Então, eu errei.
Apesar de ter ficado bastante feliz com as respostas pro nosso encontrinho, meu dia de ontem foi focado apenas nisso.

Que eu errei.

E tá sendo muito difícil. Porque eu fui boba, porque me sinto imatura, porque fiz sofrer. Até tenho as minhas razões, mas elas se perderam quando eu soube que fiz a pessoa amada chorar.

E eu fiz.

Tinha pensando em deixar esse post pra quando acordasse, mas a verdade é que eu não consigo dormir sem botar pra fora, sem registrar, sem tornar público.

Fico pensando na minha necessidade de tornar tudo tão público. Li algumas blogueiras discutindo esse assunto e a verdade é que nem quis me aprofundar muito na reflexão, senão ia me dar mais chibatada do que já me dou por ter a vida tão exposta. Minha necessidade de escrever está acima dessas questões – por enquanto, pode ser que um dia mude –, então sigo aqui e registro hoje que a culpa, o arrependimento e o medo de errar de novo me pegaram de jeito.

De tudo, só tenho a dizer que sinto muito. Já fui desculpada e não tenho vontade de seguir pedindo as tais desculpas. Porque eu acho que, depois de algum tempo, pedir pra des-culpar é pedir pra fugir da responsabilidade. E eu não vou fugir (pela primeira vez em muito tempo). A culpa – essa tão conhecida pelas mommys que eu leio e agora tão íntima pra mim – é minha, toda minha.

Então, quero dizer pra quem interessa: sinto muito. Muito mesmo.

***

Impossível não cair no clichê da péssima mãe que um dia eu serei. Tá gente, eu sei que não serei uma péssima mãe. Mas no meio do turbilhão das coisas acontecendo, passou pela minha cabeça que sou incapaz. Que sou egoísta. Que tenho um ego do tamanho do mundo e não saberei abandonar isso por uma mini-pessoa. Eu mal sei cuidar de mim e das minhas questões, imagina ajudar a moldar o caráter de alguém tão dependente como um filho?

Como deve ser difícil decidir e transmitir valores morais, de conduta, de educação, comportamento, alimentação, amizade, amor, vida.

Me sinto tão incapaz diante de mim mesma e das pessoas que já estão por aqui sob a responsabilidade do meu gostar que, só de pensar em produzir outro ser que dependerá muito de mim, me dá arrepios. Só de pensar que estarei exposta a amar de novo e errar de novo, uia.

Não sei se já estou pronta.

Alguém, algum dia, esteve realmente pronto pra isso?

***

Eu sempre ponho música pra completar a coisa toda, né? Só que não achei nenhuma pra hoje. O que achei foi um trecho de livro, eu reli e foi um puta ensinamento. Acho que fica bom com tudo que aconteceu comigo, me fez pensar sobre amor e responsabilidade:

E eu não tenho necessidade de ti.
E tu não tens necessidade de mim.


Mas, se tu me cativas, nós teremos necessidade um do outro. Serás pra mim o único no mundo. E eu serei para ti a única no mundo… Mas a raposa voltou a sua idéia:
– Minha vida é monótona. E por isso eu me aborreço um pouco. Mas se tu me cativas, minha vida será como que cheia de sol. Conhecerei o barulho de passos que será diferente dos outros. Os outros me fazem entrar debaixo da terra. O teu me chamará para fora como música.


E depois, olha! Vês, lá longe, o campo de trigo? Eu não como pão. O trigo para mim é inútil. Os campos de trigo não me lembram coisa alguma. E isso é triste! Mas tu tens cabelo cor de ouro. E então serás maravilhoso quando me tiverdes cativado. O trigo que é dourado fará lembrar-me de ti. E eu amarei o barulho do vento do trigo…


A raposa então calou-se e considerou muito tempo o príncipe:
– Por favor, cativa-me! disse ela.
– Bem quisera, disse o principe, mas eu não tenho tempo. Tenho amigos a descobrir e mundos a conhecer.
– A gente só conhece bem as coisas que cativou, disse a raposa. Os homens não tem tempo de conhecer coisa alguma. Compram tudo prontinho nas lojas. Mas como não existem lojas de amigos, os homens não têm mais amigos. Se tu queres uma amiga, cativa-me!


Os homens esqueceram a verdade, disse a raposa. Mas tu não a deves esquecer.
Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas.

(trecho do livro O Pequeno Príncipe, só deus saberia a página – eu não sou ótima pra dar referência?)

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18 respostas em “Quando se erra

  1. Nao é uma questao de tornar publico, Carol. E sim uma questao de desabafo mesmo, é isso que nos faz sentir um pouco melhor. Talvez pelo apoio que as pessoas possam nos dar, talvez apenas por compartilhar. Vc errou, mas quem nao erra? Nao é por isso q vc é uma pessoa desse ou daquele jeito. Espero q tudo se resolva, da melhor maneira possivel. Nao se martirize, se perdoe primeiro e vai ver como será melhor. Vai dar tudo certo. bjos

  2. e eu que já andava meio confusa esses dias…
    carola!
    desabafo é bom, só faz bem e evita todo e qqer srto de estress.
    esquente sua cabeça não.
    aliás, use e abuse dos meus ouvidos.
    use e abuse do seu dom de escrever e linkar e falar e conversar…
    bjo bjo
    e ah! esse encontro blogueirístico mega maneira?!?!?!
    Puts! tava a fins hein? mas sem chances de sair de Bauru (que é longe do rio, viu) nessa época.
    bjo bjo

  3. Ai, Carol. Tem culpas que pesam, culpas que ardem, culpas que dóem, culpas pra todo gosto e desgosto. Mas um mestre meu de nome Guto me contou num livro que a culpa sinaliza pra gente a nossa vontade de ter sido diferente, e então a nossa vontade de mudar. É ela quem avisa: por aí, não… ou: quero ser uma criatura melhor.
    E quanto à sensação de ser incapaz de ser mãe, tentei escrever disso ontem. Vem junto no pacote. Faz parte da abertura necessária, acho. E o estar pronto talvez seja justamente o estar incapaz, no sentido de sem conhecimento prévio, pra estar aberto pra construir no dia a dia alguma suficiência. Construir a dois. Não digo com relação ao conhecimento prático. Mas a outro tipo de conhecença.
    Mais uma coisa: o pequeno príncipe me emocionou na tua voz.

    Um beijo
    Nati

  4. Essa é vc Carol, não se culpe ou desculpe tanto… tenho certeza que vc não faz nada por mal,é espontânea, verdadeira…. e vc vai ser uma ótima mãe sim, tenho certeza, preparado ninguém está nunca, mas acho que filho amado e desejado é mais fácil… a gente faz tudo por eles….amor incondicional, já ouviu falar né? rs rs rs
    se cuida….
    bjs

  5. Ah Carol… desabafar é bom e o desabafo muitas vezes vem acompanhado de culpa… Normal, é a vida.
    Vc vai ser uma ótima mãe, tenho certeza disso! E quanto a estar ou não preparada… isso tá dentro do seu coração, basta parar e escutar…
    Bjs e bom final de semana!

  6. Carol
    Reconhecer que errou já te torna muito melhor que a média. Todo mundo erra, magoa, fere. Acontece. Reconheça, lamente e siga em frente.
    Em relação a se sentir preparada para ter um filho… eu não me sinto. Ops, o que eu faço então com essa bebê no carrinho aqui em frente? Cuido dela e vou aprendendo um pouquinho a cada dia…

  7. Aff, esse pedido de desculpas não cabe a mim.

    Essa é vc, seu momento, seus sentimentos, e pronto!

    Gosto de vc assim, não precisa se preocupar.

    Fica bem, minha querida.

    Um bom final de semana

  8. Menina, Pequeno Principe eh o que ha. Eu mesma tenho uma tatuagem do proprio nas costas, e maridao tem uma no antebraco (e fizemos antes de nos conhecermos, entao eh coincidencia). Acho que nada poe mias em perspectiva a responsabilidade que eh sermos amadas do que este livro.

    E errar eh humano, linda… Eu sei que pra quem eh perfeccionista como talvez vc seja (e eu sou!), errar eh um tapa na cara tao grande que dah vontade de o mundo acabar e soh voltar quando todo mundo tiver esquecido do que ocorreu… Mas se vc eh realmente amada e se o erro nao passou de um erro sem intencao, vai passar… Essa eh a parte boa de ser amada!

    beijo linda!

  9. Amiga,
    A quem quer que seja endereçado esse pedido de desculpas, isso provavelmente já ficou pra trás…

    O amor resiste à distância, ao silêncio das separações, as brigas e até às traições. Sem perdão não há amor. “Diga-me quem você mais perdoou na vida, e eu então saberei dizer quem você mais amou”.

    O amor é equação onde prevalece a multiplicação do perdão. Você o percebe no momento em que o outro fez tudo errado, e mesmo assim você olha nos olhos dele e diz: "Mesmo fazendo tudo errado eu não sei viver sem você. Eu não posso ser nem a metade do que sou se você não estiver por perto."

    O amor nos possibilita enxergar lugares do nosso coração que sozinhos jamais poderíamos enxergar.

    Bonito isso. Enxergar sonhos que antes eu não saberia ver sozinho. Enxergar só porque o outro me emprestou os olhos , socorreu-me em minha cegueira. Eu possuia e não sabia. O outro me apontou, me deu a chave, me entregou a senha.

    Os jardineiros sabem disso. Amam as flores e por isso cuidam de cada detalhe, porque sabem que não há amor fora da experiência do cuidado. A cada dia, o jardineiro perdoa as suas roseiras. Sabe identificar que a ausência de flores não significa a morte absoluta, mas o repouso do preparo. Quem não souber viver o silêncio da preparação não terá o que florir depois…

    Precisamos aprender isso. Olhar para aquele que nos magoou, e descobrir que as roseiras não dão flores fora do tempo, nem tampouco fora do cultivo.

    Se não há flores, talvez seja porque ainda não tenha chegado a hora de florir. Cada roseira tem seu estatuto, suas regras…

    Se não há flores, talvez seja porque até então ninguém tenha dado a atenção necessária para o cultivo daquela roseira.

    A vida requer cuidado. Os amores também. Flores e espinhos são belezas que se dão juntas. Não queira uma só. Elas não sabem viver sozinhas…

    Eu tenho certeza que tu vais errar muito como mãe, como qualquer mãe erra.

    Mas eu também sei que o teu sorriso e o teu carinho consertam qualquer coisa.

    As coincidências nos perseguem né?
    Esse é o meu livro favorito no mundo todo, e um outro trecho que me marca diz assim: "Só se vê bem com o coração. O essencial é invisível aos olhos"

    Lembra disso tá 🙂

    Um beijo!

  10. Carol..

    A pessoa que precisava ouvir o teu pedido des-culpa sem dúvida já deve ter te desculpado…mas nós como seres humanos, seres dotados de inteligência, acabamos, por artimanhas do nosso comportamento, magoando, mesmo que sem querer…ou as vezes querendo ( acho que não foi o seu caso)…então não se martirize, não se auto-flegele…mas desabafe, sempre…pq isso faz com que nos sintamos melhor…pois é o reconhecimento que sabemos que erramos…

    Quanto ao saber se será boa mãe…se está preparada..ah minha minha!!!Te digo por experiência propria que isso a gente nunca sabe…nem mesmo qd nosso bb tiver na nossa barrigola a gente ainda não terá essa certeza, que só chega qd vc pega ele no colinho e dá de cara com aquela pessoa que depende UNICAMENTE de vc, que se alimenta de vc…e que primeiramente só reconhecer e quer vc e vc o ama LOUCAMENTE…Então a certeza cai na sua cabeça e naquele momento vc enxerga e tem absoluta certeza que ninguém é melhor do que VC para cuidar, alimentar, educar, vestir…pois será o SEU filho!!!!

    ADORO vc amiga…e torço mt para que seus " conflitos internos" não te atrapalhem em suas escolhas…

    BJS!!!

  11. "tenho um ego do tamanho do mundo e não saberei abandonar isso por uma mini-pessoa." Saberá. Se você tem consciência disso, é porque saberá.
    (Ontem Emília sorria pra mim e eu pensando: "ela é tão generosa, me ama de graça". Engraçado que eu penso a mesma coisa da minha mãe.)

  12. Ôh Carol, fica assim não mulher. Nem sei o que realmente aconteceu, mas veja o outro lado da coisa (sim, sou a própria Pollyana); você nos alegra com os seus textos pra lá de divertidos, enriquece o nosso dia com tanta história bonita e bacana, é amiga de tanta gente que não te conhece (assim como eu). Ou seja, você é uma pessoa maravilhosa.

    Não sei se alguém um dia fica pronta para ser mãe, mas com certeza mudamos muito quando isso acontece e com você não será diferente.

    Mas mudando de assunto, passei aqui pra te contar uma novidade. Uma amiga blogueira postou sobre a ferramenta estatística do blog (que eu anta e desatenta ainda não conhecia, rsrs). Daí que descobri que o seu blog é o maior gerador de visitas do Mamy e que tenho alguns leitores aí da Argentina. Hehehehehe!

    bjks,

  13. Hey, girl, nao sei o que houve mas a vida eh tao curta pra ficar se culpando de coisas que aconteceram e, pior, das que nem aconteceram ainda (você ser mamae!).

    Eu AMO essa passagem do Pequeno Principe e uma frase dessas que seja jah me faz chorar. Lindo, lindo!

    Beijinho!!

  14. esse fim de semana, em crises por não ter tanta vontade de escrever no blog, como antes, em crises por querer mudar alguma coisa bloguisticamente falando, mas que não sei exatamente o que, e mesmo assim querendo "comemorar" os 2 anos de blogosfera, me lembrei muito de você, e talvez por isso resolvi resgatar o post de 1 ano, que te influenciou a comentar e que de uma certa forma fez com que eu pudesse te conhecer um pouco mais, e acompanhar as tuas bobeiras (nunca tão bobeiras assim!).

    e reler o post e todos os comentarios, (e o teu em especial, pq morria de curiosidade de saber quem era aquela de buenos aires, por isso a 1ª da lista) me fez lembrar o porque vale a pena!

    tambem tô sempre por aqui! viu?

    beijao

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