Sobre médicos e escolhas

Tá tudo muito bom, tudo muito bem, mas vamos falar de uma coisa mais séria? Estive a semana toda pensando sobre médicos. Fiz a minha primeira consulta de gravidinha na semana passada e não gostei nada. Algumas moças comentaram que é normal, que não tem muito o que falar pra uma pessoa que está de 4 semanas de gestação. Que a próxima será mais completa. OK.

Esse é o segundo GO que tento aqui em Buenos Aires. O primeiro, não sei se lembram, fez uma consulta muito express comigo da ultima vez que fui, desesperada que não conseguia engravidar. Ele disse “calma que o baby já vem” e riu. E me falou pra eu parar de ser ansiosa, que isso era o que estava me atrapalhando. E nem deu bola pra minha prolactina, que estava alta na época, o que poderia estar dificultando a minha gravidez.

Quem me acompanha há mais tempo concorda com ele e gosta de falar que sou neurótica e talz, mas juro que não me sinto tão assim. Não sou das mais tranqüilas, mas acho que minhas preocupações são bem normaizinhas. Inclusive, há um lado meu que pouquíssimas conhecem, que é da minha paquera com o mundo mais natureba. Acho que a gravidez é um momento único da mulher, de conexão com ela mesma. É extremamente sensacional pensar que tem outro ser crescendo dentro de você. Não há nada mais mágico que isso é um puta milagre. Mas é milagre, nao é medicina. Eu nao fiquei grávida porque algum médico falou alguma coisa. Fiquei grávida porque transei com meu marido e ponto.

E eu e Maridón pensamos parecido nesse sentido: já que é tão natural e fisiológico, queremos que continue assim. Com ajuda médica, claro, mas que esse médico nao simbolize A REGRA de como viver a vida, que seja apenas um apoio. Queremos evitar remédios (eu sofria muito com a possibilidade de induzir uma gravidez, embora considerasse a possibilidade), exames, medições mil, comparações, padrões, verdades absolutas. Quero parto natural, com tudo que tem direito (ou sem nada do que tem direito: nada de sorinho, nada de cortes, nada de eu não sentir o que tá acontecendo, nada de meu baby sair de perto de mim). Se eu botei pra dentro sem ajuda de ninguém, me sinto capaz de botar pra fora. Eu, meu marido e demais pessoas de confiança que eu julgue importantes farão parte disso. E se por acaso eu for pra uma cirurgia, vou numa boa, mas tranquila de que fiz tudo o que podia pra não ir.

Aí entra o médico. Porque natural não seria apenas o parto, mas tudo que envolve a gravidez. Queria alguém que me acompanhe sim, mas que me entenda, que me ouça, que vibre comigo e não me deixe sair do consultório com dúvidas. Achei que não era o caso do primeiro médico e seguramente não é o caso do segundo.

Estou meio perdida com relação a isso. Foi apenas uma semana consciente da gravidez e já escutei todo tipo de opinião: pessoas defendendo consultas particulares (porque os planos de saúde que seriam os culpados dos atendimentos-express e sem sentimento), pessoas falando pra eu tomar bastante remédio e fazer tudo que o médico mandar (porque bom mesmo é prevenir todo o possível e o impossível) e até mesmo pessoas que não ligam nada pra isso, que só querem fazer suas ultras e tudo certo (porque o mais legal é ter vídeo pra postar no orkut).

Só que vejam bem: nada disso é uma crítica. Eu acho que os planos de saúde são sim uma puta máfia e pagam honorários ridículos aos médicos, o que realmente inviabiliza a possibilidade deles fazerem um atendimento ok pras pessoas (até porque gente, eles tão trabalhando como eu e você, quem não quer ganhar de acordo com o que faz?). Eu também me sinto relativamente segura tendo mil recomendações médicas e remédios à mão e correria pro hospital no primeiro sintoma de merda acontecendo. E sim, eu também vou achar o máximo postar os vídeos das minhas ultras, por mais que ninguém entenda o que está vendo.

Mas mesmo amando a proposta natureba (sério, eu amo tanto que é papo de chorar lendo os textos), eu sou uma pessoa junkie. Viciada em coca-cola, me alimento mal, quase não como frutas, verduras, legumes. Não faço exercícios e tomo remédio no primeiro sinal de dor de cabeça que tenho. Tá, desde a semana passada, que descobri a gravidez, cortei a Coca, melhorei a alimentação e estou tentando incluir mais variedade nos meus pratos. Também não tomei mais remédios e estou tentando caminhar de vez em quando. Mas daí a degustar grãos e sucos naturais com felicidade no coração... falta um pouco. Estou tentando, mas tenho que admitir que ainda não faz parte de mim. Daí penso: será que esse papo natural não é uma mentira que conto pra mim mesma? Será que eu terei coragem e força pra encarar 30 horas de doloridas contrações quando não consigo encarar uma dor de cabeça?

E qual médico vai me ajudar nisso? Será que aquele meu primeiro que dizia “calma, que daqui a pouco acontece” não tinha mesmo razão? Esse sim pode ser o cara que vai saber esperar o meu momento e vai me apoiar nas minhas decisões. Ele esperou que eu engravidasse normalmente e nunca me medicou pra nada, porque ele sempre soube que eu não tinha problemas.

Estive olhando também os nomes (e preços) dos profissionais humanizados daqui. E juro, ainda estou sem saber o que fazer. Dá pra eu pagar? Dá. Só que não será o único gasto com essa pessoinha que me habita e também tenho uma certa briga moral interna de pagar médico por fora do plano... mas estou pensando com carinho. Recebi um email lindo da Lia (brigada, bonita!!) que me fez repensar bastante esse conceito.

Decidi, por agora, dar uma segunda chance ao meu médico calminho, que me acompanhou nas tentativas e conhece meu histórico. Consegui um horário agora pra quarta-feira. Vamos ver o que ele me diz. Mas, certamente, essa discussão está apenas começando pra mim.


(gatinhas do Hall, amei a participação de vocês, hoje a noite eu atualizo todo mundo, ok? Aqui do trabalho é complicaaado.)

O Hall das Treinantes

Estive relendo todos os comentários desde que anunciei a gravidez e reparei que tem bastante gente nova no pedaço. Então, moças, queria divulgar uma enquete que eu faço e saber se vocês gostariam de participar. É o Hall das Treinantes (tá ali embaixo do lado direito, logo depois dos blogs que eu acompanho) e a proposta é acompanhar o período de tentativa das moças, pra ver se todas vão conseguir seus babys no período de um ano (que todos os médicos dizem que é o prazo relativamente normal pra se conseguir).

Quando eu comecei, duvidava muito da Teoria do 1 ano, mas o Hall tá no ar há apenas 2 meses e cinco bonitas moças já conseguiram suas barriguinhas (inclusive a minha pessoa humana própria, uuuuuh!).  Dessas, apenas uma só conseguiu depois do primeiro ano, mas mesmo assim, não foi tããão depois.

Eu, Carolinem, tentei por 6 meses (desde nov/09) e engravidei em maio/10 (ai que felicidade essa frase). Olhando pra esse número, nem parece tanto, mas olha, foi uma eternidade enquanto durou. Mas super dentro da média, isso que importa.

Quem quer participar? Grita aí nos comentários com o nome, blog (se tiver) e desde quando está tentando.

***

Enquanto isso, o baby aqui tá super bem! Me sinto ótima, quase nada de enjôo, mas uma fome estilo buraco negro que, quando começo a comer, passa rapidinho e dá lugar a um embrulho. Fora isso, tô com uma pele digna dos meus 14 anos de idade, cheia de espinhas e cravos. Bunita de se ver. Sigo indo ao banheiro compulsivamente e analisando o papel do xixi quase com microscópio. Fiquei rapidamente repensando o “me sinto ótima” de 4 linhas atrás e comecei a duvidar dele, mas a verdade é que a alegria é tanta que acho tudo isso muito legal!

Tô curtindo!

Devaneios de uma (quase) barriga

Se eu pudesse, contaria da gravidez pra cada serumano que conheço em um momento separado e filmando cada um. Porque se tem uma coisa legal nessa vida é contar que se está grávida. É um tal de gente chorando, de gente abraçando, de gente que instantaneamente não te deixa mais fazer nada, te manda comer bem, ir dormir, descansar, sorri pra você com um ar de carinho. A Mari já tinha falado disso, mas eu nem tenho barriga ainda (opa, eu tenho sim, a do chope que tomei na semana passada), e nem contei pra tanta gente assim, então é uma sensação bastante inicial ainda. Mas, todo dia eu conto pra alguém diferente, por mil motivos. É meu momentinho preferido do dia! Alguns dizem que já sabiam. Que to com cara de grávida. Que minha barriga já tá diferente. E eu fico rindo, mas ato contínuo corro pra frente do espelho pra ver se não deu uma crescidinha.

Daí que já tem dois dias que a calça jeans tá me incomodando. Logo que comecei a sentir isso, me incomodava muito quando estava sentada, já que a barra da calça ficava bem em cima da barriga (de chope). Aí doía. Aí eu pensei que tava abortando (oi?). Aí fiquei encucadíssima por muito tempo (deve ter sido uns 3 minutos, mas né, vamos dramatizar). Abri a calça e ufa, eram só gases, tudo ficou melhor.

Então, acho que o que cresceu foi mais esse meu lado flatulento mesmo. O baby também, claro, mas ele ainda terá que desbravar algumas camadas de chope pra aparecer pra esse mundão aqui fora. Eu até tava afim de fazer uma foto da panza (é como se fala barriga em espanhol e se pronuncia pança mesmo e muito bem se aplica a minha realidade), pra mostrar o crescimento ao longo do tempo, mas como eu sei que morrerei de vergonha, hmmm, sei lá. Vou fazer sim, mas sei se vou publicar não, tá? Perdoa eu? Quando eu tiver com umas 25 semanas e, de fato, não for mais culpa do chope, aí a gente revê esse conceito.

E falando em 25 semanas, putz, que saquinho essa coisa de estar preocupada o tempo todo durante o primeiro trimestre, hein? Tenho todos os medos do mundo e já sou quase uma expert em tudo de ruim que pode acontecer nessa fase da gravidez. Fazer xixi é uma atividade frequentíssima, não só pelo óbvio de que morro de vontade (e tava pensando: supers posso trabalhar já diretamente sentada no vaso, acho que vai melhorar a minha produtividade e diminuir o tempo que perco andando até o banheiro e faço o xixi e lavo a mão e ando de volta. Empregador, fica a dica.), mas também porque tenho verdadeira compulsão em ver se não saiu nada de estranho de mim (fora esses gases malucos que incham ainda mais a minha barriga de chope). E como se não bastasse a minha imaginação fértil, fica todo mundo falando que primeiro trimestre é frágil, que isso, que aquilo, ai que cedo que você descobriu, toma cuidado, não pega peso e tudo mais que já sabemos. Medo, meu nome é medo.

Aliás, falando nisso, é normal ficar sentindo cólica, tipo a de menstruação? Tenho umas levinhas, que vão e vem. Gosto não.

Ah, outra coisa: é normal os sintomas desaparecerem de uma hora pra outra? Tipos, ontem tive uma fome doida, hoje nem tanto?

Ah e já que estamos falando disso: é normal ficar buscando padrões de normalidade? Se nesse mundo ninguém é igual a ninguém, por que caracolas eu to aqui comparando dor de cólica e tamanho da fome?

Por que eu fico achando que toda a tragédia possível do mundo vai acontecer LOGO comigo?

Ah e é normal ficar mudando de assunto assim como quem muda o canal da televisão?

Ai meu deus, eu tô grávida! – a saga continua

mas prometo que um dia acaba, viu.

Depois dos 4 testes positivos, eu ainda duvidava se estaria grávida mesmo. Já tinha avisado pra algumas pessoas, já tinha publicado no blog. Mas continuava encasquetada.

Dei uma super sorte, pois tinha médico marcado pra logo depois do feriado. Eu tava puta com o meu médico anterior e tinha decidido mudar, esse GO era um indicado pelo fórum de maternidade daqui (shame on me que fiquei entrando em fórum, mesmo sabendo que a coisa me abala). Anyways, sorte, destino, deus ou qualquer outra coisa, eu descobri a gravidez e cinco segundos depois já tinha um médico pra ir! Ê beleza. Minha ansiedade agradece.

Maaas. Acordei pra ir trabalhar e... enjôo! Brabíssimo. Tipos vomitei o dia todo. Eu tava um trapo. Acabei não indo pro escritório e fiquei em casa só curtindo o doce sentimento da tensão total. Será que eu tô mesmo grávida? Será que não comprei todo um lote errado de testes na farmácia? Será que aquele xixi era mesmo meu? Por que será que faço tanto xixi? Será que paguei mico de avisar pra todo mundo e depois terei que desmentir? Eu deveria ter tomado aquela aspirina? Será que tô sonhando? 

Fui ficando doidinha. Mas era hora de ir pro médico, parei de viajar na maionesa, Maridón chegou e lá fomos nós. Nhé. Foi aquela coisa consulta-express (muito bem dito pela Lia em seu post sobre planos de saúde), o cara nem olhou pra minha cara direito, passou metade dos enormes 7 minutos que ficamos lá dentro escrevendo receitas: uma de pedido de exame de sangue e urina, outra de ultrassom – mas só faça com 7 semanas, ele disse –, documento de aviso oficial pro plano de saúde, remédios pra enjôo e dor de cabeça. Não me pesou, não tocou em mim, não conversou.

Não saímos de lá com boa impressão não. Sei lá. Como não tenho a MENOR experiência no assunto, não sei se era pra ter sido isso mesmo, se tem muito o que falar com 5 semanas de gestação. Não sei. Mas senti que ele poderia ter sido mais atencioso e ter feito exame físico, uma vez que ele nunca tinha visto a minha cara na vida. Pasmem: o momento que ele mais olhou pra mim foi quando falamos do Rio de Janeiro e ele quis saber qual é a minha praia preferida (arfe). Maridón ainda forçou uma barra, fez umas perguntas, tentou falar de alimentação, de exercícios etc. "Faça o que quiser, coma o que quiser, volta em 3 semanas com os exames prontos", foi a sentença do GO.

O que salvou esse médico foi que ele me mandou fazer o tal do bHCG (mas nem precisava ser médico pra pensar nisso, vamos combinar?). Fiz hoje de manhã e hoje mesmo saiu o resultado: 2213 mUI/ml. Quando o Maridón falou esse número pra mim (eu não pude ir buscar o exame), eu ri. Porque tipos, tendi nada! Aí ele leu a tabela de referência e voilá: gravidez de 5 ou 6 semanas. Mas como assim, Bial, 5 OU 6 semanas? Daí que nem sei responder isso, to até agora olhando pro resultado aqui sem entende-lo muito bem. Mas também, dane-se, né.

Porque o que importou desse exame mesmo, foi: ai meu deus, eu tô grávida!

(tá, agora chega, juro. Ou não. Ah gente, me dá uma licença poética aê, não caiu a ficha ainda! Tô abestalhada!)

Ai meu deus, eu tô grávida!

Era só o que eu conseguia pensar, falar e respirar na segunda de tarde, quando eu fiz o teste (e escrevi o post abaixo). Gente, vocês não sabem a emoção que eu senti (claro que sabem, Carolina, várias já passaram por isso).

Vamos começar do começo, então? Senta que o post é grande.

Esse mês foi o do Dia das Mães, do muco, da Carolina pensando que tava de TPM. Esse também foi o mês em que eu NÃO namorei em todos os dias do tal período fértil. Que no meio da história toda, Maridón se cansou da minha beleza e sensualidade de djivah e preferiu dormir e ver um filminho (brincadeira, tá Maridón?). Não foi surpresa, portanto, que, ao sentir cólicas 10 dias antes da menstruação aparecer, eu já tava puta da vida, dando o ciclo por terminado. Que por estar puta da vida, eu fiquei com um mau-humor Jason. Que por viver de mau-humor e ansiosa, eu comecei a ficar muito triste e depressiva, com vontade de mandar tudo ir tomar na peida. E, já que eu tava toda errada mesmo, também não reparei que comecei a ficar enjoada todo dia, desde a semana passada. Que fui num dos meus restaurantes preferidos na quinta-feira e parecia estar com um embrulho eterno no estômago, embora a comida tivesse deliciosa (e eu mesmo embrulhada, não parava de comer). E também não achei nada demais comer 4 vezes no almoço de sábado e ir dormir uma siesta depois que durou 5 horas.

A única coisa que me deixou meio pensativa foi o peito. Que ficou inchado, dolorido, com o bico muito saliente e pronunciado.

Mas tá, mas nada disso era muito diferente de uma TPM (tensão pré-mamãezística, como muito bem disse a Mari aqui nos comentários). Tanto que, como era feriado aqui e conforme eu já tinha comentado, sijoguei na cachaça.

Até que, na segunda-feira, Maridón tava indo ao mercado comprar uns ingredientes (pro jantar da season finale de Lost!) e me deu uma coisa, uma vontade de querer fazer um teste (mas até aí nada, siamarro num testezinho de farmácia). Maridón foi meio contra, ficou falando que eu tinha que esperar a menstruação descer, que era praquele dia mesmo e era só ter paciência, pra eu parar de frescura. Mas aí eu argumentei que queria sijogar na bebida de noite e que não queria fazer mal pro baby (só agora, Carolina? E no resto do final de semana todo?). A minha esperança só ia morrer junto com o primeiro Sempre Livre que eu usasse. Convenci o moço e, pois bem, teste comprado.

Ele chegou com os ingredientes e com o teste, eu ainda enrolei à beça, fiquei fazendo o jantar, ouvindo música, até que me deu vontade de fazer xixi (xixi esse que eu tava fazendo quase o tempo todo, mas né, não tava dando bola pra nada disso). Fomos eu e o teste pro banheiro meio cantarolando “trá-lá-lá, todo mês essa agonia, todo mês eu me iludo, que bobona que eu sou, ló-ró-ró”.

Mas gente.

Gente.

Gente.

Foi só o bichinho sentir o cheiro do meu xixi que a segunda linha (sim, ela existe!) apareceu. Bonitona. Lindona.

Saí correndo do banheiro e chorando como uma louca, fui pra cima do Maridón. Ele não entendeu lhufas e eu só chorava com aquele treco mijado na mão. Tadinho, ele ficou me perguntando:

- Deu positivo?

- AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAh!


- Tudo bem, amor?


- AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAh!


- Você tá grávida, baby?


- AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAh


Isso era eu. AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAh. A gente pensa TANTO nesse momento e quando chega a hora, fica que nem uma LOUCA sem conseguir falar. Eu poderia ter falado coisas especiais, poderia ter feito suspense, poderia ter mostrado o teste. Mas não. Eu Carolinei e fiz a doida mesmo.

Enfim, confusão desfeita e entendido o recado, ficamos os dois abraçados e chorando e tremendo e sem saber o que fazer (fazer o quê? Já tá feito, minha gente!). Foi um desses momentões da vida, pra sempre lembrar. Nunca vou esquecer da energia que percorria o meu corpo e me fazia tremer inteira, sem controle e sem rumo. D.E.M.A.I.S. Putaqueopariu. Só de pensar já dá vontade de chorar de novo.

Daí, meus planos de como contar foram todos por água abaixo (vejam bem, dois segundos de maternidade e eu já tinha feito duas coisas diferentes do que tinha planejado). Peguei o telefone NA HORA e contei pro meu pai. Choramos os dois e muito. Ele não esperava e nem sabia que eu estava tentando. Ficou extasiado. Uma coisa que marcou muito dessa ligação foi que ele falou que queria que minha mãe estivesse com a gente pra receber essa notícia. Eu não duvidei: “ela está, pai”.

Depois disso, foi a vez da sogra. Que disse que já sabia, que tinha sentido no dia anterior. Uia! Também ficou muito feliz e emocionada e queria saber de quanto tempo eu estava grávida. Tempo? Oi? Ih, é mesmo, tem isso. Lá fui eu pras contas: 4 semanas (deus, quem descobre gravidez com 4 semanas, me conta?). Aí ela ficou numas de perguntar se já tínhamos confirmado e putz, não tínhamos. Tinha confiado na tirinha da farmácia mesmo.

Encasquetei. Porque eu já gosto duma tensão, então aproveitei logo pra ficar nervosa. Pensando que tinha dado falso positivo. Ai. No dia seguinte, fui à farmácia e comprei 3 das 4 marcas de testes que tinha pra comprar. E fiz. Tudo positivo. Acho que acreditei.



Avisei pra mais alguns queridos e, claro, pensei muito em vocês. No quanto eu queria compartilhar isso aqui. Porque se eu tenho que agradecer a alguém, ah gente, é a vocês. Não tenho palavras pra dizer o quanto eu estou feliz pela torcida. Pelos 78 comentários do post anterior. Por cada vibração de carinho e energia que eu senti, mesmo separada por uma telinha de computador. Vocês são parte importante da minha vida, são tema de conversas minhas de quase todo dia, são referências, amizades, gargalhadas, lágrimas. É uma honra compartilhar o mais lindo momento da minha vida com vocês. Prometo tentar responder a todas com a calma e o carinho que merecem. Mas já me adianto: obrigada, do fundo do meu coração.





(no próximo post conto sobre como foi avisar no trabalho, do super enjôo que tive, do outro teste que fiz  – positivo! –, da quinta semana de gravidez - já tamos nela! - e sobre a ida ao médico – que só pediu um BHCG pra constar, porque de 5 testes positivos, ele não duvida!)

Finalmente

At Last



Sempre achei essa música linda demais. Lembro de tê-la ouvido pela primeira vez num anúncio de carro, em que o homem admirava maravilhado o carrão novo dele. Depois ouvi a Beyoncé cantar pro Obama, quando ele assumiu a presidência dos EUA. Depois vi minha prima-irmã dançá-la com o marido, no primeiro baile deles juntos na festa de casamento. Depois, dediquei a uma amiga que havia descoberto estar vivendo um grande amor.

E sempre fiquei pensando que é uma música tão tão linda que só um momento único na vida merece ser embalado por ela.

Sempre pensei que ainda chegaria o dia em que eu a dedicaria pra mim. Que eu a viveria e não os outros.
Finalmente, esse dia chegou.

Não tem nada mais importante acontecendo hoje. Nada mais incrível que Etta James cantando, Maridón me abraçando, eu flutuando nas nuvens e a notícia que tem um bebezinho crescendo na minha barriga. Hoje, tudo é possível.

Hoje eu descobri que estou grávida!!!!!!


(AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA!!!!!!!!!!!!!)

Desculpem o transtorno (atualizado)

estamos em obras!


(e sem alguém souber COMOFAS pra centralizar essa MERDA de título ali em cima, me grita? Grata) - opa! consegui!

Holiday!

estou aqui as vésperas de um lindo e esperadíssimo feriadão, já me preparando pro grande NADA que eu vou fazer nos próximos 4 dias. Mentira, tenho mil planos e nenhum deles inclui ficar tristinha pelos cantos que ainda não engravidei. Vou dormir, vou comer bem, beber melhor ainda, vou passear, vou assistir Gilberto Gil tocando de graça em plena 9 de Julio, ver filminhos atrasados e preparar o jantar pro Gran Finale de Lost (vibe NERD mode on: vai ter um encontro lá em casa pra ver o capítulo final com todos os amigos, ho-ho).

Tenho pensado em coisas legais pro blog, mas vai ficar tudo pra semana que vem, ok? To precisando dessas mini-férias pra desplugar um pouco e ver que há tanta vida lá fora (e aqui dentro sempre como uma onda no mar, já diria Lulu Santos)



(e vocês acharam que depois de Emílio não tinha mais espaço pra minha alma brega, né? Mas tem)

Então fica combinado assim: a gente se vê na volta, tá?!
beju, beju

Emílio sorri pra mim

Dia cheeeio. Nem parece pela quantidade de posts, né. Abafa.

Pois bem, tava eu escutando minhas musiquinhas no youtube. A coisa funciona assim: penso numa música que quero ouvir. Aí acho, escuto e as próximas, vou indo pelo que o youtube vai sugerindo. Ou pelo que sou capaz de lembrar. Não sei o que é pior: a sugestão do site ou a minha. Comecei bonita, ouvindo Cartola (As rosas não falam). Fiquei sentimental, abrasileirada e fui avançando pelo samba. Isso logo que escrevi o post anterior, lá pras onze da manhã. Agora, depois de muitos e-mails, músicas, reuniões, planilhas e putarias depois, chego no clássico: Emílio Santiago.

Ai, ai. EMOSSAUM.

Isso é minha família, é minha adolescência, é minha vida. Todo churrasco, festa, férias, tudo era regado a sambinha assim. Não tinha nada mais pra ouvir. Mas sei lá, o tempo passou, os churrascos cessaram e acabou que fazia um tempão que eu não escutava esse troço. E como é bom! Sintrego! Siemociono!



Senta, se acomoda, à vontade
Tá em casa, toma um copo
Dá um tempo que a tristeza vai passar
Deixa pra amanha, tem muito tempo
O que vale é o sentimento
E o amor que a gente tem no coração


Escutem as letras. Eu escutei com calma e me senti como os meus tios no churrasco. Sinceramente. Agora entendo porque eles fechavam os olhinhos e cantavam como se nada mais importasse. Porque nossa, é muito verdade tudo que ele fala.

Agora, quer sijogar no chão de emossaum? Olha essa:



Eu lembro de uma vez que fui no Canecão com meu pai, numa premiação de samba (era programinha certo ir nos eventos do samba com minhas famílias). Bem, aí o Emílio era o homenageado da noite. E ele mandou essa. E eu subi na cadeira pra gritar com ele: “A-noi-te-ceeeeeeeeeeeeeu! Olho pro céu e vejo como é boooooooooooom”. Causei. E qual não foi o meu espanto ao ver que todo mundo aderiu à subida na cadeira? Inesquecível.

Tudo isso pra dizer que ainda não esqueci nada do que tava me atormentando, mas hoje, só por hoje, eu simplesmente me deixei levar. Por Emílio. Pela música. Pelo excesso de trabalho. Ou de posts. Sei lá. Acho que deu certo.

Preciso me levar menos a sério (menos?).

Rapidinha rápida para ler entre um blog e outro - parte II

Eu quero largar meu emprego e ficar brincando de blog o dia todo, pode?
Minha vontade de trabalhar hoje está no nível -18.

Bom, agora tenho que ir que 174 mensagens me esperam no muro das lamentações, ops, caixa de entrada de e-mails do trabalho.

E agora?

Estou terminando meu sétimo ciclo de tentativas e – admito – muito cansada de esperar. Não quero forçar vocês a fazer comentários repetidos, já li e reli tudo que foi dito aqui nesse blog sobre o tema. Sei das experiências de todas e sei que com cada pessoa acontece de um jeito. Como quase tudo na vida, né.

Na semana passada eu tava malz e nessa agora to iNgual. Tentando disfarçar e tentando curtir o resto da vida, mas sinto que meu limite de paciência tá acabando, que meus pensamentos não me deixam relaxar e que Maridón também já está se cansando.

Na sexta passada, fomos à comemoração de aniversário de uma amiga do trabalho atual dele. Estávamos todos comendo uma pizza ni qui Maridón resolve anunciar a novidade de que estava mudando de emprego. Ele mal terminou de dizer “tenho uma novidade” que todos começaram a gritar “ela tá grávidaaaaaaaaaa” e gritos loucos pela mesa nem o deixaram concluir a frase. Arfe. Muito sem graça, ele esperou os gritos passarem pra dizer que não, não era isso. Contou do emprego novo e, puxa, nem teve o mesmo brilho.

Pra mim, doeu. Eu queria muito contar pra eles o que eles queriam ouvir. Acho que doeu em Maridón também, ele ficou bem sem graça. Esquecemos isso logo depois, pois fomos pra night seguir a comemoração e sijogamos com força na cachaça. Nem lembro como quando/onde/porque cheguei em casa.

Bem, mas excluindo o que as pessoas pensam ou o que querem ouvir, o mais complexo foi que conversei com Maridón e ouvi dele o que já estava esperando que acontecesse: ele tá de saco cheio também. Não quer mais a pressão de transar dia-sim-dia-não, tá se sentindo culpado, cansado, triste. Ele não me culpou de nada (UFA), mas colocou a questão pra gente pensar juntos, sabe. Eu já estou com cólicas e TPM, conheço meu corpo e já sei que não rolou esse mês. Com isso, podemos considerar que já tentamos por 7 ciclos. Sei que 7 não são 24 ou 36, que estamos dentríssimo do que é considerado normal, mas cada um sabe onde dói o próprio calo. É foda viver na iminência de que algo grandiosíssimo está por acontecer e mudar toda a sua vida. É foda estar cansada de um dia cheio e pensar em sexo como obrigação. E, ao optar por não fazê-lo, ficar morrendo de culpa.

Seguir assim, não dá. Então, vamos à questão-título deste post: e agora? Conversamos bastante e decidimos: tentar por mais dois ciclos, só que usando tirinhas de ovulação. Nos dias que esse troço vier positivo, vai ser sexo na obrigação mesmo. Nos outros dias, a gente relaxa e vive a vida como quiser.

Se não rolar nesses dois meses: vamos RELAXAR. Não vou mais pensar em período fértil, contas, possibilidades. É um compromisso comigo mesma e com o meu casamento. Sei que parece promessa de político, mas é muito sério. Já até tenho mais ou menos pensado o que fazer pra ocupar bem a cabeça, pra relaxar e deixar rolar. Depois disso, se ainda assim nada acontecer, vamos voltar ao médico. Vamos investigar mais a fundo e repensar sobre como seguir.

Quanto custa ter um filho - parte 3

Maridón está mudando de emprego e acabou aceitando uma proposta financeiramente inferior a que tem hoje, porém, com grandes possibilidades de um futuro legal (e ele tá indo trabalhar no Disney Channel, tão focado no tema baby, não acham? E mais: tão a ver com o trabalho da esposa! Ele entretém os babys e eu ensino a fazer babys, olha que combinação boa).

Bem, daí que estamos repensando nossos planejamentos de gastos com o futuro herdeiro. Eu já comentei desse assunto aqui e aqui, mas volto a bater na tecla porque acho que pouco se fala sobre grana e, embora seja um assunto muito pessoal – afinal cada um tem sua realidade, sua forma de fazer dinheiro e seus hábitos de consumo –, acredito que falar sobre finanças é importante e necessário sim. Além disso: acho que todo mundo deveria ter aula de economia domestica em algum momento da vida.

Eu nunca tive mesada, meu pai me dava dinheiro sempre que eu pedia (e sempre que ele tinha!). Mas a falta da mesada não era de maldade ou desconhecimento dele. Acontece que ele sempre foi dono do próprio negócio e, quem trabalha com comércio sabe: um dia se tem grana, no outro não. Quando entra pouco dinheiro, tem que pagar as contas e os funcionários e, por último, o dono pega sua parte. Se ainda houver alguma parte pra pegar, viu. Como resultado disso: meus pais sempre foram endividados, muito sonhadores (e meio fora da realidade, acreditando que o amanhã será melhor) e eu acabei absorvendo esse pensamento Polyanna: se tinha dinheiro naquele dia, gastava logo, amanha a gente via o que fazer. Nunca consegui juntar nem 20 reais. Tudo meu era parcelado e eu sempre tava no negativo, mesmo sendo assalariada e sabendo quanto ia ter no final do mês. Coisa de família.

Quando minha mãe morreu, eu cortei o maior dobrado pra limpar o nome dela (precisava fazer pra pegar uma indenização que rolou e em outros casos porque a dívida rolava pros herdeiros). Era dívida atrás de dívida: cartão de crédito pendurado, compras parceladas em todas as lojas possíveis (Renner, C&A, Casas Bahia, Ponto Frio e por aí vai), nome sujo na praça. Fiz uma baita organização e planejei o pagamento daquilo tudo em poucos meses. Claro que tive que me apertar. Mas resolvi. Isso tudo com a super ajuda de Namoridón (não éramos casados na época) que sempre teve pensamento organizado e claro sobre dinheiro e me mostrou que era tudo mais simples do que eu imaginava. Fico triste por não ter feito isso enquanto minha mãe estava viva, cansei de vê-la sem dormir ou chorando pelos cantos porque não ia ter como pagar uma conta. Mas enfim, cada coisa acontece no seu tempo, né. Então posso dizer que a vida acabou por me ensinar o que pretendo passar pros meus filhos: a viver (BEM) com o que se tem. Basta ter algo de planejamento e força de vontade.

Por isso tudo, para o meu projeto baby, eu não fico esperando que dê tudo certo, pura e simplesmente. Óbvio que respeito quem acredite nisso, mas é que tenho verdadeiro pavor de ter dívidas de novo. Mas não sou perfeita: mês passado, por exemplo, esqueci de pagar a porcaria do condomínio e, depois de uma determinada data, já não podia mais pagar a tal da fatura, tinha que esperar o vencimento do mês seguinte que viriam duas cotas juntas. Aí, no relatório que chega pra gente da Administradora, tava lá o nosso nome como devedores. Culpa Master.

Enfim. Daí que vivo fazendo cálculos pra vinda de baby-Carol. Agora que Maridón vai ganhar menos, vou ter que repensar tudo. Ainda rola, mas certamente teremos que ajustar as prioridades.

Pra quem se interessa pelo assunto, vi uma notícia na Internet de um livro que me interessou, justo sobre esse tema:

Livro 'Olha quem está poupando' reúne dicas sobre a chegada do bebê
 
A chegada de um bebê - o primeiro ou não - é sempre acompanhada de muitas mudanças e dúvidas. E, nessa hora, é importante trocar ideias com quem já passou ou está passando pelo mesmo momento. Ao longo de dois anos, a jornalista Maria Fernanda Delmas, editora de Economia do site do GLOBO, coletou experiências de dezenas de mães, somou-as a sua própria vivência na gravidez e nos cuidados da filha Beatriz, hoje com um ano e seis meses, e reuniu tudo no livro "Olha quem está poupando" (Editora Campus Elsevier), que será lançado hoje na Livraria da Travessa do Shopping Leblon, às 19h. 

Em um texto leve e bem-humorado, como se $conversando com a leitora na pracinha, a autora dá dicas preciosas, mesclando informações sobre finanças e comportamento com cuidados do dia a dia do bebê. Por exemplo: "Ficar grudada no bebê o tempo todo não fará de você uma mãe melhor". Ou sobre o chá de bebê ou de fralda: "É cada vez mais comum ser uma festa do casal. A ocasião acaba se tornando uma oportunidade de reunir os parentes e amigos - homens e mulheres - uma última vez, antes de o bebê nascer. Porque depois será difícil fazer tal reunião por um bom tempo". Sobre fraldas, inclusive, Maria Fernanda faz a conta assustadora de que são gastos R$ 3.500 só com o item nos dois primeiros anos de vida do filho. 

Ou, ainda, sobre o hospital: "Cuidado para não cair no conto da antessala", luxo para receber visitas que não é coberto pelo plano de saúde e, segundo ela, acaba sendo desnecessário. O livro inclui também informações sobre os direitos trabalhistas antes e depois do parto, opções de investimento para planejar o futuro do bebê, o enxoval ideal, os acessórios realmente necessários, a escolha do obstetra e do pediatra, como contratar uma empregada doméstica e até o extenso e caro calendário brasileiro de vacinação.
 
- Quando engravidei, percebi como as grávidas e mães são carentes da experiência das outras, inclusive sobre os gastos. O livro foi escrito para tentar ajudar as mulheres a gastarem melhor no momento da maternidade - diz Maria Fernanda. 

fonte: caderno de Economia, Jornal O Globo - 17/05/2010




E vocês? Como levam a vida com relação a esse assunto?

Felicidade em rápidas palavras – parte II

pra ler a parte I, clica aqui

Ontem eu fui na análise e foi super bom, embora eu tenha chorado supers. Desafoguei bem e voltei pra casa felizinha. Acordei igualmente felizinha e fiquei rebolativa pela casa, a própria perereca desengonçada achando que tava fazendo a dança da sensual. Sozinha, imaginem. Não, melhor não imaginar (mas também, em minha defesa: todo mundo já teve o dia de brincar de Diva de frente pro espelho, não? Favor fingir que sim).

Daí me vesti e fui trabalhar, toda rindo-me pela rua. Ni qui passa um carrão bem pertinho da calçada onde estou. Baixa o vidro e eu vejo um homem bonito sorrindo, covinhas, moreno, uma coisa. Digamos que era uma versão argentinada do Eduardo Moscovis. Visualizou? Então.

Ele fala: “posso te dizer uma coisa?”, eu, um sorriso só (praticamente um cavalo a venda) “er, ok, pode”. Ele: “você é tão linda!”.

E sai com o carro bem devagarzinho, dando duas buzinadinhas marotas de tchau.

Ai gente. Siapaixonei. Maridón sabe e já me autorizou a viver essa paixão furtiva. Não gostou muito não. Mas enfim, né. Se to viva e gastando beleza (e falta de humildade), vou mais é aproveitar.

E isso tem a ver com baby blog porque... er... sei lá gente. Não tem. Porque eu passei uma semana merda e acho que é super válido eu siachar por um momentinho que seja. E me apaixonar pelo Du Moscovis versão Mullets. Brigada pela compreensão.

Mudando de assunto

Como sempre, vocês são o máááximo gentes, obrigadíssima. Ainda não to 100%, mas já aos poucos e com os comentários queridos de todas, vou melhorando.

Claro que ontem bebi um pouco na festa, mas não sei o que deu nas minhas amigas que todas resolveram me perguntar da gravidez (qual, Carolina?). Eu, já calibrada, voltei pras minhas CNTPs e tentei fazer palhaçada com o assunto. Acho que foi bom, sabe? Relaxei. E voltei pra casa com aquela sensação que eu adoro: altinha, mas sem manguaça braba. Suficiente pra dormir gostoso sem pensar em mais nada. Ótimo.

Mas, já que a idéia é tirar um pouco o foco da coisa, queria contar pra vocês uma novidade. Lembram que eu comentei da coisa do vestido pra um casamento que tenho em junho? Pois. O casamento é de uma queridíssima amiga que sempre comenta aqui e tenta sempre dar o apoio que pode (mesmo estando a mil com os preparativos pro grande dia dela). Eu e Maridón somos padrinhos e, embora morando longe, tentamos sempre ajudar no que dá, mesmo que seja só pra ficar perguntando sobre o assunto (e vocês acham que só nós somos monotemáticas? Nananinanã, as noivas também são!).

Daí que ela me fez um convite super lindo e que eu aceitei com muito orgulho: vou escrever no blog bombante dela enquanto ela tiver fora de lua-de-mel. Siemocionei! Então, se vocês tiverem afim de me ver tagarelando bobeiras sobe outros temas, passem ! Começo a escrever logo depois do casamento, em junho. E já vou começar a trazer essa noivarada pra cá, quer apostar quanto que em alguns aninhos elas estarão monoassunticas bebezísticas como nós? Minha própria amiga já andou soltando umas de quando quer começar as tentativas pro baby. Comportamento suspeito mode on!

Mas aí, pensando no assunto casamento pra já ir tendo idéias sobre o que escrever, inevitavelmente, lembrei do meu. E, chicas, comento: foi TÃO emocionante! Foi o dia que achei que tudo era possível e que o amor estava acima de todas as coisas (e está mesmo, não?). E eu fico aqui sofrendo porque não consigo começar logo a minha tão sonhada família, mas a verdade é que me esqueço que já comecei, naquele dia de junho de 2007:




Nesse vídeo dá pra ver um monte de gente ótima: eu (hahahaha), Maridón, Papi, Sogrona e amigos bêbados.

Put your records on

Pra piorar só um pouco o meu dia, eu tinha prova de espanhol às 18h (sim, mesmo morando aqui, eu ainda faço aula). Li os comentários fofos no blog, reli meu caderno com a matéria, respirei fundo e fui confiante. Acabada a prova, minha professora diz: “quer ir pegar uma água pra gente conversar?

Putz, o que essa mulher quer falar que precisa de água?”, pensei.

Fui. Bebi a água. Olhei pra ela. Ela solta: “tenho uma novidade!” e passa a mão na barriga.

AI MEU CARALHO.

É isso. Minha professora tá grávida. Minha professora que eu amo muito, que me ajudou em muito mais coisas além de falar espanhol. Que me deu força, que me entendeu, que ficou de papo furado comigo nos dias que não estávamos muito afim de falar da gramática.

Eu fiquei tão profundamente feliz por ela, mas ao mesmo tempo com um PUTA NÓ TÃO GRANDE NA PORRA DA GARGANTA. Não sei como reagi. Demos um abraço e fiquei tentando esconder o rosto, pensei que fosse chorar. Não chorei. Mas acho que fiquei vermelha que nem um tomate transgênico.

Não me segurei e perguntei há quanto tempo ela tava tentando. Aí soube que não muito, uns seis meses, mas que nesse meio tempo já tinha engravidado uma vez e abortou. Falou que estava preocupada de acontecer de novo, mas que tinha sido uma super notícia na vida, que tá radiante (e já de 12 semanas).

Não consegui ficar quieta. Contei toda a minha história engasgada na garganta e acho que ela esperava, por isso me mandou pegar água. Acho que ela sentiu meu desconforto. E eu senti o dela de volta. Coitada, tá toda plena e não precisava ficar aturando as minhas lamúrias. Mas eu nem lamuriei muito não, contei uma versão mais neutra (acho escrotão ficar falando pra uma grávida como você queria ser ela).

Mas eu nem queria ser ela. Queria realmente era sair correndo. Segurei e fiquei ali bonita, ouvindo ela falar da translucência nucal, de como foi contar pra família, da tristeza do aborto anterior.

Acabou a aula, nos despedimos. No que ela virou as costas, eu comecei a chorar, no ambiente de trabalho mesmo (tenho aula lá). Sorte que já era mais de oito da noite e não tinha mais ninguém, só as câmeras e o segurança me vendo por elas. CA-GUEI.

Ai gente, tá foda. Tenho uma festa pra ir agora e nem sei com que cara vou chegar lá. Nem posso encher a cara, dei folga pro meu assistente amanhã e nem rola de faltar. Mas, enfim, saibam que eu li todos os comentários até agora e tô me segurando neles. Wish me luck, queridas!

Uma música pra terminar, que eu to cantando pra mim mesma em looping (e acho que mereço dedicar uma música pra mim mesma):

sem título

Tenho passado por um problema chato de falta de assunto. Não é só aqui não, é com tudo. Outro dia, perguntei assim pro Maridón “e aí, amor, como tá a sua vida?” e ele me respondeu “vai bem, mas se você me perguntar a cada dois dias, não vou ter muito o que te falar”. Ou seja, né. Não tem muita novidade.

Mas já que estou aqui, aproveito pra contar que Maridón vai realmente bem. Tava meio deprimidinho faz uns meses, mas aí pegou forte na terapia e começou a tomar umas homeopatias e agora tá todo-todo. Eu peguei forte na terapia e to nada-nada, como pode? Deve ser porque não estou com as tais homeopatias. Ou porque ele é uma pessoa e eu sou outra. Enfim, sei lá.

Estamos em pleno período fértil (acho eu) e eu to cheia do sintoma. Outro dia tive muco, depois muitas dores nas peitas, um festival de espinhas na cara. Parece até TPM, vai entender isso no meio do ciclo.

O dia das mães acabou que não me fez muito bem. Não só pelo fato da minha mãe não estar mais fisicamente, mas também porque eu não sou mãe e não consigo entrar muito no clima de “feliz dia das mães pra mim, eu sou treinante e logo já sou mãe, mas ops, cade o filho?”. Desculpe quem acha isso, respeito e acho ótimo, mas noups, pra mim não funcionou.Quando comecei a tentar, imaginava que já estaria grávida nessa época. Ou em tantas outras que imaginei. Como esse casamento que vou em junho. Cheguei a evitar comprar vestido achando que poderia ter barriga, ha-ha, que viagem, a única barriga que tenho é aquela do chope que eu tomei na semana passada. Me sinto ridícula de ter pensado isso tudo, de ter programado a vida pra uma coisa tão incerta. E ainda por cima de ter deixado tudo registrado aqui, depondo contra mim pra sempre.

Fui relendo os arquivos e me envergonhado mais e mais e fui vendo o quanto eu fui nervosa ao longo desse processo, o quanto eu imaginei e viajei. E no quanto isso não adiantou nada. Sabendo disso, eu deveria aproveitar pra modificar o agora e ser mais calma, né? É e até consegui. Fiquei tão calma que agora acho que só sobrou uma tristeza. Não tenho estado mais com pressa, contando minutos pra acabar o ciclo e sair correndo pra fazer teste de gravidez. Cheguei em outro nível. Que eu lia nos blogs das meninas que tentam há algum tempo e achava depressivo demais. A depressiva demais sou eu agora, prazer, sou Carolina Tristeza Depressiva.

Ontem falei pro Maridón que to de saco cheio desse assunto de maternidade. Ele falou pra eu largar pra lá então e pensar em outras coisas. Mas acho que não fui clara com ele, é como se eu tivesse de saco cheio do meu braço, cansei dele, mas não dá pra cortar fora. Porque sou eu, é parte de mim. Você cortaria seu braço fora porque ele dói ou está fraco? Não, então não vou cortar a mãe dentro de mim que tá doida pra assumir suas funções. Mas agora ela sente dor e está fraca.

Juro que dá vontade de sair correndo do blog. Do desejo de ser mommy. De mim.

Inegável que ao estar por aqui eu aprendi mil coisas e ganhei a cia. tão querida de vocês. Cada comentário e e-mail que eu recebo é um momentinho feliz do meu dia. De gente que de fato torce por mim, acompanha a minha jornada e ainda por cima se identifica, é tão bom.

Por isso, obrigada.
E pelo texto tristinho e meio sem lé-com-cré, desculpem.

Glória Maria

Outro dia, tô passeando pelos blogs da vida quando descubro que a Juliana Paes tá grávida. Aí o texto do tal blog a parabenizava pela conquista, porque parece que ela bem ficou uns 6 meses tentando o baby. "", penso eu. Eu treino, tu treinas, Juliana Paes treina. Chega um ponto em que todas somos iguais, hohoho. Separadas por uns quilômetros de beleza e mais nada. "", penso de novo.

É tão fácil a gente achar que a grama do vizinho é mais verdinha, né não? Principalmente se o vizinho é do naipe da Juliana Paes, mulher feia, pobre, caolha, manca. Eu tendo a achar que esse tipo de gente pode tudo e não tem problema nenhum. Mas né nada, é tudo gente como a gente! Transa, namora, beija, tenta ter filho, tem dia ruim, mau hálito, tira meleca, faz cocô, xixi, arroto, pum (olha aí mommys, no quesito Nojeira, eu não já tô prontíssima pra maternidade?).

Isso me lembra uma coisa que aconteceu quando eu ainda estava na faculdade, mais precisamente cursando uma matéria que chamava Jornalismo Televisivo (ou algo assim). Um belo dia, o pessoal do Jornal Nacional foi convidado pra palestrar lá, acho que pelos 35 anos do programa. Eu e uma equipe da turma éramos responsáveis pela cobertura televisiva do evento, eu era a produtora, tinha uma repórter, um câmera, um editor. Os bambambans tavam todos lá se apresentando (William Bonner, Fátima Bernardes, Tadeu Schmidit etc) e a gente filmando tudo. Eu incorporei a produtora metidinha e ficava parada na porta do auditório, achando que aquele era o melhor lugar pra tentar coordenar tudo (leia-se fingir que tava fazendo alguma coisa).

Nisso, vejo Fátima Bernardes (que a partir de agora eu vou chamar de Fatinha e vocês logo entenderão o motivo) levantando meio atabalhoada e descendo rapidinho do palco. Fatinha vem andando em minha direção, com um sorrisinho maroto, pronta pra falar algo impactante. “Fiz merda e essa mulher vai me esculachar”, pensei. Mal sabia eu o que estava por vir.

Fatinha pára bem na minha frente, pele viçosa, ar de inteligente, jornalistona que ela é e solta:

Minutinho que vou ali fazer um xixizinho

Oooooooooi?

XIXIZINHO?!

A pessoa séria que fala “boa noite” todo dia na minha televisão e me dá os babados do Brasil e do mundo lá faz XIXIZINHO? Sério, eu fiquei tão impressionada que Fátima Bernardes é de fato humana e de fato faz XIXIZINHO que quase fui atrás dela no banheiro checar se aquilo era verdade (jornalistona que eu sou). Mas não fui não, fiquei lá rindo sozinha e com pena de não ter filmado esse momento. Fátima Fancy Bernardes é o caralho, ela é Fatinha e eu sou Carolzinha e você é leitorinha lendo as minhas bobeirinhas.

E hoje, com tamanho aprendizado e experiência e vivência, sei que:

SE
Fátima Bernardes faz xixi
Juliana Paes demora pra engravidar
William Bonner faz cocô
Angelina Jolie tira meleca
Sandy solta pum
Gugu Liberato arrota

SOMOS TODOS IGUAIS, não? (tudo bem que eles se abanam com dinheiro, mas vamos ignorar esse fato pra reforçar o argumento deste texto). Olha aí os valores bonitos que vou ensinar pros meus filhos. Que todo mundo é igual e tem direito de fazer suas nojeirinhas por aí (ou simplesmente demorar pra engravidar).

Termino (tá quase virando tradição) com uma música que sempre lembro quando penso na história do xixizinho de Fatinha:




(e eu tenho escrito cada coisa aqui que o blog cada vez mais se afasta do Baby pra se aproximar do Bobeiras)

She

Minha amada filha,

Não é nada fácil colocar no papel tantas coisas que eu gostaria de dizer, mas, se você não se cansar de ler, vou escrevendo, escrevendo, escrevendo...

Você sabe o quanto é especial, não só para mim, mas para todos aqueles que tem a grata satisfação de conviver contigo. Você é um espírito puro e até posso arriscar dizer que, melhor que muitos, pois você é meiga, doce, gentil, simpática, alegre, comunicativa (isso tudo, lógico, quando você não está com sono, né?!!!).

Eu te admiro muito, pois você é uma pessoa que vai dar certo, aliás, está dando. Você é positiva e consciente do seu potencial. Não deixe nunca de explorar e usar cada vez mais toda essa força e energia saudáveis de correr e lutar por tudo aquilo que você quer. Não deixe para trás os seus sonhos, que podem e devem ser realizados.

Deus nos mostra o caminho, mas a maneira como percorrê-lo, cabe a nós decidir. E espero (tenho certeza) que você saiba que essa decisão será a chave para o seu sucesso. Não deixa nada para depois, faça e descubra que tudo é possível quando queremos.

Não prejudique nem queira mal a ninguém. Seja honesta, íntegra, educada e, além de tudo, amiga, mas não deixe que tudo isso te afaste de sua família; pois a família, apesar de todas as diferenças e desavenças normais existentes dentro de qualquer família, ainda é o principio de tudo.

É dentro dela que vamos aprender a amar, respeitar, compartilhar, tolerar e, a partir daí, crescer como espírito. Entendendo que ninguém é perfeito e que precisamos compreender para sermos compreendidos. Não é nada fácil, mas... vamos tentando.

Infelizmente, é errando, caindo e levantando que iremos aprender a viver.

Apesar de tudo que já passamos (e ainda vamos passar) somos uma família legal! E eu espero estar sempre contigo em todos os grandes momentos felizes da sua vida.

Conte comigo sempre!!!

Eu te amo de paixão!!!

Mil beijos,
Mamãe


Em 16 de setembro de 2000.
Escrito pela mommy da autora deste humilde bloguinho que vos fala.



Mãe, fico aqui imaginando o que estaríamos fazendo hoje. Com certeza eu acordaria cedo, iria correndo pra sua cama e te daria um presente (lembra quando eu saí pra te comprar um sapato e voltei com uma televisão de presente? Hahahahah). E você choraria meio desconcertada e faríamos palhaçada. Meu pai compraria pão, eu faria o café e todos tomaríamos café da manhã juntos, rindo meio bobinhos, com aquela sensação de felicidade e de que não falta mais nada. A gente sabia que coisas muito simples eram tão importantes. Pequenas coisas. Como a forma que você gargalhava (e você sempre ria muito). As linhas do seu rosto. Seus dentes. Seu cabelo, que eu sempre achei lindo. Seu olhar comprido e cheio de amor. Sua letra que era tão parecida com a minha e no quanto eu sempre achei isso estranho. Penso que às vezes eu me olho no espelho e me acho tão parecida com você que quase te vejo. E tenho vontade de abraçar o meu próprio reflexo, numa tentativa falida e ingênua de estarmos juntas novamente. Nessa hora, até consigo te escutar “mas filha, nós sempre estamos juntas”.

Mãe, mas mesmo engolindo seco de não ter pra quem ligar hoje e tendo uma sensação besta e amarga de estar sozinha, eu penso no quão sortuda fui de ter convivido com você por lindos 21 anos. Obrigada, mãe.

Te deixo uma música, um beijão e muitas muitas muitas saudades.

Pra produzir um baby, se faz...?

Sexo!
E disso vocês sabem, né meninas, confessem aí. E eu digo que eu também sei, pois trabalho com esse assunto. Comentei rapidamente sobre isso no post anterior e, como sempre, despertei interesse em quem ainda não conhece o que eu faço. Eu já falei sobre meu trabalho aqui e no outro blog que tenho muitas outras vezes, mas é comum as pessoas se supreenderem e fazerem mil perguntas e blá blá blá whiskas sachê, então resolvi fazer um F.A.Q. (perguntas frequentes) pra quem ainda não conhece esse meu lado (ui!).

Sijoga!

Você trabalha com sexo/faz sexo/é prostituta/transa com todo mundo/que porra é essa?
Sim, de forma geral, pode-se dizer que trabalho com sexo. Na verdade, eu sou Jornalista formada pela UFRJ, quase pós-graduada pela FGV, fotógrafa curiosa, blogueira profissional e chefe de produção e programação dos canais adultos da Playboy do Brasil. Se você considera quem é do GNT “uma pessoa que trabalha com mulheres”, pode considerar sim que eu sou uma pessoa que trabalha com sexo. Mas, na verdade, o que faço é produzir e programar canais de televisão.

Mas o que você faz exatamente/faz sexo/é prostituta/transa com todo mundo/tem sexo rolando no escritório?
Eu coordeno a produção de chamadas (comerciais que anunciam a programação), o fluxo de fechamento de grades (o que é isso? Grade é como se fosse a planilha que orienta exatamente o que vai ao ar a cada minuto), algumas questões financeiras, operacional de material (fitas, DVDs etc) e quaisquer outros problemas malucos que caiam na minha caixa de e-mail (e aí vocês podem imaginar tudo: desde cotação Peso-Real, passando por ações de marketing e chegando em títulos de filmes, como “Xaninhas Devoradoras de Homens” não ficaria melhor que Bucetas Comem Gostoso?”). Coisas importantes, saca.

Tá, mas você vê filme pornô o dia inteiro/faz sexo/é prostituta/transa com todo mundo?
Não, não vejo mais filme o dia inteiro. Mas sim, logo que entrei nos canais, essa era grande parte do meu trabalho. Eu avaliava, comprava, dava título, escrevia sinopse e programava os filmes nos canais. Sim, era muito divertido, engraçado e inusitado. Mas fui promovida há quase dois anos e já não faço mais esse trabalho. Só vejo mesmo material erótico quando aprovo as chamadas (er, ok, quase o tempo todo), mas já não preciso ver filmes na íntegra.

Seu trabalho é o melhor do mundo! Tem vaga pra mim/quero fazer sexo/quero ser prostituta/quero transar com todo mundo?
Não, atualmente não tem vaga não. Mas se você realmente tá afim, é formado em Comunicação e mora no Rio ou em Buenos Aires, me manda o currículo aí que lembro de você com carinho caso apareça algo.

Ué, mas se é Playboy do Brasil, o que você tá fazendo em Buenos Aires/faz sexo aí também/o ramo de prostituição é grande/transa con los hermanos?
O negócio tem “braços”em três países: no Brasil, na Argentina e nos EUA. Cada parte da produção está em um lugar e eu estou aqui no meio fazendo uma interface entre os três escritórios. Por isso, pra minha vaga, tinha que ser alguém que falasse os três idiomas, que tivesse disponibilidade pra se mudar, pra viajar e tivesse jogo de cintura. Aí no caso tô aqui eu Carolzinha gastando a Cultura Inglesa e o CCAA e a politicagem!

E você conhece todas as famosas que posam nua na revista/elas também fazem sexo/são prostitutas/transam com todo mundo?
Não, não conheço nenhuma. A Playboy TV e a Playboy revista, embora compartilhem a marca, são de empresas diferentes. Não tenho muito acesso ao que eles fazem na revista não.

É tranquilo pra você trabalhar com esse assunto/fazer sexo/ser prostituta/transar com todo mundo?
Olha, como qualquer trabalho, tem vários momentos chatinhos e o monoassunto cansa sim. Lógeco que já aprendi muito e lógeco que já vi muito mais filme adulto que qualquer adolescente masturbento de 15 anos que se preze (pelas minhas contas, foram uns 500). Mas, eu acho divertido, o ambiente é de total respeito e por mais que às vezes as conversas sejam muito improváveis (“você acha legal o pau do cara estar na chamada?” “sim, acho, mas o peito da mulher não tá grande o suficiente e a xebereca dela também não está lá essas coisas” – isso num e-mail sério de avaliação de material entre diretores e coordenadores), nunca é baixo nível, nunca me senti constrangida.


Por mais que eu tenha brincado um pouco com as perguntas, saibam que já me questionaram se faço sexo no trabalho, se sou prostituta ou se todo mundo faz sexo com todo mundo, se tem gente pelada andando pelo escritório, se meu marido fica tranquilo de me dividir com outros caras (??) e demais baixarias que vocês não imaginam. Claro que eu entendo a curiosidade e respondo quase tudo com boa vontade, mas confesso que me dá uma certa preguiça falar desse assunto com pessoas que não me conhecem. Aliás, tá aí o maior dos problemas: se existe algum constrangimento, afirmo seguramente que está fora do meu ambiente de trabalho, tá na maldade descabida das pessoas que falam qualquer merda sem pensar.

E isso tudo tem a ver com baby blog porque... er.... pra vocês desfazerem qualquer tipo de preconceito, vocês sabem quem eu sou (bonitinha, cheirosa, respeitosa) e muitas nem imaginavam que eu trabalhava na maior putaria com conteúdo adulto, olha aí. Ih, mas ainda não teve a ver com baby blog. Hmmmmm. Bem, então tem a ver porque é mais uma forma de vocês conhecerem a próxima mãe do pedaço (cegonha, sou eu hein, não erra dessa vez)!

Dia sim, dia não

Volta e meia tem um baby aqui no trabalho. Tem várias mommys aqui na empresa e é normal que os avós os tragam ou que os filhotes venham pra almoçar ou ainda que passem o dia aqui porque a mãe não tem com quem deixar.

Embora a gente trabalhe na putaria com conteúdo adulto, o ambiente aqui é de super respeito e, sempre que tem uma criança, desligamos as TVs e escondemos qualquer tipo de material inadequado pros pequenos.

Eu sempre interajo, brinco, fico rindo e com cara de abestalhada quando chega um exemplar desses. Mas aí hoje... sei lá. Veio uma bebezinha filha da gerente de produção, tem 5 meses. Fica toda durinha no colo e distribui sorrisos pra quem quiser. Tem os bracinhos gordinhos e o olhar carinhoso. É uma fofa. De tanto ler e acompanhar as questões da maternidade, eu saberia conversar com a mãe dela quase como se também tivesse um baby da mesma idade. Mas, preferi não assustar a colega de trabalho e fiquei na minha, só olhando.

Só que olhando compulsivamente, como se a baby fosse uma montanha de dinheiro ou uma montanha de chocolate. Era, na verdade, uma montanha de sonho pra mim, gente. Fiquei com o coração na mão e lágrimas nos olhos. Não sei se alguém daqui notou, mas eu me senti o ser mais abobalhado EVER. Tive que ir pro banheiro dar uma acalmada e tentar pensar em outra coisa.

Nhé.

Não é todo dia que dá pra fazer piada com a condição de treinante.

O muco & eu

Continuando o que contei no post passado: tenho aprendido a perceber os sinais de bom funcionamento do meu corpo. Pode ser que o anticoncepcional tenha perdido completamente o efeito em mim e finalmente Carolzinha é uma mulher fértil e ovuladora.

Pois bem.

Aí que tenho sentido coliquinhas e mais desejo sexual e outras coisinhas de período fértil (embora ainda esteja cedo de acordo com as continhas do site tabelinha.com.br). Só que hoje aconteceu uma coisa inédita e eu, animada e sincericída, fui logo contar pro Maridón: “Amor, olha só que legal, hoje eu vi que estou com muco fértil!” (tá chocado com a nojeirada do mundo da maternidade? Então muda de clube, colega, que isso é só o começo). Maridón é super compreensivo e amoroso e companheiro, mas essa ele não entendeu e, com carinha de nojo, cometeu o erro de me dar corda: “Muco, vulgo corrimento?? É isso que você tá falando? E como você sabe que isso é fertilidade?”. Eu, felizinha: “é porque esse muco é o que permite que os sptz nadem bonitinhos e se alimentem enquanto não encontram o óvulo. E eu também sei que não é resto de esperma porque não transamos ontem e eu fui fazer xixi e saiu no papelzinho higiênico e eu peguei com o dedo e fiquei esticando pra ver se rompia e não rompia! e tem cor de clara de ovo e não tem cheiro e é super elástico e temos que transar agora e...”. Vocês sabem como é quando eu desando a falar sem parar, né. Então.

Daí que fiz meu marido imaginar:

eu limpando o xixi (tá, ele já viu, mas não precisava ficar fazendo mais imagens sobre o assunto)
eu pegando algo que tava no papelzinho do xixi
eu manipulando esse algo
eu esticando esse algo
eu cheirando esse algo
eu achando que era hora de transar depois de me limpar, mexer na coisa e cheirar a coisa

Ou seja, né.
Vocês acham que rolou o sexo selvagem depois disso? NOT.

Nem selvagem, nem domesticado, nem nadas.


He-he. Maridón, mas não ache que nossa conversa acabou. Tu não me escapa mais tarde.

6 meses

Segundo o contadorzinho que tenho lá no final do blog, hoje completam 6 meses que sou uma treinante. Acho essas datas redondas muito significativas e considero super válido parar pra pensar em tudo antes de seguir. Como se fosse um ano-novo, saca?

Além disso, achei importante falar sobre essa data porque a gente já tá cansada de saber sobre a teoria do 1 ano e eu cheguei na metade do “percurso” hoje. É novo aqui e não sabe do que tô falando? É simples: os médicos consideram normal que um casal sexualmente ativo (que mantém relações sexuais pelo menos 3 vezes por semana durante todo o ciclo) consiga engravidar até completar o primeiro ano de tentativas. Antes desse tempo de espera (odiado por toda boa treinante que tá mais é afim de engravidar no primeiro mês), até são feitos alguns exames pra ver se tá tudo ok com a saúde da mommy-wannabe, mas investigações mais aprofundadas sobre fertilidade só são feitas depois. Também tem mocinhos que preferem fazer logo um espermograma, só pra ficarem tranquilos que está tudo bem com os esperminhas.

O que não falta é informação na internet sobre o assunto, sobre os cuidados antes e durante as tentativas, fóruns, blogs, enfim, o mundo da pré-maternidade internética é gigante.

Mas aí, conversando com a Pat sobre o assunto, ela me fez uma super pergunta que me fez pensar: e agora, aos 6 meses, como você tá se sentindo? Eu respondi “mais preparada e mais madura”.

E aí, né. Tapa na cara da Carolina que queria engravidar no primeiro mês de tentativas. Ia dar certo se rolasse a barrigola? Claro que ia, mas eu me sinto tão mais pronta agora. E já que estou fazendo um balanço, resolvi listar tudo que eu acho que faria diferente se fosse começar a tentar agora (e tudo que faria igual também, né gente, afinal a vida não é feita de erros!):

* Pararia de tomar a pílula 3 meses antes das tentativas “oficiais” e me protegeria com camisinha ou algo assim “mais natural”. Por quê? Primeiro porque depois de tanto tempo tomando anticoncepcional, é super natural que seu corpo leve algum tempo pra se reorganizar e ter um ciclo ovulatório bonitinho. Eu acho que só voltei a ter um ciclo normal no mês passado, vejam bem, cinco meses depois de parar. Mas, nos meses anteriores, não tive calma pra perceber isso em mim. Então, esse tempo sem pílula e antes de liberar geral serviria pro meu corpo entrar em harmonia de novo e pra eu aprender a conhecê-lo melhor e, daí, já até quem sabe reconhecer uma gravidez só pelas mudanças de padrão.

* E falando de reconhecer gravidez por mudança de padrão: eu não buscaria padrões. É difícil, eu sei, treinante ADORA procurar um sintoma. Mas acontece diferente de uma pra outra. Tem gente que sente tudo que é possível sentir, tem gente que não tem nada, tem gente que recebe visita espiritual avisando e o caralho a quatro (delicadeza é meu nome do meio). Só que com você amiga, será diferente e ninguém vai saber te dizer como. Na verdade, a gente tem tanta sede de informação, afinal somos todas mulheres e queremos engravidar, mas ao mesmo tempo somos super diferentes, com organismos distintos e a resposta não esta em ninguém, só na gente. Ficamos procurando nas outras o que está na gente e não podemos encontrar em nenhum lugar se não em nós mesmas.

* Teria um projeto paralelo logo no começo. Uma viagem, um frila, um novo trabalho, um cachorro, sei lá. Senão, filha, tua vida vai ser pensar em bebê. Como foi a minha. O foda de fazer um projeto é que você fica sempre pensando “ai, mas se o baby vier, vou ter que cancelar, ai que preguiça, ai só quero saber de baby-stuff”. Tá, mas prepare-se pra ficar doida. Porque cada vez que a menstruação descer, você padecerá de tristeza profunda, já que o único objetivo da sua vida não foi alcançado. Dizem por aí que você engravida quando para de pensar no assunto. Eu não comprovo porque não estou grávida, mas posso afirmar que pensar em outras coisas, fez a minha sanidade mental ficar em níveis mais aceitáveis. O único complicado é que eu só estou com projetos paralelos fortes agora e, mesmo assim, é difícil manter, eu vivo me perdendo e acabo perambulando por fóruns de maternidade em vez de focar no que tinha proposto.

* E aqui tocamos no assunto complicado. Os fóruns. Eu me afastaria deles como diabo foge da cruz. É ótimo pra conhecer pessoas e tirar dúvidas? É. Mas tem o ônus de ficar lendo historias terríveis e enchendo a cabeça de abobrinhas, então não vale de muita coisa, pelo menos pra mim. Todas as vezes que sijoguei em fóruns, siferrei.

* Teria parado de fumar (ui, que terror admitir isso, mas ó, relaxem, já parei). Mas não pararia de beber (tenho que curtir essa vida, não gente?).

* Me alimentaria melhor. Não só pelo baby, mas por mim mesma. Porque eu como muita junk food e tenho uma barriguinha vergonhosa. Do tipo logo que eu engravidar, as pessoas vão falar “ah, mas que linda, já tá de barriguinha” e eu vou pensar “é, inclusive é uma barriguinha que já tem 3 anos de idade”. Vergonha!

* Aqui, um acerto: acompanhamento médico desde o começo. Mesmo não confiando tanto no meu ginecologista, não dá pra dizer que ele é má pessoa ou irresponsável. E eu sinto que estou sendo acompanhada e tenho pra onde correr caso ache que é necessário.

* Outro acerto: eu não controlaria TB (como realmente não controlo) nem tanto os dias férteis (controlo meio mais ou menos, porque tenho percebido – desde o mês passado – que minha ovulação não é no meião do ciclo, acho que é antes). Aqui entra uma opinião meio romântica: por mais que se faça sexo com o objetivo da reprodução, não queria que fosse o único motivo pra namorar o Maridón. Sei lá, eu não sei agir assim tão sem romance. Preciso de um mínimo de envolvimento com a coisa, lembrar que o amo, pensar em putaria, essas coisas. Se fico pensando em espermatozóides, óvulos, posições favoráveis e afins, eu paro pra assistir o Discovery Home & Health, não pra transar. Então faço assim: mantenho a regularidade, mas também mantenho a paixão.

É mais ou menos isso, gatinhas. Não engravidei ainda, mas já aprendi muito até aqui. Acho que não é legal pra ninguém obcecar em coisa nenhuma. Nem baby, nem trabalho, nem dinheiro, nada. A sensação que tive quando caí nessa é que me perdi de mim mesma e já não via mais graça nenhuma no resto da vida. E há um resto da vida, meninas, acreditem. Eu quero MUITO engravidar e queria que fosse logo. Mas mordo a minha língua e assumo: foi importante viver o que vivi até agora.

Eu poderia continuar esse post para sempre. Mas já tá muito longo e queria abrir o espaço pra vocês, mães, treinantes, simpatizantes: o que acham certo e errado na coisa das tentativas? Conseguem identificar o que funcionou ou não?

(e um super agradecimento à Pat, co-autora desse post e queridíssima cia. nas tardes de MSN afora)

Quase indo

Passei o final de semana todo pensando em foto, foto, foto. Já contei pra vocês que sou metida a fotógrafa? Pois é, eu sou. Tenho até pensado em fazer faculdade de novo, de repente reorientar minha profissão, sei lá. Estou sonhando com novos cursos, novas possibilidades. Essa coisa da fotografia é todo um mundo novo pra mim, que eu amo, mas que ainda to desvendando.

Mas fora os momentos em que estive imersa na cosia fotográfica, tava por aí passeando, curtindo. Não fiz uma refeição decente, dormi a hora que quis, acordei tarde, relaxei.

Super final de semana de pessoa sem filhos, certo? Pois bem. E eu achando que finalmente tinha encontrado meu caminho. Mas aí ontem, Maridón já roncando, baby dog também, minha cabecinha desanda a pensar em filho de novo. Abro um fórum argentino de maternidade e vejo que responderam a minha pergunta sobre o espermograma de Maridón (ps. rápido: no fórum daqui tem um andrologista que tira as dúvidas das meninas, avalia resultado de exame, indica bons médicos, bons laboratórios, é um amorzinho). Daí que o tal Dr Fórum reitera o que já sabíamos “el espermograma de tu marido es normal. Paciencia que luego llega el embarazo. Suerte!”. Ahm. Depois disso, me lembro da noitada do sábado anterior com as amigas. No auge da cachaça na mente, desandei a choramingar minhas pitangas não-engravidatícias pras meninas ouvirem (como se não bastasse já fazer isso aqui no blog). Elas, tadinhas, não entendem lhufas desse processo, né. Daí ficaram assustadíssimas de saber que estou sem pílula desde novembro do ano passado e até agora não rolou nada. “Como pode?”, elas perguntavam. “Como, né?”, eu pensava. Aí expliquei toda a teoria do 1 ano, que não é igual pra todo mundo, que o organismo de cada uma funciona diferente, que além disso, ainda acredito da Lei do Universo, essa que decide sozinha quando chegou a hora de cada uma (e a gente custa em aceitar porque né, eu não quis ter filhos por anos e consegui, por que o contrário não acontece?). E elas, totalmente out desse assunto, ficaram me olhando com cara de “tadinha, ela é infértil”, enquanto eu tentava reverter o processo e fazer uma carinha “descolé, to nem aí”. Tomo mais um gole de vinho, pego a minha câmera e resolvo fazer umas fotos artísticas bêbadas, que é a melhor coisa a se fazer depois dessa conversa. Mas tenho vontade mesmo é de pedir um abraço e ficar quietinha no colo de alguém. Mas não faço, que eu sou muito boba (vide o nome deste blog). Por fim, penso que, antes de tentar dormir, tinha acabado de falar no telefone com meu pai e como tive vontade de contar a historia toda das tentativas pra ele. Esse papo de ficar escondendo de alguns às vezes me agride, me sinto falsa. As pessoas me perguntam “e aí, como tá a vida em Buenos Aires?” e eu fico super afim de mandar o link do blog pra ler ou fazer um resumão de 8 laudas contando tudo que eu já passei até aqui. Mas, instead, eu respondo “tá tudo ótimo!”. E meu pai é um dos que recebe essa resposta-mequetrefe-padrão. Quando não deveria ser assim, ele tinha que ser um grande amigo meu. E muitas vezes até é, mas sei lá, que porra de grande amigo é esse que não sabe sobre um dos maiores processos de autoconhecimento pelos quais já passei? Acho que a culpa é minha também. Porque se eu quero que ele saiba, eu deveria abrir a porra da boca e falar.

Pensando nisso tudo, no escuro do meu quarto, arregalo os olhos e não consigo mais dormir. Não de preocupação, mas simplesmente de estar pensando sem parar, tudojuntomisturado como esse parágrafo anterior que ficou enorme e não teve respiro. E fui nessa até as seis da manhã, quando meu relógio começou a despertar pra eu acordar. E eu nem tinha dormido nada ainda.

Alguém pode dar um puxão na minha orelha? Que não tem mais motivo nenhum pra eu ficar assim? (também to aceitando colo e declarações de amor) Grata.

***

E só pra vocês não ficarem achando que eu sou muito doidja ou muito depressiva (só um pouquinho, mas continuo recusando a sugestão de ida ao psiquiatra e os remédios indicados), deixo uma auto-foto, eu e Maridón felizinhos no parque (antes de todo esse devaneio, quando eu ainda só pensava em foto mesmo):



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