Das preocupações que habitam essa minha mente fértil, quero confessar que a questão grana me apavora.

Eu tenho um emprego legal que me paga mais ou menos na média pra alugar um apê de dois quartos, ter TV a cabo, internet, faxineira toda sexta, sair nos finais de semana, jantar fora e viajar de vez em quando. Maridón tem um emprego ok, mas ganha pouco e tá afim de se aventurar em outras coisas. Rapidamente se conclui que eu sou a principal responsável pela manutenção financeira da minha casa. É assim desde que casamos e eu nunca me incomodei com isso. Só que é uma situação diferente da maioria das mommys que vejo por aí, que ou não trabalham ou conseguiram esquemas de home office ou meio período.

Isso será impossível pra mim. Eu tenho que trabalhar. E a verdade é que o que sobra nas nossas finanças é exatamente o salário de Maridón, que não é muito, mas é alguma coisa. Daí o raciocínio é que esse salário dele seria o “sustento” do nosso baby.

Mas e os gastos extraordinários? Precisaremos de todo um aparato de tralhas pro baby, né? Eu fiz uma conta por alto uma vez e dava um valor de muitos dígitos. Não sei se fiz certo, a falta de experiência pesa bastante, mas considerei obra e montagem do novo quarto, carrinho, bebê conforto, cadeirinha pra carro (ih, mas não temos carro!), carro (agora sim), enxoval, vacinas de primeiros meses, remédios e demais cacarecos que eu não sei pra que servem, mas que todo mundo diz que tem.

Até aí, tudo sob (parcial) controle. A gente tem uns dinheirinhos guardados no Brasil que cobririam esse grande custo inicial (menos o carro, que parcelaríamos, ainda nao sei).

Mas aí eu fico pensando: e se Maridón efetivamente sai do emprego? Logicamente ele sairia por outro de equivalente ou melhor salário, mas fico com pena, acho que ele poderia estar livre para se arriscar, sem o fardo da responsabilidade de um baby. E, da mesma forma, fico com pena de mim. Eu não posso parar de trabalhar! Terei que me dobrar pra dar conta de tudo na vida (oi? Mas essa não é a realidade de todas as mães, independente de trabalharem ou não?). E se Maridón fica sem emprego? E se eu fico???

Tudo isso se acalma um pouco na minha cabeça quando penso na minha própria experiência como filha. Meus pais passaram pelos mais diversos momentos: muita grana, dois carros, duas empregadas e pouca grana, nenhum carro, a gente lavando a louça pra eles. Eu sei o que é estar na pindaíba (mas sempre com comida na mesa, graças a Deus) e sei o que é estar melhorzinha de grana (só não sei ainda o que é ser milionária, alguém quer compartilhar a experiência aí nos comentários?). E vocês acham que alguma dessas situações influenciou alguma coisa na minha infância?

Claro que não.

O que me marca demais é que sempre tivemos muito amor. Jantávamos juntos todo dia, batíamos muito papo (eu sempre gostei muito de conversar com os meus pais), meu pai fazia o dever de casa comigo, eu brincava bastante, tive infância valorizada, muita imaginação e meus pais embarcavam em todas as nossas modas, curtiam tudo com a gente. Fomos muito felizes e nada disso teve a ver com grana (sempre pontuando que eu não morei debaixo da ponte e não passei fome).

Tá, que lindo. Só que tenho privilégio de poder me organizar pra chegada do meu filho, então acho irresponsável botar uma pessoa no mundo pra passar por qualquer dificuldade junto comigo.

Sendo assim, fecho o post com a pergunta que o abriu e dou um pirulito da sabedoria de brinde pra quem me responder: quanto custa ter um filho?

16 respostas em “Quanto custa ter um filho?

  1. Carol, seus problemas acabaram! Minha experiência é igual a sua, eu ganhava mais que meu marido (que até sem trabalhar ficou, estudando para concurso) e tivemos um baby assim mesmo, por que não? A gente até hoje não pode prescindir do meu salário, embora eu não negue que adoraria trabalhar de casa, por exemplo. Até um tempo atrás a gente não tinha carro (nem queria, sabia? em SP é uma tortura, nosso prédio era antigo, com poucas vagas na garagem) e é completamente possível ter um bebê sem carro, viu? Experiência própria. Ainda mais em Bs as, que têm taxis baratinhos, para urgências. E tem calçadas ótimas para carrinhos de bebês, ao contrário de qualquer cidade brasileira.
    Faz assim; se concentra no que realmnete é importante (amor, carinho, afeto, saúde, cuidados básicos) e não tenha medo de encarar esta aventura.
    Qualquer coisa, pode me perguntar, viu? Sério mesmo.
    Beijo

  2. Oi Carol, concordo com a Paloma em tudo. Eu não estava planejando ser mãe e aconteceu. Foi um susto, claro! Tava no primeiro semestre de faculdade e com mil planos. E sabe o que mais??? No fim dá tudo certo. A gente se vira nos 30, aperta daqui, corta dali e consegue. Bom, alguns itens indispensáveis para o baby eu consegui em brechós de bebês! A gente usa determinadas coisas tão pouco que vale a pena comprar usado. Eu comprei carrinho e bebê conforto assim e não me arrependo. Quando o primeiro bebê conforto ficou muito pequeno fui até lá e troquei por outro usado maior. E enquanto gastaria uns 500 a 700 reais em bebê conforto, gastei somente R$150,00!!! E não tem problema não, reciclar é tudo de bom. Pra tudo temos alternativas. E tem coisas que vcs vão gastar mesmo e não tem jeito, como as fraldas por exemplo. hehehe. O mais importante você já tem, que é o amor e o desejo de ser mãe. O resto vocês vão dar conta, pode acreditar! E, como disse a Paloma, se tiver alguma dúvida, pode perguntar.
    bjinhos

  3. Carol, um bebê pode custar milhares de reais ou quase nada. Tem carrinhos de 100 e de 5mil reais. Tem bodys de 5 e de 150 reais. Tem leite materno gratuito e tem lata de NAN por R$40. E por aí vai. Você compra o que seu orçamento te permite, tudo se adapta. O bebê não vai morrer se andar num carrinho fuleiro, podicrê. Como você mesma disse, o que importa é o amor.
    Sobre ser mãe trabalhadora, isso faz parte da vida moderna. Minha mãe sempre trabalhou 40h semanais e nunca deixou de se dedicar de corpo e alma aos 4 filhos. Ela costurava pra gente, contava histórias, inventava músicas, montava nossos lanchinhos pra passearmos no zoológico (programa de pobre, sempre foi assim).
    E sobre o risco de perder o emprego, acho que quase todo mundo está sujeito a isso. Se todos deixassem de ter filhos por causa disso…
    Dá uma lida neste meu post aqui:
    http://sacodefarinha.blogspot.com/2009/07/do-que-gente-realmente-precisa.html)
    Fala sobre uma amiga que adotou um filho de surpresa. O marido ganha pouco mais de mil reais.
    Ah, e pense numa frase que meu pai me disse uma vez: "Se vocês não podem ter filhos, quem é que pode?"

  4. Carol, concordo totalmente com o que as meninas disseram. O comentário da Lia foi perfeito. Você gasta com um bebê o quanto está disposta a gastar!

    Bem, a minha situação é exatamente a da moça que adotou um filho de surpresa. Meu marido ganha pouquissimo mais do que mil reais, e só ele trabalha. Como sempre fui pobre (pobre mesmo, não passava fome, mas já passamos meses só com pouco mais que um salário mínimo pra quatro pessoas) isso nunca me afetou, pra nós é mais do que suficiente. Não viajamos, isso seria impossível. Temos bolsa de estudos, comemos muito bem, vestimos legal, sempre administrando bem a grana. Eu trabalhava antes, mas parei pq ganhava R$ 500,00 e era uma escrava, no fim esse dinheiro não adiantava pra nada. E mesmo assim, ó o baby aqui!
    Tem pessoas que podem me chamar de maluca, mas eu não acho não. Eu posso dar ao meu filho tudo o que uma criança PRECISA para viver, além das coisas materiais básicas, muito amor, dedicação e carinho.
    Não tenho carro e não me desespero pra ter um. Quando vou comprar coisas pro baby (e olha que eu mal comecei, eheheh) sempre pesquiso muito, compro algumas coisinhas mais baratinhas (que não significam serem feias ou de má qualidade, porém mais simples). Sem contar que a gente ganha muita coisa e eu não vou me importar de usar roupinhas usadas dos priminhos ou filhos de amigas. O brechó infantil tbm é uma ótima opção.
    Afinal, o que fica da infância não são as coisas materiais (não terá nem idade pra recordar) mas sim a nossa presença, o amor, as risadas, as brincadeiras e isso dinheiro nenhum compra…

    Beijinhos

  5. Carol, por mais que tentamos, não conseguimus calcular os riscos de todas as decisões tomadas. Quanto você casou também deve ter pensado nisso, quando foi morar fora, a mesma coisa. A gente tá sempre querendo calcular o custo e o risco de viver. E é impossível. Eu sou muito racional e gosto de ter controle das coisas, mas gosto mais ainda de acreditar que devo seguir o sonho e que tudo vai dar certo. A gente pode passar um perrengue um dia, mas no outro, a gente se levanta.
    Eu também preciso trabalhar, não posso viver com o salário o marido e nem ele só com o meu. Nossa renda é complementar, mas também não dá pra pensar que os dois ficarão desempregados e ai meu Deus.
    O que aconteceu comigo é a maior prova de que há males que vem para o bem. Estava muito bem empregada até que um belo dia o dono da empresa decidiu fechar a agência e em 30 dias estava desempregada. Parecia o fim, né? Pois bem, abri minha empresa, levei todos os clientes que eu atendia lá comigo e hj trabalho (pra KCT) via home office, ganahndo até mais do que antes. Tem suas desvantagens também? Claro, nunca sabemos o dia de amanhã, mas quando conseguimos saber isso?

  6. Amiga, minha situação não é muito diferente da sua. Temos uma vida financeira bem estável, o que nos permite até algumas extravagâncias, mesmo tendo um bebê em casa. Mas nenhum de nós dois pode perder o emprego, muito menos eu. então, desde que engravidei, eu sabia que teria apenas a licença em fulltime com o Arthur, porque não poderia deixar o emprego. E estamos indo muito bem, Arthur fica com a minha mãe, à noite vamos todos pra casa, e tocamos a vida. Por outro lado, uma amiga minha tem uma prima que está desempregada, grávida e mora de favor… E com certeza, nada vai faltar pra esse bebê. Porque além do amor dos pais, ele e seus pais vão poder contar com a solidariedade das pessoas, tem um monte de gente se juntando pra doar roupinhas (só estamos esperando saber o sexo pra decidir que dá as roupinhas…ehehe), móveis e tudo o mais. Deus não dá às pessoas um fardo maior que o que elas podem carregar, tudo se acerta, ainda mais se falando de receber anjinhos na Terra…
    Beijos grande!

  7. Eu acho q falta de din ( n eh o caso ok!) n impede de ter filhos. Eu acho realmente, zero hipocrisia, que se tiver amor e força na peruca pra trabalhar é possivel manter um baby. E tambem é importante saiba dar valor ao q tem. Exemplo: passei uma pindaiba ateh pouco tempo, meu din de bolsa na facul era um terço do salario minimo, exatamente para pagar xerox e o plano de saude, minha filha me pedia coisas e doía o coração mas eu sempre expliquei a ela tudoooooo. Hj estamos beeeem melhor, posso dar alguns confortos, que para outros são minimos e ela anda tao abusada faz chatagem se eu deixo de comprar o q ela pediu…. Então sentamos e conversamos, vamos ve como ela vai se comportar daqui pra frente.

    beijos

  8. As meninas já disseram grande verdades!! Se esperarmos o o dia perfeito para termos nosso filho será bem difícil alcança-lo, mesmo pq o ser humano vai sempre desejar um pouco mais e mais e mais…
    Estamos morando fora do país vivemos como a bolsa de estudos do meu marido e quando voltamos vamos vê por onde recomeçar…e se isso me preocupa? claro que sim, mas estamos vivendo muito bem obrigado e tudo vai se organizar..não tenho dúvidas!!

    Beijos

  9. Carol, acho que não há muito a dizer além do que as meninas já escreveram. Os comentários estão ótimos e se complementam. Eu também tive esse medo quando descobri que estava grávida, mesmo sendo planejado. E estava grávida de gêmeas. Hoje tenho apenas a Laura, também sou responsável por 90% das despesas da família, trabalho mais de 10 horas por dia e ainda assim consigo brincar com ela todo dia, ler, fazer artesanalmente cada um dos enfeites da festa de aniversário, costurar as fantasias dela para as festinhas da escola. Uma dica: faça um bom chá de fraldas. Convite muuuuuuitas pessoas, e os homens também, e peça para levarem um pacote de fralda e mais um presentinho da lista do que você precisa.

  10. Querida, vai dar tudo certo. No mais essas blogueiras profissa já disseram tudo: chá de fraldas, presentes de amigas que já tiveram babies, brechó, no car etc. Sem luxos desnecessários e inutilidades mas com muito, muito amor.
    Beijão, se nascer menino te passo um ou dois badulaques do Noah 🙂

  11. Claro que ter filho com grana sobrando é muito mais fácil. Por que aí você pode pagar o melhor plano de saúde, a melhor babá, comprar o berço mais lindo, a melhor babá eletrônica, etc. Mas dá pra ser uma excelente mãe sem todas essas tralhas, pode apostar! O que não dá é para ser mãe sem amor, sem querer de verdade um filho. É muito bom planejar o momento de ter o filho, mas é importante colocar uma data limite, pois se a gente ficar esperando o momento perfeito, nunca vai ser mãe: o momento perfeito não existe. Perfeição é isso: amar e ser amada.

  12. OLha carol, ler teu blog tdo me iluminou muito a mente e inclusive me deu algumas ideias, eu achava que eu era a única na face da terra a pensar racionalmente que dá sim pra ter filho sem ter muita grana, por que criança Precisa de Amor, além de tudo isso é o mais importante o resto realmente a gente consegue aos poucos, maios o que realmente importa e conta de verdade é o Amor, que sentimos por esse serzinho antes mesmo de te-los em nosso ventre.

  13. OLha carol, ler teu blog tdo me iluminou muito a mente e inclusive me deu algumas ideias, eu achava que eu era a única na face da terra a pensar racionalmente que dá sim pra ter filho sem ter muita grana, por que criança Precisa de Amor, além de tudo isso é o mais importante o resto realmente a gente consegue aos poucos, maios o que realmente importa e conta de verdade é o Amor, que sentimos por esse serzinho antes mesmo de te-los em nosso ventre.

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