Segundo o contadorzinho que tenho lá no final do blog, hoje completam 6 meses que sou uma treinante. Acho essas datas redondas muito significativas e considero super válido parar pra pensar em tudo antes de seguir. Como se fosse um ano-novo, saca?

Além disso, achei importante falar sobre essa data porque a gente já tá cansada de saber sobre a teoria do 1 ano e eu cheguei na metade do “percurso” hoje. É novo aqui e não sabe do que tô falando? É simples: os médicos consideram normal que um casal sexualmente ativo (que mantém relações sexuais pelo menos 3 vezes por semana durante todo o ciclo) consiga engravidar até completar o primeiro ano de tentativas. Antes desse tempo de espera (odiado por toda boa treinante que tá mais é afim de engravidar no primeiro mês), até são feitos alguns exames pra ver se tá tudo ok com a saúde da mommy-wannabe, mas investigações mais aprofundadas sobre fertilidade só são feitas depois. Também tem mocinhos que preferem fazer logo um espermograma, só pra ficarem tranquilos que está tudo bem com os esperminhas.

O que não falta é informação na internet sobre o assunto, sobre os cuidados antes e durante as tentativas, fóruns, blogs, enfim, o mundo da pré-maternidade internética é gigante.

Mas aí, conversando com a Pat sobre o assunto, ela me fez uma super pergunta que me fez pensar: e agora, aos 6 meses, como você tá se sentindo? Eu respondi “mais preparada e mais madura”.

E aí, né. Tapa na cara da Carolina que queria engravidar no primeiro mês de tentativas. Ia dar certo se rolasse a barrigola? Claro que ia, mas eu me sinto tão mais pronta agora. E já que estou fazendo um balanço, resolvi listar tudo que eu acho que faria diferente se fosse começar a tentar agora (e tudo que faria igual também, né gente, afinal a vida não é feita de erros!):

* Pararia de tomar a pílula 3 meses antes das tentativas “oficiais” e me protegeria com camisinha ou algo assim “mais natural”. Por quê? Primeiro porque depois de tanto tempo tomando anticoncepcional, é super natural que seu corpo leve algum tempo pra se reorganizar e ter um ciclo ovulatório bonitinho. Eu acho que só voltei a ter um ciclo normal no mês passado, vejam bem, cinco meses depois de parar. Mas, nos meses anteriores, não tive calma pra perceber isso em mim. Então, esse tempo sem pílula e antes de liberar geral serviria pro meu corpo entrar em harmonia de novo e pra eu aprender a conhecê-lo melhor e, daí, já até quem sabe reconhecer uma gravidez só pelas mudanças de padrão.

* E falando de reconhecer gravidez por mudança de padrão: eu não buscaria padrões. É difícil, eu sei, treinante ADORA procurar um sintoma. Mas acontece diferente de uma pra outra. Tem gente que sente tudo que é possível sentir, tem gente que não tem nada, tem gente que recebe visita espiritual avisando e o caralho a quatro (delicadeza é meu nome do meio). Só que com você amiga, será diferente e ninguém vai saber te dizer como. Na verdade, a gente tem tanta sede de informação, afinal somos todas mulheres e queremos engravidar, mas ao mesmo tempo somos super diferentes, com organismos distintos e a resposta não esta em ninguém, só na gente. Ficamos procurando nas outras o que está na gente e não podemos encontrar em nenhum lugar se não em nós mesmas.

* Teria um projeto paralelo logo no começo. Uma viagem, um frila, um novo trabalho, um cachorro, sei lá. Senão, filha, tua vida vai ser pensar em bebê. Como foi a minha. O foda de fazer um projeto é que você fica sempre pensando “ai, mas se o baby vier, vou ter que cancelar, ai que preguiça, ai só quero saber de baby-stuff”. Tá, mas prepare-se pra ficar doida. Porque cada vez que a menstruação descer, você padecerá de tristeza profunda, já que o único objetivo da sua vida não foi alcançado. Dizem por aí que você engravida quando para de pensar no assunto. Eu não comprovo porque não estou grávida, mas posso afirmar que pensar em outras coisas, fez a minha sanidade mental ficar em níveis mais aceitáveis. O único complicado é que eu só estou com projetos paralelos fortes agora e, mesmo assim, é difícil manter, eu vivo me perdendo e acabo perambulando por fóruns de maternidade em vez de focar no que tinha proposto.

* E aqui tocamos no assunto complicado. Os fóruns. Eu me afastaria deles como diabo foge da cruz. É ótimo pra conhecer pessoas e tirar dúvidas? É. Mas tem o ônus de ficar lendo historias terríveis e enchendo a cabeça de abobrinhas, então não vale de muita coisa, pelo menos pra mim. Todas as vezes que sijoguei em fóruns, siferrei.

* Teria parado de fumar (ui, que terror admitir isso, mas ó, relaxem, já parei). Mas não pararia de beber (tenho que curtir essa vida, não gente?).

* Me alimentaria melhor. Não só pelo baby, mas por mim mesma. Porque eu como muita junk food e tenho uma barriguinha vergonhosa. Do tipo logo que eu engravidar, as pessoas vão falar “ah, mas que linda, já tá de barriguinha” e eu vou pensar “é, inclusive é uma barriguinha que já tem 3 anos de idade”. Vergonha!

* Aqui, um acerto: acompanhamento médico desde o começo. Mesmo não confiando tanto no meu ginecologista, não dá pra dizer que ele é má pessoa ou irresponsável. E eu sinto que estou sendo acompanhada e tenho pra onde correr caso ache que é necessário.

* Outro acerto: eu não controlaria TB (como realmente não controlo) nem tanto os dias férteis (controlo meio mais ou menos, porque tenho percebido – desde o mês passado – que minha ovulação não é no meião do ciclo, acho que é antes). Aqui entra uma opinião meio romântica: por mais que se faça sexo com o objetivo da reprodução, não queria que fosse o único motivo pra namorar o Maridón. Sei lá, eu não sei agir assim tão sem romance. Preciso de um mínimo de envolvimento com a coisa, lembrar que o amo, pensar em putaria, essas coisas. Se fico pensando em espermatozóides, óvulos, posições favoráveis e afins, eu paro pra assistir o Discovery Home & Health, não pra transar. Então faço assim: mantenho a regularidade, mas também mantenho a paixão.

É mais ou menos isso, gatinhas. Não engravidei ainda, mas já aprendi muito até aqui. Acho que não é legal pra ninguém obcecar em coisa nenhuma. Nem baby, nem trabalho, nem dinheiro, nada. A sensação que tive quando caí nessa é que me perdi de mim mesma e já não via mais graça nenhuma no resto da vida. E há um resto da vida, meninas, acreditem. Eu quero MUITO engravidar e queria que fosse logo. Mas mordo a minha língua e assumo: foi importante viver o que vivi até agora.

Eu poderia continuar esse post para sempre. Mas já tá muito longo e queria abrir o espaço pra vocês, mães, treinantes, simpatizantes: o que acham certo e errado na coisa das tentativas? Conseguem identificar o que funcionou ou não?

(e um super agradecimento à Pat, co-autora desse post e queridíssima cia. nas tardes de MSN afora)

13 respostas em “6 meses

  1. Clap, clap, clap, Carol. Vou até cair naquele velho chavão de sempre, mas eu acredito – do fundo do meu coração – que as coisas têm hora certa pra acontecer na vida da gente. Enquanto elas não acontecem, a gente vai aprendendo e amadurecendo.
    Parabéns por reconhecer tudo isso.
    Beijos

  2. Amigaa.. tá de parabens… otimo post, principalmete para as iniciantes.. eu já sou velha de guerra ( nunca me imaginei neste estagio..aff) mas é sempre bom levar um puxao de orelha e é um alerta a todas que estao por começar…
    Bjooo

  3. Ai Carol… sou sua fã!!
    Estou treinante há dois ciclos, meu organismo ainda tá "mucho loco" porque parei de tomar o antibebe e já comecei nas tentativas. E pra piorar, acompanho a TB, e isso me deixa meio ansiosa… hehe Esse ciclo mesmo, quase enlouqueci, ovulei só no 34º dia do ciclo, e percebi isso no muco e na dor no ovário… ai, ai…
    Bjokas

  4. Carol, esse post foi sensacional!
    Acho que vc encontrou seu equilíbrio, e está mais que pronta pra tudo!
    O mais importante é se sentir bem nessa jornada. E se a ansiedade é algo incontrolável, o melhor é procurar alternativas para superar o tempo de espera!

    Beijos

  5. Você está muito no caminho do seu baby amado. Porque é neste momento que a gente fala: "para o buzão que eu quero descer" que acontece. Vc precisa dar espaço pra algo rolar na sua vida e o baby sair do primeiro plano( porque ele já será isso tudo quando ele existir na sua barriga e para sempre depois disso) Do meu filho eu também demorei uns 6 meses, sofri, tive cisto, fiquei sem menstruar 2 meses, não menstruava depois não ovulava, mas quando fui promovida e marquei uma viagem pra NY, descobri 2 dias antes que tava grávida. E assim é a vida mesmo…Sempre que vejo um post seu fico pensando se é o anúncio da sua gravidez… acho que já estou torcendo desde que conheci seu blog. Um beijo e boa sorte

  6. ADOREI o post como smpre adoro seus devaneios, mas sabe q TUDO q vc postou tem mto sentido, mas pq treinante é tao burra e gosta de sofrer?kk…
    Sabe q o q mais me achei parecida com vc foi na dica de nao visitar fóruns, menina pq a gnt é assim?? procura pêlo em ovo como diz minha vó? fica enxendo a cabeça com paranóia dos outros….achando q iremos ter mtos problemas, tanta coisa….nossa!hauhua…

    Mas Adoreiii e FORÇA!Bjoca

  7. Garotaaaa, disse TUDO!
    Eu to desde janeiro sem ac, porém com um ciclo doido e com 8 anos de ac no organismo!
    Acho que esse negocio de 1 ano é pouco até as vezes!!
    Ta, eu sei, nos nao temos paciencia, queremos tudo pra ontem, etc etc, mais tmb to mais calma agora, ser treinante nos ensima muiitas coisas!!
    Sou sua fã Rs
    Um BjOO enooorme

  8. Essa do fórum foi ótima: "sijoguei, siferrei" HAHAHAHA
    O que considero meus acertos: pré-natal, dieta pré-tentativas (perdi 3k antes de engravidar), pesquisas sobre o assunto, boa alimentação, atividade física regular, atividade sexual regular e, o maior acerto de todos: não contar pra ninguém que queríamos engravidar.
    Meu maior erro: falar demais sobre o assunto com o marido. ansiedade contagia.

  9. Primeiro Carol, quero agradecer o último comentário que vc deixou no meu blog! Obrigada pelo carinho!

    Realmente as tentativas de engravidar nos trazem um amadurecimento. É isso que aprendi nestes meses todos. Estou muito mais madura hoje.
    Ano passado eu tava estilo “tô nem aí”. Procurava transar mais durante o período da ovulação, mas não controlava muito não, se dava, dava, se não, dava, não dava (literalmente, rsrsrs). Bebia cerva todo o fim de semana, não ficava atenta aos sinais. Queria um negócio mais romantizado de gravidez, sem fazer muito esforço, tipo: “Nossa, aconteceu!” O tempo, no entanto, me mostrou que, comigo, não seria assim.
    Hoje já não bebo com tanta freqüência. E não considero uma privação, mas uma coisa natural. Já não consigo mais, não rola, não quero porque não quero. Não tenho vontade e parei. Tomo uns copos, de vez enquanto, mas nada exagerado. Ano passado não me via sem uma cervejinha no finde.
    Comecei a ficar mais atenta ao meu período fértil e a entendê-lo melhor – os 12 meses completados em janeiro me obrigaram a isso. E descobri que, no meu caso, período fértil está ligado a sexo, e não a tesão (balde de água fria total, né, porque na minha gravidez romantizada meu filho seria concebido numa louca transa, cheia de desejo, ardência e fogo…). Como disse meu médico “Para fazer nenê é sexo. Você pode estar cansada, sem vontade, mas tem que fazer, e todos os dias do período”. Coisa mais hot, não?
    Eu descobri que para ter filho, no meu caso, dá mais trabalho do que pensava… Por isso não dá para se comparar com nenhuma outra menina. Tem que aceitar o seu corpo, o seu momento, e trabalhar para alcançar o objetivo. Este é meu aprendizado.
    E sobre o que vc disse “eu vivo me perdendo e acabo perambulando por fóruns de maternidade em vez de focar no que tinha proposto”, se encaixa perfeitamente em mim. Agora tento focar em coisas realmente importantes no meu dia a dia até que o meu bebezinho exista de fato.
    Beijinhos!

  10. Oi Carol!! As pessoas sempre repetem q a melhor coisa é relaxar e pensar em outras coisas.. qd eu parei de tomar remedio pensava q se fosse assim eu nao iria engravidar nunca…pq fiquei ansiosa como todo mundo fica, e achava q nunca iria relaxar sabendo q a qq momento poderia ficar grávida..hehehe..Aí passaram-se exatos 6 meses e quem diria..eu relaxei. Nem aguentava mais pensar em gravidez e fui viver minha vida. Até q viajei..tomei pílula durante a viagem para a menstruaçao nao vir e atrapalhar minha praia. Qd voltei parei o remedio e pimba. A m. não veio e eu tava grávida. Hihihi..

    Depois disso constatei oq tooooodo mundo me dizia… e engravidei justamente quando desencuquei. 😀 hehe

    Bjos e q o baby venha na melhor hora!!

    Dani
    http://peripeciasdemaeefilho.blogspot.com/

  11. Olá

    Navegando pela blogosfera encontrei teu blog e, que surpresa, esse post!!!

    Me identifiquei totalmente contigo, acabo de entrar para a lista das treinantes, há dois meses estou nessa ansiedade e isso tem me matado.

    Embora tenha um blog, ainda não abri para meus amigos leitores essa nova fase, confesso que não quero mais cobranças do que as que já faço. Talvez eu até divulgue e quem sabe com a energia deles, a gravidez role?!

    Estou há dez dias com a mestruação atrasada e hoje pela manhã, mesmo me segurando, fiz o teste de farmácia, infelizmente deu negativo e estou "xoxa" o dia inteiro, mas olha só como é a vida, encontrei esse post tão esclarecedor. Obrigada mesmo!

    Venho aqui mais vezes, prometo.

    Bjs

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