Ny, Ny

Gatinhas, me voy.

To levando a computadora, mas só para poder ver mey baby dog por skype de vez em quandinho (creche moderna essa que eu vou deixa-lo!) e consultar infos de viagem.

Fora isso, a idéia é dar uma desconectada e curtir!

E relaxar. Pq já concordamos que essa é a chave para produzir o baby de verdade que eu quero tanto!

Uma queridíssima amiga falou pra mim:

“boa viagem,
Que tirem muitas fotos
Que aproveitem tudo
E que voltem 3”

Esse é o espírito!

Beijoquitas! Até a volta.

4 anos

queridas, vocês são ótimas mesmo. fiquei muito mais tranquila depois de ler os comentários do último post. é impressionante o quanto me fazem bem e me acalmam e me fazem sentir querida. obrigada de verdade.

***

hoje é um dia de muita reflexão e lembranças pra mim. fazem 4 anos que minha família sofreu o acidente e que minha querida mommy e hermana se foram. escrevi um post no outro blog e gostaria muito que vocês fossem lá pra pensar comigo.

;)

As loucuras da pessoa que tenta ter filho

“Não cospe pra cima que vai cair na tua cara” – os sábios familiares já alertavam. Isso pra dizer que, há poucos dias, eu não queria ser “classificada” como tentante, que achava as tentantes um tanto doidinhas, que eu não ia cair nessa de fazer cálculos, blá blá blá whiskas sachê.

A cuspa caiu encatarrada na minha cara, porque eu to é doidja. Não posso passar perto de uma farmácia que parece que tem ímã lá dentro me atraindo pra eu comprar testezinhos de gravidez. De dúzia.

Eu sinto os mais diversos sintomas, desde dores, fisgadas, passando por enjôos e tonturas.

Eu não levanto depois da atividade sequissual pra não desperdiçar o material engravidatício (e falando em sequisso, coitado do marido, não tem descanso).

To tomando ácido fólico com alegria (o médico finalmente receitou esse troço!)

E contando os minutos pra ficar menstruaaaaadaaaa. Aí tá a dúvida e as mommys e tentantes podem me ajudar: não faço idéia de quando isso vai acontecer. Fiz até uma planilha de cálculo do ciclo (tão vendo aí o cuspe que cai na minha carinha?), mas ela tá tão incompleta, tadinha. Eu parei de tomar a pílula faltando umas 6 pra terminar a cartela. Daí achei que ia ficar menstruada uns 5 dias, depois, que era o que normalmente acontecia quando eu terminava uma cartela de verdade. Não rolou. Eu fiz um teste de gravidez. Deu negativo (duh). Aí alguém me falou que meu corpo ia continuar o ciclo sozinho e eu só ficaria menstruada depois que acabasse a “cartela imaginária” produzida pelo meu corpo. Dito isso, eu deveria ter ficado menstruada na sexta passada. Não rolou. Aí meu médico falou que eu não vou menstruar coisa nenhuma, que meu corpo vai fazer um ciclo do zero (e aí eu não deveria menstruar pra porra do ciclo começar?) e que eu estaria fértil na próxima sexta-feira (dia que vou pra NY!!). Tendi nada.

Não veio a menstruação, a planilha do excel tá incompleta e meu marido não me deixa mais comprar teste de gravidez (e a pequena parte racional do meu cérebro concorda com ele e diz que é bobagem fazer isso agora, que é muito cedo).

Ai, eu tenho tantas dúvidas! Aí entro nos fóruns do e-family e só leio história braba, fico com medo e fecho correndo a página. Aí eu volto a pensar que tenho que relaxar, tenho que relaxar e aí fico tensa porque tenho que relaxar. Vai entender essa loucura.

Alguém me ajuda?

Brigadona.

Sobre o engrandecimento do serumano através da paciência

cheguei em casa agora e perguntei pra faxineira se o Chimi (o meu filho cachorrinho) tinha se comportado bem (pergunta besta essa, eu sei que não, eu sei que ele encheu a porra do saco da pobre coitada). Mas bem. Ela me olha com cara de terror e diz: "olha, até que ele se comportou bem, mas ele destruiu umas coisas. Mas não se preocupa que eu juntei todas as partes e acho que dá pra reconstruir".

ai gente. siapavorei na hora.

o que nessa terra de meudeus esse cachorro poderá ter destruido?

pois é, era aterrorizador mesmo. ele comeu, desgutou e repartiu em vários pedacinhos duas bonitas notas de cem pesos. A vizinha que aluga a nossa garagem tinha passado o envelope com o dinheiro por baixo da porta e ele foi lá e furtivamente pegou o novo brinquedo pra ver o que era. Quando a pobre da faxineira se deu conta, o puto ainda fugiu pra baixo do sofá, obrigando ela a arrastar o móvel pra ver o tamanho da merda.

eu fiquei pasma. Nem consegui ficar braba. Liguei pro Maridón e ele riu.

em vez de comer objetos e nos dar trabalho pra consertar e novos custos, ele resolveu ser mais prático e rasgar diretamente o dinheiro.

Rá.

Se eu perco dinheiro ou erro um troco ou gasto um pouco mais comprando coisas bobas, fico PRAMORRER, não me perdoô. Mas o baby dog vai e RASGA NOTAS (ou galletas, como queiram) e eu acho bonitinho. Isso se chama maturidade. Isso se chama zen. Buda. Dalai-Lama. Maternidade aflorada no corpo e na alma e no bolso.

Sinto-me um serumano melhor (e mais pobre).



(vou até publicar isso no outro blog, já volto)

Para o meu filho

Que ainda não tá aqui, que eu não sei quando vem, se vem…

Enfim, não importa.

Para você filhote, segue uma música da Marisa Monte - certeza que vai achar brega quando crescer. Eu mesma achei brega nas primeiras vezes que escutei, mas a verdade é que eu não estava elevada espiritualmente para entender... agora estou. Ela fala do lugar ideal. E eu entendo que o lugar ideal pra você é aqui comigo, nesse “vilarejo” que eu tenho construído (sem saber, mas sabendo) pra você.

Então liga o som bem alto e canta (e ignora o vídeo pq ele é ruim)!



Há um vilarejo ali
Onde areja um vento bom
Na varanda, quem descansa
Vê o horizonte deitar no chão

Pra acalmar o coração
Lá o mundo tem razão
Terra de heróis, lares de mãe
Paraiso se mudou para lá

Por cima das casas, cal
Frutas em qualquer quintal
Peitos fartos, filhos fortes
Sonho semeando o mundo real

Toda gente cabe lá
Palestina, Shangri-lá

Vem andar e voa
Vem andar e voa
Vem andar e voa

Lá o tempo espera
Lá é primavera
Portas e janelas ficam sempre abertas
Pra sorte entrar
Em todas as mesas, pão

Flores enfeitando
Os caminhos, os vestidos, os destinos
E essa canção
Tem um verdadeiro amor
Para quando você for


E saiba que essa foi uma das muitas tardes de quarta-feira que eu fiquei aqui distraída pensando em você.

Oficialmente tentando

Eu planejo que essa seja a primeira e única vez que eu vá usar essa expressão de “tentar” (só não afirmo que será pq sei lá, né, as coisas mudam).

Fato é que hoje já é o quarto dia depois de quase 11 anos ininterruptos que estou vivendo sem a minha pílula anticoncepcional. Aconteceu naturalmente, como eu gostaria que fosse. Na sexta, eu fui a uma festa: sexo, drogas, rock n’ roll & living la vida loca. Voltei pra casa sei lá como e esqueci de tomar o remedinho. OK. Sábado teve faxina, vidinha de dona-de-casa comum. De noite, fiz uma comidinha gostosa e resolvemos tomar uma garrafa de vinho. Fui dormir altinha e esqueci de novo da pílula. Domingo: saímos com o baby dog, fizemos mercado, almocinho juntos, Maridón vai assistir ao futebol enquanto eu fico vendo histórias de nascimento no Discovery Home & Health (vício, aliás).

Aí assisto a um parto de uma mocinha de 29 anos que estava tentando engravidar há 4 e, depois de mil intervenções (FIV, IA etc), finalmente tinha conseguido. Ela estava tão emocionada. Simplesmente não conseguia acreditar que a espera tinha acabado, que o sonho dela tava se realizando ali, naquele momento. Geeente. Como eu chorei. Chorei, chorei, chorei. Foi tão profundo. Não só pela história da mocinha, mas pelo quanto eu me encontrei comigo mesma ali.

Aí me deu um estalo: a pílula! Esqueci! Peguei a cartela. Ia ter que fazer um malabarismo pra tomar 3 remédios ao mesmo tempo (sempre me dá enjôo e dor de cabeça quando esqueço por tantos dias).

Olhei muito praquela cartelinha que foi minha amiga por taaantos anos. “Chega, acabou”, eu falei pra mim mesma, mas em voz alta. Chamei o Maridón pra avisar que tinha parado e ele me questionou, pois havíamos combinado de esperar a consulta com o médico na quinta-feira. Não sei o motivo disso, mas acho que esperava que ele fosse me dar ácido fólico, vitaminas, recomendações, um beijo, um abraço. Sei lá. Na hora do nervoso, a gente se agarra a qualquer desculpa para adiar as coisas, né. Mas não mais. “Amor, pra mim, já chega. Nada vai mudar daqui até quinta. Eu não quero mais tomar remédio”, eu repeti, segura. "Quando eu chegar lá na consulta, aviso ao cara da minha decisão e pronto, ele me diz o que é pra fazer a partir daí e eu faço". Maridón respeitou, concordou, sorriu e falou “Eeeee, então estamos oficialmente tentando!”.

Ai Pedro, sei lá, seja o que Deus quiser.

Eu não disse isso, mas pensei. Só não disse por que não acredito em Deus. Pra mim, melhor seria: “Ai Pedro, sei lá, seja o que a Carolina quiser”. Mas como a Carolina até tenta, mas não comanda o futuro, vamos deixar rolar.

Que Deus, o Destino, a Natureza, as Energias do Universo, New York, Buenos Aires, os meus Óvulos e os Espermatozóides do Pedro se entendam.

***

Estou dando um grande salto rumo ao desconhecido. Não sei mais nada a partir daqui. Tenho borboletas no estomago e arrepios pelo corpo só de pensar no quanto estou me entregando ao que não conheço.

Posso estar grávida agora, posso ficar grávida amanhã, posso não ficar grávida nunca. Não sei.

Não sei o que me aguarda.

Por isso, tenho uma certa implicância com a coisa de ser uma tentante. Sei lá. Acompanho blog de tentantes e acho essa expressão bonitinha e não me importo de ser colocada nas colunas de tentantes nos bloguinhos por aí.

É que não quero calcular ciclo, não quero medir temperaturas, não quero fazer teste de gravidez todo mês. Não quero me sentir mal, não quero fazer dessa decisão sublime um motivo pra ficar triste. Não sei de quantos dias é meu ciclo, nem sei diferenciar direito cólica menstrual de gases (ok, eu deixo vocês rirem da minha patetice). Não é por que eu não queira conhecer meu corpo, mas é que eu sei que essas coisas só iriam me deixar mais nervosa, neurótica, doidja.

Sendo assim, vou tentar relaxar e esperar que as coisas aconteçam. Quando tiver que ser, será.

;)

A primeira chatice

É gente, super lindo isso de ser uma pré-mommy e tal. Maridón falando coisas bunitas e eu sonhando com a forma com que vou contar pras pessoas da minha gravidez (acho que todas fazem isso, não? Recomendo dizer que sim).

Mas aí hoje, pensando em qual gororoba calórica vou botar pra dentro na hora do almoço, me estalou na mente um problemão: eu como MUITO mal. Do tipo: coca-cola o tempo todo, zero suco, quase-zero frutas, zero verduras, zero legumes (batata conta?). Minha vida é um carboidrato ambulante e minha barriga vergonhosa saliente taí pra mostrar isso pra quem quiser ver. Ontem, por exemplo, foi um dia clássico: de café da manhã, um copo de leite com Nescau; de almoço, McDonald’s e de janta, um miojo.

Só que (eu sei, eu sei, eu sei) isso vai ter que mudar. Primeiro porque quero ter uma gravidez bem tranqüila e saudável. Segundo porque quero saber alimentar bem o meu filho. Terceiro porque sei que o baby só vai querer se alimentar bem se tiver exemplo, então é mais provável meu filho achar graça numa beterraba se eu achar também, né.

Aí conversei com Maridón e ele topou que a gente comece a mudar os hábitos. Só que nem sei por onde começar! Tenho mil restrições, não gosto de doce com salgado (salada com manga por ex. pra mim é uó), tenho dificuldades de abandonar o refrigerante e só gosto (de verdade) de banana e maçã. Queria ter uma dieta saudável, não necessariamente pra emagrecer, mas pra levar uma vida mais regrada em termos de alimentação.

Já pensei em ir num nutricionista aqui, mas resisto, porque como a alimentação deles é diferente da brasileira, certamente a pessoa médica vai me recomendar comidas nada a ver e não vai incluir feijão, por exemplo, que eu acho importantíssimo.

Sendo assim, mommys sabidas e experientes, vocês sabem de sites, receitas ou qualquer fonte de informação que eu possa usar pra começar? Queria receitinhas gostosas e fáceis de fazer (quer mais nada não, filha?). Qualquer dica é bem-vinda, gente.

Brigada, viu.

Filho é para o mundo

Senta que lá vem a história. Meu pai me ligou agora há pouco instaurando a polêmica e disseminando a discórdia (não é dele fazer isso, mas fez). A discussão é mais ou menos sobre o título desse post.

Vou contextualizar rapidinho: eu tenho uma tia que tem duas filhas (da minha idade, mais ou menos). Uma delas é casada há uns 4 anos, mas mora ainda na mesma casa que a mãe e a irmã. Não foi embora por falta de grana e pq meu tio morreu um pouco antes dela casar, então eles sentiram a necessidade de ficar juntos no mesmo lar por mais tempo. Agora, minha tia acaba de operar um câncer e está em tratamento de quimioterapia. Ela descobriu bem no começo e as chances são ótemas, tá cuidando de tudo direitinho e com bons médicos, então não tem ninguém desesperado – só um pouco preocupado porque câncer não é resfriado, né.

Bom, aí que a minha prima casada resolveu sair de casa essa semana, foi morar sozinha com o marido (finalmente, na minha opinião). Zenti, isso causou um rebubu na família.

Meu pai me ligou em modo revolts, falando que isso é um absurdo, que ela fez tudo escondido, que não levou a mãe pra participar da escolha do apê, não dividiu os planos com ela e ainda por cima foi embora no meio da questão doença. Acrescentou que a minha tia chorou o dia todo e que no dia seguinte ela tinha aplicação de quimio, uma maldade, segundo ele.

Eu levemente discordei e ele tentou contemporizar, dizendo que apóia a “evolução das pessoas”, acha que filho é isso mesmo, um dia sai de casa, mas acha que a prima não escolheu o melhor momento pra dar o grito de independência.

Ainda completou que minha outra prima (uma outra que planejou e anunciou o casamento muito tempo antes) é que tava certa, já que ficou oito anos preparando a mãe pra saída de casa. E pra terminar, ainda me deu uma espetada, falando que eu também não avisei nada e fui embora apenas 6 meses depois de ter anunciado o casório.

Ai meus sais. Eu penso tantas coisas sobre o assunto... se fosse há alguns meses atrás, eu me revoltaria de volta e diria pro meu pai que ele tá maluco, que a vida é dela, tava casada morando com a mãe, não há a menor surpresa em querer sair de casa pra construir a própria vida. Eu também fiz isso e não quis dizer que eu não estaria mais com o meu pai.

Maaas. But. Pero. A pré-maternidade muda as pessoas, né gente.

Eu me coloquei do outro lado da historia. Do lado da mãe com câncer que vê a filha indo embora. Do lado do pai que perdeu mulher e filha vendo a outra filha casar. Deve ser muito difícil. Você cria aquele serzinho, ensina tudo, dá base e apoio, investe e sonha. Muda toda a sua vida por ele. Redescobre o amor e a existência. Aí quando ele finalmente se torna uma pessoa super legal e interessante e adulta, vira as costas e vai embora. Requintes de crueldade.

Em princípio, acho que estou loooonge de ter que pensar nisso, mas na verdade avalio bem e vejo que é um tema-chave. Precisa ser pensado na hora de ter um filho SIM, acho que tá aí a base da educação que quero dar. Quero criar uma pessoa que possa contar comigo sempre que precisar, mas segura e independente. Quero dar ao meu filho as ferramentas que ele precisará pra isso, pra desbravar a vida. E mesmo eu tendo me sensibilizado diferente hoje com meu pai nessa discussão toda, pensei e pensei e continuo com a mesma opinião. Filho é para o mundo.

Acho que é um ciclo sem fim (aka Rei Leão), o filho nunca vai TE devolver o esforço que você fez por ele. Talvez devolva apenas sendo uma pessoa bem legal e do bem. Mas essa abnegação, essa entrega que temos (olha eu achando que já sou mãe) não virá de volta. Na verdade, já veio: dos nossos pais. E nossos filhos vão sentir isso é com os filhos deles. E se tudo der certo, um dia nossas gerações povoarão um mundo melhor e mais cheio de amor (agora já sou uma mãe meio hippie).

Sei que é um assunto difícil, mas li em algum lugar (não me lembro qual) que ser mãe é viver uma eterna despedida. Em todas as fases pelas quais o desenvolvimento de uma pessoa passa, a participação dos pais para concretizar os feitos é cada vez menos necessária. Isso tira um pouco o romance da maternidade (principalmente pra mim, acreditem), mas não acho que valha menos a pena por causa disso.

E queria que a minha tia soubesse que o amor da minha prima por ela é tão maior que o endereço... que ela nunca vai abandonar a mãe. E que seguir a vida não é um egoísmo ou um abandono.

Vou ligar pro meu pai de novo pra discutir mais o assunto, não to satisfeita com essas 18 pagininhas de word, hihihihih.

Conversinha de elevador

Genteeee.
Tava agorinha lendo o fofíssimo texto da Lia, que espera a Emília para janeiro (eu tb sou de janeiro, sidentifico!) e ela tava falando de final de ano, de expectativas, coisa e tal. Ótimo texto, passem lá.

Bom, mas aí me dei conta de que já estamos em novembro.
JÁ estamos em novembro.
NOVEMBRO.
De 2009.

Que daqui a três espirros mais, estaremos em 2010.

Nós, pessoas pré-históricas, provenientes do século passado, estamos assistindo a mais uma década passando (ou começando, como queiram).

Eu fico pensando...
Que eu ficava imaginando o que eu estaria fazendo em 2000, mas nunca meu mais ousado sonho chegou a 2010.
Que nossos filhos são/serão todos do novo milênio.
Que eles terão vergonha/acharão graça do fato de termos nascido em mil novecentos e lá vai bolinha.

O tempo é muito fugaz mesmo.

E eu to com o mesmo papinho de elevador das minhas tias, daqui a pouco estarei apertando as bochechas dos meus sobrinhos, exclamando "como você cresceu!!".

Sobre a vida II

Ontem foi/seria o aniversario da minha irmã (mais sobre a vida, aqui).

***

Como todo bom serumano, aprendi muitas coisas ao longo da minha vida. Mas, também aprendi com a morte.

A mais positiva e a que mais me “atormenta” é o gosto pela vida. Me atormenta porque fica muito difícil balancear as coisas. Ao mesmo tempo em que acho que tenho que ser uma pessoa razoável e planejar bem as coisas, penso que o amanhã não me pertence e que tenho que ser feliz e viver tudo que posso AGORA. Porque o amanhã não me pertence.

Então fico pendendo entre viver responsável e com planos e viver um relativo carpe diem.

Só que como ontem foi aniversário da minha irmã e ela só viveu 16 anos e ela não fez nada do que tinha se planejado (nem sexo, nem andou de avião, nem se apaixonou, nem dirigiu um carro, nem quase nada), eu atualmente estou pendendo mais pro ser feliz aqui e agora. Não consigo entender por que passamos a vida colocando condições pra fazer algo que nos deixaria felizes. Não sei por que não nos arriscamos. Se pensarmos bem, esses medos não tem tanto fundamento.

De tudo que pode dar errado, o pior é morrer. Eu sei, eu vivi isso. Eu vi minha mãe passando por muita coisa nessa vida (entre passar fome, ficar deficiente, perder empregos, ser roubada, ter a casa incendiada) e digo, com certeza, que não foram essas coisas que marcaram a vida dela. Foi a felicidade. O pior que aconteceu foi ela não poder mais estar aqui pra curtir as coisas boas. As ruins aconteceram e ela aprendeu com elas e seguiu.

De forma ou de outra, desde que estejamos nesse mundo com uma oportunidade de recomeçar, vamos ficar todos bem. Tudo vai dar certo.

Por isso, eu insisto:

Vou começar um curso de dança no ano que vem – mas porque não essa semana?
Daqui a dois anos vou me preparar pra fazer uma grande viagem – mas porque não começar a guardar a grana agora?
Quando eu tiver mais 3 anos de experiência nesse trabalho, vou procurar um melhor – mas porque não já olhar pras possibilidades essa tarde?
No ano que vem, estou planejando ter um filho – e porque não hoje?

Com esse pensamento, eu fui passear na Europa, seis meses depois do acidente com a minha família. Quando deveria haver luto, tinha eu curtindo a vida e andando de avião pela primeira vez (já que a minha irmã não pode, eu estava viva e nada me impedia).

Ainda pensando assim, um ano depois, eu me arrisquei a casar, com direito a uma puta festa. Eu festejei o amor, quando todos me criticavam por estar “abandonando” o meu pai.

E de novo, com esse mesmo pensamento, um ano depois do casamento, eu vendi a casa recém-montada e fui embora do país. Eu arrisquei, quando todos diziam que era hora de ficar quieta.

Com esse mesmíssimo pensamento, eu vou gastar um dinheiro que teoricamente não existe em mais uma grande, feliz e sonhada viagem, agora pra Nova Iorque.

E, finalmente, esse pensamento que impulsiona a minha vida me põe em cheque: se você quer tanto ter um filho, se acha que está preparada e já avaliou com cuidado todos os prós e contras, porque ainda está esperando?

Não tem motivo.

Sendo assim, Maridón e eu resolvemos que não temos mais nada pra esperar. Tivemos um final de semana de conversas importantes e plenas e maravilhosas. O que parecia ser um plano distante há dois meses atrás, agora é realidade.

Chegou a hora de realizar o maior sonho de todos.

***

Uiiii

Friozinho na barriga de ter escrito essas coisas.

Wish me luck, girls!

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