Todas as mommys que eu leio falam praticamente a mesma coisa: que ter filho é COMPLICADO, mas que não conhecem sentimento mais forte na vida do que esse. Eu, curiosa ou pé-atrás que sou, novamente quis tirar a prova real e fui perguntar sobre o tema pras mommys “reais”: as que eu conheço pessoalmente. Perguntei pra sogra, pra tia, pra colega do trabalho.

Dois depoimentos me impressionaram: o da minha sogra e o da prima de Maridón, que teve baby faz 15 dias.

Minha sogra é uma pessoa prática e já passou por um monte na vida: o marido dela (pai do Maridón) morreu quando ela ainda tava grávida, a irmã morreu de câncer, teve outro filho de um casamento que não deu certo, teve dois cânceres (é assim o plural de câncer?). Sofreu, caiu, mas levantou, de todas. Mas, confesso, é uma meio seca (não sei se a vida a fez ficar assim ou se ela sempre foi). Não abraaaaça, não se emociona fácil, procura sempre o lado racional das coisas. Bem diferente de mim, no caso. Mas aí, ela tava aqui em Buenos Aires no mês passado e eu perguntei pra ela sobre a coisa TER um filho. Gente… Sogrón encheu os oio de lágrima, olhou profundo pra mim e falou: é maravilhoso. Quando você vê aquele ser pela primeira vez, parece que tudo pára e perde o sentido. A vida é outra depois disso.

Pedro, o filho dela. Maridón, no caso

O outro depoimento foi o de Anita, prima do Maridón. Anita é uma mocinha de 28 anos, casada que não mora junto (cada um com sua dinâmica), também muito racional e pouco “menininha” (essa coisa de usar rosa, brincar de bonecas, se vestir de noiva e ser uma housewife nunca foi a dela, de forma alguma). Anita engravidou meio por acaso, mas gostou bastante da idéia. Estive com ela no Brasil uma vez durante a gravidez e ela falava bem empolgada da coisa (ela fala bastante), mas não se RASGANDO de emoção (como eu acho que eu faria). Aí agora, 15 dias depois do nascimento da fofa Sofia, Maridón mandou email pra ela, perguntando como estavam as coisas. Achei meio estranha essa atitude, já que ele não costuma investir muito no relacionamento interpessoal internético.

Ela responde:

Sofia está bem, mamando que nem um bezerro, cagando que nem… Que nem um bicho que caga muito. Está ficando realmente gigante.

Nós é que estamos podres. Cara, é um trabalho do cacete. Diz pra Carol pensar bem se ela quer mesmo acordar no meio da noite pra limpar cocô amarelo.

Descobri que tenho pouquíssimas fotos delas. Difícil coincidir de ela não estar cagada, nem mijada, nem com o olho coberto de remela e nós não estarmos desmaiados.

Beijo.

P.S.: Diz também pra Carol (ou não diz, depende da sua disposição em relação a essa idéia de ter filhos) que na hora em que eu vi a Sofia pela primeira vez eu fiquei muda.
Eu.
Muda.
A coisa é chocante mesmo.

Maridón não só me disse, como me encaminhou o email e pediu autorização pra eu publicar no blog. E ficou todo bobo com a sobrinha cagoninha:

Sofia

Agora me digam: vocês acham que eu fico pensando no puta trabalho que será acordar durante toda uma noite? Ou na mudança que isso trará pra minha vida? Claro que sim. Mas acima de tudo, penso muito nessa sensação dourada e brilhante da “coisa chocante” de ter um filho.

Ai, ai.

6 respostas em “Pedro e Sofia

  1. Posso dar meu depoimento tb?

    obrigada.

    Qd minha pequena nasceu tinha umas historias rolando de criança roubada em maternidade. Eu teria ela em maternidade publica, pela primeira vez eu pisava num hospital publico.. Td era motivo pra insegurança msm. Entao toda vez q eu rezava pedia a Deus q eu pudesse olhar minha filha e nunca mais esquece-la, na singela tentativa q se caso a usurpassem eu pudesse reconhecer minah filha pelas ruas. E foi assim, qd ela veio , já veio de olhão bem aberto e me olhando… eh nessa hora q da aquela sensação ja tanto falada… e colocaram ela numa posição que eu poderia ver dois "defeitinhos" dela.. sinais q só ela tinha.
    Passei a madrugada acordada, olhando cada detalhe e crendo que td nessa vida é perfeito.

  2. Hahahaha essa prima aí apavora qualquer grávida de primeira viagem,hein? PelamordeDeus! Que vai ser difícil, vai! A gravidez mesmo não é um mar de rosas! Mas tudo na vida é assim: tem o lado bom e o lado ruim. No caso de um filho, eu entendo que até o que é ruim pode ser entendido como algo bom. "Ah, tá, lá vem a grávida doida dizer que trocar fralda cagada é algo bom". Hehehehe Estou com medo do que vou enfrentar logo após o parto, mas ao mesmo tempo estou feliz demais por viver essa experiência! Beijo!

  3. Linda, é assim mesmo… a parte lúdica da coisa funciona assim: vc olha pro baby e se derrete toda a cada gracinha, cada sorriso que ele te dá… a parte prática é assim: eles cagam muito, mamam muito, choram muito, você não dorme e sua vida vira do avesso, literalmente.
    Agora,
    Se vale a pena? Nossa, vale MUITO a pena, é impossível por em palavras o quanto é delicioso!

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