Que bom saber que vocês estão todas
remando comigo! Alguns comentários foram tão lindos e sinceros e compreensivos que eu tive que me segurar pra não chorar. Lindo demais, obrigada!
Com certeza, tamanha energia positiva foi crucial pra minha melhora. Ontem, na sala de espera da médica, eu tava tão bem humorada e risonha, que nem parecia que estava com um fantasmão na cabeça. Mas, vamos voltar um pouquinho na historia pra vocês entenderem: no sábado passado, eu estava sentindo umas cólicas e um desconforto pra fazer xixi. Liguei pra GO e ela me mandou ir pro hospital fazer exame de urina e ver isso direitinho, pra descartar infecção urinária. Fui. Por conta das tais dores, fomos fazer um ultrassom. E aí a médica viu – além do bebe fofo, grande e nadador de aguinhas amnióticas – a amiga brida.
Lembram dela? Pois bem. E me disse que não era brida não, que era indicativo de anomalia congênita no útero. Que precisaria acompanhar de perto e talvez repousar durante toda a gravidez e lidar com risco de parto prematurou ou aborto tardio. ARFE. Eu respondi que a pseudo-brida já tinha sido vista na TN e a geneticista tinha dito que ok, não era nada. E ela disse “ok, são eles que sabem então, né? Vamos confirar”. E fora isso, eu não tinha infecção urinária, então fui liberada pra ir pra casa.
Voltei numa boa, recebemos uns amigos pra jantar, rimos, nos divertimos. Mas aquilo ficou martelando na minha cabeça e eu fui ler o laudo e catar na internet sobre aquilo tudo. E não acho que foi um erro, sabem. Claro que saiu bastante coisa feia no Google, mas também, dessa vez, eu tinha ouvido coisas feias. De repente, me vi de novo com
medo dos médicos aqui da Argentina e não queria voltar a sentir isso, realmente estava segura de ter achado um acompanhamento obstétrico legal. Mas não me senti nada bem de ter dois laudos falando da mesma coisa com nomes diferentes.
O que me matou não foi simplesmente imaginar coisas ruins. Foi não poder ter a beleza de uma vida sem preocupações, sabe. Tudo bem que, quando você decide ser mãe e engravida, viver despreocupada é quase impossível. E, além disso, tampouco posso ficar chorando as mágoas da minha vida pra sempre, cada vez que surgir uma possibilidade de problema.
Só que eu fraquejei. Eu caí, eu chorei, eu fiquei puta. Pelas muitas mortes que tive que assistir ao longo desses anos, pelo aborto anterior, pelas doenças que vi na família, pela minha mãe que passou parte da vida surda, pela minha casa que pegou fogo há muitos anos atrás, pelo carro que uma vez foi roubado, pelas pequenas tristezas. E pela ameaça à casinha do meu filho, meu não conhecido mas tão amado e esperado filho.
E aí eu senti que eu amo demais esse pequeno ser que eu nem conheço. Eu amo tanto que, tamanho da barriga, enjôos ou quaisquer bobeiras relacionadas à gravidez já não me importam, eu quero que ele viva bem, feliz e saudável e só. O resto, eu aturo, to pronta. Nada mais alcança isso que eu sinto e mexeu demais comigo saber que tinham 5mm (é a espessura atual da brida) de ameaça a todo esse amor.
Mas aí, na sala de espera da GO e depois do post, tudo estava magicamente bem. Eu ainda não sabia que estava tudo realmente bem, mas estava num clima bom com o Maridón, a gente brincava tanto e ria tão alto que chamava atenção dos outros casais que esperavam. As grávidas alisavam a barriga e faziam cara de Virgem Maria, enquanto eu escandalizava e fazia cara de Like a Virgin.
E, finalmente na sala da médica, tudo ficou bem: ela explicou a questão, me assegurou de que está tudo muito bem e que simplesmente vamos acompanhar a dona brida por ultrassom (mas nem preciso fazer mais vezes do que o normal, é só um ponto a ser controlado). Aproveitamos pra falar de tamanho de barriga, enjôos, perda de peso, alimentação, sexo, tudo. E falamos de parto. E foi muito bom, ela tratou com a maior seriedade e falou que a indicação é parto normal, SIM, LÓGICO. Brida nenhuma atrapalhará meu sonho de parir naturalmente. E ela parecia muito séria sobre o que estava falando, me senti segura.
Saí de lá muito bem. Sempre estarei de olhos abertos pra essa brida ou quaisquer outras coisas que eu achar que são um problema pro meu baby. SEMPRE.
Mas, chegou a hora (finalmente) de curtir a mini-pancinha!
E eu siachei tão no direito de curtir que, logo depois que saí da consulta, lembrei que era o dia da festa da empresa! UUuuuuuuuuuh! ATÓRON uma boca livre patrocinada pelo empregador!
Botei um vestido colado (toda no clima de simostrar barriguda), fiz a beleza maquilada e fui!
(e os causos da festa ficam pro post de amanhã, mas já adianto que foi MOITO divertido. Pra ir esquentando, quem quiser, pode ler os posts das festas dos anos anteriores:
Argentinando em 2008 e
Cariocando em 2009 – recomendo!)
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