Eu planejo que essa seja a primeira e única vez que eu vá usar essa expressão de “tentar” (só não afirmo que será pq sei lá, né, as coisas mudam).

Fato é que hoje já é o quarto dia depois de quase 11 anos ininterruptos que estou vivendo sem a minha pílula anticoncepcional. Aconteceu naturalmente, como eu gostaria que fosse. Na sexta, eu fui a uma festa: sexo, drogas, rock n’ roll & living la vida loca. Voltei pra casa sei lá como e esqueci de tomar o remedinho. OK. Sábado teve faxina, vidinha de dona-de-casa comum. De noite, fiz uma comidinha gostosa e resolvemos tomar uma garrafa de vinho. Fui dormir altinha e esqueci de novo da pílula. Domingo: saímos com o baby dog, fizemos mercado, almocinho juntos, Maridón vai assistir ao futebol enquanto eu fico vendo histórias de nascimento no Discovery Home & Health (vício, aliás).

Aí assisto a um parto de uma mocinha de 29 anos que estava tentando engravidar há 4 e, depois de mil intervenções (FIV, IA etc), finalmente tinha conseguido. Ela estava tão emocionada. Simplesmente não conseguia acreditar que a espera tinha acabado, que o sonho dela tava se realizando ali, naquele momento. Geeente. Como eu chorei. Chorei, chorei, chorei. Foi tão profundo. Não só pela história da mocinha, mas pelo quanto eu me encontrei comigo mesma ali.

Aí me deu um estalo: a pílula! Esqueci! Peguei a cartela. Ia ter que fazer um malabarismo pra tomar 3 remédios ao mesmo tempo (sempre me dá enjôo e dor de cabeça quando esqueço por tantos dias).

Olhei muito praquela cartelinha que foi minha amiga por taaantos anos. “Chega, acabou”, eu falei pra mim mesma, mas em voz alta. Chamei o Maridón pra avisar que tinha parado e ele me questionou, pois havíamos combinado de esperar a consulta com o médico na quinta-feira. Não sei o motivo disso, mas acho que esperava que ele fosse me dar ácido fólico, vitaminas, recomendações, um beijo, um abraço. Sei lá. Na hora do nervoso, a gente se agarra a qualquer desculpa para adiar as coisas, né. Mas não mais. “Amor, pra mim, já chega. Nada vai mudar daqui até quinta. Eu não quero mais tomar remédio”, eu repeti, segura. “Quando eu chegar lá na consulta, aviso ao cara da minha decisão e pronto, ele me diz o que é pra fazer a partir daí e eu faço”. Maridón respeitou, concordou, sorriu e falou “Eeeee, então estamos oficialmente tentando!”.

Ai Pedro, sei lá, seja o que Deus quiser.

Eu não disse isso, mas pensei. Só não disse por que não acredito em Deus. Pra mim, melhor seria: “Ai Pedro, sei lá, seja o que a Carolina quiser”. Mas como a Carolina até tenta, mas não comanda o futuro, vamos deixar rolar.

Que Deus, o Destino, a Natureza, as Energias do Universo, New York, Buenos Aires, os meus Óvulos e os Espermatozóides do Pedro se entendam.

***

Estou dando um grande salto rumo ao desconhecido. Não sei mais nada a partir daqui. Tenho borboletas no estomago e arrepios pelo corpo só de pensar no quanto estou me entregando ao que não conheço.

Posso estar grávida agora, posso ficar grávida amanhã, posso não ficar grávida nunca. Não sei.

Não sei o que me aguarda.

Por isso, tenho uma certa implicância com a coisa de ser uma tentante. Sei lá. Acompanho blog de tentantes e acho essa expressão bonitinha e não me importo de ser colocada nas colunas de tentantes nos bloguinhos por aí.

É que não quero calcular ciclo, não quero medir temperaturas, não quero fazer teste de gravidez todo mês. Não quero me sentir mal, não quero fazer dessa decisão sublime um motivo pra ficar triste. Não sei de quantos dias é meu ciclo, nem sei diferenciar direito cólica menstrual de gases (ok, eu deixo vocês rirem da minha patetice). Não é por que eu não queira conhecer meu corpo, mas é que eu sei que essas coisas só iriam me deixar mais nervosa, neurótica, doidja.

Sendo assim, vou tentar relaxar e esperar que as coisas aconteçam. Quando tiver que ser, será.

😉

13 respostas em “Oficialmente tentando

  1. Carol, eu fiz quase como vc e deu certo. Não medi nada, parei com o anticoncepcional uns dias antes, não calculei ovulação, não senti nada e fui para Buenos Aires para festas como estas que vc falou (hihihi). Eis que, no meio da loucura, eu tinha sono. E não queria mais sair. E os meus amigos e marido sem entender, porque, afinal, a proposta era ficar todomundolouco. Era Cecilinha na barriga, me avisando que agora eu era mamasita, que era hora de me comportar um pouquinho. Foi uma viagem linda, linda, com meu grãozinho na barriga, sem saber, só desconfiando nos últimos dias, porque eu era da farra total e fiquei entregue ao sono.
    Bons ares te esperam!
    Besos

  2. É isso aí, Carol!! Relaxe e continue levando a sua vida normalmente. E estamos todos na torcida!!
    (única coisa chata quando as pessoas sabem que você está tentando engravidar é que elas vão perguntar isso toda vez que te encontrarem. E se demorar um tempinho pra acontecer, você vai ficar meio de saco cheio disso.)
    Mas você tem cabeça boa e vai levar tudo com bom humor, tenho certeza. Parabéns pela sua decisão. bjs

  3. Carol! Fico feliz que você tenha tomado essa decisão já que era algo que vc estava "querendo" há algum tempo.

    Assim, ser treinante não significa ser neurótica. Tem treinantes tranquilas e é o melhor que pode ser feito. Claro, geralmente o tempo vai passando e as pessoas vão se preocupando mais e aí, naturalmente, controlando mais os ciclos e cuidando os períodos férteis pra ajudar a fecundação.
    Mas tomara que você nem precise de nada disso e que rapidinho o baby esteja aí.

    Beijos!

  4. Amiga querida, como uma ex-tentante (é complicado isso, é o mesmo que pertencer ao grupo dos obesos, saber disso, mas não aceitar o "rótulo"…ehehe)que sofria de ESCA, te desejo toda, mas toda a felicidade deste mundo! Que este "admirável mundo novo" que se descortina diante de você te traga muitas realizações e sensações deliciosas!
    E que seu anjinho venha logo!
    Beijo Grande!

  5. meniiiinas!
    de forma nenhuma to colocando as treinantes no mesmo saco da ansiedade, nao, viu?

    eu sou uma!!

    só nao quero ficar verbalizando mto pq senao eu fico tensa por demais.

    e tensao é o melhor anticoncepcional que existe, alguém uma vez escreveu num blog – e eu acredito!

    a questao agora é relaxar e ver o que rola!!

    beijao pra todas

  6. Carol,

    Comigo foi assim: eu e o marido entramos no consenso e parei o anti assim q me demiti do trabalho, pois acreditava q o ambiente estressante q eu trabalhava não me permitiria uma gravidez saudável.

    Não contei pra ninguém. Não queria causar expectativa em mais gente do q o necessário: eu e o marido, tão somente! E vi q realmente foi bem melhor. Pelo menos pra gente.

    Minha cunhada passou um bom tempo tentando e eu via o qto a expectativa alheia a frustrava. Ter d dar explicação, entende? Enfim, não q as pessoas façam por maldade, mas elas acabam sendo invasivas.

    Qdo a menstruação atrasou e a preguiça passou a tomar conta do meu ser, acendeu a luzinha: vai fazer um exame d sangue. E assim foi, qdo eu menos imaginava, quando todos menos imaginavam.

    Enfim, toda a boa sorte do mundo!

    : *

  7. "esqueceu" a pílula, hem? Sei… hehehe
    Carol, é isso mesmo. Resolver engravidar gera muita ansiedade mesmo. Faça do seu jeito, mas eu te daria só duas recomendações (porque sou nerd): comece já a se alimentar melhor e tente pelo menos anotar as datas das menstruações, até porque quando você engravidar vai poder dizer pro médico a data da sua última menstruação e, assim, fica bem mais fácil estimar sua idade gestacional. Beijos e aproveite essa fase!

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