por Pedro

Tentar descrever o que é a paternidade é muito complicado. Seria como tentar descrever como é a cor azul sem poder compará-la com ou associá-la a nada.

As primeiras vezes que tentei entender tudo isso, foi quando meu pai ficou grávido de novo, há 3 anos. Durante a gravidez, foi aniversário dele e eu decidi dar um presente que celebrasse a sua paternidade. Meu primeiro impulso foi comprar um carrinho de bebê desses de 3 rodas, pra pais que correm (que é o caso do meu). Acabei sendo di$$uadido deste presente e precisei procurar outro.
Tentei, então, imaginar o que poderia ser usado pelo meu pai que seria dele – e apenas dele – com sua nova filha. E foi nesta busca que comecei a pensar sobre a paternidade em si. Os produtos para bebês são para as mães e/ou para o casal, não há muita opção exclusiva para o pai e sua relação com o filho.
Minha escolha foi algo que, depois me dei conta, simulava para o pai a relação dos bebês com suas mães: uma mochila para carregar o bebê ou canguru. Até hoje ainda acho o melhor presente para um pai. Mas, tive um insucesso na minha reflexão: definitivamente a mochila que simula a relação mamãe-bebê não faz um bom paralelo com o que é a paternidade.
Porque não se trata de substituir ou simular o que é a mãe. Trata-se de encontrar seu próprio eu dentro do filho, seu espaço, seu carinho, sua atenção. Mas, acima de tudo, acho que é necessário encontrar isso dentro de si mesmo, na forma do filho.
Pras mães, isso deve ser mais fácil. Afinal de contas, desde a concepção, os filhos já ocupam um lugar de destaques pra elas, dentro delas. Literalmente. E não acho que seja uma questão de dificuldade que o pai teria em amar imediatamente o filho que cresce no ventre da mãe. Isso não passa pela lógica ou pela vontade. É algo que acontece antes mesmo do pai perceber que aconteceu.
Só que é difícil se relacionar com um ser ainda dentro da barriga de outro. Assim, quando ele nasce, acho que é quando a paternidade pode finalmente ser definida. Ao ver, ao tocar, ao sentir o cheiro do filho pela primeira vez. O amor já existia. A responsabilidade também. Todos os questionamentos e certezas já estavam no pai.
Acontece que quando a gente toca alguma coisa, essa coisa toca a gente de volta. Quando mudamos alguma coisa, essa mesma coisa muda a gente. Então, quando o bebê nasce, nós pais confirmamos o que já sabíamos: mudamos a vida dessa criança. E ela mudou a nossa.
Essa relação intrínseca e inexorável é o que nos define, é o que define a paternidade.

***

Pedro é publicitário, tradutor, blogueiro, dublador, roteirista, maridinho mais que amado da humilde autora deste blog, dono de dois lindos dogs e está prestes a adquirir a mais incrível função da vida: pai do Lucas!

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23 respostas em “Blogagem coletiva: nós, os pais

  1. que post lindooooo
    esses dias mesmo estava conversando com minha irmã, que vai ser mãe de primeira logo mais, sobre como deve ser difícil pros maridos essa relação com a "barriga". A transformação acontece, claro, mas é muito mais intensa após o nascimento, para eles.
    lindo lindo lindo
    beijos pro casal

  2. Adorei essa participação do papai com o Lucas ainda na barriguinha!!
    Passa lá no blog, que o pai de "lá" trás essas reflexões tb!!(só que fora da barriga ;))

    Parabéns por essa família linda e por esse papai tão participativo!!

    bjs

  3. Choreeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeei!
    Vc ja é pai meu caro…..isso ta na cara, no coração!
    Aproveite cada segundo disso tudo, pq a partir de agora, as coisas só tendem a melhorar, vai por mim! rs

    Bjoooos na familia de vcs, tao linda!

  4. Lindo mesmo… é sim uma questão de achar o papel do pai!!!
    E como são necessários e amados esses pais…
    Pode parecer um clichezão, e depois vcs me contam como vai ser aí, mas me parece que com o pai existe um amor diferente que vem dos meninos.
    eles olham, sorriem, interagem com os pais com uma pitada de parceria, uma pitada de… eu sou você!
    é lindo!
    bjos a todos

  5. Lindo mesmo… é sim uma questão de achar o papel do pai!!!
    E como são necessários e amados esses pais…
    Pode parecer um clichezão, e depois vcs me contam como vai ser aí, mas me parece que com o pai existe um amor diferente que vem dos meninos.
    eles olham, sorriem, interagem com os pais com uma pitada de parceria, uma pitada de… eu sou você!
    é lindo!
    bjos a todos

  6. Lindo texto, parabéns para o papai do Lucas!
    O papai da Alice foi se desenvolvendo com ela, em cada ultrassom, mas o melhor é ver os dois agora.
    Eu vejo muitas mamães reclamarem de pais ausentes, quando elas mesmas não deixam os pais fazerem muitas coisas nos cuidados com o bebê, alegando que apenas elas sabem como fazer, mãe insegura é um perigo para o relacionamento dos pais com o bebê…acho que isso dá assunto pra um post 😉
    bjs

  7. Que belas palavras… Lindas e emocionantes!!!!

    É isso papai… O seu aprendizado vem com o tempo, mas ao ler as suas palavras percebemos esse imenso amor… O amor incondicional!

    Tenho certeza que na pratica diária será um excelente pai!

    Abraços

  8. Que liiiindo!! Não podia esperar diferente do Pedro, tão criativo no blog das perguntas fantásticas.
    E é bem isso mesmo, o homem passa a viver de verdade a paternidade quando o baby nasce. Por aqui foi a mesma coisa com o pai do Bento… E esse amor (ou relação intrínseca e inexorável, como Pedro disse) só aumenta, cada vez mais.
    beijos!

  9. Concordo com vc Pedro de que o amor do pai nasce de verdade na hora que o filho vem ao mundo, porque a relação da mãe vem bem antes, meu marido fala a mesma coisa, e é super verdade. Tenho certeza de que vc será um super pai junto com a Carol super mãe. Lucas tem sorte! bjs!

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