Hoje pra mim tá sendo um daqueles dias bem merda que a gente torce pra acabar logo: caixa de e-mails lotada (e mil problemas urgentes surgindo pra eu resolver), infiltração no banheiro e possível obra e quebradeira a vista, boletos de contas pra pagar que não chegaram (aí vou ter que resolver pra não pagar multa), salário entrando mais baixo do que eu esperava e blá blá blá, chateações da vida de adulto (Carolina aos 12 anos, saudades de você, viu?).
Mas aí eu resolvo frear a respiração ofegante, relaxar os músculos do rosto e tento me acalmar. E lembro da foto que eu tirei ontem dos meus amadinhos, olho pra ela e tcham!, já fico felizinha de novo, com esperança na vida e no final de semana gostoso que está por vir (talvez sem banho já que meu banheiro está interditado, mas who cares, né?).
Olha aí os responsáveis pela minha felicidade no dia merdinha:
Meu baby dog não é um baby de verdade, mas já é meu filho e eu treino com ele (e Débora e Nat também treinam com os delas, acho super válido)!
Um beijo e uma música clássica de sexta-feira procês:
Tem dias que as palavras que sou capaz de escrever são insuficientes e, nesses dias, eu escuto música. E não consigo falar muito.
E sempre encontro uma música perfeita. Que fica no modo “repeat” até que eu ache suficiente.
A de hoje, além de ser maravilhosa, ainda tem ambientação imaginária: eu sentadinha numa mesa no canto do bar. Com a minha cervejinha, meu bolinho de bacalhau. Quieta, eu fecho os olhos, me conecto com os sons, com os sentimentos e me deixo ir.
Deixe-me ir Preciso andar Vou por aí a procurar Rir pra não chorar
Quero assistir ao sol nascer Ver as águas dos rios correr Ouvir os pássaros cantar Eu quero nascer, quero viver
Deixe-me ir Preciso andar Vou por aí a procurar Rir pra não chorar
Se alguém por mim perguntar Diga que eu só vou voltar Quando eu me encontrar
E isso tem a ver com o baby blog porque... er... porque precisamos lembrar que, por mais que estejamos ligadas com nossos filhos, maridos e quaisquer outros, tem dias que precisamos simplesmente ir, sozinhas.
Depois de uma noite quase sem dormir, buzinar no ouvido da amiga durante toda uma tarde (brigada querida!) e fazer mais um teste de gravidez negativão, finalmente a menstruação apareceu.
E olha, eu fiquei bem mais triste de ver outro teste negativo do que a vermelhuda em si.
Eu realmente tinha me preparado pra esse momento, mas ao mesmo tempo, nutria uma esperança do positivo e o atrasinho conspirou a favor.
Mas, depois de devidamente menstruada, fiquei foi muito bem. Primeiro porque uma lua linda brilhava no céu de Buenos Aires, me convidando a ser feliz pela noite iluminada. Segundo porque menstruação é saúde, é ciclo completado, é minha feminilidade gritando com muita força. E terceiro porque comecei a mentalizar o banho imaginário que tinha prometido pra mim mesma e pude colocar em prática um trabalho de reconexão que venho planejando.
Ele começou num dia que eu estava muito triste, com saudades da minha mãe e querendo muito conversar com ela. Não sei se vocês sentiram isso quando pensaram em ter filhos, mas me bateu um sentimento forte de querer saber quem era a minha mãe antes deu mesma ser uma. Precisava saber como tudo aconteceu pra ela (não por historinhas batidas genéricas, mas de mulher pra mulher mesmo). Precisava de apoio, de conselho, de colo. Tem coisas que só uma mãe sabe dar, né? Pois bem. Daí, do nada, me bateu uma vontade forte de arrumar o escritório aqui de casa. Joguei um monte de papel fora, trabalhos velhos de faculdade, essas coisas. E, dentre a zona, achei uma carta dela pra mim. Foi forte, minha gente. Foi forte porque foi inesperado. Porque foi oportuno. Porque eu pude sentir um imenso amor em cada linha das palavras dela. E serviram muito pra mim. Era exatamente o que eu precisava conversar.
Na carta, entre muitas coisas lindas, ela dizia: “Não coloque a sua felicidade nas mãos de ninguém. Ela é sua e somente sua. Lute por ela e não desista nunca. Você é mais forte do que pensa”.
Foi mágico, foi incrível. Porque ali eu soube que o universo dá um jeito no que tem que dar. Que as coisas acontecem todas como tem que ser. Eu precisava falar muito com a minha mãe. E eu falei. E ela falou. E assim, contra todas as regras da normalidade, da realidade, da existência, eu estive com ela (e fiquei pensando muito na conexão que vocês mommys tem com seus filhos, saibam que ela é maior que a vida em si).
Eu vou ser mãe quando tiver que ser. E eu vou ser mãe. Eu já sou mãe.
O que vou fazer agora é arrumar a casa pra chegada desse meu filho. Resolvi me alimentar melhor, cuidar do meu apê como sempre quis e sempre posterguei, fazer lindas fotos, aprender algo novo todos os dias e cada vez mais, amar muito meu marido, curtir a vida e ser muito feliz.
Sei que os pensamentos nesse post parecem meio desconexos, mas tudo é tão claro pra mim agora.
***
Brigada, mãe. As saudades só não são maiores do que o amor que eu sinto por você.
Na época estimada da ovulação, eu senti tudo. Cólicas, dores de um lado especifico, sexualidade mais aflorada. Depois, muita sensibilidade, muito choro. Maridón fez dois espermogramas esse mês, o que significa que ficamos vários dias em abstinência.
Isso pra dizer que eu realmente não saberia dizer se engravidei ou não. Fiquei pensando que poderia ter sido o primeiro ciclo do meu corpo realmente sem os efeitos dos anticoncepcionais (que usei por longos 11 anos). Mas não necessariamente baby na barrigola. Aí, teve o feriado no Brasil na semana passada. E amigos muito queridos iam chegar e eu queria saber se poderia beber com eles ou não. Ainda faltavam 4 dias pra menstruação, mas sei lá, eu precisava tirar a dúvida e me livrar da culpa.
Fiz o teste. Deu negativo.
Eu fiquei OK e até felizinha de poder me jogar na cachaça com os queridos. Mas aí, quando fui contar pro Maridón, não sei o que houve. Chorei, chorei, chorei. Acho que foi a primeira vez que fiquei tão desolada com um negativo. Não ansiosa, não querendo saber quando vai acontecer. Apenas triste de não estar grávida ali, naquele dia e ainda tendo que ver o brilho nos olhos de Maridón dar lugar a uma tristezinha besta.
Mas passou. E a tristeza deu lugar a vááárias taças de vinho e gargalhadas e boas comidas com os amigos. E a uma coliquinha faceira, bem fraquinha.
A vinda dos amigos, a alegria de estar bem e o negativão no teste me fizeram pensar nos últimos acontecimentos. Que eu quero ser mais tranquila. Que estou disposta a ser assim. A viver bem, a comer melhor e mais saudável, a fazer de fato as coisas que são importantes pra mim e não ficar só vivendo de lamentos ó meu deus, essa vida de treinante é muito chata. Ah, po, a vida não tem que ser chata, né?
É.
Aí, na segunda (ontem), dia da chegada da minha reguladíssima e linda menstruação, acordei com dor de cabeça e resolvi trabalhar de casa. Coliquinhas rondando, vontade de ficar na cama. Me preparei pra ficar menstruada e pra receber o sangue como um banho que ia me lavar por dentro, não só o útero, mas toda a minha alma. Estava pronta pra isso. Me cerquei, me cuidei, me amei. Resolvi olhar mais pra dentro de mim e encarar aquele dia não só como uma segunda-feira, inicio de ciclo, mas como o começo de uma pessoa melhor e mais conectada consigo mesma. O primeiro dia do resto da minha vida.
Ainda bem que esse papo de Dia das Mães em maio é só no Brasil e eu não to aí e não to vendo nada disso acontecendo, porque senão eu choraria a cada intervalo na televisão. Essas propagandas sempre me emocionam, é uma loucura. Só que eu não estou totalmente “a salvo”, acompanho a blogosfera materna e vi esse comercial circulando por aí:
GENTE.
Morri.
Além de ser lindo pras mommys, é um ARRASO pras treinantes!! Algum publicitário muito antenado (ou treinante também) por fim percebeu que existe todo um mundo de mulheres que sonham com a maternidade tão intensamente que já se sentem mães. De tanto que imaginam e planejam e se preocupam com um serzinho que ainda nem existe.
Só quem passa por essa espera sabe o que é sonhar todas essas coisas aí do comercial, todo mês. E não desistir.
Nhó. Siemocionei.
(e já que estamos falando de emoção, deixo aqui meu parabéns pelos positivos das amigas bloguísticas Rebeca, Than e agora Nanda Ramos! Parabéns queridas!!!)
Ai povo, hoje a curva da minha ansiedade deu uma caída. Eu tava indo bem, mas sucumbi.
Era o dia de sair o resultado do espermograma do Maridón. Arregalei os óio às seis da manhã e nada me fazia dormir. Tava nervosa. Aí liguei a TV e comecei a ver um programa ótimo: de previsão do tempo. Olha, melhor que contar carneirinho, viu, recomendo. Depois de cinco minutos vendo todos os detalhes sobre a temperatura do dia de hoje na cidade de Buenos Aires, eu já tava babando de volta no meu travesseirinho.
Maridón saiu da cama mais cedo pra ir ao laboratório buscar o envelopinho e eu mal percebi. Depois de acordar calmamente, levar meu baby dog pra passear e conversar com a mocinha faxineira, fui trabalhar e ele logo chegou pra me mostrar os resultados, já que ele mesmo não tinha entendido nada dos números (ah, amadores).
Uma observação: a doutora explicou porque ele teve que refazer o exame. Acontece que no primeiro, tinha dado que os espermatozóides tavam doidinhos nadando em círculos e isso pode ser causado por uma toxina presente na tampa de determinados frascos de coleta (alou meninas tentantes, fica a dica: não utilizem tampas de frascos de coleta na atividade sexual que faz os esperminhas ficarem bêbados circulares e não fecundarem coisa alguma!). Daí ela preferiu refazer com um frasco da própria clinica e pimba, era isso mesmo, os esperminhas do Maridón não são nada circulantes, tinha sido a tal da toxina malvada.
A primeira vez que bati o olho no exame, comemorei: quantidade ejaculada ok, número de espermas por quantidade ejaculada ok, ph ok, motilidade ótima, tudo certo. A não ser pela morfologia. Que deu 24%. E que, segundo a OMS, tinha que ter dado 30%.
HUMPF.
Lá fui eu pros fóruns saber mais sobre o tema (e encher minha cabeça de besteiras). E enchi, viu. Só via casos parecidos levando a FIVs, IAs e etc. Varicocele, cirurgias e afins bombando no meu imaginário. Meu chão saiu debaixo de mim e eu me segurei pra não morrer de nervoso.
Botei o Maridón pra passar mal de gastrite. Falei que o caso era grave. Fiz ele conseguir consulta no urologista pra HOJE MESMO (pelo menos eu sou persistente, hein gente, reconhece aí). Inclusive marcamos consulta pra ter uma segunda opinião mesmo sem ter ouvido a primeira. Nossa, sem noção pro nervoso ao cubo que senti hoje.
Bem, daí ele chegou no urologista e adivinhem o que o seu moço falou? Que está tudo na mais perfeita normalidade. E a OMS dando 30% como base de boa morfologia, doutor? Ele respondeu que não, que o mínimo é 20%, portanto 24% tá super ok. Maridón me contou que o médico anotou todos os números na fichinha dele e, embora a consulta tenha sido rápida, que ele ficou seguro que todos os dados tinham sido conferidos. Seu dr. Médico mandou um abraço, boa sorte e ir pra casa namorar que logo logo tudo isso acaba.
Mas, Maridón, bem orientado por mim (ou neurótico sugestionado por mim) ainda insistiu perguntando se dava pra engravidar normalmente e se não era hora de ver um andrologista. O Uro falou que, se ele quiser, pode sim ver o Andro, mas que a opinião profissional dele é que não é necessário, o espermograma é normal. E sim, lógico que dá pra engravidar normalmente.
Como já temos a consulta marcada com o Andro (aquela segunda opinião que eu resolvi pedir), combinamos que ele vai, até pra desfazer essa dúvida dos 20 ou 30 por cento. Não custa nada, já tá marcado.
Maaaas. A conclusão é que deu tudo certo. Estamos ambos férteis, bonitos, loiros e luxuosos, prontos pra procriar.
Quando eu era bebezica, era um ser dançante. Me requebrava toda pra todos os ritmos, desde cedo. Daí quando vejo vídeos como esse aí embaixo, além de achar foférremo, sidentifico muito!
E, se depender de mommyta aqui, meus filhotes também serão dançantes (porque eu ainda não perdi a vergonha de me requebrar – e quando faço isso meu cachorro pára o que estiver fazendo pra me observar, incrédulo).
Eu já tinha previsto que essa semana ia ser cheia da emoção. E tá sendo, viu. Primeirissimo porque recentemente tive uma sessão na terapia bem forte. Chorei, chorei e chorei. Falei dos meus medos, de coisas muito profundas e difíceis. OK. E desde então não paro de chorar. É lágrima pra tudo. Filme, música, time campeão do Estadual (dá-lhe Botafogo!), alguém que me fale algo fofo, um abraço, um exame de prolactina saindo normal.
Opaaaa!!
Exame de prolactina normal, leram isso? Pois é. Na medição anterior, tinha saído 38 ng/ml (o valor de corte era 28 no lab que eu tinha feito) e nesse saiu 14 ng/ml (valor de corte 24). MIMATA DE EMOSSAUM! Fora isso, todos os outros hormônios e seus coleguinhas continuam bem, obrigada. Chorei, claro. Liguei pro Maridón ultra feliz, mas ele estava... meio triste.
Porque tinha ido fazer o espermograma lá na clínica e, em vez de uma salinha reservada pra se concentrar, sabe onde mandaram o rapaz fazer o exame? No banheiro. Pior: num dos reservados de um banheiro. Ah gente. Tadinhos dos meninos, que humilhação! Quem goza nessas condições, me conta? Já é chata a coisa toda em si, ainda tem o perigo de alguém entrar no banheiro e te ouvir... na boa, não dá. Ainda por cima ele teve que sair do banheiro na frente de todo mundo com o potinho na mão, sem nenhum disfarcezinho! Caracola! Ele disse que fez o serviço, mas que, pela tensão e desconforto, não sabe como “se saiu”, que pode ser que tenha ejaculado pouco. E aí ficou preocupado de não ter tido um mínimo suficiente pra realizarem o exame e ligarem de novo pra refazer. Tadinho, fiquei com pena.
Mas como eu tava firme e feliz, falei pra ele que, se não der certo, vamos procurar outro laboratório. E disse pra ele não se preocupar tanto, que é melhor deixar as coisas acontecerem, sem neuras (que foi exatamente o que ele me falou na semana passada).
Então é isso, to mais tranquila de verdade. Claro que fico pensando se rolou esse mês ou não, até porque sinceramente não sei. Mas, antes de saber sobre isso (leia-se: antes da menstruação aparecer), tenho pela frente uma semana com visitas (tem um feriadãããão no Rio, daí o povo todo correu pra cá), acho que ficarei bem bem distraidinha.
Semana que vem promete ser de muitas emoções nessa minha vidinha. Na segunda, finalmente sai o resultado do meu exame de sangue, em que testei novamente os hormônios pra ver se a tal da prolactina estava alta mesmo. No dia seguinte, sairia o resultado do espermograma do Maridón. Sairia porque ligaram ontem do laboratório dizendo que a amostra não está satisfatória para análise, que tem que fazer outra. Eles prometeram entregar o resultado rapidinho e pediram mil desculpas.
Mas peraeee. Eu nunca tinha visto isso acontecendo. Insatisfatório para análise por quê? Não disseram e Maridón não perguntou. Imaginamos que foi porque ele recolheu o material em casa e pode ter demorado muito pra chegar lá e entregar (segundo ele, foi coisa de uma hora), daí os bichinhos morreram, sei lá. Mas, não acontecerá isso da próxima, o mocinho da clínica mandou ele ir fazer o exame lá diretamente (mas se tinha essa opção antes, por que não avisaram?). Enfim.
Fiquei me perguntando por que Maridón não quis saber mais sobre isso, por que não perguntou mais pro cara que ligou. Não deu tempo de me perguntar muito, eu fui logo encher o saco dele e tomei um passa-fora. O que aconteceu foi que Maridón tinha entrado na minha onda e ficou nervosão com a ligação do cara, achando que o espermitcho é tão ruim que não deu nem pra concluir um exame simples. E disse que não quer mais viver a vida nesse nervoso, de pensar o pior de tudo que acontece. Que é só por os pés no chão pra perceber que de fato foi a demora pra entregar ou aconteceu algo lá que impediu a realização do exame, senão o cara da clinica não pediria desculpas. Que se o esperma dele fosse ruim, simplesmente viria esse resultado no laudo e não seria um cara da clínica que ia ligar e mandar refazer, mas sim o médico. Né? Eu concordei.
Mas pelo que Maridón me contou, ele ficou tão nervoso na hora que simplesmente achou que já era o final de tudo, que tinha dado uma merda federal. Tadinho. E que não quer mais viver tanto no limite da emoção.
E, gente, eu, pela primeira vez (e apesar do esporro que tomei por ser nervosinha), concordei plenamente. Quero o baby? Sim. Logo? Sim. Mas tem uma porra duma bomba-relógio amarrada em mim fazendo tic-tac a cada minuto que passa? NÃO! Então por que essa pressa louca? Pra que ficar imaginando momentos com barriga? Eles vão acontecer, imaginando eu ou não! Se tivermos algum problema, vamos tratar. Se necessário, tentaremos métodos alternativos. Se não rolar nada disso, eu vou adotar. Eu vou ter um filho!
E pronto, olha que simples.
Ainda não sei exatamente o que vou fazer pra relaxar, mas já tenho mil idéias e tô muito interessada em respeitar os tempos da vida. Eu não quero ficar aliviada quando engravidar, mas sim feliz. Eu não quero mais entender esse tempo de tentativas como luta, mas como um processo. De vez em quando é um processo chato. Mas posso falar? Minha vida sexual, por exemplo, melhorou MOITO. De qualidade, de quantidade. E qual casal não gosta disso?
Essa coisa de sofrer de véspera era papo pra Peru de Natal, minha vó já dizia. Se o espermograma voltar com problema, aí eu sofro. Mas até agora, não aconteceu NADA.
Peço desculpas por bater sempre na mesma tecla da ansiedade, às vezes acho que esse blog não tem conteúdo nenhum, é só essa ladainha, mas eu preciso desabafar. E acho realmente que tô mudando, tô conseguindo ver uma luz no fim do túnel.
Até porque é uma coisa tão doídinha, tão sentida... que Maridón ficou vendo o vídeo com cara de gatinho do Shrek e eu, freak, fiquei com o coração apertadinho, deu falta de ar e no final eu já tava chorando com ela!
Pessoa sem filhos é assim, não tem um exemplar pra chamar de seu, aí fica achando que é mãe de todo mundo. Mãe natureza, praticamente.
Além de, claro, mãe do cachorrinho, das plantinhas de casa, dos cremes (“vem aqui embelezar o rostinho da mamãe”) e – confessem – mãe do marido.
Maridón trabalha aqui do lado de onde eu trabalho. Hoje eu estou cheia de coisa pra fazer então ele, em ato de pura fofura e amor, trouxe meu almoço. Aí eu fui receber na portaria. Estava caminhando em direção a ele e, quando cheguei, ele solta:
- Nossa, como você tá magra!!
Não é a mais pura felicidade esse comentário? Hein?
E isso tem a ver com o baby blog porque... er.... porque a única saliência que eu quero no meu corpo é um barrigão gravidão.
gentes, tengo una consulta: quem me le da Argentina? até onde sei, era só eumerma e uma amiga que aparece de vez em cuando... mas o meu Google Analytics me diz que tem um moounte de gente daqui, inclusive de outras províncias.
Acho que toda treinante blogueira já deixou o pensamento voar e ficou imaginando o dia que anunciaria a gravidez no blog. Não? Eu já.
Tem gente que até já tem o texto pronto! Eu não, na verdade, acho que o momento será emocionante demais pra eu antecipá-lo já deixando um post pronto. Mas é claro que às vezes me pego imaginando quais serão as minhas palavras e no quanto eu vou querer que seja um texto super especial. He-he. Já até falei disso uma vez aqui. Como é um tema recorrente na minha cabecinha, vamos falar de novo.
Mais que comunicar no blog, eu sempre fico pensando no QUANDO se deve avisar de uma gravidez. Cada vez menos vejo as pessoas respeitando aqueles 3 primeiros meses, que é quando o bebezico tinha mais risco de não vingar. Ao mesmo tempo, eu já escutei que é uma tradição, que fazer diferente dá azar. Dá é? Eu tenho uma colega de trabalho respeitou e, uma semana antes de contar pra todo mundo da super novidade dela, tínhamos um jantar de trabalho. Aí eu perguntei dez mil vezes pra ela porque não tomaríamos uma tacinha de vinho e ela negando, negando, dizendo que tava de ressaca. Eu, insensível e desligada, não entendi nada, afinal ela sempre foi boa companheira de copo. Uma semana depois, ela me liga pedindo mil desculpas, que estava grávida, que ainda não tinha avisado ao chefe, que estava esperando os 3 meses. Óbvio que eu aceitei as desculpas e achava que ela nem precisava se desculpar, que tinha que seguir o que achava certo pra ela. De verdade.
Tenho outra amiga (aquela que engravidou aqui em Buenos no Ano-Novo) que também esperou os 3 meses. Daí, quando completou a data, fez um jantar todo formal com os amigos pra falar das boas novas. Bunitinha! Admiro, viu.
Porque fico pensando no meu caso e acho IMPOSSÍVEL que eu consiga esperar. Sei que as mocinhas que já sofreram perda de baby dizem que se arrependeram de contar, que depois ficar avisando de aborto é um saco. Entendo. Levando todas essas coisas em consideração, tracei uma meta pra quando chegar a minha vez:
- Em primeiríssimo lugar, contar pro meu pai e pra minha sogra. Se possível, ao mesmo tempo. Se possível, no Brasil (então gatas, se eu sair correndo no primeiro avião pro Rio de Janeiro, desconfiem) - Depois, pro meu chefe. Sei que aqui deveriam vir amigos e outros familiares, mas tenho muitos amigos que são próximos dos meus chefes e não quero de jeito algum que essa noticia chegue a eles por terceiros - Aí sim, vou ligar pra amigos mais próximos e familiares - Depois disso, dependendo do quão forte se espalhar a noticia, espero um ultrasonzinho pra escutar coração e ver que a gravidez tá ok. - Aí eu publico no blog.
Mas se eu achar que a noticia corre muito rápido (e esse termômetro terei já pelo meu pai e minha sogra), vou parar tudo e fazer o ultrassom. Na verdade, várias vezes já pensei em inverter tudo e fazer o ultra antes de falar pra qualquer serumano no mundo, senão meu querido Maridonzito. Aí eu controlo melhor a coisa toda (aliás, pensando bem agora, de repente é melhor escutar esse coração antes de comprar a passagem pro Brasil).
Eu tenho uma preocupação em não ofender ou esquecer de ninguém, principalmente os que já sabem que eu quero engravidar. Porque a maioria deles me deu um puta apoio (e isso inclui vocês, gatas), então quero que se sintam participando de tudo também. Além disso, pra mim, é importante planejar essa questão antes. Parece meio frio ou antecipado demais, mas se eu deixar pra resolver na hora, eu me conheço, vou é alugar um carro de som e sair gritando pelas calles de Buenos Aires, meu povo. Não vai caber em mim tamanha emoção.
E vocês, são doidas assim que nem eu e já planejaram isso? E as mommys, como fizeram?
ps.: melhoreeeei! Obrigada pelos desejos de melhora e receitinhas! Passei o dia deitadinha, dormindo, tomando remedinhos e sendo cuidada por Maridón. No dia seguinte, em vez de tomar água com os comprimidos, tomei foi vinho e a coisa ficou muito melhor, tava vendendo saúde. E pagando mico pelas ruas de Palermo, bêbada doida, riso fácil, falta de noção em pleno sábado à tarde.
eu sabia que a mudança de tempo que tá rolando aqui em Buenos ainda ia me pegar. Ontem fui jantar com as amigas e ficamos sentadinhas na varanda, bem de frente pro vento geladinho da noite que caía.
E quem caiu fui eumerma. Tô um bagacinho jogado na cama.
Quero muito responder os comentários do post anterior (tô gostando da vibe de responder comentários!), mas agora tô sem forças, perdoa eu?
***
E como não tô acrescentando é nada na vida de ninguém hoje (oi? e acrescentou algum dia?), indico pra vocês o texto da Mari sobre Parto, que achei assim um máximo (como sempre são os textos dela, né não?), boa leitura e boa reflexão. Eu não concordei com tudo que ela disse não, mas achei fortíssima a mensagem de como é importante termos a nossa opinião.
Quase toda mocinha que tenta ter baby (pelo menos que eu saiba) e abusa da ansiedade acaba concluindo a mesma coisa: que o resto da vida ficou esquecido. E eu, nada criativa que sou, acabei seguindo por esse mesmo caminho. O resultado é que minha vida (que já não tava lá essas Cocas Colas) ficou uma zona. Eu queria muito dizer pra vocês que melhorei desde ontem, mas a verdade é que não muito.
O que tive foi um chilique. Cheguei em casa, não comi, não fiz nada, sentei no sofá e comecei a tirar cutículas das unhas (comportamento obsessivo mode on). Como se cada pelezinha excedente fosse uma complicação que eu preciso eliminar. Porque é foda perceber que eu não to vivendo uma vida de Barbie linda, loira e lipoaspirada.
Mas enfim. É hora de levantar a cabeça e seguir adiante. Ainda não sei pra onde esse “adiante” leva, mas resolvi seguir.
E pra que vocês saibam que tem participação ativa e importantíssima na minha vida, resolvi responder a cada uma que deixou um comentário ontem (tá lá na caixinha de comments). Eu li tudo com muita calma, carinho e atenção. E refleti e levei muitas coisas em consideração.
Ontem Maridón foi no Urologista. Não tínhamos indicação de nenhum profissional, então escolhi pela cartilha do plano de saúde e fomos na sorte mesmo.
Segundo o que ele me contou em parcas palavras (homem é fogo e nunca detalha as coisas num nível satisfatório pra mulher), o médico é bom e pelo exame físico, está tudo bem. Mandou ele fazer o tal do espermograma e, caso volte normal, não há nada pra fazer, é esperar a natureza agir pra gente engravidar.
Só que Maridón (pessoa tranquila e despreocupada) voltou do médico sem indicação de laboratório pra fazer o exame e lá fui eu procurar um bom pra ele ir. Porque morar fora é assim, gente, até pra comprar um pão precisa de indicação, senão a gente fica perdido comendo pão ruim, sem saber que tinha outro bonzão que ficava ali pertinho.
Enfim.
Daí que achei um fórum argentino de maternidade, tipo esses do e-family (aliás, iNgual, só que escrito em espanhol), e mijoguei nele. Li um montão, até as duas da madrugada. Descobri um laboratório legal pro exame de Maridón e, de quebra, aprendi um monte sobre doenças dos rapazes, que eles chamavam de “fator masculino”. Que é quando a infertilidade é causada por problemas no homem e não na mulher. Li vááários diagnósticos tenebrosos, vários problemas, li vários espermogramas e fiquei – duh, óbvio – preocupadíssima. Tanto que até sonhei que tava numa clinica de fertilidade fazendo inseminação.
Tenso. Acordei ligada na tomada, mandando Maridón ligar djá pros laboratórios que eu descobri e marcar logo esse exame, pra não atrapalhar o período fértil desse mês (porque ele tem que ficar 5 dias em abstinência sexual). E ainda fiquei meio desconfiada, porque nas clínicas daqui não tem essa de fazer o exame na salinha. Pega o potinho esterilizado, leva pra casa, faz o serviço e leva correndo de volta pra análise, no máximo uma hora depois de realizada a ejaculação (“realizar ejaculação” é uma expressão muito lindja pra GOZAR, né não?). Juro que procurei a beça, mas não tem muita opção, é isso aí. Inclusive em um dos sites de clínica dizia que era bom fazer em casa pra manter a alta “inspiração sexual” do homem. Dizia até pra mulher ajudar (sem tocar no pênis do mocinho, claro).
Bem. Aí Maridón, bom de matemática que é, marcou a entrega do material pra segunda, sendo que já estamos sem o sequisso desde ontem (a ultima vez foi no domingo). Maridón-ô, se liga... tu vai me condenar a SETE dias sem sexo e ainda vai matar o nosso período fértil!! Aí pedi pra ele remarcar. Aí a paciência dele acabou (porque tudo isso que tô falando aqui já falei 8 vezes pra ele) e meio que tivemos uma DR no meio da rua, a caminho pro trabalho. Não foi nada demais, mas enfins. Ruim, né.
Ele acha que eu não preciso dessa neurose, eu também acho que não preciso dessa neurose. Que é só chegar lá e entregar o potinho. Mas e se não for? E se não aceitarem e ele tiver que ficar mais 5 dias sem sexo e atrasar ainda mais a coisa toda? Sei lá, não custa prevenir, né?
***
Enquanto isso, no meio do feriado, eu refiz o meu exame de sangue pra ver a prolactina. Dessa vez, respeitei todas as CNTPs necessárias e o resultado sai no dia 19.
***
Não sei se foi o espermograma, os fóruns que li ou o desentendimento bobo com o Maridón, mas novamente, dei uma desanimada. Sei que, por enquanto, não tem nada de muito errado acontecendo com a gente, mas é que bateu um puta medo de infertilidade. Acho que ainda tem um longo chão pela frente até que se descubra qualquer coisa relacionada a isso. Eu sei. Mas é que não sei se tenho energia e disposição pra esperar e seguir o caminho.
Não é porque tento ter filhos há muuuito tempo. Mas é porque eu sei o que é ter esperanças profundas em algo e o algo não acontecer.
Quando houve o acidente com a minha família, minha irmã não morreu na hora, como a minha mãe. Ela entrou em coma e foi internada. E assim ficou por mais um dia. Abriu os olhos, apertou as mãos de alguém que estava do lado dela. Os médicos diziam que o quadro era muito grave, mas a esperança não tinha acabado, Fernanda estava ali ainda, viva. Conseguimos transferi-la pra um hospital melhor e passamos o enterro da minha mãe nos preparando pra conviver com muitas idas ao médico, com a recuperação de uma pessoa que poderia ter seqüelas e tudo mais. Pensava que poderia ter que sair do meu trabalho. Planejei toda uma nova vida de luta e recuperação ao lado da minha pequena. Estranho como a mente consegue se readaptar tão rápido. Me enchi de força.
Daí, acabou o enterro da minha mãe e fomos pro hospital ver a minha irmã. E no carro, conversando com meu pai, fomos os dois definindo essa nossa nova vida com ela, embora arrasados com a morte de mommy, nós dois nos agarramos a essa crueldade chamada esperança.
Quando chegamos ao hospital, meu pai foi chamado lá dentro e não me deixaram ir com ele. Acho que eu já sabia. Ele voltou carregado e gritando “mais uma, mais uma!”. Todo mundo que estava com a gente caiu no choro, todos se desesperaram. A Fernanda tinha morrido.
Pra mim, foi como se o dia tivesse virado noite. Eu não reagi. Eu não chorei. Eu segurei o meu marido, que pela única vez em 8 anos de relacionamento, vi chorar. Acho que foi o momento mais profundamente triste da minha vida.
Desde então, eu sou assombrada pela perda. Eu não quero, não posso, não tenho estrutura pra perder mais. Se a infertilidade bater na minha porta, eu vou ver a morte de novo. A morte de alguém que eu ainda nem conheci, mas já amo demais.
Quando as pessoas me falam pra ter calma, às vezes eu acho que elas não sabem o que estão dizendo. Não é que eu esteja tentando há seis meses e seja ansiosa demais. Não é só isso. Tentar engravidar sou eu dando uma nova chance pra vida.
"É preciso força pra sonhar e perceber Que a estrada vai além do que se vê"