Publis, empreendedorismo e outros

Comentei lá no Facebook (não seguiu nóis ainda? Segue!) sobre o causo da mocinha que propôs parceria com o blog em troca de nada.

Vou seguir o raciocínio aqui:

Muitos se chocam, mas o modelo é velho. Não é de hoje que tem muito blog fazendo publieditorial (posts patrocinados por empresas) sem ganhar nada ou quase nada, ganhando uns brindes mequetrefes ou ganhando muito dinheiro e não avisando nada aos leitores.

Eis a minha opinião sobre o assunto: faz quem quer. O espaço é de cada uma, manejem como preferirem.

Eis a minha segunda opinião sobre o assunto: sinalizem seus publis. Não é vergonha nenhuma trabalhar. Divulgar marcas que são legais pra sua vida ou que te pagaram um valor legal pra falar sobre elas tá no seu total direito. Avisem pro seu público, trabalhem direitinho e todo mundo entende o publi (ou deveria entender, vocês pagam suas contas com o quê, senão dinheiro?).

O problema, para mim, não está em vender espaço/post. O problema está em enganar seu público (pô, justo as mães, cara. Eu amo as mães, cês não amam não? Não enganem as mães - já tem todo um sistema prontinho pra fazer isso). Problema maior ainda está na empresa que acha que somos um bando de abestadas e que podem deitar e rolar fazendo a gente virar vitrine gratuita de merda.

Dito isso, eu queria dizer que: eu vou anunciar neste blog.

TADÃÃÃN. Todas chocada depois do bonito discurso.

Mas calma, gente. O discurso tem sentido dentro do que eu acredito e a publicidade também, por motivos de:

---> Saí do trabalho em empresa formal, agora trabalho em home office. Vulgo: frila. Vulgo: pessoa que shora sangue de tanto que trabalha pra pagar as conta (tá, isso foi um exagero, mas é fato que tenho trabalhado bastante). Dito isso, o blog, que sempre foi um hobby (since 2002, vai vendo minha carreira bem-sucedida faturando vários nadas ao longo dos anos), vai abrir espaço pra entrar uns dinheirinhos. Pelo menos pra pagar a hospedagem/domínio deste bloguinho.

Mas. But. Pero:

Não é qualquer um que vai anunciar aqui não. Vou abrir meu espaço pra falar do trabalho de outras mães (já falei que eu amo as mãe? Pois eu amo). Mulheres que, como eu, estão encarando a vida, as opiniões contrárias, a crise, o Temer (desculpe quem curte, eu detesto esse homi), e estão tocando seus negócios com lindeza e profissionalismo. Essas terão espaço aqui (empresas grandes enormes cheias do dinheiro também têm espaço, claro! Basta pagar, ué).

E não é que vou bater palma pra qualquer mãe loca dançar não:

A coisa vai ser organizada, extremamente bem sinalizada e minimamente de acordo com os meus valores e gostos. Nem sempre eu vou ganhar dinheiro com isso, muitas vezes (como será a primeira que já está preparada) vai ser só uma permuta, uma parceria. Parceria como essa que a mocinha do post no facebook me propôs, só que com pessoas que estão ombro a ombro comigo, lutando, trabalhando e precisando de incentivo (como eu também estou, quer me amar, quer me divulgar?). Empresa grande abusando da minha boa vontade não, né gente?

"Ah, mas eu não quero ver publicidade no seu blog"

Tudo bem, miga, não veja. Estará devidamente sinalizada e categorizada, prontinha pra ser pulada caso você não queira. Mas olha, deixa eu te contar uma coisa: desde que eu vi do que a força das mães unidas é capaz, eu não duvidei mais de nada nessa vida. Dá uma chance pra uma coisa que é muito boa, você vai ver. Vai comprar? Compre de uma mãe.


***

No próximo post: mais sobre como eumerma virei uma empreendedora ;)

Ela mama sim e tá vivendo, tem gente que não mama e tá morrendo

flagra da Alê Rocha

Quando Lucas mamava no peito, ele tinha uma certa regularidade na coisa. Talvez por ter usado chupeta até os dois anos, não chegou a associar fortemente peito a carinho/sono/tédio/dodói/crise do dólar/golpe do temer. Mamou até os dois anos e nove meses e tudo bem.

Passam-se 6 meses, nasce Luiza. Mamadora selvagem. Chupeta-free, Mamadeira-hater, Comida-kicker. Luiza não é bebê gorda, emagrece fácil quando fica doentinha (mas nunca tomou atb na vida, deus conserve) e tem uma relação meio chata com os alimentos, come pouco, é seletiva, enfim. Mas, mesmo com as doencinhas comuns da escola, um verme e um rotavírus que apareceu outro dia, eu a considero uma criança saudável, que nunca usou medicação forte pra nada, nunca foi internada, nunca teve uma febre mais alta que 39.

Tudo normal, a meu ver.

Aí quando eu vou ao pediatra ou quando alguém passa mais de dois minutos comigo, já começa a perguntação, a falação, as OPINIAUM: mas como mama essa menina! Não vai desmamar nunca! Assim não vai querer mesmo comer comida! Entre outros.

E eu acho tudo bem, não fico braba nem me incomodo, a curiosidade é normal, a preocupação é fofa e o carinho é bem-vindo. Particularmente acho que ela só está bem por causa do peito e não apesar dele. Também acho que tenho certo apego e um tanto de preguiça de fazer algo a respeito, e, na verdade, eu nem sinto que seja necessário fazer alguma coisa. 

Luiza tem 22 meses e mama o tempo todo, dia e noite. Demorei cinco parágrafos pra falar justamente isso.

E, na real, serviu apenas pra uma coisa que eu queria perguntar: com vocês, pessoas amamentadeiras, como foi? Mamará Luiza até os 18 anos em livre demanda?

Gentil


Lucas queria porque queria comer mais pão (antes do jantar). Depois de perceber que eu não venceria o causo, resolvi autorizar, ao que ele me agradece:

- NOSSA MAMÃE QUE GENTIL ISSO DA SUA PARTE MUITO OBRIGADO EU FICO REALMENTE FELIZ DE VOCÊ TER DEIXADO EU COMER MAIS PÃO EU QUERIA MUITO MESMO QUE LEGAL NÉ ACHO MUITO BOM MESMO ISSO VOCÊ É A MINHA MELHOR AMIGA...

verborragia, de quem será que ele puxou?

***

Repararam que ele agora usa óculos?
Pois, ele usa.

Contei a história quase toda no face, veja lá:

Lucas precisa de óculos! A descoberta

Escolhendo o modelo e uma cara feia pela mágica que não aconteceu

O problema do Lucas desenhado

Óculos: dia 1

***

Aproveita e segue a gente nas redesh sociaish!

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Casa de ferreiro...

... espeto de blog confusado.


Então. Na casa da comunicadora, social media, antenada e in que sou (oi?), você olha o blog que a própria tentou arrumar e olhaí a loucura.

Saibam perdoar, estamos em obras, vida loca, empreendendo, golpe rolando, olimpíadas logo ali.

Quem quiser botar a mão na massa comigo será super bem-vindo, começando por:

Como colocar o menu superior DENTRO da linha preta que lhe corresponde?
Hoje, no Globo Repórter.

***

No mais e vocês? Tudo bem cas quiança?

A festa da escola - versão carioca

Quem me acompanha há mais tempo sabe que o meu sofrimento DO ANO é quando a escola do Lucas inventa festinha com apresentação AND junto com ela vem: A FANTASIA.

Essa neura veio comigo da Argentina, porque quando ainda morávamos lá, a creche que o Lucas frequentava era mestra em inventar doideiras e ia eu resolver a pendenga. No último ano, a fantasia era super fácil, difícil foi fazer o Lucas querer dançar. Ele odiou, eu fiquei braba, deu tudo errado. E a fantasia que era fácil nem usada foi (era de gatinho, a quem interessar possa).

Aí mudamos de cidade, mudamos de país, mudamos de escola. E a escola nova fez o que era esperado dela, afinal: marcou uma apresentação das crianças. Mas a semelhança com a creche argentina (e quase todas do mundo?) parou aí. Em vez de me mandarem fazer fantasia, pediram dinheiro para produzir eles mesmos. Em vez de pedirem para buscar a criança e depois levar na hora da festinha, eles resolveram ficar com elas, preparando-as pro que ia acontecer. Em vez de fazer uma coisa em cima da hora, os ensaios duraram meses.

Era visível o quanto Lucas estava envolvido, animado, com aquela ansiedade boa, sabe?

Na hora de se apresentar, não deu outra, o menino sijogou:



E eu não sei o que senti. Juro que fiquei um tempão refletindo sobre isso. Porque, na real, sendo bem sincera, eu sempre participei dessas apresentações de escola, mas também entendo que elas servem muito mais para os pais do que para as crianças. Imaginem: elas são colocadas em situações de alta exposição, muitas delas choram, se assustam, se recusam a participar – como aconteceu com o Lucas no ano anterior, aliás. E isso a troco de quê? O que elas ganham com isso? Nada, eu acho. Só servem de macaquinhos de circo para os adultos tirarem mil fotos, se acotovelarem e se jogarem uns por cima dos outros numa ansiedade muito esquisita. Ansiedade da qual eu fiz parte.

Mas eu aprendi. Na época da festa junina, Lucas disse que não queria dançar e nem se fantasiar. Nós ouvimos e nem levamos ele. Mas na de hoje, ele queria, ele estava genuinamente animada. Não sei se foi porque está mais velho e entendendo melhor as coisas, ou se pelo colégio que conduziu muito bem todo o evento ou se simplesmente os astros se alinharam. Não sei. Sei que foi muito legal, muito fofo, ele ficou satisfeito, nós ficamos orgulhosos, todo mundo curtiu.





Sobre a reintrodução fail

Na maioria do tempo, eu fico de boas, mas tem vezes que cansa. Começamos a fazer a reintrodução dos alimentos na minha dieta, para testar a sensibilidade da Luiza aos alergenos, via leite materno.

FUEN FUEN FUEN

Ela reagiu na primeira etapa do teste. Em princípio, achei normal e até esperado.

Mas depois me deu uma gastura. Um ódio. Um cansaço.
Fiquei tão mal que caí doente.

Pronto, desabafei.

Agora é esperar, perseverar e olhar sempre pra essa foto aqui do lado, pois, por ela, vale todo e qualquer esforço.

Tempo de questionar

Compartilhei um texto na minha TL sobre a polêmica com ajornalista Fernanda Gentil e seus problemas com a amamentação. Daí uma leitora me questionou dizendo que ela só precisava desabafar e ser acolhida, como eu fui quando fiz a cesárea da Segundinha.

Achei interessante, pois eu também tinha lembrado da minha cesa quando essa história toda rolou na internet no final de semana. Acho interessante, pois eu sempre lembro da cesa quando surgem as (cansativas, eu sei) polêmicas facebuquianas.

De fato, salvo uma ou outra exceção, fui amplamente acolhida imediatamente após o nascimento da Luiza, recebi muitos abraços e relatos de outras mães que também tiveram o mesmo destino. Até hoje sou abraçada quando comento da minha tristeza pelo parto que não foi.

Em tempo, obrigada, viu? Mesmo. Foi importante.


Pois bem.

A tristeza existe e continua em mim, mas sinto que chegou a hora de olhar de frente pra ela e fazer a pergunta que todas se fazem: foi mesmo necessária aquela cirurgia? Vejam: eu não vou sofrer mais se descobrir que não foi. E tampouco ficaria super satisfeita de saber que foi. É só um assunto que sinto que precisa fechar, precisa completar seu ciclo. Eu preciso saber, preciso entender. E agora eu tenho o distanciamento suficiente para olhar pra essa questão e pensa-la com frieza.

A vocês que já percorreram esse caminho: como fizeram? Para quem perguntaram? O que motivou as perguntas? Foi bom ter as respostas?





Eu estou pronta.

Quando o filho de uma pessoa querida está por nascer...

A gente fica ansioso também.
A gente quer saber como está.
A gente sonha junto.

Um sonho vai nascer!

A querida e maravilhosa Lígia Moreiras Sena está quase parindo seu filho: o novo portal Cientista Que Virou Mãe. E eu e mais várias mulheres que eu admiro muitíssimo estamos juntas dando as mãos para esse bebê nascer bem, com respeito, amor e carinho.

E o trabalho de parto já começou, vejam!

Vai, filha

Só pra contar que hoje Luiza andou.

Engraçado, tem coisas que a gente acha que são normalíssimas, né? Quase todo mundo anda - algumas pessoas tem deficiências e não o fazem, mas não é o caso da minha filha. Andar, portanto, era esperado e um filme já meio reprisado; eu já vi filho meu dar os primeiros passos antes.

Mas não, gente, não. Cada humaninho é único e cada emoção pertence àquele exato momento, nada antes, nem nada depois mudam aquilo ali. Poder presenciar os primeiros passos na vida de uma pessoa é um privilégio daqueles.

Então ela andou, mas hoje não foi exatamente a primeira vez. Ela já tinha arriscado um passinho ou dois, mas digamos que tinham sido assim meio por acaso, meio caindo. Hoje não, hoje ela deu passos. Trôpegos e com carinha de bêbada (aliás, já repararam que bebê logo que começa a andar fica com essa carinha de bebumzinho? coisa mais linda), e engatinhar ainda é sua forma de locomoção escolhida. Mas ela foi. Ela andou. Aos 13 meses e 20 dias, um pouco mais tarde que o irmão, mas absolutamente no tempo dela.

Entre ficar besta e comemorar e incentivar, eu nem me liguei de fazer fotos ou vídeos. Tudo bem, que fique na memória esse dia feliz em que ela ficou andando dos meus braços pros braços da vó ou para os do pai. Alguns minutos na sala da minha casa que constroem a história da vida dela. E da minha.



***

Se Lucas veio para iluminar totalmente a minha vida (sim, ele trouxe A Luz), Luiza certamente veio para deixar tudo mais bonito. Meu rosto chega a ficar doendo de tanto que eu sorrio quando estou perto dela. Tudo está muito mais lindo, meu amor.

Entre as coisas mais lindas que eu conheci
Só reconheci suas cores belas quando eu te vi
Entre as coisas bem-vindas que já recebi
Eu reconheci minhas cores nela então eu me vi

Está em cima com o céu e o luar
Hora dos dias, semanas, meses, anos, décadas
E séculos, milênios que vão passar
Água-marinha põe estrelas no mar
Praias, baías, braços, cabos, mares, golfos
E penínsulas e oceanos que não vão secar

E as coisas lindas são mais lindas
Quando você está
Onde você está
Hoje você está
Nas coisas tão mais lindas
Porque você está
Onde você está
Hoje você está
Nas coisas tão mais lindas





Relato de amamentação da Luiza

Quando Lucas fez um ano, eu fiz questão de fazer um relato de amamentação. Achei importante registrar o tanto que eu tinha lutado pra chegar naquele marco – foi um ano difícil. E hoje faz um ano que amamento Luiza. O aniversário dela foi ontem, mas eu só pude amamentá-la pela primeira vez no dia seguinte ao seu nascimento.

Fiquei pensando se foi um ano tão complicado quanto o primeiro do Lucas. Não, não foi. Engraçado isso, supostamente deveria ter sido, afinal enfrentei uma alergia muito mais severa e múltipla que a do Lucas: Luiza não pode ter contato com leite, ovo ou soja. E recentemente voltei a desconfiar do chocolate. Mas o fato de já ter amamentado uma criança por dois anos e nove meses, ter ordenhado até a alma, ter dado várias voltas em diversos sintomas de confusão de bicos que Lucas teve (que é quando o bebê confunde a sucção correta, no caso dele também usar chupeta e mamadeira), ter amamentado grávida e ter tido um desmame respeitoso, tudo isso me deu serenidade e segurança.

a primeira vez
Então quando cheguei na UTI para amamentar Luiza pela primeira vez, eu não tive a menor dúvida: essa menina vai mamar. Botei a peita pra fora e aquela bebezica minúscula de menos de 2,5kg mamou. Sem jeito, sem força, sem foco – totalmente diferente do irmão – mas mamou. E desse momento em diante, nos 5 dias que ela ficou na UTI, eu fiz questão de dar peito em todas as mamadas (que lá eram fixadas a cada três horas: regras babacas de uma UTI quadrada). Durante o dia, após as mamadas, eu deixava ela no colo do pai e corria pra salinha de lactação, onde ordenhava o que me tinha sobrado, pra estimular. E sobrava muito, eu cheguei a ordenhar 120ml de colostro numa das vezes. As outras mães sofrendo pra extrair alguns pingos e eu lá tipo vaca-mãe, jorrando aquele leite inicial. Eu sentia orgulho, mas também sentia tristeza: “eu podia estar engordando essa menina em casa, não sei por quê estamos aqui”.

Daí chegou o dia que eu tive alta e ela não. Cara. Sair do hospital sem o filho é de uma crueldade que eu não desejo pra ninguém. A única coisa que me deu ânimo foi ver o Lucas em casa depois de tantos dias longe. Saí da UTI às onze da noite, deixei leites ordenhados para darem pra ela durante a madrugada e combinei meu retorno às sete da manhã do dia seguinte. Na noite em casa, eu acordei e ordenhei, pra manter a produção. E na hora que acordei pra extrair leite, ainda liguei pro hospital pra saber dela: se tinha mamado tudo, se tinha chorado, meu coração estava em pedaços.

No dia seguinte, às sete, eu estava de volta ao hospital. Meu pequeno pacotinho estava engordando bem, dei peito e fui descansar um pouco na sala de pais. Até que a enfermeira veio correndo atrás de mim: “ela vai ter alta hoje!”. CARALHO, que emoção. Peguei a mochilinha dela e fiquei toda besta de vesti-la pela primeira vez (quem fazia isso antes eram as enfermeiras, eu só podia trocar a fraldinha de vez em quando). Voltei, vesti, sorri, chorei. A médica veio dar mil recomendações e, quando chegou na parte da amamentação, eu a interrompi e falei: “deixa, deixa comigo. Ela vai engordar.”

a única foto com a plasticuda
Na saída, joguei fora a chupetinha que me deram lá na UTI, saí do hospital com o pé direito e sem olhar pra trás, prometendo para mim mesma nunca mais voltar.

No primeiro mês de Luiza, ela engordou 1,3kg. Eu nunca senti dor, eu nunca dei chupeta, nem mamadeira, nem nada. Eu nunca duvidei. Só dei peito. Dia e noite, meu único objetivo na vida era estar disponível pra ela. Não marquei hora, não via duração das mamadas, não pensava direito se estava no peito direito, peito esquerdo. Só ficava olhando pra ela e prestando atenção aos sinais. Deu certo.

Só que o primeiro e tranquilo mês passou e uma velha história começou a dar as caras: a alergia. Começou com uma irritabilidade, algumas cólicas. Passou pra um sono complicado e picotado. Teve refluxo. Teve uma pele muito estranha. Teve um nariz trancado e um resfriado que nunca passava. Teve diarreia, cocô verde, cocô com muco e, finalmente, sangue. No dia que veio sangue, eu tive a certeza: é alérgica. Nesse dia, eu chorei. No dia seguinte, levantei a cabeça e parti pra luta.

Foi uma luta dura, hein, não foi fácil. Luiza demorou muito para ganhar a luta e eu tive muitas dúvidas se era o ideal seguir amamentando. Busquei grupos de apoio, troquei toda a cozinha da minha casa, travei uma verdadeira guerra contra os traços e contaminações, fiz diário alimentar, consultamos alguns especialistas, aprendi a cozinhar, fiz toda a minha família parar de comer os alergenos.

Com a alergia tão atacada, veio junto um refluxo e um período de pouca engorda. Nessa época, chegamos a tratar com remédios e eu complementei um pouco as mamadas com leite no copinho, oferecendo meu próprio leite ordenhado pra ela. Durou uns 15 dias isso e ela voltou a engordar bem, então relaxei. Eu realmente confiava na força das peitas.

Um belo dia no meio disso tudo, minha licença acabou e eu voltei a trabalhar. No mesmo dia em que voltei, por mil motivos, pedi demissão. A alergia foi um desses motivos. Luiza, aos seis meses, ainda era muito instável e parecia reagir a qualquer coisinha. Sangrava constantemente e parecia que eu nunca acertaria a dieta – eu precisava estar com ela. Trabalhei por dois meses até finalmente parar e, diferente do que foi com Lucas, quase não ordenhei. Eu voltava em casa na hora do almoço para amamentar e Luiza quase não aceitava o leite que eu tinha estocado no copo, então meio que desisti. Não quis introduzir mamadeira e ela mamava muito quando me via, acho que acostumou ao tempo sem o peito. Ficamos assim, então.

Também nesse meio tempo, fizemos a introdução alimentar, que foi um perfeito desastre, hahahaha. Luiza não estava preparada para comer, mas isso eu só fui ver algum tempo depois.

Quando passei a estar em casa full time com ela, nos acertamos de novo e nos mudamos de país. Aqui no Rio, eu encontrei um médico excelente e ele foi a peça que faltava para terminarmos de entender a alergia, acertarmos finalmente a dieta e Luiza parar de reagir. Demorou quase 7 meses para Luiza estabilizar e parar de sangrar no cocô (por isso quando eu vejo mãe querendo desmamar porque tentou a dieta por uma semana e não conseguiu, eu penso: “calma, amiga, calma”). Com a ajuda desse médico, vimos que Luiza estava comendo mal também por conta das constantes reações alérgicas e, uma vez que ela estabilizou, voltou a comer minimamente. Ela é de comer bem pouquinho mesmo, então eu nem tenho grandes expectativas.

E assim, sem quase ver o tempo passar, chegamos a um ano de amamentação. Luiza está estável (depois de um mês de reações fortes devido a uma vacina que tinha proteína do ovo), dieta controlada e estamos aguardando a cura. Amamentando e sendo feliz, porque certamente é dos nossos momentos preferidos.

peito nela
Não sei quanto tempo irei amamentá-la, mas é fato que não tenho a menor pressa. A MENOR. É absolutamente prazeroso pra nós duas, é fundamental para nós, nesse momento. A experiência me diz que, com o tempo, essa conexão física vai perdendo lugar e outras coisas vão ficando mais importantes, mas eu realmente não tenho pressa e sinto que estamos muito bem assim, obrigada.

E se esse primeiro ano foi um sucesso, eu te digo os segredos, vem nimim:

- Confiança. A mais pura e absoluta certeza de que tudo iria dar certo. CLARO que tive dias de fraqueza, descrença, medo, cansaço. Claro que sonhei com chupetas douradas calando a boquinha incansável na madrugada boladona. Mas segui firme, meu objetivo era claro: PEITO NELA.

- Confiança – do Maridón. Que jamais deixou de ser parceiro, de acreditar, de quebrar a cabeça comigo over and over and over sobre as reações, sobre a engorda quando não era boa (teve mês de engordar um quilo, teve mês de engordar 100 gramas), sobre o mundo que tinha que parar porque eu tinha que amamentar. Ele acreditou e jamais questionou (tá, ele sentiu falta da chupetinha, mas já superou).

- Apoio. Da família, que embora estranhe muito tanta restrição, nunca me sugeriu desmamar. Dos amigos que se desdobraram para tentar me alimentar (os de Buenos, principalmente, com todo cuidado e carinho e dedicação, inesquecível). Dos médicos que consultei, nenhum citou desmame. Todos apoiaram.

- Cama compartilhada. Desde um mês de vida, eu durmo com Luiza e ela nunca nem chegou a ter berço. Eu já não tenho mais saúde pra essa vibe de passear pela madrugada pra amamentar criança não. E a minha criança ainda mama de noite sim, duzentas vezes (não sei quantas, estou dormindo).

- Livre demanda selvagem. É livre demanda DE VERDADE. Sem chupeta, sem mamadeira, sem limite de tempo, sem “agora não que tá na hora de ... (complete com qualquer atividade)”. Ela quer peito? Ela tem. Na rua, na chuva, na fazenda, eu não uso paninho e se alguém ficar de mimimi que viu um peito, vai ver dois.

- Muita água. Como fiz da primeira vez, uma boa hidratação ajuda muito.

- Acreditar. Já falei, né? Da confiança e tudo mais. Mas é que eu realmente não me deixei abater por peito murcho, por pouca engorda, por alergia, essas coisas. E eu tive tudo isso, mas tudo bem, ficou pra trás. A alergia ainda nem ficou pra trás, mas ah, um dia vai ficar, então tô de boas. Aceitando de braços abertos o que a vida me trás e fazendo uma caipirinha desse limao (mah oêê).


E vamos em frente. Quem sabe por mais um ano?

***

Last but not least, um agradecimento especial: ao Lucas, que foi quem me ensinou que eu posso amamentar sim. É ele quem hoje diz: “mamãããe, a Luiza tá precisando mamaaaaar!” pra qualquer resmunguinho dela. Um fofo, um querido. Foi ele quem me ensinou a confiar em mim, foi ele quem me mostrou que era possível. É possível, filho, é sim. Obrigada!


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