Oi povo!

O assunto de hoje da Blogagem Coletiva das Mães Internacionais é Licença Maternidade (não sabe do que eu tô falando? Entenda!).

Assim como a Nívea, esse tema veio bem a calhar pra mim, já que essa semana estou fazendo meu trâmite de licença e tive que ler bastante sobre o tema, pra entender como funciona aqui na Argentina.

Olha, como brasileira que não desiste nunca (ouvindo as mocinhas falando de licenças de 6 meses) e acostumada a ficar sabendo de maravilhas da Europa (licenças de 2, 3 anos), confesso que achei tudo aqui muito injusto (e chato e complexo de resolver). Não fosse o mínimo de flexibilidade que tenho no meu trabalho, acho que estaria mais preocupada com a minha situação.

Toda mulher empregada tem direito a licença-maternidade, sem importar cargo, salário ou tempo de empresa. Ela é obrigada a sair pelo menos 30 dias antes da data prevista para o parto e só pode voltar 60 dias depois. Ela também pode optar por sair 45 dias antes e passar os outros 45 com o baby. Ou seja, são 3 meses de licença no total. Ou seja, largue seu bebezinho de dois meses sabe lá com quem. Ou seja, mantenha a amamentação sabe lá como. Gostei não.

Primeiro que esse papo de sair 30 (ou 45) dias antes é desnecessário, vamos combinar. Mas, todo mundo burla isso (e pra quê serve a lei se ela será quase que necessariamente burlada, me conta?). Tanto é que, quando levei a minha papelada pra médica assinar, fui ver com ela se não dava pra dar uma mentidinha na minha data prevista de parto, assim eu não seria obrigada a ficar um mês em casa sem fazer nada, perdendo tempo que eu poderia ter com meu filho. Ela naturalmente aceitou e eu entendi que é de praxe fazer isso. Atrasou minha data duas semanas e, pro governo, atualmente estou grávida de 23 e não de 25 semanas. Isso porque ela foi cautelosa, eu já soube que tem médico que atrasa em 30 dias mesmo, pra mocinha poder trabalhar até o final, coincidir sua saída com a DPP e não perder os preciosos dias dessa parca licença. A coisa é tão declarada que até a mocinha do RH da minha empresa me facilitou a vida e me pediu outro certificado de gravidez (que deve ser apresentado até a grávida estar de 12 semanas, garantindo assim a estabilidade no emprego), pra não dar ruído na coisa das datas.

Pois bem, depois disso, retorno ao trabalho e, durante o primeiro ano do bebê, a mulher pode tomar dois descansos de meia hora ao longo do dia, pra amamentar (rá, nem eu que moro a 5 minutos do trabalho conseguiria aproveitar esse tempo pra amamentar direito, magina as que não moram no quintal do trabalho?).

Se a grávida estiver no emprego há mais de um ano, ela adquire outro benefício, que é pedir extensão não-remunerada da licença. Pode ser de 3 ou 6 meses (e não 2 ou 4 ou 5 – TRÊS ou SEIS além dos outros 3 obrigatórios, garantidos por lei). De acordo com o que li, ela não precisa de autorização da chefia pra gozar deste benefício, basta avisar até 48 horas antes do término da licença obrigatória. MAAAS, a gente bem sabe que não é assim que a banda toca. Tem que conversar com chefe SIM e ele precisa autorizar SIM. Como eu já sabia disso há muito tempo, meu chefe já estava preparado (e meu cartão de crédito também), então optei por tirar 6 meses de licença. Nos três primeiros, como qualquer outra argentina (ou pseudo-argentina, tipo eu), meu salário será integralmente pago pelo governo (isso é ótimo, porque não terá nenhum tipo de desconto, ele entra limpinho na conta). Nos outros três, quem estará limpinho não é o salário, mas meu extrato no banco. Não vou receber NADA.

Eu posso arcar com essa decisão, mas, por exemplo, as outras duas mocinhas grávidas lá da minha empresa não podem, então voltarão pra labuta bem rapidinho e deixarão seus bebezicos piticos em casa pra outro cuidar.

Além disso, eu vou colar as férias na licença (são pouquíssimos dias, mas tá valendo), então a previsão é que eu pare de trabalhar em 19/05 e só volte em 28/11. Pra mim, que não tenho família por perto, nem grandes indicações de babá ou amigos disponíveis que possam ficar com meu filho, tirar esse tempo foi o MÍNIMO que eu quis garantir pra que tudo funcione bem. Eu e Maridón estamos nos preparando pra esse momento, porque obviamente meu salário vai fazer falta. Mas, prefiro diminuir um pouco o status de vida e ficar mais tempo coladinha na minha cria do que deixa-lo por aí e seguir podendo pagar superfluos por 3 meses. É uma questão de escolha e prioridade (e um mínimo de apoio do marido: sempre penso nas minhas colegas de trabalho, que, por mais que escolham e priorizem seus filhos e tenham apoio em casa, simplesmente não podem arcar com 3 meses sem ganhar din-din).

Quando a mommy volta a trabalhar, a lei garante que ela tenha seu cargo e salário como eram antes. Alguns benefícios extras são dados por sindicatos de cada área: presentes quando o bebê nasce, uns dias a mais pra ficar em casa, bônus de ajuda de custo. O meu sindicato manda um beijo e um abraço, nada mais. He-he. Minha empresa dá vale-compras numa loja de bebês e é muito compreensiva quando a mocinha precisa se ausentar por quaisquer problemas com o filho. Mas tudo isso é muito informal, depende do chefe e do tipo de relacionamento que voce tem, não dá pra se pautar nessas coisinhas pra planejar uma gravidez.

E o papai?

Rá, esse sim sofre. A licença-paternidade na Argentina é de INCRÍVEIS, IMENSOS, INCOMPARÁVEIS dois dias. SEGUIDOS. Nasceu na sexta à noite? Ferrou, porque papai volta a trabalhar na segunda (se der azar, a mãe ainda está no hospital, veja bem). Maneiro mesmo é nascer na quarta, aí o papai fica quinta e sexta em casa e emenda num final de semana, olha que bom.

Existem projetos de lei pra mudar isso. Vários, aliás. Um deles fala de 3 dias (uau), outro de 5, tem outro que prevê 15 e mais um que tá falando de 30 dias de licença (se aumentar muito, a mulherada vai começar a ter ciúme desses pais sortudos!). Nenhum deles foi aprovado ainda, então, pro futuro papai, resta rezar (pra Deus, pro chefe e pro filho nascer numa quarta-feira) e tentar colar suas férias na licença. Como eu tinha comentado antes, alguns sindicatos tem acordos que dão benefícios extras aos rapazes, mas ainda não conseguimos descobrir o que o sindicato do Maridón dá. Já ouvimos falar de presentinhos, já ouvimos falar de dias a mais.

O que temos relativamante garantido até agora é que ele vai tirar uns dias de férias quando o Lucas nascer e pronto.

Ufa! Complexo, né? Mas enfim, vamos lutando e fazendo o que está ao nosso alcance.

Quer saber mais sobre licença-maternidade ao redor do mundo? É só passear pelos links abaixo:

Áustria: Adeus quilinhos
Canadá: Colorida Vida
Espanha: Coisas Minhas
Estados Unidos: NY With Kids
França: Carrego no Pano
França: Journal de Beatrice
Holanda: Family Around
Inglaterra: Mother Love Database
Inglaterra: Filhos Bilíngues
Irlanda: Que Seja Doce
Irlanda: Ká Entre Nós
Itália: Mamães na Itália
Itália: A Vida da Grávida
Mônaco: Na Casa da Beta
Suiça – Who’d say?
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25 respostas em “Blogagem coletiva: licença maternidade na Argentina

  1. Tava esperando esse post, ja que li quase tds da blogagem rsrs
    Olha, nao eh justo mesmo ter so 3 meses pra ficar com seu bebe, acho injustissimo.
    E os 2 dias do papai entao.. sem comentario.
    Sorte a sua as coisas ai serao mais faceis e vc podera ficar em casa mais tempo, mas como vc disse, nem td mundo pode.
    Bjkas pra vcs 2
    P.S. Meu marido viu a foto da sua barriga outro dia e ele gritou: Que barrigao!!
    Espero q vc goste 🙂

  2. Menina, que complexo!
    Por um lado, sinto falta de ter a estabilidade de uma empresa, por outro… usarei meu pé de meia (que, em outros tempos, seria usado para trocar de carro e viajar…rá!) para ficar em casa sem pegar freelas por um tempo…pelo menos 4 meses. marido ficará 15 dias, tadinho, o que acho pouquíssimo!
    Depois desses 4-5 meses iniciais, a ideia é eu retomar meus freelas em horários compatíveis com a rotina do baby, que terei mesmo que estruturar de acordo com meu trabalho… eita, quta coisa pra pensar, né não??
    Inicialmente, eu havia pensado em ficar mais tempo sem freela, mas as contas não 'bateram'…ahahaha. Então, tb faço parte do time das que tem que voltar a fazer algo rentável após um período mínimo. A vantagem, claro, é que posso fazer em casa mesmo. Só depoooois, aos 2 anos, quando ele for pra escolinha, é que poderei pensar melhor em me dedicar integralmente ao trabalho (esse mesmo ou outro). De qualquer forma, acredito que – pelo menos no primeiro ano – nossa padrão terá mesmo que sofrer um reajuste…rs. Normal, natural, a gente tbm priorizou assim. Mesmo trabalhando em casa, será menos, mas estou contente assim.

    Fiz um post! Pior são minhas dúvidas ao escrever tudo isso… pode mudar tudo tudo amanha, tá? to ainda insegura…ahahahaha

    Beijao!

  3. Oi Carol,
    Olha, o que tô percebendo com essa blogagem coletiva é que não está fácil pra ninguém, viu? Fora os países escandinavos e parece que Inglaterra e Irlanda, a coisa aqui pela Europa também anda bem basiquinha. E a gente que se vire.
    Beijos

  4. A Licença Paternidade na Holanda também é de apenas dois dias, mas aqui é dois dias UTEIS,nasceu na sexta, papai segunda e terça e tem mais, os dias contam a partir da saída da maternidade no caso dos partos hospitaleres e nos partos domiciliares é a partir do nascimento.

    Ou seja, papai só pode ter folga qdo o bebezinho já estiver no bercinho em casa. =)

    Beijocas

  5. Oi Carol,

    Concordo com a Carla, as coisas por aqui nao sao nada uma mar de rosas. O que achei legal foi a flexibilidade espanhola. Aqui a mamae decidi quando quer parar de trabalhar. Se quiser parar no dia do parto pode.

    Legal ter participado desta blogagem coletiva e conhecer tantas mamaes blogueiras e suas experiências.

    Beijos
    Van

    http://www.coisasminhas.com

  6. CArol, adorei saber como funciona por ai. Vc fez bem mesmo em optar por + 3 meses com o baby, a gente se sente mais segura com eles um pouco mais grandinhos p deixar com outros.

    Vamos torcer q o lucas nasça na quarta!!
    eheh

    bjo!

  7. Ai, gata! É muito difícil essa coisa de licença maternidade. Até eu que tenho minha própria empresa me pego num beco sem saída sobre essa questão, e você que me acompanha de perto, sabe bem disso. Acho que o que fez é o mais correto. Apesar de ter que abrir mão do salário, está pensando no Lucas. Mãe é assim mesmo!
    Lembra que comentei que no Japão a licença é de 1 ano. Super justo né? Mas acho que a maioria dos países está longe dessa realidade. É injusto com a mãe e com o filho. Um dilema sem fim, principalmente pra gente que precisa trabalhar e não pode abrir mão da profissão para criar os filhos.
    Adorei o post. E vale ressaltar, coitados dos pais, né? Minimizam e muito a participação deles.
    Gu também terá uma semana com a baby e a sorte de trabalhar em casa o aproximará mais. Mas o pobre já pensa em quando não estiver aqui, que vai apertar o coração. Oh dó!
    Beijão!!!

  8. Carol
    Que bom q vc vai poder ficar esses meses em casa com seu filhote. Longe da familia eh sempre mais complicado, mas nunca impossivel, vc vai tirar de letra.
    Adorei saber como funciona na Argentina. Quanto as ferias sabia q sao poquissimas dias, pois passei umas temporadas em BA ano passado, pois meu marido estava trabalhando por ai. Eu ateh pensei em ficar por ai, pois adoro BA, mas as ferias sao de matar.
    bj
    Carol P
    http://motherlovedatabase.blogspot.com

  9. Nossa, Carol, estou chocada. Como um país que se acha a Europa tem uma política familiar paleolítica dessas? Pelo menos tem essa opção da extensão sem renda, mas nem todo mundo pode, né?
    E essa palhaçada de "licença paternidade"? Se o bebê nascer sexta à noite o pai não tem nem uma folga pra ir registrar a criança. Meu Deus!
    Muito triste. Vou lá ler sobre a licença no 1o mundo pra ficar com invejinha (e esperança)…
    Bjos!

  10. Poxa, Carol, que pena, neste quesito a Argentina está atrás do Brasil. Mas tô feliz que vcs conseguiram eleger a prioridade de vcs, o Lucas, e vão estender a licença (ainda que não remunerada). Aqui o Bernardo também tirou férias. Clarice nasceu numa sexta e eles contaram a sexta, então ele teria de voltar ao trabalho na quarta (são 5 dias corridos), ó que ruim. Mas ambos juntamos as férias com a licença, porque nossa prioridade são as meninas!
    Beijos

  11. Oi, Carol,
    Realmente é desesperador deixar o bb com apenas dois meses para trabalhar…

    Adoramos e acompanhamos as blogagens coletivas! Um dia podemos marcar um bate-papo online com vcs pela Escola Virtual para Pais, o que acha?

    Compartilhamos o link desse post no nosso Portal (www.escolavirtualparapais.com.br), ok?

    abs,
    Marcia Taborda

  12. Carol!
    Muito legal ler o post e ter esse lado pessoal tão aflorado, tão vivido por vc.
    Seria bom los hermanos pensarem em leis para estenderem um pouquinho mais a licença-maternidade né não? O lado bom é que vc conseguiu emendar as suas férias e tem uma reserva para ficar mais três meses com a cria. Sera bom para vcs dois, tenho certeza disso!
    Beijos : )

  13. Carol que bom resentir a sua emoçao, a prova é que as coisas nao podem mais ficar assim, nao é? lugar de bebê é com mãe. e o pai nisto é lamentavél. beijos
    Carine S.

  14. Que loucura, hein?? já sabia dos três meses… mas não sabia de todos os pormenores! A Liza por ser concursada tem direito a seis meses em casa, remunerados, e ela vai juntar com as ferias. Então serão 7 meses at home! Definitivamente um ano sabático para ela!

    Ontem estava conversando com o meu pai, e falei que era no meio de maio que o Lucas ia nascer, acertei, né? ele mandou um beijo para vvc!

    bjocas, ju

  15. Caraca, até no Brasil estamos melhor… que engraçado isso.
    Gente, deixar uma criança de 2 meses é muito complicado. Fiquei bege.
    E concordo que sair 30 dias antes é totalmente desnecessário. Salvo, claro, se for por orientação médica.
    BJos

  16. Oi Carol!
    Bom, aqui em Mônaco nao tive a chance que cair numa médica legal no sentido de mudar datas.
    Jah tenho dificuldades em deixar o Felipe na creche aos quase cinco meses, imagine dois… Affff!
    Beijinho!

  17. Oi Carol, vi que não há ninguém falando de Portugal!
    Aqui é assim:
    #4 meses para mãe recebendo 100% do salário ou
    #5 meses p/ mãe recebendo 80%
    # 10 dias uteis para o pai ( mais dez Dias facultativos)
    O pai tem direito a ficar 1 mês quando acabam os cinco meses da mãe.
    O salário pago vem sem os descontos portanto ganhar a 80% dá mais que um salário normal.
    Resumindo: aqui é até muito bom!
    Beijinho

  18. Nossa mto curta essa licença aí na Argentina! Que bom que vai conseguir pegar alguns meses a mais, mesmo que não remunerados, mais com certeza vai valer a pena pra ficar um tiquinho a mais com seu pequeno!

  19. Puxa, caí de paraquedas e adorei esse blog! Já li quase tudo, rs… Resolvi comentar (e espero que vc encontre o comentário atrasado) porque esse assunto me lembrou dos meus partos. Eu sei que é muuuito chato quando a gente tá grávida e vem alguém com uma história ruim. Mas a minha não é ruiiiim e também não é, nem de longe, maioria. Mas pode ajudar a aceitar melhor essa licença antes parto. Eu sempre pensei como vc (e a maioria): trabalhar até o último dia pra aproveitar a licença com o bebê. E fiz praticamente isso (1º bebê, parei quase uma semana antes pq senão perderia dias, já que minha volta cairia num recesso – na verdade, ele que nasceu atrasado, pq saí no dia da DPP e ele nasceu com quase 41 sem, hehehe. 2º bebê, parei 2 dias antes, porque entrei em greve, e ele nasceu na DPP!). Acontece que os 2 resolveram sacanear a mamãe que queria tanto um parto normal e fizeram cocô. O mecônio não é necessariamente um problema, mas eles começaram a sofrer, então, pro meu desgosto, nasceram em cesáreas de emergência. O médico que me atendeu no 2º parto disse que isso é comum em quem trabalha até o final da gestação, que os colegas não acreditam nele, mas ele faz suas pacientes pararem com 36sem. Eu não sei se é verdade, se tem fundamento científico, mas é só um "consolo" pra vc não pensar nesse tempo antes do parto como "perdido", pense que é um descanso necessário pra vcs dois, viu?! Agora, voltar com 2 meses é sacanagem!!!! É muito cedo!!!

    Desculpe o comentário longo e o assunto chato, mas é porque acho que hoje eu faria um pouco diferente, então acho importante falar…

    Vou virar leitora frequente do blog! Bjs e tudo de bom pra vcs!

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