Oi gente,
Quero agradecer demais a participação de todas no post do enxoval e pelo master apoio nos últimos tempos (ainda vou falar disso com mais calma), mas hoje é dia de blogagem coletiva! O assunto é parto e eu já falei sobre esse tema aqui no blog algumas vezes (pra quem quiser: foi aqui e aqui).
Mas, como a causa é justa, vou dar uma relembrada em como é a realidade da Argentina no que diz respeito a parto. Ah e, como sempre, quero dizer que tudo isso é a minha visão, viu? Buenos Aires é muito diferente do resto do país e a rede pública é muito diferente da rede privada! Se alguém for da Argentina também e quiser dar pitacos, por favor, não se acanhe, será muito legal trocar idéias.
Então, pelas últimas pesquisas que eu fiz, a taxa de cesáreas na rede particular é bem alta, chega a 70% dos casos. Na rede pública, a coisa tá melhor: 30% dos partos são cirurgicos, mas isso ainda é fora do recomendado pela OMS (entre 10 a 15%, se não me engano). Isso acontece pelos mesmíssimos motivos que no Brasil: interesses econômicos prevalecendo sobre os interesses da saúde e da mulher, planos de saúde que pagam pouquíssimo aos médicos, médicos que acham que cesárea é a coisa mais limpinha e cheirosa e prática do mundo, mulheres que compram esses discurso e colocam sua conveniência como fator determinante para a decisão de como será o parto.
Ainda de acordo com essa mesma pesquisa que eu li (amplamente divulgada nos meios de comunicação e com repercussão em blogs sobre o assunto), bebês nascidos de parto normal tiveram muito menos ocorrência de insuficiências respiratórias que os nascidos de cesárea. Além disso, os paridos naturalmente tiveram contato mais rápido com suas mães, facilitando assim a adaptação daquele primeiro momento – crucial para a amamentação de sucesso, por exemplo. Isso acontece também devido a pressa dos médicos, que marcam as cirurgias pra mulheres com 37, 38 semanas de gestação, aumentando muito a possibilidade da “conta gestacional” estar mal feita – vocês sabem que ultrassom é legal mas não é Deus, né? As medidas ali podem estar erradas sim!

Ou seja: parece mais legal que no Brasil, mas não é muito não.

Pois bem, o que nos salva aqui na Argentina é a presença da parteira. Descobri que é uma prática muito comum ela participar do momento-parto, mas não é obrigatória – tenho uma amiga que está grávida de gêmeos univitelinos e o médico nem indicou a parteira (normalmente ela já faz parte da equipe do médico e é indicada por ele), já anunciou que é gravidez de risco, que será cesárea e que a gestação será interrompida às 36 semanas. Ou seja, varia dependendo do profissional que te atenda e do seu caso.
E, olha, eu não julgo ela nem ninguém não, viu. Qual mãe que escuta “sua gravidez é de risco e seus filhos precisam nascer de qualquer jeito com 36 semanas” banca ignorar a indicação? É muito difícil. Fora isso, estive conversando com várias colegas argentinas (muitas grávidas) que me disseram categoricamente que só fazem a coisa natural porque “é o que se deve fazer”, mas que, se dependesse delas, prefeririam “tomar algo pra dormir e acordar com o filho no colo”. Sem dor, sem medos, sem se envolver muito com o assunto. Quando eu comentei que meu sonho dourado era passar por tudo naturalmente, fui chamada de LOUCA pra baixo. Todo mundo começou a dizer que não sei do que estou falando, que não vou aguentar, que meu marido nunca vai deixar eu passar por esse “sofrimento”.
Enfim. Sei que é fácil falar quando não se tem vivência – eu nunca pari, não sei qual é a dor, qual é a minha resistência. Sou bastante insegura e impressionável: se a médica fizer cara feia pra mim e anunciar uma cesárea, eu precisarei ser forte pra questionar e dizer que NÃO.
Mas, para minha sorte, a palavra cesárea só saiu da boca da minha GO uma vez: quando ela viu que meu filho estava sentando, lá pras 23 semanas. Disse que era a única indicação de cesárea que ela conseguia ver até então, porque, pelas outras coisas que tive (brida, inserção marginal do cordão na placenta, diabetes), o parto normal ainda era indicadíssimo e sem restrições. Nem o peso do bebê – que é um tema discutido entre a gente, já que os problemitchas que tive podem influenciar no crescimento dele – influenciaria muito.
Só que aí, Carolzinha que vos fala foi premiada: a brida sumiu, a inserção do cordão virou normal (parece que a placenta cresceu pro outro lado, mágica divina!) e minha diabetes está controlada. E querem saber do melhor? O bebê virou. Juro! Descobri ontem! Virou, tá com a cabeça lá pra baixo, pés entre as minhas costelas, peso NORMAL, lindo, bochechudo, um amado. Ainda não falei com a minha médica sobre esse laudo, mas TODOS os problemas que eu tive até hoje su-mi-ram. Fizeram pluft e abriram o caminho pro que eu mais quis esse tempo todo: o parto normal.
Eu já tinha comentado antes: parto normal, pelo que entendi é parto normal hospitalar, aquele com intervenções (soro com ocitocina, mãe deitadinha sem escolher posição, anestesia, médico “no comando”, episiotomia). Mas, eu tenho esperanças. Com a presença da parteira, poderemos adiar bastante a ida pro hospital e tentar evitar o sorinho. Com a médica e as convicções que eu tenho, posso negociar coisas (já me sugeriram isso nos comentários uma vez e eu achei uma excelente idéia), quem sabe uma anestesia bem fraquinha só pra me dar uma fortalecida? Acho que, comendo pelas beiradas, a gente chega lá.
Esse post vai ficar meio incompletinho, porque ainda não conheci minha parteira e nem fiz o tal do curso pré-parto (de praxe aqui e que acho que vai me ajudar muito a apurar essas impressões). Mas isso tudo tá marcado pra semana 30 (semana que vem!), então eu prometo que volto pra contar como foi, ok?
Quer saber mais sobre o parto em outros países? Acesse o Mães Internacionais e veja mais da blogagem coletiva de hoje!
/
/

11 respostas em “Blogagem coletiva: o parto na Argentina

  1. É, Carol…evito levantar bandeiras! E tudo num parto é tão, tão relativo. Como te falei uma vez, tive dois partos naturais. E um, completamente diferente do outro. (falei sobre isso no blog tb)
    O primeiro foi desastroso e o segundo, com mais experiência e o auxílio de uma doula, passei por todo o trabalho de parto como uma diva! Controlando minhas dores.
    O grande lance mesmo é se informar e tomar as decisões que ache melhor pra si, independente da pressão dos médicos. Uma segunda opinião é sempre válida em caso de dúvida. (foi meu caso tb!)

    Beijo

  2. oi carol tem um tempo que venho te acompanhando,adoro seus post's, em dois dias completo 37 semanas minha bebe sentou com 34 semanas =/ pelo jeito nao terei chance de parto normal jah que ela tem dado sinais que jah quer nascer (saiu o tampão do colo do utero e to com quase 1 cm de dilatação repouso absoluto) meu médico queria muito que eu tivesse normal mais aki no brasil nao tem profissionais com experiencia em parto com o bb sentado e minha bb ta pequena seria perfeito maissss…. fazer o que esperar por um milgre que ela consiga fazer a manobra até a hora do nascimento …………pra mim seria o ideal o parto normal jah que eu mesma tenho asma e nao queria que ela nascesse com problemas respiratorios tbm =/ mais com fé em Deus tudo dá certo =D

  3. Carol, vc sabe que aqui na França vc pode fazer a "lista dos desejos" para teu parto e fazer o obstetra ou a parteira assinarem?!! me explico, você coloca na lista tudo o que vc quer e nao quer que aconteça caso vc nao tiver condiçoes sobreas para fazer na hora H. Por exemplo se vc nao quer a injecçao de ocitocine, parto deitada, exames imediatos no bebê, etc. infelizmente acontece de na hora vc estar cansada e se deixar "cair em tentaçao" por causa de insistencia medica. Tudo é relativo no parto, mas o que vc quer é o mais importante. beijao

  4. oi Carol!
    Estou achando que a presença e ajuda dessa parteira serão bem importantes. Se vc pode contar com isso, aproveita mesmo. Quanto ao parto na Argentina, queria te fazer uma pergunta: existe ai um movimento em prol da maternidade ativa, como vem acontecendo no Brasil? Não sei se é influência do que leio, vejo que ha um movimento interessante (e que parece ganhar forças) acontecendo la na terrinha, que, mesmo em passos de formiga, a cesarea vem sendo bastante questrionada.
    Ou é so impressão minha?
    Beijos : )

  5. VocÊ tem tudo pra parir!
    E sobre os gêmeos… o fato de serem univitelinos é, sim, uma indicação relativa de cesárea. Como eles dividem a mesma placenta, existe um risco de após o nascimento do 1o bebê, ela descolar. Mas não é uma indicação absoluta, tem que avaliar. Mesma coisa apresentação pélvica. É uma indicação relativa.
    Agora, essa história de 36s é bem bizarra…
    Vi na Rehuna um vídeo de um parto gemelar maravilhoso, 39 semanas, os bbs nasceram com mais de 3kg cada um. Mas eram placentas separadas.

  6. Oi, Carol. Em se tratando de parto tem certas coisas que a gente nao pode controlar, mas para as que a gente pode, informacao eh super importante – e isso ja deu pra ver que nao lhe falta. Desejo um otimo parto pra voce. Beijos e boa sorte!

  7. Oi Carol!
    Olha aqui na Hungria ele só fazem cesária em último caso… Eu tb queria muito o parto normal, meu sonho, mas sou pequena(1,53) e o bebe nao coube… Mesmo assim tentei, passei pela injecao pra aumentar contracao, depois pela dor toda, mas na hora H, nao saiu… Nao minto, dói muuuito, mas eu teria dado tudo pra poder ter ido até o fim, pois no dia seguinte quase morri de dor o dia todo, enquanto que quem teve a dor do parto normal já nem se lembrava e olha que minha recuperacao foi otima… mesmo assim, cesária sofre mais, depois… fora que queria muito que meu marido participasse…
    Vai fundo, é mais rápido, mais seguro e vc ve seu nene antes…
    Beijinhos!

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *