ou fazendo paralelos com a maternidade

Uma vez, há muito tempo atrás, uma prima minha faltou o colégio porque estava muito triste que o cachorro dela tinha morrido. Achei uma grande bobeira, afinal era um bicho! Mas, mesmo assim, liguei pra ela e a garota não parava de chorar. Dei uma bela esnobada e deixei o assunto pra lá.

Isso pra contar o quanto esse cuspe pra cima caiu bonito na minha cara anos depois.

Bom, depois do episódio da prima, acabei tendo dois cachorros em casa, mas meus pais nunca foram pet friendly, daí a coisa não deu certo e os cachorros logo foram doados pra outras pessoas.

Aí que outros bons anos depois, me mudei pra Argentina, me sentia só aqui, Maridón também, queríamos dar uma agitada na casa. A discussão de ter cachorro ou não sempre rolou entre nós, mas a verdade é que quando o momento chega, você sabe que chegou. Você sente. Tinha chegado a hora de ter o nosso primeiro filho!

Pesquisei na internet, mas todos os bichinhos eram muito caros, eu estava ainda com dúvidas e medos, pensava no trabalho que ia ter, na dedicação que teria que dar e fui desanimando. Aí que me chega um email de uma pessoa com quem eu tinha entrado em contato, falando “é pegar ou largar: tem um cachorro sobrando, é macho, te faço pela metade do preço, entrego em casa e ainda te dou coleira e ração de presente”. Olha, se isso acontecer com vocês, DESCONFIEM. Já viram o filme Marley & eu? O cachorro da liquidação pode se tornar O Pior Cachorro do Mundo.

Mas, eu achei que era um bom negócio e aceitei. Ele veio. Olha que amorzinho:

Amamos. Ele era bonzinho e pequeno e só comia, dormia, chorava, fazia coco e xixi. Nada mais. A gente limpava e dava de comer e fazia carinho quando ele precisava. O chamamos de Chimi Churri (é um molho de churrasco argentino, é como se eu chamasse meu cachorro de Molho A Campanha, hahahaha). Tudo seguia muito bem.

Até que ele ficou doente. Muito doente.

Geeeente. Tá, eu já passei por tragédias na vida, mas foi uma dor profunda ver meu filho internado, magro, sem querer comer. Ele ia se abatendo cada vez mais a cada dia. Eu fui me abatendo junto, tava cansada (ia 3 vezes ao dia vê-lo), sem grana (a conta do hospital foi uma beleza) e, pior, me sentindo completamente impotente. Eu chorava muito, todos os dias. Vivi muito bem toda a minha vida sem ele, porque agora eu estava tão mal, sem conseguir imaginar o futuro?

Um dia, o veterinário falou que, se ele não se recuperasse, teríamos que pensar em sacrificá-lo. Desabei. Fui pra casa completamente atordoada, perdida, pedindo a todas as forças do universo que me ajudassem, pra eu entender e aceitar aquilo. E acima de tudo, direcionei todas as minhas energias pra melhora dele.

(pausa pra morder a língua e admitir que entendi totalmente o sofrimento da minha prima)

No dia seguinte, meu baby, MILAGROSAMENTE e contra todas as expectativas médicas, melhorou. Nunca fiquei tão feliz de ver um cachorro latindo! Levei pra casa, dei remédio, alimentei de 3 em 3 horas (nem sei como conciliei isso com o trabalho, só sei que tava obstinada e FIZ), deixei vomitar na minha mão pra se sentir mais seguro, avaliei o coco de todos os dias pra saber como estava a recuperação.

Sei que to fazendo um paralelo muito doido, mas ali eu fui mãe. Fui mesmo. Hoje eu sei que posso seguir com meus planos de ser uma mommy de verdade muito graças a ele.

E hoje Chimi Churri tá crescido, saudável e é a minha alegria de chegar em casa. Quem não tem ou não gosta de cachorro não sabe que, às vezes, eles podem ser muito melhores que muitos seres humanos por aí. Chimi Churri é meu filho, meu amigo, meu companheiro. É minha casa bagunçada, minha preocupação, meu orgulho.

E, acima de tudo, é liiiiiiiiiiiiindo!!!

(recomendo concordar comigo que ele é lindo)

9 respostas em “Chimi Churri, the baby dog

  1. Que fofo….eu amo animais, mas sempre fui dona de gatos. Pela praticidade, independência deles e o charme dos felinos que me atraem. Mas adoraria tem um au au, Rsss.
    Também odeio quando as pessoas fazem aquele pré-julgamento: Os gatos são frios, eles gostam da casa não do dono.
    Mentira, só quem tem um bichinho em casa sabe o quanto eles complementam as nossaas vidas.
    Aqui em casa eu e o Will temos o Lui, nosso miau fof, arteiro e muito carinhoso.

  2. Carol!
    Chimi churri é lindo,o nome dele é ótimo e você, obviamente, está pronta para ser mãe.
    Cachorro é um ótimo test-drive..hehe
    Obrigada pela visita. Já te conhecia por ser a visitante vip do Astronauta. Deixei até um recadinho para você por lá.
    vou te visitar mais vezes.
    beijos, especialmente para o Chimi!

  3. oooi chimi churri!
    adorei o nome
    adorei o post

    e sei bem como é isso. eu tenho meu filhote, ringo, de 15 anos e já tento me preparar psicologicamente pra sua partida mas.. nao tem jeito. sei que vou sofrer de qq jeito.

    às vezes no trabalho vejo de longe alguém passeando com o cachorro (e lá perto o povo só tem cachorro velho, q nem o meu) e me dá uma saudade absurda do ringo.

    ps: meus primos tinham um cachorro com nome de molho tb: chutney

    :)**

  4. carol, ele é realmente lindo. Entendo perfeitamente essa tristeza, já perdi dois cachorros, ambos morreram de velhice, um no veterinário e outro na casa da minha mãe. Chorei como criança e fico emocionada sempre que penso neles, mas no ano passado foi uma loucura. Minha gata ficou muuuuito doente, tivemos que interná-la, fazer transfusão de sangue do meu gato para ela e ela demorou uma eternidade para se recuperar. Gastei todo o dinheiro da festinha de um ano da minha filha para salva-la e quer saber, valeu muito a pena. Ela está linda e minha filha é doida por ela.

  5. Carol! Lendo o post de hoje (02/09/10) reparei nas suas marcações no canto direito e li baby dog.

    Lógico que me chamou a atenção, porque estou num momento totally baby cã.

    Me idenfiquei muito com o seu relato (vc já leu o meu). E é isso mesmo. É uma necessidade e uma certeza que de repente vem e vc sabe que tem que ter um cachorro!

    E eu, como vc, torcia o nariz para o povo que amava cachorro, porque achava tudo um exagero. Com uma grande escarragada minha na minha própria cara, hoje vejo cachorros passando pela rua e… suspiro…

    A minha Léia tá linda. Vai fazer três meses no próximo dia 12. E hoje não vejo mais minha vida sem ela.

    Acordo na buena às 6h da matina (antes levantava quase 7h) para poder alimentá-la, brincar com ela e deixa-la feliz, já que volto pra casa no fim do dia, pelas 18h30.

    Eu já tinha visto as fotos do Chimi, que vc me mandou por link no coments. Ele é lindão mesmo!

    Diga a ele que Léia envia um beijinho (tá vendo como fiquei maluca!hehehe)

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