Taí um tema obscuro pra mim. Em toda a minha preparação pra chegada do baby – vocês que acompanham, sabem – eu pensei em quase todo o possível e o impossível, mas nunca toquei no assunto amamentação. Sou capaz de ler atentamente a fóruns sobre bebês prematuros (sendo que Lucas nunca deu sinal de que nasceria antes), mas não consigo ler 4 linhas sobre dar as peitas. Sendo que ele vai precisar comer. Ai ai.

Sinceramente, não sei o que rola comigo. Acho que tenho um medo louco de amamentar, muito maior que medo de dor do parto ou de quebrar recém-nascido ou de afogá-lo durante o banho de banheira. Por isso, eu não sei muito sobre como é a realidade da amamentação na Argentina. Pelo pouco que pude pescar, rola um incentivo pra que as mães amamentem os babies, inclusive depois que voltam da licença-maternidade (que aqui é muito curtinha, dura 3 meses apenas). Sempre que eu entro em lojas de coisas pra bebês, vejo alguém comprando esses kits de Avent de extração de leite, sabe? Sinal de que a mulherada tá preocupada e quer manter a alimentação adequada dos filhos no peito, mesmo depois que voltam a trabalhar.

Onde eu trabalho, por exemplo, já acompanhei duas mocinhas voltando de licença e as duas se desdobravam o dia inteiro pra tirar e congelar seus leitinhos. Mas, ao mesmo tempo (e pelo menos pelos lugares por onde passo), não vejo um moooonte de mãe com as peitas de fora alimentando seus filhos não. Por coincidência, ontem na sala de espera da minha médica (tive consulta de rotina), vi uma mãe tentando amamentar. Dava pra ver que ela não tinha experiência nenhuma: o bebê era minúsculo, claramente tinha nascido há poucos dias, e ela tava toda sem jeito, precisa de alguém que o segurasse enquanto ela levantava a blusa e enfiava o peito na boca do menino – que berrava de fome.

Fiquei prestando atenção ao redor pra ver a reação das pessoas e percebi que ninguém ficava olhando não. Senti, assim bem empiricamente, que é normal dar de mamar, não é uma coisa que chame muito a atenção, embora eu não veja muito por aí. Maaas, me lembrei de uma ocasião em que me perguntaram se eu sou dessas naturebas que saem mostrando o peitão por aí na hora de amamentar… daí senti que as pessoas aqui encaram este como um ato mais de intimidade (mesmo que aconteça na rua), por isso a pergunta. Mas, confesso que não curti muito esse questionamento não: diante da fome do meu filho acho que a opinião alheia será minha última preocupação. Mas, como amamentação é meu fantasma feio, logo arquivei o assunto e deixei pra lá.

Até que comecei o curso pré-parto com a minha parteira. E a primeira aula era sobre qual assunto, adivinhem? Amamentação. Decidi abrir a mente e entender a coisa toda. A mocinha ia falando e eu achando que já sabia tudo. Saber, eu sabia mesmo, já tinha me deparado com vários textos por aí que diziam a mesma coisa. Mas nunca tinha me envolvido, sei lá. Pois bem, daí ela pergunta pra turma como estão preparando os seios pra amamentar. Rá. Eu sou a única que não responde. Mas, enfim, peguei as dicas e já comecei a preparação: creme de calêndula natural duas vezes por dia, massageando levemente mamilos e aureolas. Massagem nos seios durante o banho, sem passar sabão ou óleos, com a idéia de manter a pele bem natural e sem químicas. E pronto.

A aula em si foi ótima, a professora era bastante humanizada, falava de contato pele com pele, de amamentar até os dois aninhos, da participação do pai como contenção e incentivo, da volta ao trabalho, da importância do humor e relaxamento da mãe pra tudo dar certo, do quanto os palpites e encheções de saco alheios podem comprometer o processo… curti muito, peguei ótimas dicas. E todo mundo da turma sorria muito e balançava a cabeça como que confirmando as palavras dela, então entendi que estão de cabeça aberta, pelo menos. E que, assim como pensam sobre o parto normal, é óbvio que vão achar super normal uma mãe que dá o peito pro filho. Sem grandes neuras.

Além disso, descobri que existem grupos de apoio a amamentação e cursos de lactação, além da visita diária de uma especialista em aleitamento nos dias de internação na maternidade, pra ver como estão indo as coisas. Inclusive, a professora do curso tem formação em psicologia da lactação (e obviamente eu peguei os telefones dela pra consultar caso tenha problemas). Mas, não consegui descobrir se existem bancos de leite, fico devendo esse dado. De qualquer forma, acho que informação e ajuda estão disponíveis pra quem quiser aqui na Argentina. Basta querer.

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E eu? Bem, acho que chegou a minha hora de prestar mais atenção ao assunto. Alguém tem alguma sugestão boa de leitura? Dicas? Rezas brabas? To aceitando, viu.

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Saiba como funciona a amamentação em outros países, acessando o link da nossa blogagem coletiva!

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21 respostas em “Blogagem coletiva: amamentação na Argentina

  1. Que delicia de post Carol, honesto e direto!
    Eu como fui uma mãe desligada (de acordo com todo mundo), sem cursos, sem livros, sem nada, vivi na regra do "quando chegar a hora eu me viro" hahaha, e ok, não foi 100%, mas foi legal, não sofri com dores, rachaduras e coisas do tipo, os peitos ficaram ENORMES, mas a fome do pequeno era maior que oque tinha ali…

    Tudo vai dar certo, vai chegar a hora e vc vai ver, quanto a amamentar na rua, tb nunca fui muito chegada, não por pudor, já que eu nem conheço essa palavra, mas por praticidade mesmo, sou desastrada pra caramba, preciso de espaço e calma pra fazer as coisas darem certo! =)

    Beijocas querida

  2. Well………….eu me preparei, li, comprei roupas e sutiãs "póprios" e….fiquei super hiper tensa por ter feito cesárea que o leite não veio o suficiente, fiz tratamento homeopático, tirei leite com máquina pra "aumentar", e nada, com 2 meses e meio desisisti, depois de chorar por dias…a Alice nunca mamou só no peito, mas segundo o pediatra mamou o suficiente para o sistemoa imunológico, ele tb me falou algo que passei a lembrar para tudo: "Façã o POSSÍVEL". A Alice está com 8 meses, come desde 3 meses e 10 dias, adora comer, é forte, nunca adoeceu, e vamo que vamo, cuido muito bem da alimentação dela, que é o que está ao meu alcance 😉
    Resumindo, relaxe, tente ficar calma, a maioria das mulheres tem leite pros seus filhotes.
    bjs

  3. Lindona! A amamentação pode ser mesmo mais complicado do que todo o resto, talvez perca para o desfralde, mas de resto acho que meio que é uma aposta. Eu venho de uma família de amamentadoras, vejo com naturalidade e descobri que na hora H perco toda a vergonha do mundo e coloco mesmo o peito de fora e dou de comer a cria e olha que eu sou daquelas que tem muita vergonha, mas nessa hora nem pensava nisso. Mas prefiro amamentar na tranquilidade, com silencio.
    Grupos de apoio e especialistas são os maiores parceiros e o mais importante de todos é o pai, ele precisa mesmo apoiar, ajuda MUITO no começo, quando estamos inseguras e depois quando as noites de sono são interrompidas pelas mamadas.
    Bjks

  4. Entendo seu medo. O meu é igual e um tico diferente tbm. Confesso que ja esbarrei em uns livros sobre amamentação específicos para o meu caso e não comprei por pavor de ficar ainda mais desesperada. Ja pensou?? Encontro la preparos e mais preparos que deveria ter tido desde o dia zero e nada? Eu morro… Esse do creme de calendula eu amei, conta mais?

    Beijaoooo

  5. Carol, qdo Theo nasceu eu achava que dar o peito era algo natural, que já nascia com a gente com o bebê. Em partes é assim mesmo, pq eles saem da barriga procurando o peito e fazendo movimentos de sucção c/ a boquinha (tipo, quem ensina???). Mas amamentar requer algumas habilidades, sim. Principalmente qdo se quer amamentar sem maiores traumas (como bicos q racham, dores, pega errada, bebês que emagrecem ao invés de engordar). Eu fui muito feliz com os pediatras q cruzaram meu caminho e fui muito feliz na amamentação. Sempre me pediram muito um post sobre isso e, qdo Theo desmamou (c/ 1 aninho), eu fiz o post (começo, meio e fim). Se te interessar ler, tem algumas dicas bem legais que me ajudaram muito.
    http://meupequenodicionarioamoroso.blogspot.com/2010/07/amamentacao-comeco-meio-e-fim.html

    Beijinhos,
    Bi

  6. Achei parecido com aqui. Aqui, algumas mães amamentam em público, mas a maioria das pessoas acha estranho. Muita gente não conhece o conceito da livre demanda e acha que o bebê pode esperar chegar em casa pra mamar. Enfim, tem muito preconceito.
    E quando você está em público, com as peitas de fora, um bebê que anda pendurado nelas e uma barriga de grávida??? Rá! Xok!

  7. Hum… concordo com o comentário da Lia!
    Inclusive, eu tenho evitado dar peito pra Bia em público ultimamente porque as pessoas (a maioria) acham esquisito uma bebê de 1 ano e 4 meses mamando!

    Impressionante a falta de informação!!!!

    Mas, como vc disse, acho q qd a gente tem q amamentar em opublico, a última coisa q importa é a opinião dos outros!
    Hoje Bia já fica tranquilamente em mamar na rua, pq come outrqas coisas, se preciso for, mas qd petitica… não pensava duas vezes em colocar os peitões pra fora!
    Investi em blusas que deixassem os peitos menos pra fora e amamentava onde fosse!

    Melhor minha filha amamentada e o mundo em choque a ver minha filha morrendo de fome e o mundo achando normal!

    kakakaka
    bjs

  8. Carol,
    Acho que vc tera um bom suporte com a amamentação. Ja começou pelo bom caminho ao falar com a parteira e tomar nota dos telefones da especialista em amamentação. Eu tb fiz isso e, quando precisei, fui atras da sage-femme especializada em amamentação. Graças a ela pude entender a pegada da Bê e o que eu estava fazendo de errado e como eu deveria fazer. A amamentação engrenou depois dos nossos encontros. Por isso achei bem bacana vc estar se cercando de informações e de ter a carta na manga e ter a quem recorrer quando precisar.
    Beijos querida : )

  9. JUra? eu tenho muito mais medo do parto do que amamentar! rs

    Olha, o médico da Liza falou que para evitar que os seios rachassem ou sangrassem… era bom ela tomar banho de sol na região, então aproveita sua varanda e finge que é uma menina de ibiza! hehehe

    beijocas, ju

  10. Uma boa preparação não impede de seguir seus instintos maternais. Acho que você esta certa, criar uma base é importante para a chegada do primeiro. Eu sempre gosto de falar da Africa, la as mulheres vivem cercadas de outras mulheres e naturalmente elas se transmetem suas experências e tradições, aqui no ocidente dependemos muito de nos mesmas. Sociedade individualista se impõe e na hora de ter bebê faz falta, muita falta estar cercada de mulheres sabias. Ter ajuda com a chegada do bebê é uma boa para conseguir ter uma maternidade "tranquila". beijao

  11. Carol, eu era igual a você.. tinha mais medo da amamentação do que do parto normal/natural! E como fiquei boa parte da gestação me preparando para o bendito, a amamentação tb só ganhou espaço na "agenda" nos finalmentes rs.. Recomendo esse material da unicef, é mto bom:
    http://www.unicef.org/brazil/pt/aleitamento.pdf

    Produtos que usei aqui e recomendo: concha com base flexível (para as primeiras semanas, antes de começar a usar os absorventes de seio), bomba de extrair leite da Avent, pomada e absorventes Lansinoh. Fiz post destes 2 últimos:
    http://cegonhatrends.blogspot.com/2011/02/produtos-lansinoh.html

    Bjs e muito leite pra vc 🙂

  12. Olá, Carol. Acompanho vc por aqui há um tempinho. Nem sei como vim parar aqui, mas gostei do blog e fui ficando…Bem, eu tenho uma lindeza de 3 anos e confesso que a amamentação não foi algo tranquilo para mim. Ela nasceu prematura e tivemos que introduzir o leite artificial. Deixo aqui 2 dicas: 1) Passe um creme nos seios a base de lanolina. Eu usei o lansinoh, é ótimo; 2) Não sei como funciona em BsAs, mas aqui no Brasil temos excelentes bancos de leite. Ao contrário do que a maioria pensa, o banco de leite não serve apenas para doação e estocagem de leite materno, mas também para auxiliar as mães que têm algum problema na amamentação. Um beijinho e uma boa hora para você!

  13. Menina, eu sou a rainha do palpite, e quando ele e encorajado, tenho dificuldade de calara boca. Entao la vao os meus pitacos:

    eu amamentei duas meninas, durante 9 meses cada uma. elas raramente ficam doentes, o que me fez acreditar naquele bla bla bla dos anticorpos do leite materno! Esse negocio funciona mesmo

    Eu fiz cursos, li livros, fi z terapia pre bebe…e nunca registrei nem uma palavra sobre a amamentacao.

    Achei que o bichinho ia nascer e "garrar a mamar"sem dor, sem dificuldades, sem nada.

    Fiquei 5 dias na maternidade pq achei aquilo uma badalacao so! No quinto dis fui expulsa, por que apesar de ter tido parto normal, ja estava la a mais tempo que as maes de cesaria.

    Por que te digo isso? pq de tres em tres horas as enfermeiras vinham me ajudar a amamentar. Quando cheguei em casa, me atrasei com a rotina e TCHAN!! Meu peito empedrou. Doia pra KCT e o bebe nao tinha forca pra puxar o leite. Chorava ela de fome, eu de dor e acho que meu marido de desespero.

    Liguei pra minha madrinha (madrinha nao sabe tuuudo?). Ela me ensinou o grande truque do desempedramento: bota o marido pra mamar. A maquininha machuca e o bebe nao tem forca ainda. O marido voce controla no beliscao e ele consegue desfazer o empedramento. ( os maridos que eu conheco reclamam um pouco, mas acabam cedendo – e cospem o leite!).

    Entao a minha dica e: fique de olho no relogio e nao deixe o leite empedrar nos primeiros dias – se acontecer, marido no peito e o melhor remedio!!!

    Palpite dois: eu senti muita dor pra amamentar no comecinho. Chorava, e ia falando pra minha bebe: olha, eu gosto de amamentar, nao liga pras lagrimas nao…e elas escorriam do meu rosto no corpinho dela.

    Ai uma santa imaculada, amiga de verdade, me apresentou para o SILICONE!! WOHOO… e um silicone redondo, bem fininho 9 como um plastiquinho) que voce coloca no seio e o bebe mama atraves daquilo.

    Foi comprar, botar no peito e a dor ir embora para PAsargada onde ela e amiga do rei e pode ser mais feliz.

    Na segunda bebe eu fui muuuito mais esperta – nao deixei o leite empedrar e ja botei o silicone na primeira mamada – naos enti nenhuma dor!

    Claro que palpite e aquela coisa…a gente le, analisa e joga o que nao presta no lixo!!

  14. ah… nao tive nenhuma rachadura, e depois do silicone, eu nem acordava mais pra amamentar. O meu marido pegava a nenezinha e botava no meu peito enquanto eu dormia com os anjos.Os anjos do silicone de amamentacao!

  15. Pois esse é o tema que mais me assusta também! Engraçado… acho esquisito demais esse negócio de alguém se alimentar com um leite que sai do meu próprio peito… mas tenho aí umas semanas pra me acostumar!!! Aliás, meses!!! Parabéns, seu blog tá muito legal!

  16. Carol confesso que apesar de toda preparação me sinto grilada com este assunto. Cada lugar leio uma coisa diferente kkk. Aqui na terra brasilis a galera apoia e muito a amamentação, o peitão de fora e tal e olha com desaprovação aquelas que "não puderam ou não conseguiram amamentar" putz dá uma insegurança danada. Já ouvi que os bicom caem na boca da criança kkk que o leite vira pedra kkk Só terror…

    Bjão!!!!!!!!!!
    Aline

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