Come as you are

 

Come as you are, as you were,
As I want you to be, as a friend,
As a friend, as an old enemy

Take your time, hurry up
Choice is yours, don't be late
Take a rest, as a friend

As an old memory



só consigo escutar isso hoje.

até minha maquiagem pra trabalhar tá meio preta demais, meio borradinha no olho e eu estou de casaco de flanela xadrez (mentira, essa do casaco é mentira! mas eu me sinto assim).

chove e faz frio em Buenos Aires.

chove e faz frio em mim.

e eu escuto Nirvana.

disso, ficam as dúvidas: será que isso quer dizer que eu me sinto adolescente e não cresci porra nenhuma? será que me sinto incompreendida? fora de moda? será que meu gosto musical parou em 1994? será que devo andar por aí com aspecto sujinho, deixar a franja crescer em cima do olho e chorar pelos cantos?

e, finalmente: que porra isso tem a ver com baby-blog?

são muitas perguntas.
/
/

Tente outra vez

ou Season 2, dia 1

Fiquei menstruadaaaaaaaaaaaaa! Caracaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa!
Deu pra sentir a minha emoção? Não? Então vou contar: acho que é a menstruação mais feliz EVER.
Porque finalmente me sinto normal, me sinto limpa, me sinto viva e mulher. É sério!

Sinto que posso dar um passo à frente e deixar o resto todo pra trás.

Claro que sei que ainda vou chorar, que ainda vou sofrer, que tropeços mil ainda farão parte do meu caminho.

Mas, a força que me faltava pra levantar a cabeça e encarar tudo de novo chegou em forma de sangue vermelho vivo, cólicas e dor de cabeça. Eu sabia que, mais cedo ou mais tarde, esse dia lindo ia chegar. Até porque aquele teste de gravidez que eu tinha feito, tinha dado negativo. Eu não desanimei não, a verdade é que aquele não era exatamente o momento mais apropriado pra uma gravidez. Nem sei se é agora - na verdade, até acho que não.

Mas não importa. Hoje, o sonho de ter um filho volta a ser possível e, independente dos tempos da vida e só por hoje, eu me permito voltar a sonhar.

Ai, ai.

Então tá. Dia 27 de agosto de 2010 fica marcado como o dia em que eu começo de novo.

Uma vez eu brinquei que a música abaixo deveria ser oficializada como a Melô das Treinantes, mas hoje eu sei que ela serve pra qualquer um que tem a força e a coragem de dar a cara a tapa outra vez. Eu tenho.




E você, também tem?
4
4

Volver

Esta semana, comemorei dois anos de vidinha em Buenos Aires.
Comemorei sim. Não simplesmente “fiz” ou “completei”, porque morar em outro país é uma experiência única, pessoal, intransferível e incomparável. Que deve ser celebrada.

Pra mim, é óbvio agora que eu não poderia passar por essa vida sem a experiência de morar fora do Brasil. Como não posso passar sem filhos, sem viajar pra Ásia, sem comprar um carro (juro que nunca tive carro comprado com meu dinheirinho!), entre outros must haves e must dos da (minha) vida.

Eu queria muito escrever um puta post sobre Buenos Aires e nossos dois anos de relacionamento, o lado bom, o lado ruim. Queria contar pra vocês como foi que vim parar aqui. Como eu acho que Buenos Aires é só minha, foi feita sob medida pra mim e mais ninguém. Que quando chega uma visita é algo que invade tão profundamente a minha realidade que eu demoro dias pra voltar ao normal. Que quando vou ao Brasil, quero voltar loucamente e não quero voltar nunca mais. Mas voltar pra onde? Se a minha sensação é de estar sempre indo?

Buenos Aires me deu e me tirou a maior alegria da minha vida. Aqui fui profundamente feliz e profundamente triste. Já não sei mais o que fazer com tanto sentimento. Que, pra mim, inunda as ruas, avança sobre os prédios bonitos, está pelas ruas de Palermo que eu amo, nos doces de leite viciantes, nos vinhos que me embriagam, nos alfajores que eu nem gosto.

Ainda não sei o que fazer com tanta coisa. Nem com Buenos Aires, nem com a vida, que insiste em continuar. E eu, no meio disso tudo e quase que sem perceber, fico pensando em voltar. No tempo. Pra casa. Pra mim.

Mas, como quase sempre faço, apenas deixo o pensamento voar, escolho uma música que me acompanhe e sigo em frente.



Pero el viajero que huye
Tarde o temprano detiene su andar
Y aunque el olvido, que todo destruye,
Haya matado mi vieja ilusión,
Guardo escondida una esperanza humilde
Que es toda la fortuna de mi corazón.
8
8

Sobre o amor, a internet e um pouco mais

 

Eu já tinha postado essa música uma vez.
Tinha entrado num táxi e tocava na rádio, o que fez meu dia ficar todo felizinho.

Cheguei em casa, procurei uma versão qualquer e publiquei, pronto.

Fiquei um tempão com isso na cabeça e sempre que estou precisando de um up, é ela que escuto. Acabou que a música tava guardadinha no fundo da memória, sem ser muito mexida.

Mas aí, ela voltou. Tem uns dias que essa musiquinha tá na mente de novo. Dessa vez, não porque eu precisasse de um up (ou talvez sim, abafa), mas porque tem me levado a um sentimento tão meu que achei que não era legal por na internet, queria manter guardadinho aqui comigo. Mas resolvi publicar. Porque sim, porque precisa. Porque coisa boa a gente solta, espalha e deseja igual pra todo mundo.

***

Daí tem o blog, né. Que já está na minha vida há muitos anos, que é meu companheiro, meu diário. Com ele, eu consegui me entender melhor, entendi as pessoas, falei com gente que tava longe e que tava perto, conheci um pessoal muito legal.

Só que, sei lá essa coisa de internet, né. É meio doida. Você abre a vida, a intimidade e tudo mais pra quem nunca viu. Seguindo a onda da coisa, eu também abri meu contato pessoal pra alguns, meu MSN pra outros.

E conheci a Jordana. Trocamos contatos, começamos a falar. Sei lá quando, sei lá como. Só sei que nunca mais parou. Descobrimos a minha gravidez, a dela, o meu problema, o problema dela. A minha perda. Tudo isso juntas. Tem pouco tempo, mas parece que tem anos, sabe? Que coisa curiosa encontrar pessoas assim, online.

Mas, assim mesmo, online, ela me acompanhou nos meus repousos, consultou médicos pra tirar minhas dúvidas, fez gracinhas pra eu rir, rezou por mim, chorou junto, colocou o meu problema na frente dos dela. O que eu achei errado. Ela não. Mas o tempo e a vida ensinam, Jo.

Que a internet, por exemplo, foi só uma desculpa da vida pra nos aproximar.

Que as distancias são relativas.

Que você esteve tão perto, tão mais do que muita gente “da vida real”.

E que o amor existe em tantas formas, em tantos lugares, basta abrir os olhos pra ver.

Eu demorei, mas eu vi.

***

Obrigada, por tudo. Por muito mais do que você imagina.
Assim que der, a gente vai ser ver.

***

E essa música é pra você. A versão mais bonita que eu encontrei.
2
2

Dos velhos sentimentos, das pequenas alegrias

Daí que não teve menstruação.

Claro que eu sei que é uma loucura pro corpo esse momento pós-abortivo, tudo pode acontecer e eu posso menstruar hoje ou daqui a 15 dias. Por isso e, dentro do possível, estou bem calminha aguardando os próximos capítulos.

Mas, como tenho bebido e living a minha vida bem loca, achei por bem fazer um testezinho de gravidez. Eu não estou tentando baby (longe disso) e usei proteção bonitinha, mas sim eu namorei e, putz, quem tá na chuva, acaba se molhando. Até porque, to cansada de ouvir histórias doidas de gente que engravida com camisinha, pílula, DIU, lençol em volta, ziploc, flanelinha ou o que seja. O melhor método contraceptivo é a abstinência, meu povo. Fora isso, tudo é possível.

Caminhando em direção a farmácia, eu fui pensando em tudo que já me aconteceu e na fortíssima sensação de estar vivendo tudo de novo: a expectativa, os testes de gravidez, os falsos sintomas, as grandes esperanças. Pensei nas minhas perdas, nas minhas vitórias, no meu pai que acabou de voltar pro Brasil, no meu marido que nem fazia idéia que eu tava indo comprar teste. Nas pequenas e nas grandes coisas.

Acabei entrando na primeira farmácia que vi e era uma dessas de pedir tudo no balcão. Eu nunca vou nessas, prefiro as que você pega o que quer, passa no caixa e vai embora. Não gosto de ficar falando com o mocinho balconista, sei lá, me dá vergonha.

Mas bem, não tem tu, vai tu mermo, fui naquela que já tava ali. Perguntei quais testes de gravidez ele tinha pra vender e escolhi um. Estava ainda muito distraída e imersa nos meus pensamentos, quando fui interrompida pelo mocinho: “o que você quer que saia nesse teste, positivo ou negativo?”.

Que pergunta boa que ele me fez.

Dentro de tudo que pensei, eu ainda não tinha me perguntado o que eu queria.

No susto, respondi “positivo, claro”. E sorri.

Ele também sorriu e falou “que bom”. Depois me contou que a imensa maioria das mulheres que vai lá comprar teste, está completamente desesperada com a situação, todas querem um negativo. E que torceria pro meu ser positivo mesmo. Me deu a impressão de que estava sinceramente satisfeito que alguém nesse mundo ainda queira ter filhos.

Eu sorri mais um pouco. Atrás daquele meu sorriso tinha tantas coisas... mal sabia o mocinho balconista. Tanto tempo perdido, tempo ganho, sonhos, ilusões, desilusões, derrotas, recomeços, aprendizados. 

Mas, ele não precisava mesmo saber. O que precisava, foi feito. Não me questionou, não julgou, não atirou pedra. Só sorriu e disse que torceria pelo que eu quero pra mim.

Fui embora feliz. Pela beleza de coisas pequeninas como essa.
4
4

Menininha

Então rapazes, o papo aqui é menstruação, então pode ser que não interesse muito a vocês. Caso queiram seguir lendo, ok, mas fica a dica, tá?


Bem, mocinhas, passado o dia chato de sexta-feira, meu papi chegou do Brasil pra visitar (e fez conjunto com a Sogrona e Buenos Aires virou festa). Daí ficou tudo bem. Passei dias legais no colinho familiar, já to renovada.

Porém, tem uma renovaçãozinha que to esperando até agora e... nada. Ela, a menstruação. Tão odiada por qualquer treinante que se preze, mas muito querida por mim! Quero muito que venha logo, quero me sentir normal e funcionando direitinho de novo! Só que, até agora, nem sinal dela. Nem cólica, nem seio inchado/dolorido. Só um certo mau humor que indicaria uma TPM e só.

Daí, senhoras sabidonas, preciso da opinião de vocês. A minha médica tinha falado que a menstruação viria de 25 a 45 dias após o aborto. Até aí, ok, mas que dia devo considerar O dia do aborto? O dia que começou a sangrar? O dia que tive a expulsão mais importante? Devo contar esse período pós-aborto mais ou menos do mesmo jeito que contava ciclo? Meu ciclo era muito reguladinho e durava entre 27 e 29 dias. Hoje é o dia 30 do suposto ciclo em que estou - comecei a abortar em 23/07. Mas, se for contar a partir da  expulsão - que foi no dia 26/07 -, hoje seria o dia 28.

Etcha confusão.


Já escutei todo tipo de história de aborto e duas me marcam: uma amiga que menstruou bonita depois de 28 dias e outra amiga que teve o ciclo endoidecido e só foi menstruar 41 dias depois (uia! 41 dias!!).

Eu sei que ainda to dentro do prazo dado pela médica, acho que minha ansiedade é só de me sentir normal de novo, entendem? Parece que fica faltando alguma coisa pra vida recomeçar de verdade. Muito estranho tudo isso...

Sendo assim, o que vocês acham?

Favor considerar que: não, eu não estou grávida (he-he e isso é engraçado, porque minha mente adestrada pra ser treinante não deixa de ficar felizinha com atraso menstrual, mesmo que seja impossível ter baby agora).


Desde já, brigada pela ajuda gatonas!

Conversa de botas batidas

pra minha irmã, pro meu filho.
que se foram da minha vida num dia 20.




Veja você, onde é que o barco foi desaguar
A gente só queria um amor
Deus parece às vezes se esquecer
Ai, não fala isso, por favor
Esse é só o começo do fim da nossa vida
Deixa chegar o sonho, prepara uma avenida
Que a gente vai passar

Veja você, onde é que tudo foi desabar
A gente corre pra se esconder
E se amar, se amar até o fim
Sem saber que o fim já vai chegar
Deixa o moço bater
Que eu cansei da nossa fuga
Já não vejo motivos
Pra um amor de tantas rugas
Não ter o seu lugar

Abre a janela agora
Deixa que o sol te veja
É só lembrar que o amor é tão maior
Que estamos sós no céu
Abre as cortinas pra mim
Que eu não me escondo de ninguém
O amor já desvendou nosso lugar
E agora está de bem

Deixa o moço bater
Que eu cansei da nossa fuga
Já não vejo motivos
Pra um amor de tantas rugas
Não ter o seu lugar

Diz, quem é maior que o amor?
Me abraça forte agora, que é chegada a nossa hora
Vem, vamos além
Vão dizer, que a vida é passageira
Sem notar que a nossa estrela vai cair


(sem mais pra hoje, gentes, desculpem. tá dando não. e no mais, a música diz tudo que eu queria)

Respostas Fantásticas Para Perguntas Intrigantes

Desde sempre (tentativas-gravidez-aborto), eu falo falo falo sobre mim e esqueço de falar um pouco do Maridón. Mentira, eu falo bastante nele, mas é que chega uma hora que é tanto egoísmo meu que as pessoas dão uma pausa, olham no meu olho (internético) e perguntam: "mas e o Pedro, como está?".

Pois bem.

O Pedro está bem. Mas falemos mais dele.

Todo mundo que engravida fica falando que se apaixonou de novo pelo marido e talz mas, gente, desculpa discordar, só que eu me apaixonei de novo mesmo foi na coisa do aborto. Primeiro porque o rapazinho caiu de amores e preocupações por mim, sofreu comigo e me deu muito muito apoio. Depois porque eu descobri que ele tem inseguranças e neuras muito parecidas com as minhas. Por exemplo: ontem a gente passou pela rua onde fica a clínica em que eu fiz meu último ultrassom da gravidez. Aí falei “arfe, odeio essa rua”, mas já esperando ele responder algo como “ah, deixa disso” ou “ah, que bobeira”. Mas não. Ele disse “eu também, não quero passar nunca mais por aqui”.

Não que eu queira vê-lo sofrendo ou desenvolvendo neuroses como as minhas, mas é que é muito ótimo saber que a pessoa com quem convivemos esteja realmente ao nosso lado, sabe? Até pra compartilhar esse tipo de detalhe bobo. E o Pedro tá.

Mas apesar de sentir coisas muito parecidas, ele tem o pé mais no chão que eu e é mais otimista. Ou é simplesmente mais bobo, daí fala uma besteira, eu fico rindo e tudo já fica melhor.

Porque o Pedro é desses que fazem a vida melhor, sabe.

Além disso, com toda a história do aborto, sabe o que eu percebi? Que o bichinho tá DOIDJO pra ser pai. Por incrível que pareça, ele tá mais animado com a possibilidade de ter filhos agora. É lógico que tava antes, quando eu estava grávida, mas sei lá, acho que ele viu tudo isso como uma segunda chance que a vida deu, uma forma de fazer de novo, só que melhor e mais seguro, mais experiente.

Eu sofri e demorei pra entender isso no início, mas a animação dele é de um frescor tão grande que é difícil não se empolgar junto. E, por empolgado, não entendam ansioso. Ele simplesmente não tá com pressa. Aprendeu a respeitar os tempos da vida e tá satisfeito que seja assim. É um case de sucesso, minha gente. Não dá pra não amar.

E eu tô aqui fazendo toda essa publicidade do meu bem mais precioso porque ele criou um blog papaizístico e eu preciso anunciar isso! Cês num imaginam o tamanho do meu orgulho, né?! Não tem gravidez ainda, mas já tem papy e mommy totalmente AFINS e gritando na internet pra quem quiser ouvir (cegonha, essa é pra você também): estamos prontos. Amor (e blog) é o que não falta na nossa casa!

***

Então meninas, passem lá: Respostas Fantásticas Para Perguntas Intrigantes, by Maridón e feito com muito carinho pro nosso futuro filhote.

(e ele avisa que participações com perguntas são MUITO bem-vindas!)
9
9

Um selinho e uma musiquinha pra acompanhar

Três mocinhas fofildas me dedicaram esse mesmo selinho, eu vi, amei, mas sou abestalhada e esqueci de postar! Então: Anjinho, Kah e Rezinha, brigada, aqui está! Fico muito feliz de saber que eu faço vocês sorrirem (e eu mesma também, porque eu escrevo, aí quando vou reler pra corrigir e tal, fico rindo tudo de novo. Pode isso?)

Agora, às regras: contar nove coisas sobre a minha pessoa humana enquanto ser viva e indicar nove blogs pra fazer também. Maaas, como eu sou do contra, vou indicar ninguém específico não, tá? Mas todos que passam por aqui e tem blog tão convidados a brincar, ok?

Vamos às nove coisas sobre mim (tem que ser inéditas? Vou tentar! E como eu fico com a impressão de que ninguém lê selinho, vou falar todas as merdas que vierem à minha mente agora, ho-ho):

1. Eu já fui cover das Spice Girls. Rá! Eu era a Posh ou a Sporty ou sei lá qual, não me lembro bem. Sei que eu era a que cantava pior, porque né, taí uma verdade: eu canto mal pracaralho. Nem meu chuveiro aguenta.

2. Ainda no assunto djivah: eu queria saber cantar bem. E ser ricah e famosah e iluminadah. Eu acho que nasci pra isso, sabe? Pra brilhar.

3. Como eu não sabia cantar, mas ainda queria ser famosa, eu decidi fazer jornalismo e ser a próxima Fátima Bernardes (pelo menos meu William Bonner eu já arrumei, só falta a gente produzir os trigêmeos. Maridón, fica a dica).

4. Quando eu ainda me achava capaz de ser a Fátima Next Generation (e achava que jornalismo ia me render – mínimo – 30 mil por mês), conheci o Maridón. Todo largado, rasgado e metido a saber tudo. E a primeira coisa que pensei dele foi: “quem é o serumano capaz de aturar esse menino?”.

5. Daí minha pergunta foi respondida uns 5 anos depois, quando eumerma casei com ele (he-he). E foi um puta momento lindo na vida.

6. Junto com esse dia, o dia que descobri a gravidez foi mega lindo também. O que eu não me lembrava (e minha tia me refrescou a memória outro dia) é que eu sempre achei BOBONA essa coisa de casar e ter filhos. Eu me achava uma mulher moderna que não precisa dessas coisas. Ah tah.

7. Modernona que sou, confesso: um dos meus hobbys favoritos é jogar baralho (eu, Maridón e os velhinhos da esquina). É capaz deu ganhar o campeonato da pracinha. Marco as cartas, conto pontos mentalmente, sou rápida e sei roubar quando a ocasião pede. Como não é muita gente que compartilha esse tão refinado (e jovial) hábito, eu jogo muuuito freecell e paciência de computador. Ou Buraco (*ui!) com Maridón, com muito vinho e música.

8. Maaaas. Eu sou esquentadinha e competitiva. Já briguei com amigos, já baguncei jogo na mesa (quem joga vai entender o feio que é isso), já criei caso com Maridón diveeeersas vezes. Fico puta de perder, a verdade é essa.

9. Por último e mudando um pouco de assunto. Uma coisica sobre este blog: eu fico me derretendo de amor e sentimentos aqui, mas ao vivo, eu faço a durona ou a palhaçona. É que aqui parece mais fácil, né? Eu fico fingindo que não tem ninguém lendo meus textos e que os comentários deixados são coisa da minha cabeça. O foda é quando, por exemplo, eu escrevo aqui que tô na merda, chorando pacas e um amigo liga perguntando “você tá bem?”. Aí eu respondo “tô óóóótima”. Sei lá, me dá vergonha. E pra completar, juro que chego a pensar “mas como ele sabe que tô malz?”.

É isso! Mocinhas que indicaram, brigada pela lembrança, viu?

***

E agora a musiquinha, que segundo Maridón, harmoniza bem com o post (tipo vinho com comida, saca?). E também porque a gente tá num looove com Caetano ultimamente, nossa. Tamo achando ele lindjo, embala todos os nossos sentimentos, comidas, bebidas, dormidas e acordadas atuais:




8
8

A vacina, a memória e minha mãe fanfa

Memória dos tempos de criança é uma coisa engraçada.

Eu recebi um pedido do Ministério da Saúde pra ajudar a divulgar a campanha de vacinação infantil contra a poliomelite, que acontece amanhã, dia 14, em todo o Brasil.

Aí fiquei tentando lembrar de alguma historinha de vacinação que eu tenha vivido ou que conheça e não consegui pensar em nada específico. Mas, lembro claramente da sensação de alegria máxima nos dias de ir vacinar. Estranho criança se animar de ir ter o bumbum ou o braço furado ou ainda de tomar aquelas gotinhas de gosto ruim. Né não? A maioria dos meus companheiros de fila do posto de saúde pareciam aterrorizados! Eu não, eu sempre ia toda satisfeita.

E a culpa era da minha mãe (ah, sempre ela!). Porque dia de vacinação era dia de curtição. Ela me acordava cedo toda animada, a gente se vestia juntas, escolhia roupa, saíamos prosas e íamos tagarelando por todo o caminho até o posto (era meio longe, mas ela fazia questão da gente ir andando e falando muito, sobre todos os assuntos que uma pequena baby conseguiria).

Ela não me botava medo, não tinha tensão, não ficava me preparaaaando pra coisa, nunca soube dela chorando ou com peninha de mim porque eu ia ser vacinada (ou pelo menos escondeu muuito bem). Depois da vacina em si, a alegria e o conversê seguiam e ela me deixava escolher uma besteirinha pra comer, pra completar o passeio. E eu sempre escolhia a casquinha de sorvete de baunilha do Bob’s, que eu amava (ai que saudade do Bob’s!!).

E pronto. Criança feliz e vacinada, mommy feliz e com dever cumprido.

Daí que quando recebi o pedido do Ministério, a primeira coisa que pensei foi: ai que legaaaaal, amanhã é dia de vacina (dito isso, alguém pode me levar pra passear, conversar e tomar um sorvete do Bob’s? Brigada)!!



eu gorduchita e vacinada e mommy toda prosa. Esse olhar que as mommys tem (e o sorriso besta) é tao lindinho, né?

***

Mommys e papys desse Brasil, não esqueçam então: levem os filhotildos com menos de 5 anos ao posto de saúde pra dar a segunda dose da vacina contra pólio, ok? É amanhã, sábado, 14 de agosto e pra mais infos, dá uma passadinha no site do Ministério da Saúde.

***

Ai meu deus e acabo de descobrir que no site, além das infos básicas, ainda tem jingles e jogos online! Ai se tivesse isso na minha época! Eu largava o Bob's pra lá (ou nao).



E eu amo o Zé Gotinha.
*
*

Daily Affirmation

Hoje eu voltei a trabalhar e todos elogiaram a minha voz sexy gripal (NOT). É sempre bom voltar pra vida normal cotidiana do dia-a-dia, dá animo e talz. Mas sei lá o que me deu hoje, talvez o dia cinzinha e frio que faz em Buenos Aires, só sei que senti que tava querendo ficar tristinha e melancólica de novo.

Eu tenho todo o direito de ficar tristinha e melancólica dez milhões de vezes, né não? Mas bem, eu mesma não tava afim de aturar isso. Sei lá, chega uma hora que a pessoa perde a paciência com ela mesma. Daí tava comentando desse assunto com a colegagi no MSN (porque não contente em postar, eu vou lá e comento tudo com quem me atura, aí esse que me atura é obrigado a ouvir a mesma história várias vezes). Mas bem. Daí, depois de chorar mil pitanguinhas da minha vida, eu concluí o assunto assim “e quem disse que seria fácil, né?, repito isso pra mim mesma como mantra”- filosófica e inovadora, eu me achei.

Aí a colegagi me supera: “nããão. Mantra é isso, ó:



Gentes, assistam, por favor! É uma injeção de animo!
Jessica é minha ídola!

Nem preciso dizer que fiquei doidinha pra subir na pia do banheiro e ficar cantando sobre todas as coisas legaaaais da minha vida, né? “i like my husband, i like my job, i like my father, i like my blog, i like my hooooole house, i can do anything good, yeah yeah yeah”.

Sianimei.

E qual não foi a minha surpresa ao descobrir que tem continuação? Jessica segue no bom humor, ensinando a gente a ser feliz:



GREAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAT!

***

E é engraçado porque eu fiquei pensando que quero muito que meu filho seja fanfinha assim. Na época que eu tentava engravidar – na Season 1, chamemos assim –, eu ficava pesquisando mil coisas sobre educação, alimentação saudável e outras coisas nesse sentido. Tava preocupada em me preparar pra passar o melhor possível pro futuro baby, néam.

E não que eu não esteja mais preocupada com isso.

Mas digamos que relaxeeeei. Agora, que estamos ainda no aguardE de quando comecará a Season 2, eu fico é pesquisando exemplos de fanfarronice, porque quero mais (e acima de tudo) que o babytcho seja fe-liz. Tipo Jessica, sabe?

(e pensando nisso tudo – olha como é a vida – me lembrei que minha mãe era fanfarrona pracaralho, tipo pessoa que subia na mesa pra dançar, gargalhava bem alto e fazia piada com as merdas da própria vida. AMO!)
*
*

A flanela - desvendando o mistério

Gentes, mas antes: eu tô com uma gripe DO MAL desde sábado. Na segunda piorou demais (e ainda por cima eu tava naquela deprê) e eu estou sem ir ao trabalho desde então. Hoje dei uma leve melhorada, mas mesmo assim, ainda sigo trabalhando de casa, com fotofobia, tosses, espirros, dores no corpo, corisas e demais sensações deliciosas que só uma boa gripe pode te dar. Enfim.

Daí até estive com a minha sogra em duas ocasiões desde que ela chegou em Buenos, mas eu não tinha forças nem pra ficar em pé, quanto mais pra falar de métodos contraceptivos (até porque o meu tem sido GRIPE, é ótimo, funciona super bem).

Maaaas. Ontem de noite ela teve aqui em casa. E a gente tirou vááárias garrafinhas de vinho da adega pra simostrar pra oferecer e daí a coisa rolou (uia!).

Eu deitada no sofá espirrando e usando mil lenços de papel, Maridón na fanfarronice, Sogrona degustando vinhozinho e eis que... surge o assunto da Flanelinha (não sabe do que eu tô falando? Leia a primeira parte desse causo aqui).


FLANELA


Do dicionário web (eu consultaria o Aurélio ou o Houaiss se os tivesse):

flanela (fla-ne-la)
s. f.

Tecido feito geralmente de lã macia ou de fibras de lã penteadas. A flanela também pode ser feita de algodão ou raiom. Algumas flanelas, como a flanela para roupas de bebê e a flanela para vestidos finos, são delicadas. Outras, como o tipo usado para camisas pesadas, são grossas e rústicas.


Da cabeça desta que vos fala:


Paninho de limpeza. Amarelo-alaranjado. Nunca vi vendendo em loja. Assim como os rolos de papel higiênico e os paninhos Perfex, já nascem ali onde estão, por geração espontânea. Mas, se alguém encontrar para comprar, provavelmente já os trará da loja com cheiro de Poliflor, que era o uso que a minha mãe dava: limpar móvel de madeira com flanela besuntada no Poliflor.




OU


Flanelinha: rapazinho chato que te ajuda a estacionar o carro e que teoricamente fica cuidando da segurança do veículo enquanto você está fora – e te cobra (muito) por isso, lógico. Existe em grandes quantidades, principalmente no Rio de Janeiro, minha cidade natal. Quando eu morava lá, achava que eles também nasciam por geração espontânea, como o rolo de papel higiênico e os paninhos Perfex. Só que em velocidade reprodutiva muito maior, afinal sempre tinha um porra dum flanelinha mala esperando pra arrancar o seu pobre dinheiro enquanto você ingenuamente estaciona seu carro. E não, infelizmente eles não tem cheiro de Poliflor. Aqui em Buenos Aires não tem muito Flanelinha não, mas eu já vi e prontamente quis sair correndo (e o olha que eu estava de taxi, pra vocês verem o tamanho do trauma).


Dos conhecimentos milenares da minha sogra:


Método contraceptivo das antigas. Uso masculino. Conta a lenda que o avô do meu marido usava esse método (percebe-se que não é muito eficaz, visto que ele teve 4 filhos). Propriedades: não faz sujeira e mantém a área quentinha. Modo de usar: é um avanço do coito interrompido, na verdade. O rapazinho tá lá no meio da ação e sente que chegou sua hora de terminar o serviço (gozar, em português mais claro). Ele prontamente retira o meninão da amiga (deu pra entender isso? To péssima no papo erótico. Empregador, por favor não me demitir). Então, em vez de exibir o meninão aos 4 ventos e gozar ao gosto de sua vontade de sujar o que tiver pela frente, ele enrola o meninão na flanela (sem cheiro de Poliflor) e termina o serviço ali, de forma segura, limpa, indolor, sem som, sem nada. Um gentleman da esporrada, não incomoda ninguém e não tira (quase) nada do lugar. E, como bônus, o meninão fica todo reconfortado ali na flanela quentinha, mantendo por alguns momentinhos mais a sensação de torpor pós-coito.


(e sim, é inacreditável que eu tenha conversado sobre isso com a minha sogra com tamanha riqueza de detalhes. E ainda por cima publico no blog. E ainda por cima acho normal. Ai ai)


Querido internauta que caiu aqui por acaso: não leve nada disso a sério. Tá procurando método pra não engravidar? Recomendo: camisinha (a melhor amiga do sexo seguríssimo), pílula, DIU, camisinha feminina, entre outros (consulta aqui, ó: http://www.metodoscontraceptivos.com/).


Agora vou voltar pra programação normal deste blog, que é totalmente PRÓ-BABYS, né gente?
*
*

Uma pausa de mil compassos

eu juro que queria só falar de besteiras. de flanelas. da minha sogra. de muco e de camisinhas. do quanto eu estou gripada e mal consigo respirar.

de qualquer coisa.

mas eu mal consigo respirar por outro motivo.

é porque tem dia que dói. dói tanto que parece que nunca vai acabar. que nunca vai doer menos. parece que o bom humor sem fim, finalmente, teve fim. (mas não. é só uma pausa.)




Silêncio por favor
Enquanto esqueço um pouco
a dor no peito


Não diga nada
sobre meus defeitos
Eu não me lembro mais
quem me deixou assim


Hoje eu quero apenas
Uma pausa de mil compassos
Para ver as meninas
E nada mais nos braços
Só este amor
assim descontraído


Quem sabe de tudo não fale
Quem não sabe nada se cale
Se for preciso eu repito


Porque hoje eu vou fazer
Ao meu jeito eu vou fazer
Um samba sobre o infinito

Eu no blog da Ju

Geeentes! Lembra que eu tinha ficado de escrever no blog da noiva do ano, a minha querida amada amiga Julia? Pois bem, só não escrevi antes, porque vocês já sabem: gravidez-hematoma-aborto, mas hoje to lá! Passem pra ver!


ó nóis imprimindo o loosho e a riqueza no casório da Ju


(e gente, a Flanelinha: a sogrona chegou tarde ontem e ainda não deu pra averiguar isso, mas em breve saberemos, prometo!!)

Mudei

Eu amava as bolinhas coloridas. Mas tinha feito aquele layout quando estava grávida (na verdade, dois dias antes de descobrir) e cada bolinha daquela me acompanhou e me fez sorrir durante o curto período da gravidez.

Só que agora é hora de “let go", sabe. Não é esquecer, é deixar ir mesmo.

Daí senti a necessidade de mudar o blog, fazê-lo ficar mais com a cara do que tô sentindo agora. Coloquei um menu bem bonitinho aqui em cima, com busca e contato pra me mandar e-mail, achei que ficou tão fofis, espero que gostem e se sintam à vontade pra falar comigo sempre (aliááás, tô atrasada nas minhas respostas de e-mail, mas juro que estou me esforçando pra atualizar isso!).

Também queria avisar que pretendo falar de outras bobeirinhas da minha vida aqui no blog, fora a vontade de ser mãe, babys e afins. Vocês já tinham percebido isso, né? Nos últimos dias falei de um tudo, menos de bebês. He-he. Adicionei uns links novos aqui do lado, de blogs que eu leio e gosto e não tem nada a ver com o tema bebezístico.

Claro que o foco deste blog ainda é o mesmo, mas não tava mais afim de me sentir obrigada a falar só disso, afinal eu sou muito mais que uma vontade de ser mãe.

Ah, mas de qualquer forma, queria pedir um favorzitcho pra vocês. É que percebi bastante gente nova passando por aqui e eu queria muito conhecer todos, só que a confusão foi tanta nos últimos tempos que não consegui retribuir as visitas. Sendo assim, quem puder e quiser, me manda um emailzinho ou deixa um comentário com seu link que eu quero lê-los!

***

Na verdade, nada disso é uma mudança. Sou só eu juntando os caquinhos, levantando e encarando tudo de frente novamente.

Tenho pensado muito nessa minha “retomada” e, como não poderia deixar de ser, uma música tem me marcado muito, olha ela aí:



Eu que já não sou assim
Muito de ganhar
Junto as mãos ao meu redor
Faço o melhor que sou capaz
Só pra viver em paz




(me dá uma emocionaaaada ouvir isso, lembro dos meus tempos de Los Hermanetes, de pular e chorar até dizer chega nesses shows... ai ai)
*
*

Eu sou mongol – a saga que não tem fim

ou Sigo sem saber o que é Flanelinha
ou ainda O conto do hospital

Ontem eu tava dizendo pra minha psicóloga que, quando eu quero ser pateta, eu sou pateta mesmo. E que, quando eu quero falar de intimidades, eu vou e falo sem limites. E que graças ao bom deus eu moro na Argentina, assim eu fico fingindo que sou só uma entidade internética imaginária – ninguém encontra comigo na rua, nem fica me olhando, nem comenta “olha lá aquela menina do muco, da camisinha, da sogra, da flanelinha”.

E assim vou levando a vida.

Há dois dias atrás, vocês sabem, eu tive alta dos acompanhamentos médicos pós-aborto. Tudo muito bom, tudo muito bem, eu tava pronta pra viver a vida normal (=tava pronta pra dar). Só que também, há exatos dois dias atrás tenho sentindo uma coceira chatinha, um incomodo lááá na amiga. Toda mocinha que tem vida sexual ativa (eu não, no caso) e principalmente, que transa sem camisinha, já teve essa coceirinha chata. Aí é fácil: vai no médico, toma remedinho, passa creminho e pronto. Lavou, tá novo.

Só que eu realmente não estava tendo relações e comecei a ficar preocupada. Achei que poderia ser alergia ao absorvente (to usando essa pereba há 14 dias), então deixei rolar. Só que ontem começou a incomodar muito mais e eu fiquei tensa de verdade. E putz, por mais que eu esteja vivendo um momento de bom humor, tem só 10 dias que passei por uma das experiências mais traumáticas da vida, cheia de ameaças de infecções e afins. Não dá pra bobear com essas coisas, fiquei preocupada e resolvi ir ao PS (e eu já tenho carteirinha de fidelidade nesse hospital, de tanto que já fui lá, a recepcionista já me pergunta “vai ser o de sempre?”).

Por mais que eu soubesse que tinha uma chance enorme de não ser nada, fui ficando teeeeensa. O médico me perguntou o que houve e eu comecei: “ai doutor, sabe o que é? é que eu tive um aborto faz 10 dias, eu tava de 12 semanas, mas com aborto retido desde as nove, foi muito ruim, mas logo depois que eu descobri isso tudo, comecei a ter o aborto natural e de fato tive, foi completo, mas fiquei um dia internada aqui, foi traumático, sabe?, daí desde então eu tomo antibiótico, já fiz milhares de ultrassons, tão todos aqui, quer ver?, minha médica me liberou há dois dias e há exatos dois dias, veja bem como o destino é besta comigo, eu to com essa coceira lá na amiga, só que eu tomo antibiótico, então acho tão estranho eu estar com essa infecção grave, sabe doutor, eu acho que é grave e eu deveria estar protegida pelo antibiótico!, e, olha, eu nem tive relações ainda, fiquei insegura, não tinha camisinha, mas po, a farmácia tava lotada e eu fiquei com vergonha de comprar, sei lá, mas enfim, essa coceira é tão chata, será que to com um tumor maligno? pode fazer uma biópsia logo? eu quero tanto ter filhos, doutor, ainda não sei se é agora, mas um dia vai ser, será que minha fertilidade foi comprometida?...

O médico sabiamente me interrompeu e falou pra fazermos um exame físico pra ter certeza do que era. Daí, sem nem me oferecer um vinhozinho antes, ele veio com aquela mão cheia de dedos examinar a amiga. Ficou um tempinho calado olhando pra lááá e eu pensando no testamento que eu ia deixar, já escrevendo mentalmente uma carta de despedida pro meu pai, escolhendo uma esposa pro meu marido não se sentir muito sozinho... eu estava morrendo e tinha que preparar a minha ida.

Aí ele riu.

E olha, eu já to acostumada com médicos botando a mão lááá sem o menor clima (depois dessa rave de hospital, já to inclusive mostrando a amiga pra quem quiser ver – revista Playboy, fica a dica), mas um médico rindo dela, nossa, foi a primeira vez.

Aí eu ri também, né, pra não ficar chato ("me mostra aí o teu amigo que eu fico rindo dele também, o babaca" - pensei, nao falei). Mas sei lá do que eu tava rindo.

Eis que ele falou: “teu problema é simples: funguinhos

Ah que bonito. Funguinhos (a palavra em espanhol é ainda mais fofa: honguitos).

Me deu vontade de ir na loja comprar honguitos de pelúcia pra ornar a minha cama, não vai ficar lindo? Vou botar todos os funguinhos sentadinhos lá, fofinhos e rindo pra mim todo dia de manhã. Um mimo.

Bem. Ele, muito didático (quase um pediatra), me explicou que temos funguinhos e bactérias vivendo no corpo. Só que, com o antibiótico que eu tava tomando (cabou hoje!), matei as bactérias e baixei a imunidade, daí os funguinhos ficaram sozinhos e fizeram a festa lááá na amiga. Mas ele disse que era uma coisa bem inicial e simples e nada a ver com o aborto, só teria que tomar um comprimido e tudo certo. Tudo isso, minha querida amiga e conselheira para assunto obstétricos, a Paula, já tinha me explicado no dia anterior (fofa, brigada!), mas eu deixei o mocinho falar e fingi que não sabia de nada.

Pronto, depois de dizimar as minhas bactérias, agora to pronta pra matar os funguinhos (ah, cutchaaados). Fico pensando o que vai sobrar no meu corpo depois dessa chacina – “merda na cabeça”, meu eu interno responde (favor não sugiram mais respostas. Grata.).

Era isso então folks, já to sã (NOT) e salva.





Coming up next: Flanelinha - resolvendo o mistério.
Domingo! Assim que minha sogrinha chegar!

Eu sou mongol – a saga continua

ou Eu tenho MESMO 16 anos
ou ainda Minha sogra é mongol

Passei o dia todo de ontem rindo de mim mesma e dos comentários de vocês (é mocinhas, essa é pra quem acha que eu não leio comentários: eu leio sim, todos! Não só eu, mas também Maridón e mais umas amigas e a gente comenta sobre os comentários e ri e chora e chega a conclusão que essa caixinha é todo um capítulo a parte deste blog). Mas bem. Sidiverti à beça.

E além de sidivertir, eu também fui amplamente zoada por todos os amigos que leram o post, todo mundo perguntando se eu já tinha dado e etc e tal, ônus da vida moderna exposta em blog, atura aê Carolina. Cheguei em casa do trabalho, rindo da desgraça própria, sem camisinhas e praticamente virgem, porque esse celibato que eu pratico desde muito tempo faz a pessoa ir regredindo na história. Daí que encontrei com Maridón, falando ao telefone com sua mommy.

E quando você pensa que já expos MUITO a vida ao falar de muco ou da falta de sexo atual, pode ter certeza que ainda pode piorar bastante, concordem comigo a partir do diálogo abaixo:

Maridón: Ah mãe, queria te contar uma novidade. A Carol teve alta do médico, já tá tudo bem com ela, tá pronta pra outra!
Sogrona: Outra?! Mas vocês já vão engravidar de novo?
Maridón: Não mãe, “outra” foi só força de expressão, é só pra dizer que ela já tá completamente recuperada. Fora isso, a gente nem pode engravidar agora não, tem que esperar um tempo.
Sogrona: Ah tah. Como vocês vão fazer pra se proteger então?

PAUSA. Que porra de papo é esse? Vocês já discutiram métodos contraceptivos com suas mães? Ou melhor: vocês já discutiram métodos contraceptivos com suas mães depois de casadas, engravidadas, abortadas, vividas?

Sogrona, inovadora: Vocês vão usar a Flanelinha?
Maridón, piadista: Hein? Tabelinha? Não, coito interrompido é mais legal, a gente prefere.
Sogrona, focando no detalhe: Ah não gente, isso faz muita sujeira!

OI? Não acredito que meu marido tá discutindo sua própria PORRA com a mãe.

Sogrona, insistindo na inovação: eu acho que vocês deveriam usar a Flanelinha.
Maridón, confuso: Flanelinha?
Sogrona, didática: é, FLA-NE-LA. É bom que não faz sujeira e é quentinho.
Maridón, confuso: Quentinho?

AAHM? O QUE É ISSO, MEU DEUS? QUENTINHO?! Eu, que nessa hora só escutava um lado da conversa, tive que tomar uma atitude e comecei a fazer gestos loucos na frente dele, pra esse papo doido acabar! Fiquei vermelha que nem tomate transgênico de tanta vergonha e imaginando que daqui a pouco ela ia querer falar de posições e sei lá mais o que. CHEGA! Fora que minha sogra chega de visita aqui em Buenos no domingo, o assunto ainda vai estar quentinho (ecat) na cabeça e ela vai querer debatê-lo! NÃO!

Bem, daí ele desconversou e desligou o telefone.

Disso tudo, ficam as dúvidas: deus meu, será que eu to realmente doida de falar coisas íntimas assim no blog ou as risadas que dou o dia inteiro valem a pena? E ainda: por que será que minha sogra ficou preocupada com os métodos contraceptivos que vamos usar? E, por último, mas não menos importante: what the porra is FLANELINHA?





(ah, claro que eu fui no Mestre Google e perguntei sobre o assunto e provavelmente entrei pro Analytics de algum blog como a louca que buscou "Flanelinha + método contraceptivo". E, just for the record, nao achei nada.)

Eu sou mongol

ou Eu tenho 16 anos

E vou te contar o motivo: é que eu tive alta (Aeeeeeeeee 1), meu corpo voltou ao normal (Aeeeeeeeee 2) e já posso voltar pra vida (Aeeeeeeeee 3), o que significa: assim que acabar a cartela do antibiótico, posso voltar a beber (Aeeeeeeeeeee 4) e assim que me sentir confortável, posso voltar a fazer séquiço (Aeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeee 5).

Aí eu saio do consultório toda felizinha, porque né, vamos combinar que a mulher que não dá há mais de dois meses não pode ser classificada como pessoa normal, ela é bicho do mal, filhote de cruz credo.

Pois bem.

Vinha eu pensando que não posso engravidar agora (e nem sei se quero, vocês já sabem o dilema). Mas daí a encher a cara de pílula anticoncepcional também não rola, minha religião Treinantes Unidas Pela Procriação Universal não aceita.

Daí ligo pro Maridón pra contar o causo, ele fica feliz que nem eu (ou mais que eu, ainda to na dúvida) e me manda ir em algum lugar comprar camisinha. Ok.

Eu, toda prosa, entro na primeira farmácia que vejo, pronta pra comprar 4 quilos de preservativo. O lugar tá lotado (também, eu inventei de entrar logo na farmácia que fica do lado da clínica, ê burrice). E como tem um monte de gente esperando pra ser atendida sem nada pra fazer, fica um olhando pra cara do outro, lendo a receita do outro, tomando conta da vida do outro. Nesse sentido, nem preciso enfatizar o quanto me olharam quando eu entrei toda decidida e parei abobalhada diante da prateleira de camisinhas.

E po, eu não compro camisinhas desde.... desde... putz. Sei lá. Tem a-nos. Daí descobri que hoje em dia tem milhares de variedades, gostos, tamanhos, cores, sons (sim, sons!). É muita opção. E todo mundo me olhava enquanto eu admirava aquilo tudo assim, meio abestalhada.

Aí sabe o que eu fiz?

Nada.

Fiquei com vergonha e fui embora da farmácia.

Ou seja.

Eu sou mongol (ou Eu tenho 16 anos).

(e o post acabou)

E agora?

Certamente é a pergunta que mais me fazem depois que perdi o baby. Todo mundo quer saber se vamos tentar de novo, se vai ser mês que vem ou ano que vem.

Só que a verdade é que eu ainda não decidi o que fazer daqui pra frente.

Mesmo que eu quisesse engravidar djá, na consulta de revisão que tive ontem, a médica pediu pra eu esperar dois ciclos de menstruação normal antes de tentar de novo. Menstruação essa que só deve vir de 25 a 45 dias do dia do aborto. Fiz uma conta mental rápida e percebi que só voltaria ao assunto a partir de novembro. Novembro... mesmo mês que comecei as tentativas, no ano de 2009. Vai ter passado um ano e nós começaremos do zero, de novo. Eu sei que falei da teoria da espiral aqui e não era mentira, realmente acredito nela. Sei que estou mais forte e tudo mais. E também sei que daqui pra novembro é um pulinho, vai passar rápido.

Mas, vou admitir uma coisa aqui: eu não estou nada bem ainda. Tudo dói muito. Num nível que não dá pra explicar ou simplificar com frases do tipo “eu choro todos os dias”, porque isso é óbvio. Tenho vergonha de mim mesma e uma inveja feia de quem parece que superou tão bem essa experiência merda que é um aborto. E já que estamos confessando, aí vai mais uma: não consigo aturar muito bem as pessoas grávidas, não consigo ver babys na rua, loja de criança, nada disso. Outro dia, eu tava vendo um filme super bobo; tava distraída e rindo. Daí sabem qual era a porra do final feliz? A mocinha ficava grávida. Fechei a cara na hora. Acabou com todo o esforço que eu tinha feito pra ter um momento de leveza.

Parece que a única felicidade possível é o filho, é a barriga. E nem é que eu esteja negando, porque eu sinceramente faço parte dessa turma “filho é tudo de bom” sem nem mesmo ter tido o meu. Mas é foda seguir assim depois de um aborto, parece que a vida acabou, só que eu preciso me lembrar que existem outras coisas.

Aí fico imaginando o que seriam essas tais outras coisas, me forçando a pensar no que fazer com essa tal liberdade. Começo a visualizar noitadas tomando porres gigantes, comendo mal, dormindo sem ter hora pra acordar. Me animo. Fico feliz de ter a minha vida de volta, de poder voltar a viver sem aquela tensão toda das tentativas ou mesmo da gravidez. Me olho no espelho e me acho maaagra e isso me faz tão bem.

Mas... o corpo magro me faz lembrar da barriguinha pontundinha que eu tinha e da única época na vida que fiquei orgulhosa de ostentar um volume a mais naquela área. Me lembro da felicidade que eu sentia de poder estar realizando um sonho. Das conversas de grávida que não acabavam nunca. Dos mil planos. Dos mil sorrisos.

Aí minha vontade de engravidar vai lá no céu e eu fico até pensando se não posso estar ovulando naquele exato momento. Hein? Será? Tudo de novo? Ai ai ai, será que consigo?

E instantaneamente me dá um meeeeedo. E uma preguiiiiiiiiiça. Aí volto ao pensamento inicial e, bem, não decido nada.

Mas enfim, não me sinto pressionada a decidir nada não, só estou tentando responder (pra mim mesma, acima de tudo) a essa pergunta que tanto me fazem.

***

Tudo isso pra concluir exatamente a mesma coisa que já tinha dito no segundo parágrafo deste post: que eu realmente não sei o que fazer (oi? Proxila, eu? Magina).




ps.: Maridón leu o post e me perguntou se eu tô com raiva das grávidas e afins. Ô gente... claro que não. Estou feliz que algumas queridas conseguiram finalmente a gravidez e que outras estão curtindo tranquilas suas barrigas. E outras lambendo suas crias. Por favor, não me entendam mal. Estou triste por mim, pelo que aconteceu comigo. E morro de vergonha de sentir essa falta de paciência que citei acima. Mas enfim, espero que me compreendam e não fiquem brabas. Fica o adendo, acho importante.

Como nossos pais

porque hoje é o aniversário da minha mãe e eu ouvi essa música e fiquei pensando em tudo.





e essa era a minha mãe (e o Roberto Carlos depois da gripe ao lado dela é meu pai):



Ela tinha um sorrisão estilo cavalo à venda, iNgualzinho ao meu:


(foto gentilmente cedida pela Ju, amada amiga casadoira de junho, que por acaso está no fundo da foto, rindo-se de mim)


E fica a dúvida: eu tô rindo-me de que nessa foto? Alguém por favor me conta essa piada de novo? Grata.

up