo, sabia que a colestase era perigosa. Mas, ao mesmo tempo, queria entrar em trabalho de parto, então preferia esperar. Mas, mas, mas. Essa equação parto antes do tempo x minha falta de tempo x esperar o tempo certo tava dando nó na minha cabeça.

Até que, na quarta-feira de tarde, fiquei um tempinho conversando com a Pat no msn. E ela me falou sobre uma coisa que também já tinha escutado no curso pré-natal: da importância de deixar ser. Deixar ir. Let go. Falou que, pra eu conseguir o que queria, assim que resolvesse o problema no trabalho, deveria conversar com o bebê, escrever uma carta pra ele, tentar me conectar comigo mesma, sei lá. Que fizesse qualquer coisa pra me voltar pra dentro de mim e deixar o parto vir como tivesse que ser. Foi muito importante essa conversa.

Em paralelo, Lucas mexia loucamente na barriga. Mostrei pro pessoal do trabalho, curti. Ri daquilo e fiquei feliz que ele estava bem. Só que eu estava muito cansada. Era muita coisa na cabeça, muita preocupação, muita pendência. Fui pra casa depois do trabalho, conversei com o Maridón sobre mil coisas, fizemos planos, ele sentou pra terminar um frila grande e eu fui tentar dormir. Mas alguma coisa estava estranha, eu estava incomodada. Não sei se era a luz do computador do Maridón, se era o bebê que mexia demais na barriga e não me deixava relaxar, se era um formigamento estranho que eu sentia pelo corpo, numa ansiedade que algo estava por vir – mas eu não sabia o que era.

Me lembrei de um texto que eu escrevi pro meu filho e deixei nas minhas anotações pessoais, sem publicar. Escrevi quando estava no 21º dia do ciclo em que engravidei. Aquelas palavras ecoavam na minha cabeça:

“filho, vem. Pode vir. Estou morrendo de medo de sofrer de novo, vai ser muito difícil entrar novamente numa salinha de ultrassom. vai ser muito difícil tudo que está por vir. mas eu acredito em você, acredito no seu pai, acredito em mim. e mais que isso: eu acredito na vida. mesmo já tendo tomado tanta puxada de tapete, eu sigo nessa ingenuidade boba, nesse sorriso de canto de boca só de pensar na alegria que será te-lo aqui com a gente. vai ser demais, eu mal posso esperar os minutos passarem pra saber que você já está entre nós. por favor, não pense que vai ser fácil. não será, filho. mas eu estou aqui pra você, desde agora. não sei se você é ainda uma idéia, um peixinho que nada dentro do seu pai ou um montão de células coladas em mim. o que eu sei é que você já é amor. eu já te amo, já te quero e já te espero. pode vir.”

Me arrepiei, me lembrei de tudo que aconteceu e repetia na minha cabeça, várias vezes: “pode vir”.

Peguei no sono.

E acordei, duas horas depois, com a cama toda molhada.

(to be continued)
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34 respostas em “O relato do parto – parte 1

  1. Aii Carol, é tão linda a maternidade! Eu não tenho filhos, mas trabalho com um obstetra então acompanho váaarias mamãezinhas de primeira viajem, é muito emocionante! Inclusive cheguei a ver o parto da mulher do meu chefe, eu chorei muito, me emociono fácil nesse assunto!

    Qualquer help que precisar pode falar comigo, sei tu-do sobre esse assunto, kkkk

    Beijocas flor
    ;*

  2. Já tô aqui, chorando de emoção. Então quer dizer que você vai me fazer chorar um pouquinho por dia. Sacanagem. Mas eu vou adorar!
    Fico muito, muuuuito feliz por fazer parte desta história por que tenho certeza de que você nunca vai se esquecer!
    Você é muito importante pra mim e sou eternamente agradecida a tudo isso que vivemos, mesmo que virtualmente, juntas!
    To be continued!
    Beijo!

  3. Super bacana Carol, acompanho sempre vc, mas não tenho lá tempo de comentar em todos os blogs.
    Mais de qualquer forma parabéns pela vidinha linda que tem ao lado.
    Querida tá rolando um sorteio por aqui se tiver um tempinho corre lá e participa. Se vc for sorteada conversamos sobre o presente…..BJS

  4. Carol, adoro seu blog e fiquei emocionada com esse texto. Realmente, a maternidade é algo único. Lendo seu relato de parto, me lembrei do meu, há 3 anos e 7 meses. Muiiiiiitas felicidades para a família! Bjs!

  5. Ai Carol! Fiquei até arrepiada de ler a carta para o Lucas! E que sintonia com o filhote, em? Eu acredito piamente nessa comunicação mãe-bebê, que é muito forte e difícil de explicar!

    Vai contando devagar, quando der, sem pressa! A prioridade é o Lucas! A gente pode esperar e morrer de curiosidade 🙂

    Beijos,
    Nine

  6. Aiiii….quer me deixar feliz é ter um relato de parto pra ler.
    Que coisa mais linda essa cartinha que você escreveu pro seu bebê, quando ainda nem sabia q ele já estava aí!

    Já ansiosa pelas proximas partes. Que sejam muitas, pq adoro relatos de parto com muuuuuitos detalhes!

    bjks
    Flavia

  7. Quando o trem começou a ficar bom, cabô. Snif.

    Mas to curtindo o relato, adoro a maneira que escreve. Quando mais leio, mais quero ler. =)

    O Luquinhas é MUITO, MUITO, MUITO fofo, lindo, pequenuxooooo!!!!

    Parabéns, que Deus continue abençoando sua linda família!!!

    Su
    SampaSP

  8. Carol, que lindo que escreveu para ele fiquei emocionada demais.
    Agora v~e se não demora para colocar a parte 2 tá kkk…

    Beijos e ele está lindo, baba mesmo amiga que a gente deixa rs!

  9. Carol querida, não vou me espantar se seu bog virar roteiro de filme ou um livrão!

    Siarrepiei, siemocionei!

    Beijoe quero o resto.

    Detesto to be continued … sou muito ansiosa, hauahuah

  10. Eu chorei de novo, da mesma maneira desajeitada que chorei quando tu me contou que tava grávida láá no inicinho.

    tô escrevendo e apagando, escrevendo e apagando. rsrs
    enfim gata, aguardo ansiosamente o próximo capítulo.

    beijão

  11. Ufa…. Tô grávida de 30 semanas e já me sentindo assim: será que vai dar tempo???? Hj tbm bati um papo com o baby, pedi pra ele ficar calminho, quentinho e esperar a mommys resolver as coisas por aqui antes. Acho que nessa reta final a gte meio que fica assim, rezando pelas 40 semanas. Mas como eu msm digo, eles já chegam chegando, então são eles que resolvem qdo chegam, a gente só tem que estar pronta… ou não… Tô ansiosa pela continuação da história!

  12. Carolinda, ai ai, to eu com um nó enorme na gargantaa e tentando segurar o choro, mais é impossivel, gente é lindo lindo!! Obrigado por compartilhar essa coisa liindaaa com a gente!
    E louca pra chorar mais um pokin nessa história!
    beeijos em ti e Luquitchas!

  13. Carol, acho que estou te conhecendo no momento mais pleno da vida de uma mulher que é a maternidade… entrei no seu blog só pela curiosidade do nome e me emocionei profundamente aqui…
    Ainda sou uma noiva preparando seu casamento, mais sonho todos os dias com o momento mais sublime que será ser mãe…
    Parabéns!
    Vou te seguir, pq amei isso aqui!
    Bjs!

    pattyedudu.blogspot.com

  14. Carol eu acho que nunca comentei aqui. Mas lendo, agora, essa primeira parte do seu relato te digo que comigo aconteceu a mesma coisa na noite antecedente ao nascimento da minha filha. Uma ansiedade, apesar de estar muito cansada não conseguia pegar no sono e sentia que ela estava vindo e foi exatamente assim eu conversei com ela e disse que estava pronta que ela já podia vir. Peguei no sono 5h da manhã. 6:30 acordei com a bolsa rota.

    Parabéns pelo seu filho e pelo blog!!!

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