Senta que lá vem a história. Meu pai me ligou agora há pouco instaurando a polêmica e disseminando a discórdia (não é dele fazer isso, mas fez). A discussão é mais ou menos sobre o título desse post.

Vou contextualizar rapidinho: eu tenho uma tia que tem duas filhas (da minha idade, mais ou menos). Uma delas é casada há uns 4 anos, mas mora ainda na mesma casa que a mãe e a irmã. Não foi embora por falta de grana e pq meu tio morreu um pouco antes dela casar, então eles sentiram a necessidade de ficar juntos no mesmo lar por mais tempo. Agora, minha tia acaba de operar um câncer e está em tratamento de quimioterapia. Ela descobriu bem no começo e as chances são ótemas, tá cuidando de tudo direitinho e com bons médicos, então não tem ninguém desesperado – só um pouco preocupado porque câncer não é resfriado, né.

Bom, aí que a minha prima casada resolveu sair de casa essa semana, foi morar sozinha com o marido (finalmente, na minha opinião). Zenti, isso causou um rebubu na família.

Meu pai me ligou em modo revolts, falando que isso é um absurdo, que ela fez tudo escondido, que não levou a mãe pra participar da escolha do apê, não dividiu os planos com ela e ainda por cima foi embora no meio da questão doença. Acrescentou que a minha tia chorou o dia todo e que no dia seguinte ela tinha aplicação de quimio, uma maldade, segundo ele.

Eu levemente discordei e ele tentou contemporizar, dizendo que apóia a “evolução das pessoas”, acha que filho é isso mesmo, um dia sai de casa, mas acha que a prima não escolheu o melhor momento pra dar o grito de independência.

Ainda completou que minha outra prima (uma outra que planejou e anunciou o casamento muito tempo antes) é que tava certa, já que ficou oito anos preparando a mãe pra saída de casa. E pra terminar, ainda me deu uma espetada, falando que eu também não avisei nada e fui embora apenas 6 meses depois de ter anunciado o casório.

Ai meus sais. Eu penso tantas coisas sobre o assunto… se fosse há alguns meses atrás, eu me revoltaria de volta e diria pro meu pai que ele tá maluco, que a vida é dela, tava casada morando com a mãe, não há a menor surpresa em querer sair de casa pra construir a própria vida. Eu também fiz isso e não quis dizer que eu não estaria mais com o meu pai.

Maaas. But. Pero. A pré-maternidade muda as pessoas, né gente.

Eu me coloquei do outro lado da historia. Do lado da mãe com câncer que vê a filha indo embora. Do lado do pai que perdeu mulher e filha vendo a outra filha casar. Deve ser muito difícil. Você cria aquele serzinho, ensina tudo, dá base e apoio, investe e sonha. Muda toda a sua vida por ele. Redescobre o amor e a existência. Aí quando ele finalmente se torna uma pessoa super legal e interessante e adulta, vira as costas e vai embora. Requintes de crueldade.

Em princípio, acho que estou loooonge de ter que pensar nisso, mas na verdade avalio bem e vejo que é um tema-chave. Precisa ser pensado na hora de ter um filho SIM, acho que tá aí a base da educação que quero dar. Quero criar uma pessoa que possa contar comigo sempre que precisar, mas segura e independente. Quero dar ao meu filho as ferramentas que ele precisará pra isso, pra desbravar a vida. E mesmo eu tendo me sensibilizado diferente hoje com meu pai nessa discussão toda, pensei e pensei e continuo com a mesma opinião. Filho é para o mundo.

Acho que é um ciclo sem fim (aka Rei Leão), o filho nunca vai TE devolver o esforço que você fez por ele. Talvez devolva apenas sendo uma pessoa bem legal e do bem. Mas essa abnegação, essa entrega que temos (olha eu achando que já sou mãe) não virá de volta. Na verdade, já veio: dos nossos pais. E nossos filhos vão sentir isso é com os filhos deles. E se tudo der certo, um dia nossas gerações povoarão um mundo melhor e mais cheio de amor (agora já sou uma mãe meio hippie).

Sei que é um assunto difícil, mas li em algum lugar (não me lembro qual) que ser mãe é viver uma eterna despedida. Em todas as fases pelas quais o desenvolvimento de uma pessoa passa, a participação dos pais para concretizar os feitos é cada vez menos necessária. Isso tira um pouco o romance da maternidade (principalmente pra mim, acreditem), mas não acho que valha menos a pena por causa disso.

E queria que a minha tia soubesse que o amor da minha prima por ela é tão maior que o endereço… que ela nunca vai abandonar a mãe. E que seguir a vida não é um egoísmo ou um abandono.

Vou ligar pro meu pai de novo pra discutir mais o assunto, não to satisfeita com essas 18 pagininhas de word, hihihihih.

6 respostas em “Filho é para o mundo

  1. Tudo, tudo, TUDO muito certo, (na minha humilde opinião, é claro)KKKK
    É que na verdade faz parte do ser humano esperar reciprocidade nas relações, inclusive por parte dos pais!
    Por isso a primeira consciência, e talvez a mais importante, seja amar porque isso LHE faz bem, e não esperando o dia "do retorno"
    criamos e amamos os filhos mais do que a nó mesmos. Fazemos todos o possível para que sejam seres humanos do bem, com exata noção do seu papel neste mundão e o resto…bem, o resto é consequência!
    Adoro seu blog, leio TODO dia.
    Beijo flor!

  2. Caroil, vc vai ser uma mãe muito madura, viu? Aqui, estimulamos muito a autonomia da Ciça, mas tem hotras que nos pegamos pensando que ela vai ser tão independente que temos que nos preparar. Mas a gente também cria para o mundo e, como vc disse, não podemos esperar nada em troca, a não ser que ela seja uma pessoa digna, do bem.
    Beijos

  3. Carol, concordo 100% com você. Ouve-se muito por aí que filho é pra sempre, enquanto que o casamento é tratado como algo temporário. Pois eu acho que filho é pro mundo mesmo, porque quem vai estar do meu lado quando eu for velha é meu marido. Eles vão ter a família deles, e a coisa mais importante pra eles serão seus esposos e filhos. Assim como nós fizemos com os nossos pais. Então é preciso lembrar disso na hora de pôr uma criaturinha no mundo, o gesto mais altruísta de todos. E investir no companheiro, porque é ele quem vai segurar as pontas quando os rebentos forem embora.

  4. Eu assino embaixo do comentário da Lia, tem que investir na relação com o companheiro e não esperar que o filho fique na nossa jurisdição pra sempre (meda, pavora, desespera)
    Exceto que eu não sei bem se é só altruísmo ou se maternamos também por uma questão de busca de amor, de sentido na vida etc etc
    E vc, Dona Carol, anda tão madura na tua pré-maternidade que dá a impressão que já criou 6, viu?
    Beijocas

  5. Isso é polemico!
    Eu e Clarinha nunca fomos melhores amigas, por inumeras coisas.. o fato de morar com meus pais e eles se meterem na educação nos afasta um pouco.. o fato de quinzenalmente ela n ficar comigo.. o fato de eu estarmais tempo longe de casa do q dentro. Porem sempre tivemos um trato.. n existe segredos.. td TEM q ser contado.. n importa qd.. cada um no seu tempo, mas eu quero saber de td. No inicio ela achava um saco me contar, metodicamente, como foi o dia dela e escutar sobre meu dia.. fazia isso pra ela sentir q mesmo lçonge to ligada em td. Hj, ela com 6 anos, estamos cada vez mais proximas… fazemos varias coisas de mulherzinha… ela me conta os segredos do diario dela.. eu conto alguns dos meus segredos.. discutimos sobre coisas da vida ( of course dentro do q cabe na cabeça dela)… quero fz com q ela perceba que sempre tera a sua raiz dentro de mim.

    quase cheguei nas suas 18 paginas.. rs

    beijos

  6. Adorei esse post, Carol. Penso igual. Só completo dizendo a maior alegria de ser mãe é ver seu filho se desenvolvendo, criando asas, dando seus próprios passos (no meu caso, literalmente!). Ser mãe é ser altruísta. E isso vem naturalmente, pode acreditar.

    beijos

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