Esse é o segundo GO que tento aqui em Buenos Aires. O primeiro, não sei se lembram, fez uma consulta muito express comigo da ultima vez que fui, desesperada que não conseguia engravidar. Ele disse “calma que o baby já vem” e riu. E me falou pra eu parar de ser ansiosa, que isso era o que estava me atrapalhando. E nem deu bola pra minha prolactina, que estava alta na época, o que poderia estar dificultando a minha gravidez.
Quem me acompanha há mais tempo concorda com ele e gosta de falar que sou neurótica e talz, mas juro que não me sinto tão assim. Não sou das mais tranqüilas, mas acho que minhas preocupações são bem normaizinhas. Inclusive, há um lado meu que pouquíssimas conhecem, que é da minha paquera com o mundo mais natureba. Acho que a gravidez é um momento único da mulher, de conexão com ela mesma. É extremamente sensacional pensar que tem outro ser crescendo dentro de você. Não há nada mais mágico que isso é um puta milagre. Mas é milagre, nao é medicina. Eu nao fiquei grávida porque algum médico falou alguma coisa. Fiquei grávida porque transei com meu marido e ponto.
E eu e Maridón pensamos parecido nesse sentido: já que é tão natural e fisiológico, queremos que continue assim. Com ajuda médica, claro, mas que esse médico nao simbolize A REGRA de como viver a vida, que seja apenas um apoio. Queremos evitar remédios (eu sofria muito com a possibilidade de induzir uma gravidez, embora considerasse a possibilidade), exames, medições mil, comparações, padrões, verdades absolutas. Quero parto natural, com tudo que tem direito (ou sem nada do que tem direito: nada de sorinho, nada de cortes, nada de eu não sentir o que tá acontecendo, nada de meu baby sair de perto de mim). Se eu botei pra dentro sem ajuda de ninguém, me sinto capaz de botar pra fora. Eu, meu marido e demais pessoas de confiança que eu julgue importantes farão parte disso. E se por acaso eu for pra uma cirurgia, vou numa boa, mas tranquila de que fiz tudo o que podia pra não ir.
Aí entra o médico. Porque natural não seria apenas o parto, mas tudo que envolve a gravidez. Queria alguém que me acompanhe sim, mas que me entenda, que me ouça, que vibre comigo e não me deixe sair do consultório com dúvidas. Achei que não era o caso do primeiro médico e seguramente não é o caso do segundo.
Estou meio perdida com relação a isso. Foi apenas uma semana consciente da gravidez e já escutei todo tipo de opinião: pessoas defendendo consultas particulares (porque os planos de saúde que seriam os culpados dos atendimentos-express e sem sentimento), pessoas falando pra eu tomar bastante remédio e fazer tudo que o médico mandar (porque bom mesmo é prevenir todo o possível e o impossível) e até mesmo pessoas que não ligam nada pra isso, que só querem fazer suas ultras e tudo certo (porque o mais legal é ter vídeo pra postar no orkut).
Só que vejam bem: nada disso é uma crítica. Eu acho que os planos de saúde são sim uma puta máfia e pagam honorários ridículos aos médicos, o que realmente inviabiliza a possibilidade deles fazerem um atendimento ok pras pessoas (até porque gente, eles tão trabalhando como eu e você, quem não quer ganhar de acordo com o que faz?). Eu também me sinto relativamente segura tendo mil recomendações médicas e remédios à mão e correria pro hospital no primeiro sintoma de merda acontecendo. E sim, eu também vou achar o máximo postar os vídeos das minhas ultras, por mais que ninguém entenda o que está vendo.
Mas mesmo amando a proposta natureba (sério, eu amo tanto que é papo de chorar lendo os textos), eu sou uma pessoa junkie. Viciada em coca-cola, me alimento mal, quase não como frutas, verduras, legumes. Não faço exercícios e tomo remédio no primeiro sinal de dor de cabeça que tenho. Tá, desde a semana passada, que descobri a gravidez, cortei a Coca, melhorei a alimentação e estou tentando incluir mais variedade nos meus pratos. Também não tomei mais remédios e estou tentando caminhar de vez em quando. Mas daí a degustar grãos e sucos naturais com felicidade no coração... falta um pouco. Estou tentando, mas tenho que admitir que ainda não faz parte de mim. Daí penso: será que esse papo natural não é uma mentira que conto pra mim mesma? Será que eu terei coragem e força pra encarar 30 horas de doloridas contrações quando não consigo encarar uma dor de cabeça?
E qual médico vai me ajudar nisso? Será que aquele meu primeiro que dizia “calma, que daqui a pouco acontece” não tinha mesmo razão? Esse sim pode ser o cara que vai saber esperar o meu momento e vai me apoiar nas minhas decisões. Ele esperou que eu engravidasse normalmente e nunca me medicou pra nada, porque ele sempre soube que eu não tinha problemas.
Estive olhando também os nomes (e preços) dos profissionais humanizados daqui. E juro, ainda estou sem saber o que fazer. Dá pra eu pagar? Dá. Só que não será o único gasto com essa pessoinha que me habita e também tenho uma certa briga moral interna de pagar médico por fora do plano... mas estou pensando com carinho. Recebi um email lindo da Lia (brigada, bonita!!) que me fez repensar bastante esse conceito.
Decidi, por agora, dar uma segunda chance ao meu médico calminho, que me acompanhou nas tentativas e conhece meu histórico. Consegui um horário agora pra quarta-feira. Vamos ver o que ele me diz. Mas, certamente, essa discussão está apenas começando pra mim.
(gatinhas do Hall, amei a participação de vocês, hoje a noite eu atualizo todo mundo, ok? Aqui do trabalho é complicaaado.)




